So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Não do jeito infantil que promete o impossível, mas do jeito desesperadamente humano de quem encontra alguém e pensa: é aqui que eu posso repousar a minha alma.
eu queria ser o lugar onde você encosta a cabeça quando o mundo pesa mais do que seus ombros conseguem suportar. queria ser a primeira voz que te acalma depois de um dia cruel e o último pensamento antes do sono vencer seus olhos.
eu queria viver um amor onde a rotina fosse uma forma sofisticada de romance. onde comprar pão numa terça-feira tivesse o mesmo encanto de atravessar oceanos. porque, quando o amor encontra a pessoa certa, até o ordinário aprende a florescer.
eu queria ser indispensável sem que isso parecesse uma prisão. ser a chave esquecida no teu bolso, a música que você canta sem perceber, o perfume que insiste em permanecer nas roupas muito depois do abraço terminar. não por necessidade, mas porque algumas presenças deixam de ser companhia e passam a ser parte da arquitetura da vida.
eu queria que o nosso amor fosse tão íntimo que as palavras se tornassem um excesso. bastaria um olhar atravessando a mesa, uma mão procurando a outra no escuro, um sorriso quase imperceptível para dizer tudo aquilo que o idioma nunca conseguiu inventar.
e, se um dia o tempo tentasse desgastar o que construímos, eu não pediria promessas. pediria apenas que continuássemos nos escolhendo. porque amar, para mim, nunca foi sentir intensamente por alguns meses; sempre foi acordar milhares de manhãs e ainda encontrar beleza no mesmo rosto.
eu não sonho com paixões que queimam cidades. sonho com incêndios silenciosos, daqueles que aquecem uma casa inteira durante uma vida.
eu queria ser teu da forma mais simples e, justamente por isso, da forma mais absoluta.
não para te possuir.
mas para que, quando alguém perguntasse onde mora a paz, você pudesse responder sem pensar:
“nos braços dele.”
A nuvem negra não chegou de uma vez.
Ela não apareceu como uma tempestade anunciando que tudo iria mudar. Ela veio devagar, quase educada, como uma sombra que aprendia os caminhos da casa antes de tomar conta dela.
No começo eu ainda conseguia enxergar o céu.
Ainda existiam dias bons, momentos que pareciam provar que aquilo era só uma fase. Eu dizia para mim mesmo que amanhã seria diferente, que alguma coisa dentro de mim iria voltar ao lugar.
Mas o tempo passou.
E a nuvem ficou.
Ela não precisava mais esconder o sol, porque eu já não lembrava exatamente como era sentir o calor dele.
As coisas continuaram acontecendo ao meu redor, pessoas rindo, histórias sendo criadas, músicas tocando em algum lugar. O mundo nunca parou por minha causa. E talvez essa tenha sido uma das partes mais estranhas: perceber que tudo continuava em movimento enquanto dentro de mim alguma coisa permanecia parada.
Eu comecei a existir mais do que viver.
Os dias viraram uma sequência de obrigações, os momentos viraram apenas momentos. Eu estava presente em lugares onde minha mente nunca estava. Eu respondia, conversava, sorria quando precisava, mas parecia que uma parte minha tinha ficado para trás em algum lugar que eu não conseguia encontrar.
E por muito tempo eu procurei um culpado.
Procurei em cada escolha errada, em cada palavra que eu poderia ter dito diferente, em cada versão minha que eu queria apagar. Eu carregava meus próprios erros como uma mochila cheia de pedras, e mesmo quando ninguém mais falava sobre eles, eu continuava voltando para buscá-los.
Até que um dia eu percebi que talvez eu nunca tenha sido o monstro que eu criei na minha cabeça.
Talvez eu só fosse alguém cansado.
Alguém que tentou, errou, perdeu coisas, machucou e foi machucado. Alguém que passou tanto tempo tentando entender onde tinha falhado que esqueceu que também estava sofrendo.
Talvez eu tenha finalmente conseguido me perdoar.
Mas o estranho é que o perdão não trouxe aquela paz que eu imaginava.
Não abriu o céu.
Não fez a nuvem desaparecer.
Ela continuou lá.
Só que agora eu não estava mais brigando comigo mesmo dentro dela.
E talvez esse seja o lugar mais estranho para se estar: quando você para de se odiar, mas ainda não sabe como voltar a se encontrar.
Quando você finalmente solta as correntes que você mesmo colocou, mas percebe que ainda está perdido no mesmo lugar.
A nuvem negra continua acima de mim.
Às vezes mais distante, às vezes tão baixa que parece tocar meu rosto.
E eu continuo andando sem saber exatamente para onde.
Não porque acredito que vou encontrar alguma coisa.
Mas porque ficar parado também já não parece uma opção.
Talvez esse seja o máximo que eu consigo fazer agora:
carregar a mim mesmo por caminhos que eu ainda não reconheço, tentando descobrir se em algum lugar existe uma versão minha que eu perdi no caminho.
Ou se eu estou apenas procurando por alguém que nunca mais vai voltar.
“I think I, I think I finally found a way to forgive myself”.
assassinato do auto ego
Existe um momento estranho em que o ego começa a perder a voz.
Não é uma morte completa, mas uma espécie de silêncio. Como se todas as certezas que eu carregava fossem uma casa construída com paredes de vidro, e bastasse uma queda forte o suficiente para perceber que, na verdade, eu nunca estive tão protegido quanto imaginava.
Talvez seja necessário chegar em algum tipo de fundo para enxergar.
Porque enquanto estamos no alto, tudo parece absoluto. Nossas dores parecem eternas, nossos desejos parecem indispensáveis, nossas versões parecem definitivas. A gente acredita que aquilo que sente naquele instante é a verdade final sobre quem somos.
Mas quando tudo desmorona, quando o personagem perde a fantasia, começa uma visão diferente.
Você começa a enxergar as próprias versões que já morreram dentro de você.
A pessoa que você era antes de certas dores. A pessoa que você tentou ser para ser aceito. A pessoa que você fingiu ser para não demonstrar fraqueza. A pessoa que você criou na sua cabeça e passou anos tentando alcançar.
E então vem a parte mais estranha:
perceber que nenhuma delas era realmente você.
E talvez nenhuma delas fosse falsa também.
Eram apenas momentos.
Porque no fim, tudo parece ter essa natureza passageira que a gente tenta ignorar. O sentimento que ontem parecia impossível de superar, um dia vira uma lembrança distante. A certeza que parecia inabalável, um dia parece uma ideia de outra pessoa. As coisas que jurávamos que definiriam nossa vida acabam sendo apenas capítulos pequenos em uma história que continua mudando.
A gente passa tanto tempo tentando encontrar significado em tudo, como se existisse uma explicação escondida esperando ser descoberta.
Mas talvez o universo nunca tenha prometido sentido.
Talvez nós sejamos seres tentando organizar o caos, criando narrativas para suportar a passagem do tempo.
Chamamos de destino aquilo que aconteceu.
Chamamos de aprendizado aquilo que conseguimos aceitar.
Chamamos de personalidade aquilo que são apenas padrões repetidos até parecerem permanentes.
E quando o ego fica despido, quando não existe mais a necessidade de parecer certo, forte ou invencível, sobra uma percepção quase assustadora:
nós somos muito menos fixos do que imaginamos.
Somos feitos de fases, encontros, perdas, memórias e versões que vão surgindo e desaparecendo conforme atravessamos a vida.
Talvez o fundo do poço não seja apenas um lugar de destruição.
Talvez seja o único lugar onde a gente consegue olhar para cima sem mentir sobre a altura que caiu.
Porque lá embaixo não existe mais personagem.
Não existe imagem para sustentar.
Não existe plateia.
Existe apenas você, diante de tudo aquilo que tentou esconder, percebendo que talvez a maior ilusão nunca tenha sido o mundo lá fora.
Talvez tenha sido a ideia de que algum dia nós realmente fomos uma coisa só.
Quimera Cinza
Dizem que o mundo nasceu em sete cores.
O meu esqueceu uma.
Não a mais bonita. Não a mais rara. Apenas aquela que fazia todas as outras parecerem vivas.
Desde então, tudo aqui existe em tons de cinza. O céu não ameaça chuva, ameaça permanência. As árvores não morrem; apenas desaprendem a crescer. As pessoas sorriem como quem assina um recibo.
Passei anos acreditando que algum caminhão estava atrasado.
Um simples lápis de cor.
Deveria chegar em qualquer manhã, descarregado por alguém distraído, e bastaria um risco torto sobre o papel da realidade para que tudo finalmente lembrasse que era primavera em algum lugar.
Mas os dias passavam.
E toda entrega vinha sem o pacote que importava.
Comecei a desconfiar que o atraso não era da estrada.
Era do próprio universo.
Então continuei andando.
Porque também me disseram outra coisa: existia um caracol. Um único. Em algum lugar impossível de encontrar. E quem tocasse sua concha deixaria de carregar o próprio peso. Não morreria do corpo primeiro. Morreria da espera. Como uma vela que finalmente entende que foi feita para apagar.
Passei a procurar o caracol.
Em cidades cheias demais para perceber o silêncio.
Em pessoas que juravam possuir mapas.
Em espelhos.
Principalmente nos espelhos.
Às vezes eu achava que estava perto. Via um brilho úmido no concreto, diminuía o passo, prendia a respiração…
Era apenas chuva.
Outras vezes confundia rastros com destino.
O curioso sobre perseguir uma quimera é que ela nunca precisa correr.
Você faz todo o trabalho por ela.
Enquanto isso, a tinta cinza continuava secando sobre tudo.
Descobri que o cérebro inventa cores quando passa tempo suficiente olhando para a ausência delas. Chama isso de esperança. Um defeito elegante da percepção. A mesma ilusão que faz marinheiros enxergarem terra antes da costa existir.
Talvez seja por isso que eu ainda acordava.
Não porque acreditasse.
Mas porque a imaginação sempre chega alguns segundos antes do desespero.
No fim, encontrei um velho caderno.
Folheei página por página procurando aquele lápis perdido.
Não havia espaço vazio onde ele deveria estar.
Nem marcas de que alguém o tivesse roubado.
Apenas uma observação escrita numa caligrafia que parecia ser minha, embora eu não lembrasse de tê-la feito:
“Você não está esperando uma entrega atrasada.
Está esperando uma lembrança de algo que nunca foi fabricado.”
Foi quando entendi.
O lápis não estava preso em alguma estrada.
Não havia caminhão.
Não havia fábrica.
Não havia catálogo.
Assim como o caracol.
Passei a vida procurando uma saída desenhada por alguém que jamais existiu.
E talvez seja essa a crueldade mais sofisticada do mundo:
não é que algumas pessoas morram sem encontrar o caracol.
É que certas almas sobrevivem para sempre porque perseguem uma criatura que o universo nunca teve a intenção de criar.
A cidade continuou cinza.
Eu também.
Mas agora já não olho para o horizonte esperando uma entrega.
Apenas caminho.
Como quem finalmente percebeu que algumas ausências não são atrasos.
São a arquitetura inteira do lugar.
íbis 458
Se existisse uma rachadura no tempo, ela não teria o formato de um portal. Teria o formato de uma chave de hotel.
Não importava quantas cidades existissem, quantos anos tivessem passado, quantas pessoas tentassem convencê-lo de que seguir em frente era a única direção possível. Havia uma porta que continuava respirando dentro da memória.
Era um número comum para qualquer recepcionista. Um quarto qualquer, num corredor qualquer, de um hotel que provavelmente já havia trocado os carpetes, repintado as paredes e substituído os colchões. Mas para ele, aquele número havia deixado de ser arquitetura. Tinha se tornado religião.
Às vezes acordava no meio da madrugada convencido de que tudo aquilo era um erro de cálculo.
Talvez tivesse digitado a sequência errada na vida.
Talvez o destino não fosse uma linha, mas um elevador. E ele apenas apertara o andar errado.
Então imaginava.
E se, em vez de voltar ao 505…
…eu voltasse ao 458?
Talvez fosse ali.
Talvez fosse aquele o quarto que o universo escondera para quem insistia demais.
Na fantasia, ele atravessava o lobby sem dizer uma palavra. O cheiro do carpete era o mesmo. A máquina de gelo fazia o mesmo ruído distante. O elevador subia lentamente, como se cada andar pesasse uma década inteira.
Quarto andar.
Corredor silencioso.
A mão tremia sobre a maçaneta.
Nunca era a coragem que faltava.
Era o medo de descobrir que a esperança também envelhece.
A porta cedia devagar.
O quarto permanecia mergulhado numa penumbra azul, iluminado apenas pela luz da cidade atravessando as cortinas.
Duas possibilidades existiam.
Na primeira, o frio.
Uma cama perfeitamente arrumada.
O travesseiro intacto.
Nenhuma mala.
Nenhum perfume perdido nas fibras do lençol.
Só o ar parado de um lugar onde ninguém esperou por ninguém.
Era ali que ele compreendia que alguns lugares continuam existindo apenas porque alguém insiste em carregá-los por dentro.
Na segunda…
Ela estava sentada na beira da cama.
Como da última vez.
Os pés descalços tocando o carpete.
As mãos apoiadas sobre o colo.
Nem surpresa.
Nem felicidade.
Como se nunca tivesse ido embora.
Como se o tempo tivesse esperado apenas por ele.
Ela levantava os olhos.
Sorria daquele jeito pequeno que sempre parecia pedir desculpas ao mundo por existir.
E perguntava, quase rindo:
Demorou tanto assim?
Era sempre nessa hora que o delírio começava a ruir.
Porque ele nunca conseguia responder.
Não por falta de palavras.
Mas porque compreendia, por um instante cruel, que não era ela quem estava presa naquele quarto.
Era ele.
Ela permanecia exatamente igual porque a memória não envelhece.
Quem voltava diferente era sempre o homem diante da porta.
Mais cansado.
Mais vazio.
Mais cheio de discursos que jamais teria coragem de dizer.
Ele caminhava até ela.
Queria tocá-la.
Queria confirmar que alguns milagres ainda obedeciam à física.
Mas quanto menor ficava a distância, mais ela parecia feita da mesma matéria dos sonhos que esquecemos ao abrir os olhos.
Ela desfazia primeiro nas mãos.
Depois no rosto.
Depois na voz.
Até sobrar apenas o quarto.
Silencioso.
Frio.
Absolutamente vazio.
Foi então que compreendeu a crueldade da mente.
Ela não quer voltar ao passado.
Ela fabrica um passado que nunca existiu exatamente daquela forma, só para continuar tendo para onde fugir.
O quarto nunca foi o problema.
Nem a cidade.
Nem o hotel.
Era a esperança infantil de acreditar que existe um número certo capaz de devolver uma versão perdida de alguém.
Ele fechou a porta pela última vez.
Não porque tivesse deixado de amá-la.
Mas porque finalmente percebeu que nenhum corredor leva de volta para pessoas que só continuam vivas dentro da memória.
E enquanto caminhava em direção ao elevador, sorriu de um jeito estranho.
Como quem aceita que alguns endereços não pertencem aos mapas.
Pertencem apenas aos delírios de homens que, durante tempo demais, confundiram saudade com destino.
benta
Existe um tipo de pessoa que não entra na vida dos outros.
Ela inaugura uma estação.
Antes dela, os dias acontecem como um inverno comprido. As árvores continuam de pé, os carros continuam passando, o relógio continua cumprindo sua obrigação de girar. Mas existe uma diferença silenciosa entre viver e apenas sobreviver. Quase ninguém percebe até encontrar alguém capaz de acender as luzes de uma casa que sempre esteve habitada por sombras.
Foi assim que conheci Benta.
Os olhos mais sinceros que já presenciei em 26 anos de vida.
Bonitas eram as coisas que aconteciam perto dela.
O café parecia mais quente.
As ruas pareciam menores.
Os silêncios deixavam de ser um lugar de abandono para se tornarem um idioma que duas pessoas podiam dividir sem medo.
Ela carregava uma estranha habilidade de fazer o mundo perder o excesso. Como se passasse as mãos sobre a realidade e retirasse todo o ruído que sobrava entre um coração e outro.
Algumas pessoas chegam oferecendo promessas.
Benta oferecia paz.
E isso era infinitamente mais perigoso.
Porque promessas quebram.
Paz vicia.
Passei tempo demais acreditando que anjos tinham asas.
Depois percebi que talvez eles apenas saibam permanecer quando ninguém mais consegue.
Ela nunca precisou salvar ninguém de incêndios, tempestades ou guerras.
Bastou existir.
Há pessoas que nos dão conselhos.
Outras nos dão coragem.
Ela me devolveu uma versão de mim que eu desconhecia.
Na presença dela, eu não precisava fingir ser forte. Não precisava vencer discussões imaginárias, provar inteligência, esconder as rachaduras ou construir personagens. Pela primeira vez, existir parecia suficiente.
E isso me assustava.
Porque quando alguém nos enxerga sem as armaduras, sobra apenas a responsabilidade de não ferir aquilo que finalmente encontrou descanso.
Nem sempre consegui.
É estranho perceber que o amor também pode carregar culpa.
Não aquela culpa dramática dos romances.
Uma culpa silenciosa.
A de olhar para trás e pensar que algumas mãos aparecem apenas uma vez na vida para nos tirar da água.
E nós, ainda aprendendo a respirar, acabamos soltando exatamente a mão que nos mantinha na superfície.
Às vezes imagino que Deus distribui milagres de maneira discreta.
Não em igrejas.
Não em profecias.
Mas em pessoas.
Pessoas que aparecem sem anunciar a própria importância.
Que entram pela porta como qualquer outra.
Que riem de coisas pequenas.
Que bagunçam os cabelos com o vento.
E só depois de irem embora revelam que sustentavam um universo inteiro sem nunca terem dito uma palavra sobre isso.
Benta era assim.
Nunca precisou dizer que era luz.
A escuridão fazia esse trabalho por comparação.
Existe uma rua dentro da memória onde ela continua caminhando.
Não envelhece.
Não se despede.
Não pede que eu a siga.
Apenas continua andando, enquanto tudo ao redor floresce com a delicadeza de quem nunca soube que estava realizando um milagre.
Talvez seja por isso que algumas lembranças doam tanto.
Não sentimos falta apenas de uma pessoa.
Sentimos falta daquilo que éramos quando alguém nos fazia acreditar que o mundo ainda tinha um lugar reservado para a esperança.
Benta nunca foi uma casa.
Casas podem ser reconstruídas.
Ela foi horizonte.
Você pode atravessar continentes inteiros, aprender novos idiomas, dormir em outras camas, conhecer outros rostos.
Ainda assim, em algum momento do dia, seus olhos procuram exatamente aquela linha distante onde o céu parecia tocar a terra.
E então você entende.
Existem pessoas que passam pela nossa vida para serem amadas.
Outras, para serem esquecidas.
Mas há uma categoria infinitamente mais rara.
Aquelas que nos libertam de nós mesmos.
Que chegam quando tudo dentro parece um labirinto sem saída e, sem perceber, derrubam uma única parede.
Não mostram o caminho.
Elas se tornam o caminho.
E mesmo quando já não estão mais ali, seguimos andando por causa da direção que deixaram.
É por isso que nunca consegui pensar em Benta como uma ausência.
Ausências pertencem ao tempo.
Ela pertence ao que existe antes das palavras.
Àquela sensação inexplicável de encontrar abrigo sem precisar entrar em lugar algum.
Se algum dia me perguntarem qual foi o melhor sentimento que experimentei, não responderei com felicidade.
Felicidade é breve.
Direi que, por um instante impossível da vida, conheci alguém cuja simples existência fazia o mundo parecer menos pesado.
E desde então passei a desconfiar que certos anjos aceitam viver entre os homens apenas para lembrá-los de que a salvação, às vezes, não desce dos céus.
Às vezes ela sorri.
E atende por um nome que ninguém mais compreenderá.
Benta.
Os doutores atuais não se formariam no ensino médio dos anos 80 e 90! A qualidade foi substituída por quantidade e incapacidade!
curiosamente, já não sofro por isso. Algumas feridas deixam de doer quando compreendem que nasceram para permanecer abertas
Querer não é poder; querer é uma tendência de fazer, poder é uma influência após a ação; portanto, não se comparam aos atos.
Às vezes me sinto como não fosse desse mundo, fico com o pensamento em silêncio, e outras vezes com vontade de gritar para todo mundo que estou sem paciência para nada.
Às vezes não tenho vontade para nada, e outras com vontade de fazer tudo o mesmo tempo, pensamento acelerado, vozes que não calam, sair correndo sem parar, e o mesmo tempo se esconde das pessoas e de seus julgamento e raiva de fazer parte desse mundo de pessoas hipócritas.
Cansada de se esconder de seus próprios sentimentos.
Só quem tem bipolaridade sabe o que estou falando.
Posso estar escrevendo isso agora e depois de segundos ter vergonha daquilo foi escrito.
Tem dias que não tem vontade para nada, apenas de chorar, outros alegres.
Isso realmente não parece real.
Às vezes a raiva me consome, mas muitas vezes sinto algo vazio por dentro.
Achar que o amor é algo que não nos faz bem e deixar agente frágil é errado , então prefiro ser muito errada
Não acredito em nada, pois nunca recebi nada de bom de ninguém, apenas desgosto. Se preciso de algo, só conto comigo mesma.
A vida não é feita de escolhas, e sim de oportunidades. Às vezes ela chega até você, às vezes não, isso não é falta de esforço, e sim a porcaria do destino.
Não queria ser mãe, mas fui
Não queria casar, mas casei
Não queria estar nessa cidade, mas estou
Não queria viver assim, mas vivo
Não queria nada disso, mas, mas, mas...
Já se questionou hoje?
Minha menina, não chore , não fique triste, apenas se apoie no meu peito e descansse seus pensamentos.
Tático Móvel
PapaMike
Oh, Senhor, meu Deus
Que em nosso peito não nos falte a coragem
Que em nossos braços não nos falte a força
Que nossas mãos sejam hábeis na batalha
Que a guerra não afaste a bondade dos nossos corações
Que a justiça e a honra sejam conselheiras do nosso juízo
E que cada cidadão mineiro saiba
Que a águia está altiva e vigilante
Zelando pelo sono daqueles que praticam o bem
Somos tático móvel
Somos tático móvel
Do tático sou fanático, frio como ártico
Certeza de matemático que o mal não avança
O crime fica estático, frente os dogmáticos
Doutrinadas no fogo, somos a ponta da lança
Tenta, mas não alcança nosso peso na balança
É feito de carcaça que não cansa os pulmões
Se faltar gás nas ações respiramos perseverança
Fisicamente mutações, o homem evolução
Darwinismo, criacionismo, erraram na previsão
Pois a ascensão humana são militares do TM
Homens indiferentes a dor, ao medo e a compaixão
Se tromba na escuridão, quem deve até treme
Aqueles que causam dor a fala é com pontapés
Cão pastor sou caçador, clamor desses fieis
Que pedem pelo amor de Deus um protetor sagaz
E Deus mandou direto do céu o tático de Minas Gerais
Zelando pelo sono de quem pratica o bem
De S10 acelerado na curva a mais de cem
Com armamento pesadão, semblante de ignorante
Postura de táticão, sempre altivo e vigilante
No convés da S10 abro mar feito moisés
Bato bota uso os pés com a tropa incursionada
Os (mérreis) dos cartéis são papeis de infiéis
Acham ser ramsés, mas minha fé é inabalada
Tropa centrada com caráter tradição BRP
Se for na mão é karatê, jiu-jítsu contra a praga
O crime é uma doença quem soluciona tem o brevê
Tupi maré, pra tripanosoma-cruzi, sou Carlos Chaga
De uzi estão os cabras da peste, lampiões
Eis que surgi na mata o que mata guerrilheiros
Mais venenosos que escorpiões são os monstrões
Em formações de motorista, comandante e patrulheiro
Três guerreiros o necessário pra barrar o avanço
Do inimigo, correm perigo ao trombar com a viatura
De seres destemidos, desenvolvidos sem descanso
Com ouvidos aguçados e olhos cheios de bravura
Contra o tráfico eu sou mais neurótico
Rústico, sistemático, contra o mundo caótico
Combato os narcóticos, sou fanático
Contra os sintéticos, eu sou tipo ácido
Cibernético, biônico, sou águia de aço
Genética de um taticano se define pelo braço
Traço plano, causo danos para boca, sou Listerine
Não passo pano pra quem está jogando em outro time
Zelando pelo sono de quem pratica o bem
De S10 acelerado na curva a mais de cem
Com armamento pesadão, semblante de ignorante
Postura de taticão, sempre altivo e vigilante.
Eles me ensinaram que nenhum homem poderia se tornar seu líder, a não ser que comesse a mesma comida, vestisse as mesmas roupas, vivesse da mesma forma que eles e, ainda assim, parecesse ser melhor.
