So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa

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Tudo aquilo que eu chamei de fim Deus chamou de processo. Tudo aquilo que me fez chorar tornou-se matéria-prima nas mãos do Oleiro. E tudo aquilo que pensei que me destruiria acabou se transformando em testemunho. Não fui eu quem escreveu esse capítulo. Foi a graça.

O que parecia grande demais para mim tornou-se testemunho de que Deus pode sustentar aquilo que minhas forças não conseguem carregar.

Talvez a maior conspiração seja aquela que acontece dentro da nossa própria mente: aquilo que acreditamos sem questionar.

O universo é tão vasto que talvez aquilo que chamamos de impossível seja apenas algo que ainda não compreendemos.⁠

Ser cristão é viver disposto a morrer por aquilo que se sente e se crê, mesmo sabendo que jamais será totalmente compreendido.

Aquilo que um dia te reduziu ao chão, hoje te ergue como um testemunho vivo do poder da superação.

Fui cinza, mas o sopro divino me reacendeu. Um sopro divino reacende aquilo que parecia apagado e faz da cinza início e promessa.

Nada pesa mais do que aquilo que tentamos esquecer. A tentativa de apagar memórias as torna ainda mais nítidas, como fotos que queimam, mas não desaparecem. E cedo ou tarde, precisamos olhar para o que evitamos. Só assim o passado deixa de nos perseguir.

O silêncio que incomoda funciona como espelho: reflete aquilo que
evitamos ver.

Existe uma distância entre quem eu sou e aquilo que o mundo espera que eu seja. E, nessa travessia, vou me perdendo em fragmentos. Há partes de mim que não retornam. O preço de caber é, muitas vezes, deixar pedaços no caminho.

Existe uma parte de mim que ainda conversa em silêncio com tudo aquilo que perdi.

O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.

O caráter é aquilo que permanece quando todas as máscaras finalmente se cansam.

O esquecimento nunca apaga o que fomos, apenas cobre de poeira aquilo que ainda respira dentro de nós.

Chamamos de saudade aquilo que resta quando o amor perde o seu objeto, mas conserva intacta a sua capacidade de ferir. Ela não diminui com os anos; apenas abandona o escândalo da dor e aprende a agir em silêncio. Há dias em que acreditamos tê-la vencido. Basta, porém, um perfume, uma fotografia ou o acaso de uma voz semelhante para que todo o edifício da serenidade desmorone. A alma nunca esquece onde foi destruída pela primeira vez.


- Tiago Scheimann

Fome


Miserável, à procura de um pão.
Aquilo que me foi oferecido está amassado pelo diabo.
Meu estômago ronca, como se estivesse a definhar.
De onde vem esta fome? — pergunto-me.
Um pobre, condenado a um jejum forçado, cujas necessidades não podem ser saciadas com migalhas aparentes.
Murmúrios de dor ecoam no ventre.
As plantações estão escassas, e não posso arrancar o fruto pela raiz.
Espero, ansioso, pela colheita.
Mas a foice que seguro parece ser a minha solução.
Que exagero, penso.
Hei de me fartar das sobras de um animal?
Todavia, não há o que fazer.
Resta-me aceitar que o tempo corra,
e esperar que esta fome não me consuma antes da próxima colheita.

Quanto mais complexa a realidade social, maior a necessidade de distinguir juridicamente aquilo que a aparência cotidiana confunde.

O tempo e a memória Sobre a superfície da terra, o tempo consome em silêncio tudo aquilo que tentamos erguer. Os carros envelhecem e perdem a utilidade, as velhas casas caem para dar lugar ao concreto novo, e patrimônios construídos com o suor de gerações são vendidos e esquecidos em um piscar de olhos. Nada do que é matéria resiste ao sopro dos anos. Até mesmo a memória daqueles que um dia foram grandes, cujos nomes ecoaram pela história, acaba silenciada, coberta pela poeira do esquecimento. Quando olhamos para a essência da vida, percebemos que a única certeza concreta é a brevidade do instante que nos é dado viver. O valor real não habita naquilo que acumulamos sobre este chão, mas na profundidade do que sentimos: no abraço demorado, no olhar sincero, no afeto cultivado sem pressa e na devoção com que cuidamos da nossa família. Todo o resto — o desejo de ser lembrado, a busca pelo prestígio, o peso dos títulos e a ilusão do “ter” — é apenas uma névoa passageira diante do mistério da nossa própria finitude.

Nem tudo aquilo que muda de aparência muda de natureza; e nem tudo aquilo que permanece nominalmente igual conserva o mesmo significado.

Toda norma possui uma história, uma finalidade e consequências que podem ultrapassar aquilo que seus autores imaginaram.