Sinto o Vento na Janela
O espírito natalino é uma janela com vistas para a infância que a gente abre no tempo, toda vez que o Natal chega.
Certo dia enquanto eu voltava para casa, olhei a chuva pela janela em meio as esperas da rotina. As gotas escorriam pelo vidro sincronizadas com aquela romântica canção que através do tempo eu ouvia. Olhar os pingos que corriam por aquela superfície vitral, era como contar as batidas do meu coração preso no seu grande abraço fraternal. Eu olhava pela janela enquanto seguia seco para um destino do outro lado da cidade, mas de modo poético a chuva parecia derramar a minha aguda dor de saudade. O silêncio reina lá fora, eu só ouço a nossa canção. Próximo do destino dessa poesia eu volto para sua direção. No fim, a janela totalmente embaçada, em tom de partida, sua declaração escrevia. Cada gota se fez um ponto... enquanto meu coração derretia.
A janela
"Je laisse la vie, comme les fleurs laissent la mort!
Les fleurs laissent la mort jolie,
La décoration des fleurs est unique,
Qui fait la mort jolie? sinon les fleurs?
Les fleurs embellissent, ensorcellent!
Elles sont la beauté de l'enterrement.”
Ao som das estações, fabricam-se ossos e costumes,
Estátuas e revestimentos culturais.
Há dias tenho tido lembranças de outras lembranças,
Tenho conjurado sonhos irreais em pesadelos,
E tenho tido pesadelos conjurando sonhos.
Possuo dois cérebros: Passíveis,
Conjurados um contrário ao outro.
Pela plenitude fictícia de nunca estar certo,
Tendo por prazer real, nunca se saber quando é que se está louco.
Com alguns retratos, eu escondo partes de uma parede despojada,
Expondo pequenos espaços a serem preenchidos pela imaginação.
Ah, esse pequeno mundo que arquiteto debruçado na janela.
Eu vivo em paredes que só existem dentro de mim.
Observo distante, esses quadros anacarados a vela,
Passo as horas tal qual um relógio velho; atirado-me ao chão.
Sob a escuridão de mim, oculto-me neste escárnio quarto,
Fico imutável na depravação imaginária dos pensamentos.
Escrevo sobre tudo, sem ter nunca conhecido nada.
Aqui redijo! – Como quem compõe e nada espera,
Como quem acende um charuto e não o traga,
Apenas saboreia-o por mera desocupação.
Escrevo, porque ao escrever: – Eu não me explico!
Como quem escreve, não para si, não para os outros,
Escreve; porque tem que escrever.
Transcrevo em definições um antinomismo de mim mesmo,
Depois, faço algaravias conscientes da imperícia consciência.
Nada é mais fétido do que a minha ignorância erudita.
Há três horas; – Sinto diferentes sensações,
Vivo a par disto e daquilo; – E sempre a par de nada,
Estou repleto de preocupações que não me preocupam.
Calmamente, inclino-me para o mundo de fronte à janela,
Observo que por pouco observar, eu tenho a visão da praça,
Diante dela, tenho também a visão de um pedinte violinista.
Inclino-me para dentro de mim e tenho a visão de um homem,
Que hora é homem e hora são as minhas sensações,
De que tenho sido um homem.
O meu mundo é o que posso criar da janela do meu quarto,
Esse coveiro desempregado da minha senil consciência,
Um túmulo escavado por falsas descobertas arqueológicas,
A terra anciã é o amparo às minhas espáduas sonhadoras,
Preceitos juvenis? – Todos mortos! E hoje são somente terra,
Mas estou cansado; acendo outro charuto e me afasto da janela.
O silêncio dos meus passos conforta o meu coração,
A fumaça traz lembranças que me fazem sentir,
Ainda que eu não saiba exatamente o quê.
Sou indiferente aos lugares que frequento,
Tenho sido visto por muitos, mas tenho visto tão poucos.
Ah, ninguém me define melhor do que eu mesmo.
Caminho de fronte ao espelho: A tentar definir-me,
Certeiro de que ao derradeiro fim, não terei definição alguma.
Exceto, a falsa definição de que me fizeram os tolos.
De volta à janela,
Vejo a esperança exposta em uma caneca e um violino.
As mãos que sustentam a caneca, cansam antes das cordas.
Os homens passam e rejeitam ajudar com um mísero centavo.
Ah, cordas que valem menos do que o som que proporcionam,
Ouço-o e por ouvi-lo, eu observo os espíritos desprezíveis,
O meu cansaço distorce as melodias que essa alma compôs.
Diferencio-me e jogo-lhe alguns centavos:
Ah, uma esperança surge nos ombros cansados.
O violinista volta a executar melodias nas cordas senis,
A pobre rabeca se torna um estradivário valioso.
Eu sou um escritor, mas, não sou ninguém.
Agora esse violinista; talvez seja alguém.
Talvez escreva melodias que muitos ouvirão,
Ou que ninguém, talvez!
Dentro de um raciocínio lógico eu o defino ao definir-me.
Ele é a esfera do infortúnio. – Eu sou a pirâmide do êxtase.
Intercalamos entre o que está por vir e o que está presente.
Reacendo o charuto, fecho os olhos e ouço a melodia,
Desta janela vivo sendo outro, para evitar ser eu mesmo.
Eu poderia sentar a praça e observar, de perto, o violinista;
Tudo que vejo da janela me deixa com os olhos em lágrimas.
Aqui de cima o mundo é admirável, mas não consigo explicar-me.
Que faço eu? – Que faço eu ainda aqui, debruçado na janela?
O mundo dá voltas
Hoje, pela manhã, abri a janela.
Os pássaros que lá ficavam, haviam sumido.
Não estavam mais cantando.
Me arrumei e fui à padaria.
As torradas que lá vendiam, não eram mais as mesmas.
Elas estavam pretas, queimadas;
E o gosto delas também não era o mesmo.
Mais tarde, fui para o meu trabalho.
As almofadas da minha cadeira eram tão duras quanto o trabalho que tinha a fazer.
O meu dia estava péssimo.
Era como se todos estivessem me tratando mal,
E aí conclui: eles estavam me tratando da mesma forma como eu os tratava.
Aquele dia amanheceu mais cinza do que o normal.
Olhei pela janela, mas o que vi não me animou.
Depois que você se foi, os dias passaram a ser mais lentos.
Olhar para o teto costumava trazer bons pensamentos,
Agora tudo que consigo pensar é em como sua ausência dói.
Agora, me pego olhando pela janela, na esperança de ver um pequeno raio de sol romper as nuvens escuras lá em cima.
Nunca imaginei que um vazio pudesse ocupar tanto espaço.
Sem cores
Grossas gotas de chuva batem na janela.
A terra está encharcada.
As raízes apodrecem.
As águas dos rios crescem.
E com força extrema vão carregando tudo o que veem pela frente.
Sem dó.
Mundo dolorido.
Mundo sofrido.
Um mundo quase em agonia...
Chove o dia todo... todo dia.
Ouço falar de tristeza.
Ouço falar que se foi junto com as águas toda a beleza.
Queria ouvir falar de flores...
Mas...
O que mais ouço é falar de dores...
De um mundo sombrio, sem cores.
Abre a Janela -
(Para Maria João Quadros)
Nunca mais sentirei o teu abraço nas noites de fado
nas vielas escondidas, nas travessas tortuosas,
nunca mais saberei do teu coração cansado
dando voz às guitarras virtuosas...
Para onde foi o timbre da tua voz?!
A suavidade com que me tocavas o rosto?!
Não ouves ... mas estou aqui ... a sós ...
ausente de mim, sem vontade nem razão, dentro do corpo.
Incapaz de voltar atrás ... a morte chegou ...
... sinto-me impotente ... cheio de frio e solidão!
Mas a vida é um ciclo, não pára nem parou
e em nós bate ainda o teu coração...
Teu rosto, teu perfil, tudo endureceu
alumiado à chama de uma vela,
não deixes quem te ama e não morreu
"meu amor abre a janela!"
(Na Basilica da Estrela em Lisboa.
À minha querida Maria João Quadros com todas as saudades possiveis e imaginárias tipicas de quando nos afastamos ... guardo-a no coração ... para sempre.)
INTIMIDADE
É manter a porta e a janela aberta, para quem desejas
Que tenha livremente, o acesso ao teu domicilio
Partilhar do melhor que conservas nas tuas prateleiras interiores
Apresentar cada detalhe especial e indiferente do mesmo
Dos móveis novos aos velhos, da grama às escovas de dentes
Permitir que se sentem no chão, cama, esteira e papeiem
Repartindo planos a curto, médio e longo prazos
Incluindo pastos e prantos
Intimidade
É algo pessoal ou alguém muito especial e, (in)transmissível
Cujo partilhas feelings, abertamente e com mente aberta
Colhidos do imo, ambos trajados com a sua natureza
Concordando que se dispam as almas, trocando nomes
Feios que naquele instante são lindos, porém, carinhosos
Rindo alto e falando baixo, diante do segredo dos segredos
Revelando o amor com sinais simples e vitais, sem esforço
Com direito ao PIN e ao PUK do que vos faz resguardar
A intimidade
É criar conversas curtas, longas e profundas pejadas de loucura
À vista de quem está de fora, sem proferir uma palavra sequer
Com troca de olhares, ao som de alguma melodia que algo vos diz
Ao olor de alguma fragrância, que algo vos faz rememorar
Depositando total confiança através de desafogos d’alma
Expressados pelo corpo, dirigidos a quem seleccionas à dedo
Sem temer que dali saia o que ali acontece, pois o que por ali passa
Por ali fica, na vossa inteira e plena intimidade.
Opoetadafogueira 🔥
ENCONTRAR
Hoje eu não olhei pela janela
Mas também o que importa?
Faz tempo que o amor não bate em minha porta
Me cansei de amores infantis, sem responsabilidade, que tem medo de amar de verdade
Por outro lado, não posso ser assim, em algum lugar existe alguém que também pensa em mim, e que está por aí sozinho, perdido em seu caminho
Eu não sei, pensei
Talvez eu precise de um pouco de humildade pra voltar atrás, e viver de verdade, parar de ter medo e seguir, deixar nosso encontro me reconstituir
Reconstruir, reformar, mudar as coisas de lugar
Minha casa precisa de cheiro, de sons entrando pela janela, cheiro de café coado, você me olhando calado, enquanto eu falo tudo que nem sei, tudo que eu guardei, o tanto que te esperei
Quero flores de esperança brotando em meu jardim
Sentar a beira mar e ver um azul sem fim
Me entregar
Deitar na grama verde e ver o céu, vento nos cabelos, quando eu abro a janela do carro e respiro aliviada
Seu sorriso, nossa estrada
Minha vida toda bagunçada, por que agora estou perdida, encontrei o amor da minha vida
Faz sentido? Deixa pra la
Quero raio solar pra tudo iluminar
Outra mão pra minha mão segurar
Eu sei que assusta essa viagem, na verdade nem sei se tenho tanta bagagem, pra poder lhe entregar
Mas estou disposta a jogar tudo fora naquela hora que te encontrar
É angustiante a dor daquilo que não tem zelo
De acordar com a fronha amarrotada do meu travesseiro
Preciso de vida caprichosa
De tardes carinhosa, simples, verdadeira
O que de verdade me põe no mundo por inteira
Que me faça encontrar paz no seu abraço
Que aposente todo meu cansaço, e que realmente me crie um laço, um nó, algo que não se desfaz
Me alcança e me mostra que isso é capaz
Não tenha medo de chegar e me absolver
Eu preciso tanto estar com você
O amor não é só um sentimento, é uma decisão que as vezes acelera o coração, mas que se toma com coragem
Que ainda permanece após a alta voltagem, do desejos dos corpos, e da boca aflita
Vem me convida, me põe em imersão em teu mundo
Que te mostro as manhas pra navegar em meu oceano profundo
Me deixa te perceber
Me mostrar mais pra você
A caminhada e severa
O hoje é hostil
Mas amanhã quero amanhecer com você
Enrugar a pele, e findar a jornada ao teu lado
Nosso lugar sagrado
Voz de quem ainda tem força pra dizer com encanto
Depois de tudo que vivemos, ainda te amo tanto
Olho através da janela.
Anseio um recomeço, um futuro ausente de lágrimas e grata por despertar a cada nascer do sol.
Digna de um amor que transborde os rios e mares que serpenteiam meu coração rachado, secos após tantas lágrimas perdidas.
Então, ao olhar através desta janela branca, desgastada com o tempo, eu escuto.
Escuto o sussurro dos pássaros cantando, a suave brisa da maresia,que agita a vida presente nas folhas de Louro.
E, ao fundo, escuto o som da água, a correnteza cristalina que purifica meu horizonte luminoso.
”O amor ecoou em minha janela,
Pois prometi jamais amar novamente;…
Voltarei a amar, assim que o amor me devolva minha sanidade perdida”
Imagine que Fred olhe pela janela e diga: “O solo lá fora está úmido. Deve ter chovido.” Ele está dando um argumento. O que deveríamos pensar disso? Poderíamos dizer:
Oh, querido, como o pobre Fred é medíocre! Ele obviamente está afirmando o seguinte: se chove, o solo fica úmido; o solo está úmido, portanto choveu. Se ele alguma vez tivesse frequentado um curso de lógica e erística ele saberia que ele acabou de cometer a falácia da afirmação do consequente!
Sim, poderíamos dizer isso, mas (parafraseando Haldeman parafraseando Nixon) isso seria um erro. É simplesmente desarrazoado e, na verdade, injusto, acusar Fred de cometer uma falácia assim tão flagrante quando uma interpretação alternativa deste argumento está prontamente disponível. Pois, embora Fred pudesse estar raciocinando dedutivamente e cometendo a falácia em questão, o mais provável é que ele estivesse raciocinando indutivamente, mais ou menos da seguinte maneira:
Quando o solo descoberto fica úmido, a chuva é a causa usual, conquanto ocasionalmente existam outras razões, como uma inundação. O solo de meu quintal está úmido agora e não há razão para pensar que alguma destas outras causas possíveis estejam operando, e uma boa razão para pensar que elas não estão. De maneira que é bastante provável que tenha chovido.
Obviamente este é um exemplo perfeitamente respeitável de raciocínio probabilístico, e o que os logicistas chamam de “princípio da caridade” exige que presumamos que Fred tinha algo como isso em mente, em vez da interpretação alternativa falaciosa, a menos que estejamos de posse de fortes evidências em contrário. Se falhamos em proceder assim, somos culpados do tipo de irracionalidade de que estaríamos acusando Fred.
" Em frente a janela se Encontrava um olhar perdido olhando para o céus buscando uma Antiga estrela que era a mais brilhante dos Céus, a estrela que Tinha o brilho mais puro , mais ao olhar o céus aqueles olhos que buscava essa estrela e o brilho que ela carregava percebeu que não se encontrava mais lá "
está fazendo frio,
vejo chovendo
pela janela
do meu quarto,
busco sonhos,
para curtir
momentos intensos
de alegrias,
esta noite.
OLHEI
olhei para a porta
esperando você entrar
olhei pela janela
estava nublado
olhei o celular
não havia notificações
você se tornou passado
apenas uma memória...
"Na janela fechada"
Havia um reflexo
Eu achei os olhos e a beleza de antes
Eu desacreditei de mim
Mas estava lá... bonitos desafios que arqueavam a sobrancelha quando eu olhava
Se eu atravessasse o reflexo, eu via
As luzes da cidade, das outras tantas janelas
Se olhos são janelas para a alma, o reflexo é apenas lembrança de ti
Lembrete que você está ali...
É desafiador, no silêncio da noite, se encarar em um reflexo
Pode refletir muito.
Hoje com o dia em luz
A janela vibrava o barulho da rua,
As tantas janelas escuras, buraco de outros...
O céu azul, rajado com rosa, laranja e nuvens brancas...
Não havia reflexo de mim...
30.11.2022
