Silêncio

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O Mar de Dentro


O peito às vezes pesa, o horizonte estremece,
E no silêncio da noite, a angústia aparece.
Vem com passos discretos a tal melancolia,
E esconde, por instantes, a luz que antes guiava o dia.


Mas nenhuma nuvem é eterna no céu do coração,
Sempre há espaço para o abraço da superação.
Se a tristeza hoje insiste em ser visita ou maré,
Amanhã o chão se firma na força da minha fé.


Renasce nos pequenos gestos a pura alegria,
Que brota como semente, sem ter hora nem dia.
Lembro quem sou, acolho minhas próprias dores,
E rego a auto-estima pra florescer novas cores.


Resgato a autoconfiança em cada passo que dou,
Firmando a alma no chão de quem eu sempre fui e sou.
Entre o medo e a esperança, deixo fluir o amor,
Que cura os desgastes e transforma toda a dor.


Sem pressa do amanhã, sem carregar o passado,
Vivo o tempo presente, com o peito abençoado:
Só por hoje eu sinto, cuido de mim e sigo em paz,
Pois sei que dentro de mim reside o ser que é capaz.


Poesia:
Luciano Bento

A Metamorfose do Afeto


​Há um silêncio sagrado nas coisas que não se explicam apenas pela lógica, mas que encontram morada na sensibilidade de quem sabe escutar o mundo com os olhos da alma. É nesse território onde a espiritualidade do eu se funde à espiritualidade com a natureza que se compreende a verdadeira dimensão da existência. As árvores não questionam suas raízes; apenas sustentam o peso do vento com uma força ancestral, ensinando que a autoconfiança e a autoestima não nascem do aplauso alheio, mas da certeza silenciosa de quem aceita o próprio ritmo e a própria coerência.


​Às vezes, perde-se nas ilusões de um amor platônico, idealizando silêncios e distâncias que só existem na curva dos pensamentos. Mas a vida, em sua infinita sabedoria, devolve ao chão fértil do real quando transforma esse amor platônico em um amor de amizade — aquele que se disfarça de carinho cotidiano e se sustenta no cuidado mútuo de quem não exige nada, senão a presença. É o verdadeiro amor amigo, que chega sem estrondo, trazendo a certeza do bem querer e a paz de um abrigo seguro.


​Nessa troca genuína, descobre-se o valor raro da reciprocidade. Não há balança pesando o que se dá ou o que se recebe; há apenas o fluxo natural de duas almas que se reconhecem e se validam. É a manifestação viva de um amor verdadeiro, despido de vaidades, que lembra que ninguém caminha só neste vasto labirinto da vida.


​Por tudo isso, fica o profundo agradecimento à terra que sustenta os passos, ao vento que sopra o supérfluo e às mãos amigas que se unem quando a tempestade ameaça. Viver é a arte de traduzir em versos o que o coração, com seu ouvido absoluto, capta na sinfonia do universo.


Luciano Bento

Preserve sua paz sem exigir que o mundo permaneça em silêncio.

Quando sentir o meu silêncio,
Pode ter certeza que será intenso,
Algo imenso,
Ensurdecedor.

Eu aprecio o poder do silêncio muitas vezes , ele é extraordinário , agora quando a pessoa não entende mesmo , a palavra torna - se indispensável.
Simone Vercosa

1677 "Sim, o Carnaval está chegando e Eu estranhando. Estranhando o relativo silencio dos Fanáticos que não querem Carnaval pois acham que é 'Festa do Diabo', coitados!"

1716
"Livros e Silencio: ótimos como (ou 'com quem') passar o final de semana!"

⁠Acho que histeria é o nosso silêncio diante deste grande episódio de solidão em massa.
(Referente aos anos 2020/2021)

O silêncio e a ausência de conflitos.

Experiência


Eu não nasci em palavras,
nasci em silêncio.


Primeiro, uma nota.
Pequena, quase tímida,
como quem ainda não sabe
se deve ficar.


Então outra responde.


E, de repente,
há uma história inteira
crescendo dentro do peito.


Eu fui aquilo que passou,
aquilo que doeu,
aquilo que quase ficou,
mas escolheu partir.


Fui o medo antes do salto,
a lágrima antes de cair,
o último olhar
antes de seguir.


E quanto mais eu caminho,
mais alto eu me torno.


Não porque a dor desapareceu,
mas porque aprendi
a carregá-la sem me curvar.


As notas correm,
como memórias sem destino.


Sobem.


Insistem.


Transbordam.


E quando parecem chegar ao fim,
eu descubro que era apenas
o começo de outra coisa.


Talvez viver seja isso:


perder algumas versões de nós
para encontrar outras
no caminho.


E talvez a música diga
aquilo que eu nunca soube dizer:


eu estive aqui.
eu senti tudo.
eu sobrevivi ao que me mudou.
e ainda estou caminhando.


Então as notas diminuem.


O silêncio volta.


Mas agora eu sei:


o silêncio nunca foi vazio.


Era apenas
a parte da história
que ainda não tinha aprendido
a cantar.

GRITO DO SILÊNCIO

No silêncio mora um grito
Que ninguém pode calar;
Ecoa além dos séculos,
Sem jamais se revelar.
Há mistérios escondidos
Que insistem em nos chamar.

Não há papiro que conte,
Nem pintura ancestral;
Mas existem tantos sinais
De presença imortal.
Vestígios que desafiam
O saber racional.

Há pegadas sem caminho,
Há muralhas sem pedreiro,
Há um mapa sem legenda,
Há um rumo verdadeiro.
Quem contempla tais mistérios
Fica mudo o mundo inteiro.

Descobertas escondidas
Dormem sob a própria luz;
Mãos humanas as ocultam,
Mas a verdade conduz.
Quem procura com justiça
Nunca perde a sua cruz.

Olhos veem o fenômeno,
Mas recusam explicar;
Cada nova observação
Faz a dúvida aumentar.
Há respostas escondidas
Que não querem revelar.

Explica o não do porquê
ou o porquê do não.

Há montanhas de perguntas
Sem resposta conclusiva;
Toda porta que se abre
Traz outra perspectiva.
O mistério alimentando
Nossa busca incessiva.

Há quem diga ser lenda,
Há quem jure ser verdade;
Uns chamam coincidência,
Outros, curiosidade.
Mas o tempo segue firme
Desafiando a humanidade.

Nem todo fato se escreve
Nos anais da tradição;
Nem toda história vivida
Cabe numa explicação.
Há segredos preservados
Pela própria criação.

O silêncio também fala
Para quem sabe escutar;
Nem tudo cabe na ciência,
Nem se pode imaginar.
Há verdades que esperam
Seu momento de brilhar.

Explica o não do porquê
ou o porquê do não.

Talvez um dia os mistérios
Saiam todos do esconder;
Ou talvez permaneçam
Sem ninguém compreender.
Pois nem tudo que existe
Foi nos dado conhecer.

Sigo ouvindo esse silêncio
Que parece até falar;
Cada dúvida desperta
Nova vontade de buscar.
Quem pergunta cresce sempre,
Quem procura vai achar.

E enquanto houver mistérios
Entre o céu, a terra e o chão,
Seguirei fazendo versos
Com respeito e reflexão.
Pois o grito do silêncio
Também mora em cada irmão.

Explica o não do porquê
ou o porquê do não.

TÁ NA SALA


Tá na sala o povo chegando,
Pra última despedida,
Uns trazendo no silêncio
As lembranças desta vida.
Eu, deitado, observo tudo,
Sem poder dar mais um pulo,
Pois já terminou minha lida.


Tem gente que fica calada,
Relembrando o que passou,
Revendo antigas histórias,
Tudo aquilo que viveu.
Outros dão boas gargalhadas
Das minhas velhas presepadas,
Das peripécias que aprontou.


Um lamenta a minha perda,
Diz que eu era bom amigo,
Outro fala: “É muito triste,
Nunca pensei nesse perigo.”
E entre um suspiro e outro,
Vão lembrando do meu rosto
E do tempo que esteve comigo.


Tem conversa sobre o presente,
Sobre a vida e a situação,
Enquanto alguém, bem baixinho,
Puxa outra recordação.
“Ele fez isso certa vez...”
E começa outra história
No meio da reunião.


Uns contam contos do falecido,
Que eu jamais pude imaginar;
Cada qual tem sua lembrança,
Cada qual tem seu contar.
E eu escuto em silêncio,
Percebendo que, no tempo,
Já não posso mais falar.


Chegam amigos e parentes,
Para os meus confortar,
Dão abraços apertados,
Tentando amenizar.
Mas, olhando aquela cena,
Descubro, sem mais problema,
Que não posso mais voltar.


Observo todos na sala,
Cada gesto, cada olhar,
E começo a compreender
O que é enfim descansar.
A conversa continua,
Mas minha voz ficou na rua,
Não tenho mais como falar.


Foi então que eu percebi
Que a vida tinha passado;
Eu estava ali presente,
Mas já não era mais lembrado
Como alguém que estava vivo.
Eu era apenas o motivo
De todos terem chegado.


Tá na sala a despedida,
Tá no rosto a emoção,
Tá no canto de um amigo,
Tá no abraço de um irmão.
E entre lágrimas e risadas,
Vão fechando as minhas estradas
Sem nenhuma explicação.


Quando o talude se fecha,
E termina a derradeira passagem,
Pela porta saio sozinho,
Sem bagagem, sem viagem.
Não levo ouro nem dinheiro,
Nem relógio, nem roteiro:
Só aquilo que fui na passagem.


A última porta se fecha,
E o silêncio toma o lugar.
Deixo a sala, deixo a casa,
Deixo o mundo e seu falar.
E sigo, sem mais demora,
Meu destino vida afora,
Para onde ninguém pode voltar.


Tá na sala!
Foi assim que eu compreendi:
Enquanto vocês se despediam,
Eu também me despedia de mim.

Vencer em silêncio é a única forma de triunfar sem convidar o inimigo invisível para a festa.

"O temor dos homens repousa no silêncio do fim, enquanto ignoram o fardo do agora. É um equívoco da alma temer a partida; pois, se a jornada da vida é tecida em tribulações, a morte nada mais é que o repouso onde toda dor se desfaz."

"O silêncio diante da injustiça não é prudência, é cumplicidade; calar-se frente a outra covardia é vestir a mesma armadura do opressor."

sozinha

já não é ausência
amadurece em silêncio
quase doce
quase liberdade
penso no que nasce
quando ninguém atravessa
minha produção sem ruído
sem moldura alheia
sem o peso do olhar que mede
o que surge de mim
talvez seja mais cru
mais meu
descubro
sou eu
Lilian Morais

Minha pesquisa atua na tensão entre silêncio e forma, onde o íntimo se afirma como presença.
A partir desse território, expande-se para questões coletivas e políticas, atravessando os impactos da colonização, as violências contra povos indígenas e mulheres, e os conflitos ambientais ligados à monocultura do eucalipto, ao uso do mercúrio e à exploração de energia fóssil.
Lilian Morais

Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.

Lilian Morais

Não me afaste com o silêncio do seu olhar; eu já aprendi a decifrar olhares com quem mais me amou.

Às vezes, meu cérebro parece implorar por silêncio: meus olhos se perdem em algum ponto, o mundo fica distante e, por alguns instantes, tudo parece querer desaparecer ao redor. Mas eu me agarro ao pouco que ainda me mantém presente, como se precisasse lutar contra a vontade de me desligar, porque, mesmo exausta, ainda não quero me perder de mim.