Silêncio
O silêncio, talvez não seja mais que sabedoria, que cansada de ouvir tanta coisa que nada diz ou acrescenta, tomou a inteligente decisão de se calar.
Estesia
Entre suaves acordes musicais, escondo-me exausta
da lida da vida, recostada sobre almofadas macias.
Acariciada pelo zéfiro da madrugada luto contra a sonolência
que me esgalha e a monotonia que me abate tacitamente.
Tento fugir das mesmices, reinventando tangentes,
fugindo aos padrões, às normais e às secantes banais,
esculpindo as minhas mais íntimas emoções.
Refugio-me de mim, de tudo e de todos, enquanto o lápis
traça e retraça, estraçalha a minh’ alma abstrata
fazendo surgir diversos temas, oblíquos poemas.
Sinto florescer o ardente desejo de varrer o sofrimento
que me seca e estesia pronunciando um novo acento
uma nova leitura, uma vida nova brotando no âmago.
Por alguns instantes absolutos perco-me
nas vibrações sonoras e não sinto o passar das horas.
Sinto reinar o silêncio superno que vem povoar o afã
O ímpeto estoura um bramido e punge a veia poética e o elã.
Enquanto mergulho nas palavras e escondo-me
entre pontos e vírgulas, acende-se uma luz
à minha volta que transfigura integralmente o meu ser.
e nesse acentuado instante, inicia-se
a minha existência cromática e vertiginosa.
Umbelina Marçal Gadelha
O que guardastes?
Por simples curiosidade
O que guardastes de mim?
O tom enérgico?
A amizade? A ternura?
A solidão? A desilusão?
Que pena!
Por que não guardastes o meu amor?
Se foi por ter-me ferido a alma;
se foi por ter-me ouvido sem me escutar;
se foi por ter-me usado, me esnobado,
esqueça, para sempre, esqueça.
Para mim, o que realmente importa,
e encontrar-me muito além
deste mundo vil,
é saber que já não me podes alcançar.
E mesmo que desejasses,
os meus mortais silêncios
não conseguirias ouvir.
São surdos os ouvidos
e mudas as línguas
das paixões vencidas.
Umbelina Marçal Gadelha
Baseado na música "The Sound of Silence", escrita por Paul Simon e interpretada por Paul Simon e Garfunkel.
Olá solidão, minha velha amiga!
Preciso desabafar com você mais uma vez.
Por que uma visão me surgiu calmamente,
Deixando apenas suas sementes antes que acordasse.
E assim que essas sementes germinaram, cresceram violentamente em mim;
Dentro do som do silêncio.
Novamente em sonhos atormentadores, eu andava sozinho por ruas estreitas de pedras.
Sobre um fraca luz de um poste, ajeitei minha gola devido ao frio e a névoa.
Nesse momento minha visão foi totalmente ofuscada pelo intenso brilho da Luz de Neon que irrompeu na noite,
E tocou o som do silêncio.
Essa Luz passou a desnudar tudo a minha frente,
Então pude ver muitas, incontáveis pessoas que falavam mas nada diziam, pessoas que ouviam mas nada compreendiam; e ainda, pessoas que compunham canções que voz alguma irá cantar.
E mesmo assim ninguém ousava perturbar
o som do silêncio.
"Tolos", pensei, "vocês não percebem?
O silêncio é como erva daninha,que cresce a sua própria vontade?"
"Escutem", eu gritei, "Talvez eu possa ajuda-los. Segurem minha mão, talvez eu possa puxa-los."
Porém minhas súplicas ecoaram no silêncio, como uma leve chuva que só é ouvida
Nos profundos poços do Silêncio.
E as pessoas passaram a curva-se e rezar para o luminoso deus que elas mesmas criaram,
Mas a tal Luz avisava, nas palavras que nela iam se formando, dizendo:
"As palavras dos profetas estão registradas nas paredes, como dos metrôs e cortiços, e tais palavras são incessantemente sussurradas
Ao som do silêncio.
O silêncio que mora comigo, fala mais alto que eu, mais alto que a chuva que cai lá fora e o vento que bate na minha janela...
Zéfiro soprava aura sublime
um vento que não sufocava
e por causa de CLARA pluma
o silêncio e poder roubava
de musas que vagava-lúmen
Nossas palavras realmente tem o poder de curar e destruir, mas cabe a nós escolher como e quando usá-las, pois a luta não é só de quem fala o que pensa, a luta é ainda maior de quem decide permanecer em silêncio.
Em alguns momentos de timidez..
Dizer-me que preciso falar
Sim falo!
Falo demais..
Palavras sem nexo, falo demais por não ter nada a dizer.
E no final compreendo o porque meu silêncio diz tanto aqueles que não precisam de palavras..mas que compreendem a alma apenas pelo olhar.
Não se apresse em ter respostas imediatas, aprenda ouvir os silêncios, respeite eles, eu sei é desconfortável, porque no silêncio muitas vezes há barulhos, mas há tesouros escondidos nele, e só é possível de encontra-los quando aprendemos a ouvi-lo.
É notório como as pessoas, uma maioria, não sabem ouvir.
Elas falam, falam, falam, justamente no momento mais importante em que elas estão diante de algo que precisam saber.
A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si.
Diante de tantos barulhos e ruídos da vida moderna. Pratique o silêncio e escute a sua voz interior.
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