Frases de esforço e recompensa que falam do valor do sacrifício
BREU DE MINHA LUZ
Demétrio Sena - Magé
Há em mim tanta coisa meio nada;
um inteiro quebrado em nenhum caco,
longa estrada sem vista pro futuro,
num buraco não feito na minha'lma...
Tenho aqui tanto lá indefinido,
muito algo apagado na memória,
farta história cravada num momento
esquecido no breu de minha luz...
Morro vivo no caos dessa dormência;
este corpo mais alma do que o corpo
é demência da própria lucidez...
Sinto a força brutal do não sentir;
do mentir com intacta verdade
na saudade que tenho de quem sou...
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ETERNA VIDA EFÊMERA
Demétrio Sena - Magé
Pergunto ao ontem, que até há pouco era o agora, em que buraco se meteu o agora, que agorinha mesmo ainda era. Ele foi para lá? Está nos braços de um novo ontem? Caiu no escuro e no vazio de ninguém sabe o quê? Nunca tenho resposta e logo pergunto ao já futuro e logo passado agora: E o futuro? Cadê o futuro? Virou passado ou se renovou na linha do tempo? É tão clichê dizer que a vida é um sopro... mas é tão clichê dizer que é tão clichê dizer que a vida é um sopro. Porque é... e ninguém há de soprar nada mais original sobre a vida e sua eterna efemeridade.
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DÍVIDA DA DÁDIVA DA VIDA
Demétrio Sena - Magé
Há verdades ferinas, que temos que ouvir;
tem cenários sombrios que temos que ver;
muitas fases passadas estão no porvir,
para quem as despreza durante o viver...
Aprendemos à força o que há por saber,
quando já desejamos mais nada sentir,
e caímos de nós, de tanto não caber
o que tudo nos faz contornar e mentir...
A idade conduz à prestação de contas;
nosso tempo não fecha sem juntar as pontas
pra cobrar por excessos e faltas na saga...
É por isso que as pausas, as reflexões
muitas vezes atuam como prestações
ou ideias de como se amortiza e paga...
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AMIGOS
Demétrio Sena - Magé
Há um mundo de amigos, talvez bem restrito,
mas que fazem meu mundo ser grato por ter;
tem um grito sincero de canto e poesia
nos meus olhos eivados, molhados de afeto...
Sei que o mundo traçado e disposto no mapa
já naufraga nas águas do seu narcisismo,
não escapa da fúria de sua tormenta
e se rende ao mesmismo do seu tanto faz...
Mas meu mundo de amigos, talvez meio feixe,
são a minha verdade capaz de salvar
desse mar que me atira terríveis tarrafas...
Os amigos são mundo que o mundo ignora
numa flora cinzenta, de fauna feroz;
ter amigos é voz pra curar o deserto...
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TEMPO EM PÓ
Demétrio Sena - Magé
Ando muito sem onde; sem caber;
há um poço insondável no meu peito;
um doer que nem sinto, por ser tanto,
que definho de muito não sentir...
É um vago voar sobre o vazio,
uma forte fraqueza que me gasta,
sinto frio no meio do calor,
numa vasta e sombria e compressão...
Toco a massa da própria inexistência;
minha essência não é essencial
nesta sombra que nada justifica...
Olho em volta, sem algo para ver,
pois viver é coar o tempo em pó,
pra tomar um café com solidão...
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GADO POVINO
Demétrio Sena - Magé
Há um povo tão povo, no pior sentido,
que defende seus lobos e persiste ovelha;
tem a velha doença de fugir da cura
para males e vícios de suas veredas...
É um povo tão povo, na pior versão,
sem a dignidade que não sabe ter,
pois o seu coração já se rendeu às dores
de não ver o que olha; como todo gado...
Elogia os que tiram suas lãs e peles,
põe os lombos à mostra para chibatadas,
dá risadas nervosas e louva seus donos...
Esse povo tão povo definhou em pé,
é rebanho empalhado que parece vivo,
sua fé virou cinza de apagar futuros...
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Respeite autorias. É lei
MENTIRAS SOCIAIS
Demétrio Sena - Magé
Há um eu pequenino no meu eu,
que se cala; que apenas observa;
sou a erva serena sobre o chão
do qual vejo florestas de vazios...
O meu eu pequenino pra minh'alma
vê desfiles de músculos, motores,
vê o trauma da própria humanidade
se vestir de mentiras sociais...
Meu silêncio pro mundo tem a vida
numa bolha da qual consigo ver
a ferida que vai em cada peito...
Tem um eu pequenino em cada eu;
sei do eu do meu eu acomodado
onde sempre doeu estar no mundo...
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Respeite autorias. É lei
Há tempos em que um caminho se torna dois, e você deve escolher.
(Tom Bombadil)
Se você chegou até aqui há um desejo constante em você para a mudança e escreva Eu aprimoro minha versão.
"ha uma palhaça em vc..uma adolescente...uma criança... e uma força tão grande que chega a ser brutal... o problema é que todos preferem ver seu ego destruidor e ficam atormentados com ele... pq eu que vejo tudo de bom que vc tem....aah eu tenho o melhor dos seus mundos."
É ASSIM...QUEM ME CONHECE, ME DEFINE BEM..
Entre o que acontece conosco e a nossa reação, há um espaço, neste espaço podemos refletir e escolher a melhor resposta dominando assim nossos impulsos e destino.
Há quem diga que fazer o mal pode lhe fazer bem, mas o mal sempre será mal, e o bem sempre será bem...
Há centenas de milhares de infelizes sobre a Terra...Alguns atropelados pela desilusão,
outros fustigados pelo abandono e pelo descaso...
Há Tristeza na Alegria
Coração acelerado
Braços ao ar
Sorriso ingênuo
Olhos atentos
Euforia controlada
Felicidade ofende
Almas com dor
Abraça a tristeza
Com tanto amor.
Quem sou eu para escrever o que escrevo?
Escrevo há vinte anos. Para jornais, para sites, para quem quiser ler.
Há quinze anos, vivenciei a prática: atuei em associações culturais, comunitárias, presidi grêmio estudantil, estive em movimentos sociais — inclusive na luta LGBT — e comuniquei, com voz firme, em rádio comunitária.
Trago na pele e na palavra a marca das experiências políticas e ideológicas que atravessam minha existência desde sempre.
Tenho 38 anos de vida. E esta é, talvez, minha maior formação.
Sou inquieto. Busco, pesquiso, observo, anoto.
Gosto do que é difícil de compreender — não por vaidade, mas por necessidade. Porque há beleza no que exige mais da mente e do sentir.
Não temo a sombra: ela é natural.
Não fujo do vazio ou do silêncio: convivo com eles. E sei que são territórios que só os corajosos atravessam sem desviar os olhos do espelho.
O que escrevo nasce disso tudo.
Da coragem de pensar.
Do risco de sentir.
Da ousadia de encarar o que muitos evitam.
Apresentação de Lilo
por William Contraponto
Há dentro de mim um menino que nunca se calou. Seu nome, quase um sussurro de infância, é Lilo — apelido que as vozes tortas e apressadas das crianças deram ao “William” que ainda não sabiam pronunciar seu nome direito.
Lilo não é apenas um personagem ou uma lembrança. Ele é o princípio inquieto, a centelha primeira que ainda hoje ilumina meus passos no caminho do pensar e do sentir. Enquanto o mundo impõe certezas e verdades prontas, ele permanece com suas perguntas — simples, musicais, profundas — feitas sem pressa, com a curiosidade de quem observa o céu, a terra e os próprios pensamentos e não aceita respostas fáceis.
Ele é o contraponto das minhas convicções adultas: uma voz que canta dúvidas, que mistura o existencialismo da alma com o naturalismo dos fenômenos, e o encantamento científico pelo universo que se desdobra diante dos olhos.
Lilo pergunta como quem toca uma viola de brinquedo — uma canção que nunca termina, uma melodia feita de perguntas que atravessam o tempo, o ser e o mundo.
É por isso que apresento Lilo a vocês, meus leitores, como o guardião das “Pequenas Grandes Perguntas”. Um convite para que, juntos, nunca deixemos de perguntar, de duvidar, de cantar a infância do pensamento.
Porque, no fundo, toda poesia é uma criança que se recusa a dormir.
Sou um homem assumidamente romântico, que em tempos modernos é visto como bregua, onde há pessoas que tem o coração amargo, por não ter a coragem viver o Amor Verdadeiro.
Há uma razão para a inteligência ser transmitida instantaneamente pela eletricidade, logo é de suma prudência logica ter consciência existencial de domínio do circuito como o todo...
Há quem diga que nunca é tarde para tal.
As pessoas se perdem por pouco.
E o pouco, muitas vezes, é a falta de responsabilidade ou compromisso, que só é visível quando é tarde demais.
