Seda
NAIR
Minha mãe
Era como o papel de seda cobrindo a pipa,
Era o milho verde feito canjica
Canela em pó por cima da papa
Bife mal passado sobre arroz branco,
Figado acebolado cheirando
Café coado no pano,
As doces canções de moacir franco ...
Cabelo em desalinho,
Zêlo em forma de carinho
Cocada morena e branca
Em forma de coração
Como uma declaração
De amor a humanidade
Sua voz marcante e grave,
No ofício de nossa senhora,
Minha mãe carregaria se fosse preciso,
O mundo sobre os seus 44 quilos;
Abraçaria ao olhar, adotaria ao sorrir...
Minha mãe Nair
Mãe dos meus irmãos,
Mãe das suas irmãs...
Mãe da sua mãe!
Amo ao meu gesto
É como uma flor
De petalas e seda em setim
seu forte poder
Em amar
Demostra
Uma musica
De um anjo
Que me embala
e me faz sentir alegre
com um palpitar nas emoções
Desejo que se encontra
Entre as nossas razões
De viver e estar
Encontrei em si
A beleza de amar
Não adianta as posses, se o tesouro não está dentro;
O corpo usa roupas finas, seda, e linho, mas a alma veste os farrapos da ausência de virtude.
Prefiro a verdade nua e crua à mentira adornada com véus de seda.
(ver Provérbios 12:22 e Salmos 34:13)
Quando o assunto é amor
não há absinto que não
se torne poção mágica,
não há seda que não vire
doce toque de fada,
é a poesia que se curva,
reverenciada - e se alarga.
A poesia nos dá a liberdade
de sentir duas vezes:
sinto-me livre
para amar por mim e por ti,
e transformando o amor
dos outros em prosa e versos
de eternidade - pura imensidade.
Quando o assunto é amor
não há desalento ao vento
que não vire poema,
o amor alenta - serena,
é na sua companhia que se abre
em nós o arco-íris,
o amor é o dono do tempo
que cura as cicatrizes.
A poesia acerta o passo,
ela desaparece com as marcas,
faz de nós um só ser, reaviva
a chama das nossas inocências
apaixonadas - crentes e alumiadas.
Quando o assunto é amor,
ele é o próprio sagrado que fez
de mim um bicho agarrado desse
amor apaixonado;
amo você por cada graça e fenda,
e por causa desse teu jeito
de amar faz a cada dia
com que eu aprenda amar mais à você
do que a mim mesma,
aceno para que venhas todo dia,
e me surpreenda sempre
e carinhosamente para perto de ti.
Direto da rota da seda
trago as origens
jamais esquecidas,
assumo que ando
um pouco aborrecida
em meio ao temporal,
te levo em meu peito
em segredo imperial,
porque de jogos
e de amor refinados
sem modéstia nenhuma
eu os domino com
a sutileza que doma
os mais selvagens cavalos
e os transforma nos
mais obedientes ginetes,...
Neste meu corpo
e minh'alma nômades
que o tempo todo
ao verdadeiro
e tudo o quê é inteiro
vivem prestando
devoção atemporal,
ofertei-me à ti
como uma feiticeira
em noite de Lua Cheia;
E tal qual à uma caravana
ao redor da fogueira
desfrutando o chá
direto do samovar leal
dos acontecimentos
em busca do que é real,
ainda assumo busca
pelo teu ardente beijo
porque sem ele não
alcançarei o quê é sideral.
Foram espalhadas
as sementes etéreas
das papoulas brancas
pela Rota da Seda,
e para a Lua os sinais
nunca foram segredo.
A Attan da Via Láctea
tirou diante dos olhos
os véus dos impérios,
e os vestígios dos infernos
estão diante de todos.
A correção dos rumos
da História leva tempo
e pede ter o olhar atento
ao Universo como teto,
a Terra como alicerce
e a gentileza como alma.
Ninguém merece viver
com medo e apartado
do respeito, do diálogo
e do entendimento
que ir e vir é sagrado.
Na vida não te esqueça
que a sutileza do pássaro,
o colorido da borboleta,
e a liberdade do espírito
dizem muito sobre ficar
ou para trás tudo deixar.
Ninguém nasceu máquina
de guerra para conviver
fingindo convivência
onde a ira e a brutalidade
insistem em fazer ninho.
Nos carinhos de seda
decidimos preservar
no ônix a intimidade,
Para cada dia mais
vivenciar a liberdade
do mais lindo amor.
Mais valioso que
todos os tesouros
da Rota da Seda
é o teu charme
meu doce poema
capaz de fazer
perder a cabeça;
porque mesmo
sem você saber
tenho previsto
o quê será escrito
em ti quando
estiver comigo.
Com toques de seda,
lábios de veludo,
acendendo a candeia
do desejo profundo
e falando sério
ainda não te seduzi
do jeito que quero.
Com toda a poesia
e mistério que você
sabe que nela há,
ando em preparação
para o amor que virá.
Com o queixo caído
não vou te deixar,
porque teus lábios
estarão ocupados
gostosamente a beijar.
A brisa gelada sopra
e balança a Grandiúva,
A seda do nevoeiro
a envolve com doçura
e te envio este poema
para quem sabe conseguir
que você me queira só tua.
A Borboleta Seda-Azul
do Céu do meu Sul
se deixou iluminar pelo Sol,
E você querendo
o tempo todo saber
como chegar perto
e me ofertar o seu
borboletário vivaz e poético.
Nó Rapadura
O teu lenço gaúcho
deve ter um metro
de comprimento,
deve ser de seda,
que você nunca
na vida se esqueça,
quando o teu lenço
for vermelho
o teu nó é Maragato,
que é nó Rapadura,
e que é nó de Quatro
cantos para vestir
a pilcha com nobreza.
Os teus olhos me buscam
entre as veredas de estrelas
vestida com a seda noite
e rajada pela Lua opalina.
Entre o Ocidente e o Oriente
sou eu a mulher enigma
do consciente e inconsciente
que invoca a celebração
ininterrupta que você evita
reconhecer e por mim busca.
Os teus lábios ainda convivem
com a secura dos meus beijos
e as advertências do teu peito
que sinalizam imparáveis anseios.
Dona do beijo que desorienta
e do desejo que queima
sem deixar consumir e aumenta,
por mim os teus sonhos
evocam incontroláveis
em todos as alturas e tempos.
Até nas tuas fantasias não
existem mais regresso,
porque o teu querer está
trilhando o caminho certo.
Na seda da noite e envolta
por nuvens a Lua parece
uma pérola no céu
do Médio Vale do Itajaí,
O silêncio da cidade
de Rodeio faz pensar
no dia que terei você aqui,
Todo o dia presto um
festejo íntimo onde
te devoto o meu peito
para dizer que do amor
sublime jamais desisti,
não há nada que ocupe
o paraíso que criei para ti.
Não desejo medir forças,
na seda do mistério,
envolvidos pelos encantos
para que não nos importemos
com aquilo que se passa
lá fora assumo que quero
o jogo de sedução onde
os dois ganham o universo.
Nada supera a beleza
da Paina-de-seda
beijada pela ventania
que até parece um
castelo de fadas e poesia.
Dama trajada de vestido
branco de seda
como quem veste um poema
com direção rumo
ao Morro de São João,
Dama branca caminhando
solitária nas praias
da Cananeia deslumbrado
a atenção de quem passa,
Dama que não dá respostas
e fica na sua imaginação.
