Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao

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Sempre elevar-se, por que do chão não se passa e pro céu ninguém encontrou o limite.

Desisti da urgência.
Agora eu ando no meu ritmo, atento ao chão e ao que eu sinto.
Não corro atrás de um “lá” — meu ponto de chegada sempre foi aqui.
Eu sigo e, ao mesmo tempo, sou o caminho.

⁠Deste espaço tempo não levo nada, apenas deixo pegadas no chão do meu solo Sagrado e as marcas de um dia vivido com amor!

O Peso do Prato
Não é apenas o metal da balança,
nem a frieza do mármore no chão,
a justiça é o grito da esperança
que exige resposta do coração.
Pois a lei que se cala no papel,
e o direito que dorme na gaveta,
são como um barco sem timonel,
perdidos na fúria de uma tempestade preta.
Justiça é dar a cada um o seu lugar,
é enxergar no escuro a verdade nua,
é ter a coragem de não se calar
enquanto a injustiça caminha na rua.
Que a venda nos olhos não seja cegueira,
mas foco no que é reto e verdadeiro,
para que a equidade, sem barreira,
seja o juiz de todo o mundo inteiro.

Cada passo profana o chão.
O mundo não consente,
apenas suporta.
Sempre acreditei que cada passo
mostra um mapa invisível,
um destino que se desenha
nas linhas da palma vazia.


Carrego marcas que não escolhi,
símbolos gravados antes do nome,
juramentos feitos
num lugar onde a luz não entra.
Não sou acaso.
Sou resto de algo antigo.
Mas o norte apodrece
quando é tocado.


Caminho lendo sinais falhos
o corpo que falha,
o pressentimento que sangra,
o silêncio que nunca responde.
A intuição não guia
ela empurra.
É lâmina cega na carne,
força que chama
sem revelar o preço.


O coração não é templo.
É ruína.
Oráculo quebrado
que fala em ecos
e cobra em medo.
Como distinguir o chamado
da condenação,
se ambos usam a mesma voz?
Talvez a missão seja cair fundo,
errar o rito,
quebrar o círculo
e ainda assim continuar respirando.


Talvez seja escrever o caminho
com falhas,
com carne,
com culpa.
No fim, não há salvação.
Há movimento.


Viver é atravessar
sem sinal,
sem bênção,
sem garantia.
E o coração
esse órgão obscuro
bate não por fé,
mas por insistência

Há um alívio secreto em se jogar sabendo que existe chão. Não falo de certezas — certezas são para quem teme a vida. Falo do chão que nasce dos próprios pés, esse solo íntimo que a gente aprende a cultivar depois de tantas quedas que já nem sabemos mais qual doeu primeiro.

É libertador sentar no meio-fio sem medo de parecer deselegante. Elegância, no fim, nunca esteve na pose, mas na coerência interna. Prefiro o cimento quente da rua me lembrando que continuo vivo do que qualquer palco que exija um personagem. Às vezes é no meio-fio que o coração finalmente se endireita.

Vestir-se de si exige propriedade afetiva. É colocar no corpo — e na vida — as camadas exatas do que se é, mesmo quando isso desagrada expectativas alheias. Sustentar as próprias escolhas é um tipo de musculatura moral: dói no começo, treme no meio, mas mantém a coluna da alma ereta.

E nas crises, é preciso gentileza. Respeitar-se como quem protege algo precioso. Gritar pra dentro, chorar pra fora, respirar onde der. Permitir-se ser humano sem desmerecer a força que existe no próprio caos.

Nas dores, ser colo. Nas alegrias, ser testemunha. Em ambas, gostar de si como quem aprende, depois de tantas tentativas, que o amor-próprio não é um estouro, mas um sussurro persistente que nos chama pelo nome quando o mundo tenta nos esquecer.

A verdade é simples e devastadora: a vida não fica mais leve, é a gente que fica mais inteiro. E quando finalmente sabemos que há sempre um chão — mesmo que seja o das escolhas que sustentamos com o peito aberto — o salto deixa de ser risco e vira rito.

Rito de fé.
Rito de coragem.
Rito de ser exatamente quem se é.

Deixe a lágrima correr pro chão pra ela virar lama e tu não acabes atolado no teu proprio lamento.

Um covarde teme o abismo.
Um corajoso pula sem perceber que não há chão.

Um covarde teme o abismo.
Um corajoso pula sem perceber que não há chão.

Recomeçar não apaga o passado - ele vira chão firme sobre o qual você constrói o novo.

Distância não separa quem tem raízes no mesmo chão.

Engana-se quem me vê no chão e pensa que não tenho mais garra para lutar.
A vida só termina no último suspiro.

Botar o descarte na bolsa para não sujar o chão, mantém a alma mais limpa.

Será que você sabe como é perder seu chão? Sentir como se lâminas te rasgassem, e não ter ninguém para ajudar? Cicatrizes, mesmo se aparentemente fechadas, são só feridas prestes a abrir.
Não vale a pena passar pela dor. Não purifica, nem fortalece. Só quebra sua alma, e em algum momento, vai perdê-la. Voa para longe, e rasga o que resta. Como um anjo que caiu, perdeu suas asas, e quebrou as pernas.
- Marcela Lobato

"Maldade de algoz não alcança quem tem o pé no chão e a mente no trabalho."

O Chão das Emoções

Nesse terminal, o tempo é um nó,
Feito de braços que não querem soltar,
E de mãos que acenam, ficando sós,
Enquanto o destino insiste em passar.

Vivi o amor que chegava com pressa,
No abraço que abafa o som do lugar,
Onde o mundo lá fora não mais interessa,
Pois o meu universo acabou de desembarcar.
Mas vi também o reverso da sorte:

A despedida amarga, o peito vazio,
Quando a saudade sopra mais forte
E o resto da tarde se veste de frio.

Lágrimas que caem, molhando a memória,
Saudade que nasce antes mesmo do fim...
Nesse terminal ficou metade da história,
E a outra metade, hoje vive em mim.

Poesia de Islene Souza

Não preciso enxergar o caminho inteiro... basta confiar que, onde piso, Deus já preparou o chão.



Janice F. Rocha

Quem nunca tocou o chão não conhece a própria força.

Não me busques naquela criança de ontem,
Que temia o tombo e o chão que a esperava.
As lágrimas que caíam, silenciosamente, se escondem,
Na força da alma que a dor transformou.⁠


----- Eliana Angel Wolf

Pois sou guerreira, sou mãe, sou a loba,
Que reza pro céu, mas protege o seu chão.
Não venha com fúria, pois a sorte não dobra:
Só abaixo a cabeça pra falar com Deus.⁠
------- Eliana Angel Wolf