Se Fizer sempre as Mesmas Coisas
Nem sempre o pensamento
Te traz as melhores respostas
Pois existem coisas
Que simplesmente não as tem
E a ninguém é permitido
Estar correto o tempo todo
Não há quem tenha vivido neste mundo
E que não tenha cometido
Muito mais erros que acertos
E é nesses momentos
Que o pensamento
Muitas vezes surdo e mudo
Tem tudo pra tornar-se um grande amigo
Por não trazer-te
A solução mais errada
Pode ser
Que com um pouco de sorte
O Pensamento apenas conclua
Que se for
Pra confiar cegamente
Nas próprias soluções e inteligência
Melhor não saber de nada
Pois, além de normalmente estar errada
As tuas loucas ideias poderão carregar-te
Pra um lugar escuro e distante
Bem pior que tudo
Que pensa saber que sabe
Essa tua pouca inteligência.
Edson Ricardo Paiva.
Nos momentos
Em que penso
Nas coisas que penso
Chego mesmo a pedir
A opinião do silêncio
Que se cala
Ouço a voz do vento
Vejo a sombra que vem lá de fora
O gato do telhado
Nada fala mais alto nesse instante
Que a luz da Lua
Sobre o desencanto
que me causa a noite
Não existe mais
A beleza do mistério ou espera
Quisera ...não há mais nada além
Que o Fogo da vela, por demais tremulante
Mas se a gente olha direito
De fora pra dentro
Pode ser que seja a hora
De cerrar pra sempre essa janela
E mandar a Lua ir embora
Aqui dentro do peito
A opinião do silêncio
Faz sentido e fala mais alto
E num ato propenso à mudanças
Quando a Luz me alcança
Há essa dança bruxuleante
Essa sombra felina
Essa bagunça progressiva
Ao mesmo tempo
Mansa e silenciosa
Coração deserto
A vida desmorona
E se torna em ruinas
Eu penso em silêncio
No ruído ausente
A conclusão é nada
Sozinho nessa confusão
Fraterna
Mas que não termina
A falta de paz
Que a quietude tanto traz
Há essa eterna madrugada
Em que tornou-se a vida.
Edson Ricardo Paiva.
A História passada
Há coisas certas
Pelos caminhos equivocados
Tortuosos
Fatos ocorridos neste mundo
Lembranças esquecidas
Que não passam de segundo
A mentira é coisa eterna
Por sua própria natureza
Resta-nos, sem sombra de dúvida
A dúvida, a infernizar as nossas vidas
Busque uma razão e sentido
Em tanto tempo perdido
Tudo expira
Utilize a qualidade
da felicidade que lhe chegar
Antes que lhe expire a validade
Ela pode perdurar por uma vida
Quando bem cuidada
Seja você
O bem que quiser ter
Não permita nunca mais
Que o mundo te obrigue
Ser o que te mandam
Olha ao teu redor
E simplesmente veja
A Lua que à noite te beija
E o Sol que te corteja, ao longo do dia
A vida, enfim
Não pode ser somente
O que te disseram
Que era
Remédio sem cura
Não era
Toda dor
Perdura pelo tempo estipulado
O permitido a mais que isso
É de bom grado, mais nada
Não se esqueça
de fechar as portas ao sair
e deixa ali teus infortúnios
e tristezas
Melhor viver alguns segundos de alegria
A séculos de pura melancolia
Depois de passados
Não lhes resta
Sequer um segundo
E agora viva
Talvez ainda reste algum tempo
Seja feliz
Edson Ricardo Paiva.
O Labirinto da Alma.
As coisas
Elas sempre são
do jeito que as coisas são
Pode até parecer-te redundante
Mas é algo a entender no final
Interessante é o sentido
Intenso
E que de alguma forma
Você sempre procurou
no ruído do silêncio
A lava incandescente
Que você pensa escondida
Sob a paz aparente da rocha perene
A estrela na ponta dos dedos
E em segredo reluz, lá no Céu
A alma humana é um lugar
Um labirinto que esconde
As peças de um quebra-cabeças
Que ninguém jamais
Poderá montar
ou remontar completamente
Simplesmente porque as peças
Já estavam no lugar desde o início
Mas você
Na sua ânsia pela vida
As espalha
Pro depois declará-las perdidas
É por isso
Que desde o tempo da infância
Tem gente que fala
E tinha a gente, que não entendia
de que havia muita coisa
Pra aprender com as crianças
A máxima desse paradoxo
É que só depois
de percorrer o labirinto
A gente percebe as informações
Que por parecerem redundantes
A gente deixou passar
Pra mais tarde descobrir
Que a chave da porta
Sempre esteve no mesmo lugar
dentro das nossas casas
Mas a imaginação
Com suas impiedosas asas
Nós leva a pensar
Que estavam lá no quintal
E são infinitos
Os quintais existentes no mundo
E imensos portões
Que admitem apenas a saída
Uma vez a pedra lançada
A alma arrependida
Lição aprendida
Não há que fazer mais nada
Após a palavra falada
Pois as coisas, elas são
do jeito que as coisas são
Um dia uma dor aborrecida
Vem doer dentro do peito
Mas veja que você
Só vai perceber lá no final
A oportunidade que foi perdida
Nem que seja o final da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Das coisas que vi nesta vida
Eu tento guardar lembranças
Mas somente as que forem boas
Me resta seguir o caminho de ida
E me basta saber que não tem volta
Pois, se existir ... desconheço
Grosso modo, aprendi que eu não posso
Mudar o mundo e as coisas que discordo
E em contrapartida, percebi desnecessário
Mudar o meu jeito de olhar a vida
Pois, também não me vejo obrigado
A aceitar as coisas, do jeito que as coisas são
Nem preciso acreditar que o impossível
Não será possível um dia
Basta saber que esse dia
Não é hoje, ainda
O tempo tem vontade própria
Por isso, apesar de as coisas mudarem
Com o tempo que passa
Há lugares onde o tempo
Não passa e nem quer passar
Inútil querer mudar ... ao que for
Inquebrantavelmente inútil
Toda a verdade, resumida
O preço do que não se vende
Se aprende, sabendo o valor
Que dinheiro não compra
Mas a estrada é bem larga
E um dia, a tudo se paga
A lei mais bonita
É aquela
A qual o tempo não se furta
Em fazê-la cumprida
Conquanto, jamais foi escrita
Portanto
Não se muda
Nem se apaga
Crepita qual chama
Na cera da vela
Oscila e bruxuleia
Chega a ser divertido
Ver brincar com a sorte, par em par
Uma bela manhã de azar, muda a vida
A lição aprendida
Se guarda, após elucidada
Portanto se engana
Quem pensa que da vida
Não se leva nada.
Edson Ricardo Paiva
Este mundo é um lugar
Onde as coisas, de vez em quando
Fazem sentido
Basta olhar
Que quando não se entende um olhar
Não adianta dizer palavra
E mesmo assim
A gente as escreve
Pensando que assim
Pode ser que lá no fim do mundo
Pode ser que lá no fim da vida
Deve ter algum sentido pra tudo isso
Senão não teria um motivo qualquer
Nem sequer pra ter nascido
Neste mundo
Um lugar onde as coisas
Normalmente fora de lugar
Aguardando arrumação
Que a gente quase nunca
Encontra tempo suficiente para fazê-la
É triste, é muito triste
Quando se percebe, que fatalmente
Mesmo assim
Há de se ouvir um sentido
No ruido que vem das estrelas
Mudas, perenemente mudas
Meus Deus
Este mundo precisa é de ajuda.
Edson Ricardo Paiva.
A vida não é feita de mudanças
Ela é feita de tempo
Mas o tempo modifica as coisas
E as coisas não tem vida
O tempo passa pela criança
Ela envelhece
E nada muda
Qualquer mudança aparente
Se manifesta
Porque o tempo, que as coisas muda
Oferece ajuda
E a criança a sua alma revela
Pois não resta alternativa
É a parte do tempo
A correr com calma
Destarte a verdade aflora
A ilusão cai por terra
Um medo, um desejo escondido
ou momento de ira
Tudo na vida tem hora
E de horas compõe-se o tempo
Que muda
As coisas que não tem vida
A causa da vida é imutável
E quando se modifica
É provável que seja
Por causa que aquilo é coisa
E que não tem vida
Tira tudo
Aquilo que o tempo
E nem nada muda
É a parte que se chama vida.
Edson Ricardo Paiva.
O grilo
Cantava pra Lua de noite
E fugia do pássaro
Quando o dia amanhecia
Tem coisas que não se alcança
Por mais suaves
Sejam as palmas das mãos
Elas passam despercebidas
Há lugares pra se olhar de longe
E outros que se sabe
Mas nem ao longe se vê
Só não há como prender o tempo
Nem quando a gente o quiser
Nem mesmo sem o querer
O toque das mãos
Um dia deixa de ser tão suave
O canto do grilo
A Lua não alcança
O tempo troca a noite pelo dia
Correndo suavemente
Qual toque das mãos
Um dia deixam de ser tão leves
Porém são tão breves
Quanto a queda num precipício
A vida, tão linda que era
Até mesmo um encontro ela tinha
E passava toda a si mesma
A cuidar da sua própria beleza
Pois a beleza da vida
Quando a vida era bela
Jamais envelhecia
E passava sem pressa
Na certeza dessa espera.
Edson Ricardo Paiva.
Essas coisas de amor não há como escolher e a força sobrenatural dele é algo que não se pode conter...
No silêncio há paz,na falta de respostas há muitas duvidas,nos pensamento mil e uma coisas mas nem uma é a certeza absoluta,No olhar o peso dos anos nos anos tantos dias de espera que desacelera lentamente meu coração,e então quando ele parar no silêncio haverá paz...
As coisas que faço
E as coisas que eu digo
Não pretendem conquistar nenhum espaço
Nem ligo
Não pretendo ser quem não sou
Sou aquele que Deus fez
A minha vez já chegou
é hoje, foi ontem e amanhã será
Meu tempo é este
E eu sou apenas eu
Apesar de todos os meus defeitos
Vivo apenas do jeito que posso
E te ajudo, se precisar
Às vezes me iludo
Pois sou gente igual você
Mas não quero o que não me pertence
Nem penso ser mais que ninguém
Estou na vida pra aprender
dividir e amar a vida
Por ser assim
e não saber mentir
Vivo sozinho
Quase que isolado
Não haverás de ver ao meu lado
Muita gente
Desejo que sejam felizes
Longe de mim
Não existe nenhuma garantia
Que eu não vá terminar meus dias
Embaixo de algum viaduto
Um desconhecido morto
Que viveu no anonimato
Não teve nada
e nem foi ninguém para este Mundo
Mesmo assim, se procurar
Não há de encontrar
A quem eu tenha feito o mal
O mal que me fizeram
Morreu em mim
Eu afoguei o mal, não o perpetuei
Portanto
Se terminar os meus dias
Sem ninguém ao meu lado
Eu mesmo me julgarei
Um bem aventurado.
Tem coisas que vem com o tempo
e chegam exatamente
No momento que a gente nem lembrava
Acontece naturalmente
Deve ser coisa da idade
Saudade das pessoas
Vontade de dizer e de fazer e de viver
Somente coisas boas
Isso tudo havia no passado
Mas no presente
Todas elas chegam assim
Acompanhadas do saber consciente
Que simplesmente são impossíveis
A gente pode sim, escrever uma canção
Que traga uma certa alegria ao coração
Mas pra ser feliz, plenamente
É preciso ser criança
Ou egoísta
Se a pujança fosse coletiva
O Mundo seria uma festa
Haveria muita alegria
Haveria dança
Haveria harmonia
Mas não há
Não me pergunte por quê
Tudo que nos resta
É esperar
E não perder a esperança
É não deixar de ter vontade
Tudo isso é possível
Mas é impossível
Tem coisas que a vida esconde
E que a idade não responde
Enquanto esperamos uma chance de viver
Vamos vivendo
Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!
Em penso em coisas pra dizer
e muita coisa não digo
Pois suspeito ter perdido o prazo
Deixo em suspenso
Pode até parecer que não ligo
e que não vem ao caso
Aquilo que não tem mais jeito
Levo comigo aqui no peito
Essas coisas me dividem em quatro
Corpo, alma, coração
e sonhos que sonhei antes de ir dormir
Quando acordei eu percebi
Que eles de fato tinham ido embora
Mas nasce o Sol
e doura a terra de outra cor
Não faz diferença
Quantos Sóis que nasçam
ou quantos planos faça a alma
Uma hora a noite vem
Meus olhos não veem ninguém
Pra sonhar junto
tudo fatalmente se despedaça
Procuro coisas que me façam
Pensar em outro assunto
Tento outros sonhos pra esquecer
Tem horas que eu paro e penso
Que custa muito caro este querer
Quando cada manhã
Amanhece mais ingrata
Se eu tivesse uma alma barata
venderia tudo isso
Por muito ouro
e muita prata.
Há coisas que eu quero
Existe em mim esse segredo
de querer algumas coisas
Que eu sei que jamais terei
Não tento tê-las
Por medo de finalmente não saber
O que vou fazer com elas
Isso pode parecer inexplicável
Mas isso não quer dizer
Que esse querer
Não seja um querer infindável
Ou que esses objetos de desejo
Sejam para mim inatingíveis
Porquanto são coisas pequenas
Não me esforço em conseguí-las
Apenas porque minha vida
Segue bastante tranqüila sem elas
Quantas vezes ao dia
A gente vê coisas
Que antes não via?
E que porém, nem de longe
São aquilo que se esperava
e quanto mais a gente reza
Mais a Santa fica brava
Quantas vezes nessa Estrada
Eu tenho que me conformar
Em ver malogrados os meus planos
Quantos enganos haverão de haver
Pra finalmente eu me confortar
com coisa alguma?
Quando é que eu vou
lavar a alma
Antes de ver perder a calma
Quanta calma é preciso ter
Quantos traumas eu vou viver
Será que a gente
Se acostuma?
Não tenho nada
Eu vou sair
Pra buscar uma
Em suma:
O tempo passa
Nada se apruma
E não há nada que eu faça
Que me ajude a finalmente
ver os ponteiros se ajustarem
Tem horas que desejo
Simplesmente que eles parem
A gente vive
E esta vida não se arruma
haja fleuma
Pra enfrentar tanta celeuma
A verdade é só uma
Essa cidade
é feita de espuma
Duma hora pra outra
Pode não haver a outra
e não restar
Coisa nenhuma.
Existem tempo e lugares
Pra que as coisas aconteçam
Obedeçam simplesmente
Estes tão simples preceitos
Pra viver a existência perfeita
Carregar prata no bolso
Apertar a pata de um urso
Seguir o curso de um rio
Fazer fogueira no frio
Curar-se da cegueira
Causada pela densa tempestade
Tudo isso acontece na vida
E cada um de nós pode passar por isso
E forjar pra si mesmo
Um caráter de aço
desde que ocupe o lugar
E somente viver daquilo
Que tirar da própria inteligência
e da força de seus braços
E à noite poder olhar o que passou
descansar na mansa escuridão
Que lhe proporciona
o anoitecer da vida
Uma vida da qual
Não há de haver outra igual
Uma vida que não cansa
E existe, contrariando
O que muita gente
Que não sabe viver a simplicidade
E simplesmente não encontra
Uma maneira de fazer valer
E viver uma vida que consista
Em um grande aprendizado
Pra poder um dia
Simplesmente se virar de lado
Fechar seus olhos
E flutuar tranquilamente
Em direção a um Paraíso
Que existe, mas que tanta gente
Por viver constantemente triste
Cega pela densa tempestade
Não a vê, não a encontra e não a vive
Morre, simplesmente sem a ter vivido
e vive, simplesmente a esperar
Que a morte chegue
Pra esta vida que poderia ser melhor
mas somente viveu da pior maneira
e partiu, abandonando a vida ingrata.
Na qual deixou-se abandonar no dia a dia
todo dia.
Eu quero te dizer algumas coisas
Pra te fazer pensar, se quiser:
Por que será que há cores tristes
Se elas são as mesmas
A alegrar-lhe os olhos taciturnos
Quando vistas no Arco-íris
Será que a sua incompreensão
Alguma vez lhe permitiu saber
Que existem Arco-íris noturnos
Projetados pela tênue luz lunar
Eles estarão sempre lá
Nas noites passadas e futuras
Pois sempre haverá
beleza e alegria
Nas noites mais escuras
dos quartos sem janela
e até mesmo não havendo um teto
Por todo lugar onde olhar
Se atentar para o fato
de que neste Mundo e nesta vida
Quase tudo é abstrato
e seus olhos
Enxergam somente
Aquilo que for tridimensional
Tudo existe em igual proporção
Mas nada é concreto
Esta vida é mera ilusão
Seus olhos até hoje
Enxergaram aquilo que teu coração
deu de fato como certo
Porém, sob esta óptica
Teu coração também não existe
Esta existência, na verdade
É somente uma ilusão exótica
Que Deus usou
para explicar as suas dores
Enquanto ainda enxergares
cores tristes
Alegria e tristeza
São somente ilusões
Que juntamos aos pares
depois dividimos meio a meio
E vem do mesmo lugar
De onde tudo veio
Um lugar onde é tudo perfeito
Creio que sou eu
A criar a imperfeição
Quando vejo as coisas
do meu jeito.
