Se eu Tivesse Asas
Mulheres Com Asas De Falcão
As mulheres com asas de falcão
entoam hinos ao anoitecer,
vestem-se de organza e caxemira
despindo a alma sorrindo
perante os dentes assassinos das hienas.
Elas cuidam, acolhem, mimam
e choram às escondidas
toda a dor das ausências
peregrinando gargalhadas, inventando estórias
para seus filhos
os delas, e os que a vida lhes concedeu.
As mulheres com asas de falcão
esquecem seus soberbos corpos
em prol de um Amor maior
e sorrindo, continuam chorando em segredo
no silêncio de seus quartos fantásticos
de rubras rosas, rubis e frescas açucenas.
E antes de voarem rumo ao infinito
deixam suas vestes pelo chão do tempo
na doçura que teimam em guardar,
meninas, mulheres com rostos de quimera
sobreviventes ao desdém.
O anjo da morte abriu suas asas
Trazendo o vento da sua desgraça
Em toda a sua vida só o que plantou
O ódio, a ganância e os que humilhou
Raiz que Voou
Criei asas onde era raiz,
abandonei o chão por ser feliz.
Nem todo voo precisa altura,
às vezes basta a alma mais pura.
Voo por entre as nuvens
Sentindo as minhas asas tão leves
Sempre que sonho contigo.
Queria ter-te comigo no mesmo voo
Sentirmos as mesmas emoções
Termos o mesmo sonho.
O que farias se te dessem asas? Tremias, porque só terias coragem de fazer o que te ensinaram! Na verdade sempre tiveste asas e só não voaste, por medo.
Às alturas santas ninguém voa,
Sem as asas da humilhação.
Que Deus nos dê asas! Para voar bem alto, vencer as forças de atração da terra e enxergar o mundo sem divisões e fronteiras.(Walter Sasso)
Teu beijo
Sinto- me leve,
vagarosamente em movimento,
tudo muito de repente,
partindo nas asas do vento
Acho que vou longe,
não sei porquê, não sei pra onde,
mas de uma coisa eu sei,
num relance, num instante
Percebo-me no universo,
na carona de um cometa,
entre correntes de estrelas,
dando voltas em silhuetas
Viagem de uma vida,
na fantasia de um desejo,
quando despego de tua boca,
quando deixo o teu beijo
As pernas da floresta são tantas...
são tantas suas penas, suas plumas
suas asas, bicos, e mandíbulas
as serras guardam seus anjos da guarda
os rios alimentam o mundo
e a essência de sentimentos profundos
movem e comovem seus espíritos
as serras elétricas são seres tão ridículos
anjos da morte e da devastação operam
seus instintos de destruição
os braços da floresta são tantos
cipós e galhos que abraçam seus pássaros e seus insetos
seres microscópicos que são outros universos
e realizam o milagre da vida
AS MINHAS ASAS
Antes de olhares minhas cãs
Veja meu olhar de esmeraldas
Que rolavam nas correntezas de rios profundos
Com águas cristalinas onde garimpavam
O tesouro de uma vida
Ou a ilusão pelo prazer de uma paixão
Onde muitos se jogaram por pura desilusão
Ou se amaram clandestinamente em suas margens
Dando margem as mais belas
Histórias de paixões proibidas...
Os meus cabelos clarearam pelo êxtase
De nossos corpos que se fundiam
Com o pacto de uma única alma...
Olhes meus membros que vasculharão
Teu corpo como um mineiro
Em busca de diamantes...
A minha boca declamar-te-á
Os mais belos sonetos eróticos...
A minha língua sorverá a tua alma
Que correrá feito uma corsa
enlouquecida no cio pelas savanas
E voará sob minhas asas
Do céu ao inferno
E falas de algo eterno
Só pelo prazer que se esvai em alguns instantes
Então olhas com desdém as minhas cãs
E nem percebes as minhas asas...
PAR DE ASAS
Tem uma assembléia de ratos no porão,
Uma congregação de fantasmas no corredor
Tem uma lembrança se desfazendo,
O tempo fenecendo,
Um femeeiro fornicando;
Eu tenho o medo
Como escudo para todos os males,
Tem zumbis nas esquinas,
Tem uma criança galopando num hipopótamo,
Porcos dormindo sobre pétalas de rosas
E um elefante se equilibrando
Sobre as hastes de uma videira ,
Tem a erupção de um vulcão na sala de estar,
Uma lagoa na cozinha,
Meteoros caindo no quintal, fogo no canavial...
Mas a minha caneta mágica
Cria um par de asas,
Um tapete voador e um horizonte,
Me faz flutuar e exorcizar todos os demônios...
Teu amor foi como uma borboleta
Bateu asas e voou
Já meu amor permaneceu
Junto de minha dor.
Dói não te ter, não te pertencer
Dói pensar que pude te perder.
Sinto sua falta
Saber que não sentes a minha
Fez-me uma infeliz, sozinha.
Meus sentimentos sempre demonstrava
Eu, boba, jurava que você ligava
Mas me enganei
E ainda assim, te amei
Filmes sobre Anjos, de sucesso e premiados lembro dos alemães Asas do Desejo de 1987; sua continuação Tão Longe, Tão Perto de 1993; e uma refilmagem hollywoodiana em 1998, com Nicolas Cage, Cidade dos Anjos. São histórias de Anjos que renunciaram a imortalidade, única e exclusivamente por amor. Referencias dos filmes entre outras: a música “Stay” com “U2” de Tão Longe, Tão Perto e uma cena antológica da versão hollywoodiana, do lugar onde os anjos se reuniam: praia deserta, mar com a luz da alvorada e várias silhuetas projetadas na areia contemplando o nascer do sol. Hoje, ao acordar, vejo entre as mensagens recebidas, um vídeo de apenas 24 segundos: praia deserta, mar com a luz da alvorada e uma única silhueta projetada na areia contemplando o nascer do sol, minha mente decolou, será que era de um anjo?
Quando se tornou anjo, voou para o infinito sem fim. Em homenagem a suas asas a chuva visitou meus olhos.
REABRINDO AS ASAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Neste momento, lanço mão de um direito que sempre foi sagrado para mim: permaneço quem sou e mantenho meus sins, meus nãos, quando quero. Devolvo-me a prerrogativa de manter ou pôr minha mão somente ao alcance do meu sonho. Da minha chance com fundo, equilíbrio, coerência e sentido.
Ao mesmo tempo, abro mão de abrir mão do meu canto sagrado; de seguir as razões e os instintos mais meus... ter sempre arbítrio guardado para quando quiser ser meu próprio deus, meu demônio, minha perdição e resgate. Abro mão de abrir mão dos meus poemas de amor sem endereço, das minhas manifestações livres e desimpedidas... bem a salvo dos guardiões ocasionais ou de sempre.
Manterei a rotina das verdades indeléveis, do silêncio e do grito que o meu coração julgar sensato e oportuno. Da clausura e dos jatos repentinos de minhas vontades equilibradas ou loucas... meus anseios de me livrar dos domínios da casca.
Lanço mão de manter para todo o sempre, ou pelo menos na finitude possível deste sempre, as amizades raras, fiéis e sinceras que me cercam. Para tanto, abro mão dos romances daninhos... das paixões e os enlaces com feras atentas ao que tenho nos olhos... nas ventas... nos passos... na vida pessoal... que manterei pessoal.
ASAS NOVAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Minhas queixas do mundo não procedem
nem as mágoas da vida são fundadas,
pois as fadas que rondam minha história
vencem todos os monstros que me assombram...
Os caminhos me deram muitas flores
que tiveram à parte seus espinhos;
tive amores reais entre fingidos;
todos foram vividos de verdade...
Misturei as derrotas e os fracassos,
passos mancos, decisos e nem tanto,
riso e pranto na mesma inspiração...
Fiz da vida um poema sobre o mundo;
lá no fundo sombrio achei a margem
onde o sonho voltou a me dar asas...
