Se ela quer Voar a porque tem Asas
Asas no Céu
Dias atrás, sonhei que, ao olhar para o céu, notei a existência de seres semelhantes a nós. Havia apenas duas diferenças: eles possuíam asas e voavam de um lado para o outro; além disso, todos sorriam, transmitindo uma sensação constante de felicidade.
Eles não desciam ao chão nem conversavam com aqueles que os observavam. Apenas lançavam ondas de segurança, paz e alegria.
Percebi que, a partir daquele dia, todos nós caminhávamos pelas ruas olhando para o céu. E, sempre que fazíamos isso, éramos alcançados por aquelas ondas de felicidade, que nos faziam sorrir.
Acordei com a sensação de que estamos deixando, cada vez mais, de olhar para cima.
Talvez estejamos dando importância demais ao supérfluo e desaprendendo a sorrir com a alma.
Talvez o mundo precise de menos disputas, menos crueldade e mais humanidade.
Talvez estejamos, cada vez mais, deixando de acreditar no invisível, em nosso Criador.
É triste imaginar um mundo onde a fé esteja em extinção.
Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo.
Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo.
O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele.
- Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você?
O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou.
A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la.
Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão.
A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas.
Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade.
Até então, conhecera apenas a solidão.
Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter.
Mas a borboleta azul era diferente.
Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado.
Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte.
Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu.
Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião.
A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores.
Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso.
Seu ferrão começou a se mover lentamente.
Ele tentou detê-lo.
Lutou contra aquele movimento.
Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu.
A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa.
Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou:
- Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu?
O escorpião abaixou a cabeça.
Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu:
- Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui.
Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada.
Com grande esforço, a borboleta afastou-se.
Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar.
Voou para longe.
Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir.
Com o tempo, a ferida cicatrizou.
A dor diminuiu.
A vida seguiu em frente.
Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente.
Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza.
E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.
As cores do dia
As cores do dia, tornam-se visíveis com a presença do sol. Asas de borboletas batem desesperadamente como sinos flutuantes, pétalas de camélias no chão e o céu de cerejeiras cobrem a passarela. A beleza entorpece os sentidos sem perceber, a se estar perdido numa cerimonia celestial. Por vezes, há nuvens escuras que ameaçam de longe, quando aparecem deixam a passagem esmorecida. As formas perdem sua tonalidade a desbotar num vão de penumbra e duvida. Logo um clarão surge em meio as nuvens, flechas de raios aparecem por todas as direções, o rosto do sol toma forma, as flores, as borboletas surgem como prisma, abrindo passagem. A decretar as cores do dia.
A porta da tua prisão está aberta e o voo já está nas tuas asas; o silêncio é o mapa, e o amor, o fim das tuas próprias barreiras.
Existem dois tipos de pessoas em nossa caminhada: aquelas que nos dão asas fortes, feitas de coragem e confiança, para que possamos voar cada vez mais alto; e aquelas que nos oferecem asas de cera, belas à primeira vista, mas frágeis diante do calor da realidade. Com elas, até voamos por um instante, porém a queda costuma ser inevitável.
A pergunta que fica é: com que tipo de asas você tem alimentado seus sonhos? As que fortalecem sua jornada ou as que apenas sustentam uma ilusão passageira?
Os sonhos são asas
para quem deseja a liberdade e o alcance de tudo que parece impossível.
Mas que, nos sonhos, se tornam realidade.
Sonhar é mais que uma metáfora,
é imaginação criativa em movimento.
Sonhar é o bater de asas em um voo alto,
além das impossibilidades.
É uma realização que sacia a vontade de uma alma que se libertou
e voou para o mundo onde tudo é possível,
onde os sonhos são realidade.
Por Marcio Melo
Por amor à beleza
se prende um passarinho e cortam as pontas de suas asas.
Se arrancam as flores que crescem livremente
para decorar o ambiente —
e assim que murcham, são dispensáveis.
Por amor à beleza
aprisionam a alma livre
que agora sofre por não ter mais a liberdade.
Por amor à beleza
encobrem o natural com camadas artificiais.
Destroem em dias
o que a natureza levou décadas para gerar.
Por amor à beleza
a gente se destrói,
dando origem ao que não existe.
Ao que não é real.
Por arrogância.
Por necessidade de nos enganar.
E assim aplaudimos
a ilusão que construímos
a partir da beleza que destruímos.
Deformação
Marcio Melo
Carregamos o próprio abismo e as próprias asas, o tamanho de cada um depende de qual deles você escolhe dar de comer hoje.
***
"Acordei durante a noite,
e observei várias palavras
que tinham asas,
e voavam a minha volta,
mas não faziam parte da minha escrita...mas era APENAS um sonho,
eu sempre guardo o dicionário em baixo do travesseiro..."
😔
***
O dia findou-se e a noite solta das asas a treva como pluma desprendida de águia que em nós se eleva. Contemplo as luzes da aldeia entre a chuva e a bruma, e melancólico um sentimento se apossa da alma, que não resiste. Sentimento de tristeza e anseio, não de pesar, que só como a névoa, a chuva pode a dor se comparar. Vem ler-me algum poema simples, gemido do coração, que afaste os cuidados diurnos e acalme a inquieta aflição. Não dos velhos grandes mestres, dos bardos da glória, cujo passo ecoa eterno nos corredores da história. Com o poder das marchas bélicas, eles nos evocam a alma, a luta sem fim da vida, e esta noite almejo a calma. Lê canções de um poeta humilde, brotadas do peito, tanto como a chuva dentre as nuvens ou das pálpebras o pranto, de alguém que em noites insones e por laboriosos dias, ainda na alma ouve a música de mágicas melodias. Tais cantos podem dar calma à aflita preocupação, descendo como uma bênção que se sucede à oração. De teu livro favorito, lê o poema que ama, após cansando as rimas do poeta, a beleza da tua voz adormece. A noite vai se encher de música, dobrando quais nômades que fugirão. Silentemente. Ergueu-se o vento sobre o mar de espumas e dizem, abri caminho densas brumas! Saudando as naus, ele exclamou, dar velas, marujos, vede, fogem as estrelas. Seguindo o rumo à terra em correria, bradou, desperta, que aí vem o dia. A selva sussurrou, vossa folhagem. Tocando na asa, disse a passarada, desatai vossa madrugada. E no terreiro despertando o galo, não tardou o sol. Ao trigal murmurou, inclina a fronte que a manhã vem surgindo no horizonte. Arrojando-se, disse o nosso horário. E baixando por sobre a terra, seu dia há de chegar, em paz espere-o, que hoje impera a vida e a morte não é percebida. Caminhamos descalços na grama e colhemos margaridas. Nosso amor é suave como o vento e refresca o mundo com sua delicadeza. Em sonhos vejo sua face e é ali que mora minha paz.
Entre asas quebradas e promessas que ninguém ouviu, te entreguei meu caos
e chamei de fidelidade, porque mesmo perdido, nunca deixei de ser teu...
DeBrunoParaCarla
eu me sinto como um pássaro que não só teve as asas cortadas… mas como se tivessem arrancado pela raiz, deixando feridas abertas que nunca cicatrizam, como se cada batida do coração fosse um lembrete de que algo essencial foi perdido, algo que nunca deveria ter sido tirado e isso dói de um jeito que não cabe em palavras, dói como se o ar pesasse, como se respirar fosse um esforço, como se existir tivesse se tornado um castigo lento, porque não é só sobre não poder mais voar é sobre olhar pro céu e sentir ele distante, frio, inalcançável, é sobre lembrar, e ao mesmo tempo começar a esquecer, como era ser livre, como era sentir o vento, como era subir cada vez mais alto sem medo, sem limites, sem essa dor cravada no peito e o pior… o pior é sentir que isso está escapando, que aos poucos a memória vai se apagando, que um dia talvez eu nem lembre mais como era voar
e então nem a dor vai fazer sentido, só vai sobrar esse vazio estranho, esse silêncio pesado, essa existência quebrada, é como se eu estivesse preso em um corpo que ainda vive, mas tudo que fazia ele ter sentido já não está mais aqui, e agora não resta escolha eu preciso aprender a viver assim com essa dor que não grita, mas corrói, que não sangra por fora, mas dilacera por dentro, que maltrata, desgasta, consome… devagar, todos os dias, como um pássaro que ainda olha pro céu…mesmo sabendo que nunca mais vai voltar pra lá.
Certo dia, um rapaz tímido e um tanto romântico se apaixonou por uma garota com alma de flor e asas de liberdade no seu coração.
Ele gosta de escrever versos e poesias, ela sabe a linguagem das rosas e orquídeas.
Aos poucos suas poesias chegou aos ouvidos dela, sempre levada pelas brisas das manhãs.
Encantada por belas palavras, ela as traduzia para as suas amigas, rosas e orquídeas, que por sua vez, sentindo o encanto das palavras, elas exalavam seus perfumes pelo ar.
Aos poucos, a garota que fala a lingua das flores, percebeu que a cada verso e poesia dele, fazia seu coração se apaixonar pelo o garoto tímido e um tanto romântico.
Ambos, apaixonados um pelo o outro sem que soubessem, agora compartilham de um mesmo sentimento.
Entra dia e sai noite, os seus desejos de estarei juntos aumenta cada vez mais, seus sentimentos tomam formas de sonhos, produzindo raros momentos de felicidades.
Até que em uma noite, envolvidos por essa paixão, esses dois amantes se encontraram em um sonho.
Que mágico foi esse encontro, juntos o casal desbravou o caminho das estrelas e com um beijo apaixonado se desabrochou o amor.
Por toda a noite, os amantes trocaram confissões e segredos em meio a carícias e carinhos, e como testemunha desse amor se fez a lua cheia.
De sedução à encantos, a noite foi passando e o sol aos poucos foi se despertando e o sonho se caminhava para o seu fim.
Entre as nuvens do amanhecer era possivel ver o garoto timido e um tanto romântico se despedindo da gorota com alma de flor e asas da liberdade em seu coração.
Ambos em seus quartos, abriram os seus olhos no mesmo tempo a procura do seu amor, mas nada encontraram além da solidão.
Apesar do sonho ter sido verdadeiro e real pra quem escreve essa estória, para o garoto, para a garota e para os que estão lendo, tudo não passou de um lindo sonho de amor.
Depois que decidi viver o que pulsa em mim,
minhas escolhas ficaram leves, quase asas.
Não preciso ancorar o navio para pensar,
aprendi a refletir enquanto ele corta o mar.
Preciso fazer acontecer sem trair quem sou,
sem silenciar minha essência para caber.
Porque como o mundo reconhecerá minha verdade
se eu seguir camuflada, à espera de permissão?
O céu é o limite para o meu coração, pois os meus sentimentos criaram asas para ir além do que se possa imaginar;
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