Se ela quer Voar a porque tem Asas
Frente ao trono da liberdade, gaivotas sobrevoam a cidade e asas pairam no ar do horizonte em suas cores laranjadas do pôr do sol. As árvores se alegram com o vento e florescem nos raios de luar. A liberdade se faz em sussurros de pássaros que mais se aconchegam a um ribeirão a matar a sede, em tempos de paz e libertação. A liberdade ocupa todos os lugares, e as flores desabrocham sem medo e se diz que tudo vive na terra e as grades opressoras se rasgam no espírito da noite. A natureza tranquila tem suas leis e tudo acontece no tempo certo de se transparecer, em dedos razantes que habitam o instante das palavras insinuadas que ensinam o mar a se fazer acalmar. Eis que são muitas as distâncias e longe se vai o espírito da floresta, que em toda terra vive. Se a humanidade se nega, nega todas as criações e há oceanos a perder de vista. Eu sou um fragmento do absurdo que muito mais se faz instrumento de conversão entre o poema e o mundo. Eis que tenho pensamentos profundos e as palavras não se bastam, se nomeio as borboletas da tarde. O azul arde ternamente nos olhos, levando a mente a comer a beirada da estrada que se alonga nas praias de nossas convicções. Pois eis que o agora traz muitos elementos e se juntam todas as conjunções da imagem. O amor partiu em uma tarde e os olhos que ficam não choram, pois que a vida impele a uma aceitação calma dos limites do agora. O amor tardou, pois que já não somos mais os mesmos e as bocas não encontram caminhos. E se perde nas espectativas o amor que chamamos de vida. Um corpo que mudou, uma taça que se quebrou. Ama-se o que já se passou e a face bela ganha traços inesperados e o amor se faz desesperado se o corpo mudou e envelheceram os sonhos. O amor parte muitas vezes, procura trem, navio, qualquer caminho que fuja da desilusão. E cava a cova do amor que sobra. Apenas um ama sozinho na estação, sentado recolhido sem perspectiva de abrigo. Amar sozinho é como se fartar em um rio seco. A água que não mata a sede, mas é inútil olhar para baixo e para trás, haja visto que trem que leva trás, bagagem, pessoas, novos amores. A vida se faz sol em plena madrugada e os olhos serenos não esperam nada. A vivência se renova e despedidas antigas fazem menos eco na escuridão desfeita, a terra antes rarefeita, se faz em novas colheitas. Dispersam todos os sonhos da primavera e não há alma que note, pois que se olha para o norte e encontra boa sorte.
Quando a borboleta se faz azul no dourado de sua asas, ancestrais antigos fazem suas casas, em tijolos de terra batido e a primavera ganha novo sentido. Cores no jardim evidenciam que flores desabrocham como a vida em estado de permanente transformação. Um antigo cão se faz fiel ao roer o osso e gatos andam sorrateiros em cima do telhado. Tudo é arado na calma estação de pessoas que viveram e hoje são transmutação. Também vivemos a calma de nossos dias, e se faz em paz todos os pequenos afazeres. A centopeia caminha seus múltiplos pés e a formiga inequívoca carrega imponente uma folha maior que seu corpo. Na vasta plantação o lavrador cava a terra e povoa a colheita de seu sustento, o farto alimento que sustenta o tempo presente do fruto que já foi semente. E cada um a seu jeito olha o horizonte e há fome de futuro, pois tudo acontece no agora e as horas demoram na casa que não tem relógio. No mar a maré baixa deixa transparecer suas conchas e os barcos seguem além e pescadores antigos armam suas redes e abundam colheita de peixes e muito mais satisfeitos voltam para casa. Na feira os peixes são vendidos como entidades fruto do trabalho justo e todos se alimentam. E a comida é mais que alimento, é um ritual da vida em movimento. Na cidade também os carros sustentam suas rodas e levam de um lugar ao outro anônimos trabalhadores, que honestamente caminham nos prédios altos que acolhe muitos cidadãos e eis que nada é em vão se os olhos estão claros e se é chão o mesmo de toda população. E o amor se faz em silêncio quando cada pessoa carrega seu passo manso a fazer da cidade um organismo vivo, muitas vezes apressados nos caminhos diários. Somos todos passageiros de nosso itinerário. Na estação de trem há muitas mãos para despedidas, mas cada um sabe da vida nas voltas da terra em rotação e mais bate um coração que se integra no ambiente e povoa mares de presença sem questionar ambivalência, pois a vida simples se faz sem complicação, pois passa veloz o veraneio de nossos pés na terra e por isso impera uma sede de viver, sem se derar em questionamento. O café se faz quase sozinho de tanto cotidiano e se esvai o ano nas teias de aranha, que silenciosamente tecem cada linha e eis que é uma armalho. Meu olhar e vasto como um campo de girassol. Olho para frente para o lado e tudo tem seu tempo exato. E todas as pessoas se bastam ao piscar os olhos em movimentos involuntários. Segue a vida em longa contemplação e a calma presente não parte de repente, pois são das retinas o longo observar ao ver o tempo passar. E não há grandes sobressaltos. Apenas uma vista que passa e se mostra vasta e tranquila quando o verso não aniquila a paz do cotidiano. E a vida vale a pena em seus vastos oceanos.
*
"Meus versos quais pássaros,
criaram asas e voaram antes da colheita da escrita,
e meus olhos registraram aqueles vôos"
***
PENSAMENTO ALADO...
O meu pensamento é livre quando cria asas e vai de encontro ao teu.
E ele encontra?
Fugiu agora e em ti se perdeu!
O HORIZONTE DA INÉRCIA
(Entre o bater de asas e o silêncio da gaiola)
A vida é tão complexa e, ao mesmo tempo, simples e natural como o pássaro que voa... O diferencial é que o pássaro pode não ser mais visto, ou pode ficar preso na gaiola por não saber voar, condicionado a essa prisão.
Assim como as circunstâncias de nossa existência, que não se explicam: a gente observa e as deixa apenas voar, ou elas ficam aprisionadas por nosso comodismo.
Lu Lena / 2026
O PESO SAGRADO DAS ASAS
(Dia Mundial da Conscientização do Autismo)🧩
"Um anjo pergunta a Deus:
— O que é um autista?
E Deus lhe responde:
— É um de vocês que permito descer à Terra!"
(Lu Lena)
Essa frase está no portal Pensador e é bem anterior a essa minha nova versão. Procurando nesse acervo para postar no dia de hoje, me veio esta reflexão:
Dizem que, ao permitir que um de Seus anjos desça à Terra, Deus sabe que a gravidade do mundo pode ser dura demais para quem só conhece a leveza do céu. Às vezes, o ar daqui se torna denso, o barulho se torna ruído e as asas desse anjo, antes feitas de luz e brisa, começam a pesar.
Quando o voo se torna difícil e o cansaço ameaça o caminhar, ocorre um fenômeno silencioso e sagrado: Deus não retira o peso; Ele apenas muda o lugar do apoio. Ele retira as asas das costas do filho e as acopla, com cuidado infinito, nas costas da mãe.
É por isso que, muitas vezes, o mundo enxerga nessa mãe uma exaustão que parece não ter fim. Não é apenas o cansaço do dia a dia ou das noites mal dormidas; é o peso físico e espiritual de carregar dois pares de asas.
Nós, mães atípicas, caminhamos com a responsabilidade de manter os pés de nossos filhos no chão enquanto sustentamos, sozinhas, a possibilidade de que, um dia, as mãos deles ainda possam tocar o céu — e as nossas também.
Lu Lena / 2026
METAMORFOSE DA VIDA
(O bater de asas entre a memória e o agora)
O que mais dói na maturidade não é a dor física, mas a saudade da essência que ficou para trás. Nessa transição, somos como borboletas em constante metamorfose: ora asas que se abrem para a vida, ora casulos que se fecham, introspectivos, para ela.
Lu Lena / 2026
Há algo profundamente trágico em existir apenas pela metade.
Em possuir asas e morrer rastejando para caber no medo de quem nunca suportou ver alguém voar.
Porque o tempo perdoa erros, quedas e desvios…
mas dificilmente absolve uma alma que traiu a si mesma todos os dias da própria vida.
“Anjos, asas de ilusão, um sonho audaz.”
Ser assim: brilhar como um farol, luz na escuridão.
Ouvir as músicas que lhe convierem, ser eclético.
Gostar de ir por onde ninguém foi.
Querer viver — viver mais e mais — e não fingir, não esconder no olhar, mas se permitir ser feliz, aqui ou em qualquer outro lugar.
Não! Não vou mudar a minha maneira de ser, pois é isso que me dá vida.
Viver é ter o mundo real na cabeça e os pés firmes no chão; e, ainda assim, nos é permitido sonhar e projetar coisas. É somente assim que transformamos realidades e preenchemos o inexplicável vazio da alma e do coração.
Cante uma canção.
Dance.
Faça a vida entender que você está feliz por estar aqui.
Os sentimentos — ah, os sentimentos! — são eles que fazem toda a diferença. São responsáveis pela criação de tudo o que vivemos… ou deixamos de viver.
O pensamento é a energia que dá forma ao que desejamos materializar.
Eu vi beleza onde não havia esforço, e por isso não tentei aprisionar o que tinha asas. Disse minhas palavras sinceras e deixei que o destino seguisse seu próprio movimento. Hoje entendo: a mudança que pedi talvez tenha chegado através daquela breve passagem. Porque ela me fez olhar para mim mesmo — para quem eu era e para quem posso vir a ser.
Os Pensamentos que Voam pelo Vasto Céu do Silêncio
Determinados pensamentos ganham asas no vasto céu do silêncio; conduzidos pelos ventos da madrugada ou, às vezes, de outros momentos do dia; seus voos são intensos, graças a euforia e a adrenalina — o desejo pensativo pelos versos de uma linda poesia, que faz entrar numa fenda do tempo; que ressignifica temporariamente a realidade, a qual passa a ser movida por sentimentos até que aquele silêncio seja, infelizmente, quebrado pelo bom senso de um despertar sensato.
A VIDA É AMOR
Vida sem amor
É como pássaro sem asas
Como céu sem estrelas
Como luar sem poesia
Como sonho sem fantasia!
É sentir fome
E nada ter para comer.
Sentir sede
E sem água pra beber.
Amor é toda fonte de energia
Faz a noite escura virar dia
Vai além do que se possa imaginar.
Pois amor é força do infinito
Faz da voz ecoar eterno grito.
Palavras somente não faz explicar
Todas as coisas que Deus fez revelar
No mais puro sentimento de amar!
ZONA ZERO
Anjo que assovia o amor
Bailando nas asas de borboletas!
Céu de caminhos coloridos
Desenhando curvas nos dedos
Envolvendo estrelas e luar
Fonte de flores e fantasias!
Girassóis girando ao astro rei
Histórias em harmonia de herói
Inventando novas inspirações
Justiceiro jovem de valentia
Lampião no cano disparar
Movendo como morcegos
Nuvens de sinas contados ...
Orvalho ornamentado
Prateado de puro prazer
Questionando a quermesse
Raridade rompante de vagalumes
Sem o som , só o sinal
Temendo assim o tempo
Universo sem o Ungido
Velando em várias vertentes
Xarada em xeque-mate
Zona zero de um zepelin
Nuvens de fantasias
Saliências voando pelos céus
Onde mistérios vagueiam
Num círculo infinito
Universo entrelaçado
Onde passado , presente e futuro
Se fazem a cada instante
Parte do que se vive agora
No marco da zona zero
Dos nossos momentos eternos!
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