Se ela quer Voar a porque tem Asas

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Gosto de ser livre e solta,
como passarinho num voo,
mas sempre levo sob as asas
meus versos, entrelinhas
onde há um canto,
um "quê" de mistério,
é ali que em sentimentos
me doo...

Frente ao trono da liberdade, gaivotas sobrevoam a cidade e asas pairam no ar do horizonte em suas cores laranjadas do pôr do sol. As árvores se alegram com o vento e florescem nos raios de luar. A liberdade se faz em sussurros de pássaros que mais se aconchegam a um ribeirão a matar a sede, em tempos de paz e libertação. A liberdade ocupa todos os lugares, e as flores desabrocham sem medo e se diz que tudo vive na terra e as grades opressoras se rasgam no espírito da noite. A natureza tranquila tem suas leis e tudo acontece no tempo certo de se transparecer, em dedos razantes que habitam o instante das palavras insinuadas que ensinam o mar a se fazer acalmar. Eis que são muitas as distâncias e longe se vai o espírito da floresta, que em toda terra vive. Se a humanidade se nega, nega todas as criações e há oceanos a perder de vista. Eu sou um fragmento do absurdo que muito mais se faz instrumento de conversão entre o poema e o mundo. Eis que tenho pensamentos profundos e as palavras não se bastam, se nomeio as borboletas da tarde. O azul arde ternamente nos olhos, levando a mente a comer a beirada da estrada que se alonga nas praias de nossas convicções. Pois eis que o agora traz muitos elementos e se juntam todas as conjunções da imagem. O amor partiu em uma tarde e os olhos que ficam não choram, pois que a vida impele a uma aceitação calma dos limites do agora. O amor tardou, pois que já não somos mais os mesmos e as bocas não encontram caminhos. E se perde nas espectativas o amor que chamamos de vida. Um corpo que mudou, uma taça que se quebrou. Ama-se o que já se passou e a face bela ganha traços inesperados e o amor se faz desesperado se o corpo mudou e envelheceram os sonhos. O amor parte muitas vezes, procura trem, navio, qualquer caminho que fuja da desilusão. E cava a cova do amor que sobra. Apenas um ama sozinho na estação, sentado recolhido sem perspectiva de abrigo. Amar sozinho é como se fartar em um rio seco. A água que não mata a sede, mas é inútil olhar para baixo e para trás, haja visto que trem que leva trás, bagagem, pessoas, novos amores. A vida se faz sol em plena madrugada e os olhos serenos não esperam nada. A vivência se renova e despedidas antigas fazem menos eco na escuridão desfeita, a terra antes rarefeita, se faz em novas colheitas. Dispersam todos os sonhos da primavera e não há alma que note, pois que se olha para o norte e encontra boa sorte.

Quando a borboleta se faz azul no dourado de sua asas, ancestrais antigos fazem suas casas, em tijolos de terra batido e a primavera ganha novo sentido. Cores no jardim evidenciam que flores desabrocham como a vida em estado de permanente transformação. Um antigo cão se faz fiel ao roer o osso e gatos andam sorrateiros em cima do telhado. Tudo é arado na calma estação de pessoas que viveram e hoje são transmutação. Também vivemos a calma de nossos dias, e se faz em paz todos os pequenos afazeres. A centopeia caminha seus múltiplos pés e a formiga inequívoca carrega imponente uma folha maior que seu corpo. Na vasta plantação o lavrador cava a terra e povoa a colheita de seu sustento, o farto alimento que sustenta o tempo presente do fruto que já foi semente. E cada um a seu jeito olha o horizonte e há fome de futuro, pois tudo acontece no agora e as horas demoram na casa que não tem relógio. No mar a maré baixa deixa transparecer suas conchas e os barcos seguem além e pescadores antigos armam suas redes e abundam colheita de peixes e muito mais satisfeitos voltam para casa. Na feira os peixes são vendidos como entidades fruto do trabalho justo e todos se alimentam. E a comida é mais que alimento, é um ritual da vida em movimento. Na cidade também os carros sustentam suas rodas e levam de um lugar ao outro anônimos trabalhadores, que honestamente caminham nos prédios altos que acolhe muitos cidadãos e eis que nada é em vão se os olhos estão claros e se é chão o mesmo de toda população. E o amor se faz em silêncio quando cada pessoa carrega seu passo manso a fazer da cidade um organismo vivo, muitas vezes apressados nos caminhos diários. Somos todos passageiros de nosso itinerário. Na estação de trem há muitas mãos para despedidas, mas cada um sabe da vida nas voltas da terra em rotação e mais bate um coração que se integra no ambiente e povoa mares de presença sem questionar ambivalência, pois a vida simples se faz sem complicação, pois passa veloz o veraneio de nossos pés na terra e por isso impera uma sede de viver, sem se derar em questionamento. O café se faz quase sozinho de tanto cotidiano e se esvai o ano nas teias de aranha, que silenciosamente tecem cada linha e eis que é uma armalho. Meu olhar e vasto como um campo de girassol. Olho para frente para o lado e tudo tem seu tempo exato. E todas as pessoas se bastam ao piscar os olhos em movimentos involuntários. Segue a vida em longa contemplação e a calma presente não parte de repente, pois são das retinas o longo observar ao ver o tempo passar. E não há grandes sobressaltos. Apenas uma vista que passa e se mostra vasta e tranquila quando o verso não aniquila a paz do cotidiano. E a vida vale a pena em seus vastos oceanos.

*
"Meus versos quais pássaros,
criaram asas e voaram antes da colheita da escrita,
e meus olhos registraram aqueles vôos"


***

"Na queda, descobri que minhas asas sempre estiveram aqui."






Marcilene Dumont

⁠Educador é aquele que confecciona asas e voa junto.

Só conhece a potência das asas aquele que se permite o voo.

Enquanto uns nos tiram o chão e se vão outros chegam e nos dão asas.

Borboleta branca,
Bate as asas pelo ar,
Faz pouso no ombro.


Lu Lena / 2026

Alto da montanha
Rompe o seu envoltório
Bate as asas. Voa

Lu Lena / 2026

PENSAMENTO ALADO...

O meu pensamento é livre quando cria asas e vai de encontro ao teu.
E ele encontra?
Fugiu agora e em ti se perdeu!

​O HORIZONTE DA INÉRCIA
(Entre o bater de asas e o silêncio da gaiola)

​A vida é tão complexa e, ao mesmo tempo, simples e natural como o pássaro que voa... O diferencial é que o pássaro pode não ser mais visto, ou pode ficar preso na gaiola por não saber voar, condicionado a essa prisão.
​Assim como as circunstâncias de nossa existência, que não se explicam: a gente observa e as deixa apenas voar, ou elas ficam aprisionadas por nosso comodismo.

​Lu Lena / 2026

​O PESO SAGRADO DAS ASAS
(Dia Mundial da Conscientização do Autismo)🧩

​"Um anjo pergunta a Deus:
— O que é um autista?
E Deus lhe responde:
— É um de vocês que permito descer à Terra!"
(Lu Lena)

​Essa frase está no portal Pensador e é bem anterior a essa minha nova versão. Procurando nesse acervo para postar no dia de hoje, me veio esta reflexão:

​Dizem que, ao permitir que um de Seus anjos desça à Terra, Deus sabe que a gravidade do mundo pode ser dura demais para quem só conhece a leveza do céu. Às vezes, o ar daqui se torna denso, o barulho se torna ruído e as asas desse anjo, antes feitas de luz e brisa, começam a pesar.

​Quando o voo se torna difícil e o cansaço ameaça o caminhar, ocorre um fenômeno silencioso e sagrado: Deus não retira o peso; Ele apenas muda o lugar do apoio. Ele retira as asas das costas do filho e as acopla, com cuidado infinito, nas costas da mãe.

​É por isso que, muitas vezes, o mundo enxerga nessa mãe uma exaustão que parece não ter fim. Não é apenas o cansaço do dia a dia ou das noites mal dormidas; é o peso físico e espiritual de carregar dois pares de asas.

Nós, mães atípicas, caminhamos com a responsabilidade de manter os pés de nossos filhos no chão enquanto sustentamos, sozinhas, a possibilidade de que, um dia, as mãos deles ainda possam tocar o céu — e as nossas também.

​Lu Lena / 2026

​METAMORFOSE DA VIDA
​(O bater de asas entre a memória e o agora)

​O que mais dói na maturidade não é a dor física, mas a saudade da essência que ficou para trás. Nessa transição, somos como borboletas em constante metamorfose: ora asas que se abrem para a vida, ora casulos que se fecham, introspectivos, para ela.

​Lu Lena / 2026

Deus está nas asas que me abraçam?

“Anjos, asas de ilusão, um sonho audaz.”
Ser assim: brilhar como um farol, luz na escuridão.
Ouvir as músicas que lhe convierem, ser eclético.
Gostar de ir por onde ninguém foi.
Querer viver — viver mais e mais — e não fingir, não esconder no olhar, mas se permitir ser feliz, aqui ou em qualquer outro lugar.

Não! Não vou mudar a minha maneira de ser, pois é isso que me dá vida.
Viver é ter o mundo real na cabeça e os pés firmes no chão; e, ainda assim, nos é permitido sonhar e projetar coisas. É somente assim que transformamos realidades e preenchemos o inexplicável vazio da alma e do coração.

Cante uma canção.
Dance.
Faça a vida entender que você está feliz por estar aqui.

Os sentimentos — ah, os sentimentos! — são eles que fazem toda a diferença. São responsáveis pela criação de tudo o que vivemos… ou deixamos de viver.
O pensamento é a energia que dá forma ao que desejamos materializar.

Eu vi beleza onde não havia esforço, e por isso não tentei aprisionar o que tinha asas. Disse minhas palavras sinceras e deixei que o destino seguisse seu próprio movimento. Hoje entendo: a mudança que pedi talvez tenha chegado através daquela breve passagem. Porque ela me fez olhar para mim mesmo — para quem eu era e para quem posso vir a ser.

As pessoas mentem. Mentem o tempo todo.
Elas lhe dão o mais belo e esplêndido par de asas, dizem que é seguro e te deixam voar para apreciar a vista.
Pouco depois, cortam suas asas.
Você cai. Se machuca todo.
Então elas se aproximam — com a tesoura ainda em mãos — e perguntam o que aconteceu. Perguntam se está tudo bem.

Asas no Céu

Dias atrás, sonhei que, ao olhar para o céu, notei a existência de seres semelhantes a nós. Havia apenas duas diferenças: eles possuíam asas e voavam de um lado para o outro; além disso, todos sorriam, transmitindo uma sensação constante de felicidade.

Eles não desciam ao chão nem conversavam com aqueles que os observavam. Apenas lançavam ondas de segurança, paz e alegria.

Percebi que, a partir daquele dia, todos nós caminhávamos pelas ruas olhando para o céu. E, sempre que fazíamos isso, éramos alcançados por aquelas ondas de felicidade, que nos faziam sorrir.

Acordei com a sensação de que estamos deixando, cada vez mais, de olhar para cima.

Talvez estejamos dando importância demais ao supérfluo e desaprendendo a sorrir com a alma.

Talvez o mundo precise de menos disputas, menos crueldade e mais humanidade.

Talvez estejamos, cada vez mais, deixando de acreditar no invisível, em nosso Criador.

É triste imaginar um mundo onde a fé esteja em extinção.

Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo.


Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo.


O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele.


- Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você?


O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou.


A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la.


Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão.


A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas.


Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade.


Até então, conhecera apenas a solidão.


Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter.


Mas a borboleta azul era diferente.


Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado.


Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte.


Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu.


Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião.


A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores.


Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso.


Seu ferrão começou a se mover lentamente.


Ele tentou detê-lo.


Lutou contra aquele movimento.


Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu.


A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa.


Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou:


- Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu?


O escorpião abaixou a cabeça.


Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu:


- Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui.


Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada.


Com grande esforço, a borboleta afastou-se.


Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar.


Voou para longe.


Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.


Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir.


Com o tempo, a ferida cicatrizou.


A dor diminuiu.


A vida seguiu em frente.


Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente.


Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza.


E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.