Saudades de Você Meu Amor
Tento dormir.
Tento sumir.
E ao me despir, sinto me coberto.
A dor que vem do âmago de meu ser.
Tens um propósito certo.
Crescer.
E tudo se acabou.
Mas a promessa de amor
Acalenta um pouco a dor.
E naquela viagem, onde os corpos se tocaram.
Os olhos se cruzaram e as mentes se abriram.
Foi apoteótico.
Único.
E desde então, perdido estou.
Aguardando ansiosamente
Nossa apoteose novamente.
Na casa que meu avô morou,
Esse era o cantinho que ele sentava,
A cadeira que ele balançava,
Apreciando essa linda vista,
Vixi, e quando chegava visita,
Ali dava um valor conversar,
Histórias adorava contar,
Do passado chega batia a saudade,
Desde quando passei a morar na cidade,
Aos finais de semana eu sempre venho,
É grande a tristeza que sempre tenho,
Porque agora só encontro minha vó,
Do meu avô a saudade é uma só,
Do tempo que não volta mais,
Valorize seus avós e seus pais,
Enquanto vida tiver,
Porque quando o sopro da vida vier,
Nada os trarão de volta,
E o que verdadeiramente importa,
São os momentos únicos vividos,
O amor, as brincadeiras e o riso,
Tudo aquilo que encanta o coração,
Hoje posso dizer com convicção,
Cada balanço nessa cadeira é maravilhosa a sensação.
Meus momentos preferidos são quando o meu abraço te alcança e me esqueço do peso dos dias que tivemos distantes
Já cheguei no meu limite, chamo seu corpo todas as noites querendo navegar em tuas curvas e explorar cada pedaço desse oceano de desejos. Provar do seu beijo perigoso que faz eu perder meus sentidos, não existe prazer mais ardente do que beijar você ao ponto de perder o fôlego.
Seu cheiro é a droga perfeita feito pra mim, quero seu toque, quero o seu olhar todo voltado pra mim, quero sentir teu coração bater, quero sentir tua pele.
E cada vez que penso que estou ficando perto de você, mais longe fico. Não gosto de pensar no futuro sem você, todo dia tento disfarçar pra mim mesmo que consigo controlar a saudade de cada detalhe que guardo de você.
Atordoado, corrompido, desesperado
encontrou-se meu coração
com a nossa foto
em minha mão.
e me apaguei ao pouco de você
que ainda existia aqui.
Onde estás? E por que andas tão longe?
não vês que meu peito
queima, grita e chora saudade?
eu preciso de você,
sentir seu cheiro,
ouvir sua voz.
Me abraça.
UMA XÍCARA DE CAFÉ
Sentado, diante do meu café, pensar é uma sina. Tudo o que eu queria era desligar um pouco disso... Gosto de café quente porque preciso queimar os arquivos deste peito. Tudo isso arde como o vapor que sobe da xícara.
Cansado de me culpar, não fiz isto. Doei meu coração para sua alma, mas era pouco. Era o que eu tinha... Talvez um pouco de lucidez e suaves letras, que rasgavam meu peito em cifras. Letras... Elas não podiam sentir minha inconsolável inquietação, mas eram algo em que eu ainda acreditava...
Sem ter nada, enchia-me de versos que diria para você, mas meus mudos suspiros eram o tipo de show que você não sabia apreciar. Uma confusão dentro de mim... Uma dose mais e um pouco de silêncio. Não faz sentido esse barulho... Tudo em mim grita por dentro e não há nada que eu possa dizer para te ter aqui.
Como em uma conexão banida, escrever é o meu jeito de saber que você sente também. Cada letra rabiscada escorre um pouco do meu amor. E longe... Onde quer que esteja, pode me sentir... Amores profundos podem nos afogar às vezes. A fumaça larga ardia meus olhos como teu sorriso largo... como tal dedicado a outrem.
Náuseas são apenas parcelas... Perco meu eu em imagens translúcidas das recordações. Como farpas atiradas, conviver é uma loucura. Linda... Com seus olhos cor de infinito e estes lábios cereja. Trocaram meu mundo por sonhos...
Como um castelo de cartas, construímos nosso amor. Os maus ventos de uma enorme janela sopraram a terra tudo em que acreditei. Como renda que se tece, todas as peças juntaram-se e me vi traído. As cores borradas embriagavam meus olhos inchados.
Como folha seca no outono, me vi cair e tudo o que eu queria é que, o vento de uma estrada qualquer, me levasse para longe dali. Me lembro como que em um raio devastador das coisas que costumávamos conversar e cada laço que minha boa memória revive, desfeito, se torna corda, enforca meu peito.
Chove forte e em minha cadeira de balanço, deixo-me escorrer como o céu. A melodia que teu peito toca em meus braços... seu respirar pesado e teus olhos perdidos em devaneios... Algo só meu...
A cada vez que meu peito pulsa, vejo você sair pela porta outra vez... As noites sem luz e as cores pálidas... Girando comigo nesta roda que gira para o fim. Árvores e pastos deixados para trás girando em vultos frios de um dia sem sol. As estradas sobem e descem, meus olhos pesam.
Charutos não são um problema quando amar alguém é sua droga. Um dia, por acaso, um pouco te sacia, mas cada vez que se olha no espelho precisa de mais. Parte de você não está ali. E cada fio de sua barba sente falta de cada tom rosa das bochechas de alguém.
Correr como gado solto em um campo distante e pensar em seus olhinhos confusos, verdes como as folhas... E se eu te pudesse ver o que faria a essas alturas? Não quero pensar em você com alguém porque ao seu lado é o meu lugar. Posso senti-la como sinto minhas mãos...
Prenderam num copo minha vela. Esperanças vazias são o que me resta. Como em um conto, tudo poderia simplesmente “desacontecer” e trazer você aqui para perto outra vez.
São quase meio dia e escrevo aqui, sentada na cozinha tomando meu café forte e de lei, e isso me fez refletir o quanto gosto de café e creio eu que isso deveria ser obrigatório, que você estivesse tão perto que pudesse tomar café comigo. Parece tolo mas é a primeira vez que faço referência de algo que gosto a alguém, é que café pra mim não tem hora de tomar, toda hora é hora de café.
Hoje eu olho pro café quente, exalando fumaça e tão cheio de perfume que me vem instantaneamente a cabeça o seu abraço quente, forte e apertado, quase que meu abrigo.
Acho até engraçado, até sorrio só de lembrar como o amor se resignifica e se esconde nessas coisas mais simples, o ato de fazer um café, sentar pra tomá-lo e sentir tua falta.
Estou me afogando, minha boca procura a sua para um último fôlego de vida.
Estou desfalecendo, meu corpo procura seus braços, dentro deles não há perigo. Dentro deles toda dor parece pequena, toda lágrima parece inútil, toda tristeza é passageira.
Não precisa ficar, mas esteja. Não precisa ficar, mas venha.
Olhar seu sorriso, sentir seu cheiro, tocar sua pele, é tudo o que eu preciso no momento, apenas isto me basta.
Se precisa ir, que vá. Mas volte. Recarregue minhas forças, vá, mas volte.
Respirei bem fundo, chega o meu peito apertou, me veio nessa hora um ardente desejo daquele nosso amor.
Eu morro todas as noites por dentro, quando penso que não conseguir dar o meu melhor pra não te magoar.
Meu desejo era saber sobre seu estado mas o desejo dele era não falar sobre sua condição. Isso é justo? Cada um sabe a dor e aquilo que suporta, talvez ele não suportasse a vulnerabilidade e por isso, preferiu perder o tempo precioso do tempo compartilhado, independente da condição.
Deportei a razão
Foi exilada
No lado entediante de meu cérebro
Agora somos só nós dois:
Eu e meu coração!
Para me acostumar
a tua infinita ausência
engano o meu coração
dizendo que sei me virar
Então vêm músicas, lugares
ciúmes e planos
a me torturar
E é assim...
"Você jamais saberá querido,
a falta que você faz em mim"
Alegrias.
.
Abri minha janela e um sorriso
De quem vê nela o meu destino.
Como d’antes eu a vi...
Eu sempre ali
No brilho farto de um sorriso.
.
Teus olhos não me buscam
E nem mais tenho o que lhe dei
Nos caminhos largos do teu riso,
Mas não destoa em mim
As cores vivas de quem vive
Um instante desse brilho.
.
O sonho é sempre um sonho
De uma alma adormecida
Que não perde a companhia...
Um viva a vida de alegrias já vivida
Que traga nela mais um dia.
.
Edney Valentim Araújo
1994...
►Caro Sabiá
Sabiá, meu caro amigo viajante
Avisei a João que estou a caminho
Diga-o o quanto estou em romance
Peça-o para que me receba com carinho
Sabiá, sabes bem a quem fui a confessar lá nos mangues
Andorinha vizinha, Sabiá, que criaturinha linda em sorriso
Logo que a vi, piei, rebolei-me todo em sedução cativante
Atrapalhei-me, Sabiá, deixando-me levar pelo calor sem juízo
Voou tão distante a criaturinha, caro amigo, tão distante
Piei em dor ao luar, pensando se voltaria a cantar em delírio
Chorei, Sabiá, sem saudades de um amor correspondido para sarar.
-
Passei desta fase vergonhosa, Sabiá, pela dor sem motivo
Saí pelos céus a fora, até que ficassem alaranjados, em busca de um lugar melhor
Machuquei-me em encontro de alguns galhos em frente ao destino
Sabiá, busquei ela, admito, Andorinha que sempre sorria ao redor
Penso somente em suas plumas a voar no horizonte, como se não fossem voltaria
Nunca mais as vi, Sabiá, que saudade de quem não me conhecia, que dó
Sabiá, amigo, tudo o que desejo é que eu volte a vê-la, só um pouquinho
Então voarei a seu encontro, Andorinha linda, que desconhece meu amar.
A torpeza da natureza humana,
A tristeza,
Erroneamente tropeçando,
Em queda,
Entorpecida em meus próprios desejos,
Sufocada em dor,
Dor dos amores sofridos,
Dos relacionamentos proibidos,
Da saudade daquilo que já passou,
Só sabe quem realmente amou,
A leveza do toque,
A complexidade aromática do perfume que arrepia os pelos da nuca,
O desejo é uma fera indecente,
Devora,
Apavora,
Voraz.
