Sapato
Cinderela
Tu sempre tolhida,
Inferiorizada mesmo
bonita. Criada à moda antiga,
num mundo que não é teu.
Um mundo que tem medo
por isso a guarda em segredo.
Dedicada e empenhada, uma batalhadora.
Mesmo sem acesso ao pódio da vitória é a real vencedora.
Gesta em ti algo que ninguém pode medir,
nem mesmo você.
Esse é o real medo desse mundo que a guarda em segredo.
Cinderela atual que não precisa de fadas, príncipes e tal.
Nem sapato de cristal. Onde pisa, sua luz faz irradiar.
Seu final será feliz e não o que seu mundo diz.
Guerreira por natureza, já que a vida não lhe permitiu moleza.
Contém-se por gentileza aonde pode dominar.
E é por isso que tem medo todo mundo que a guarda em segredo,
sabendo que o seu dia vai chegar.
A maioria só quer divertimento,
nada de muito profundo,
de amor se diz a todo momento,
no entanto ele é moribundo...
Por onde você tem andado?
Que sapatos você tem usado?
Quais dores tem suportado?
Os ventos tem sido favoráveis?
Suas roupas tem lhe protegido?
Ah, mundo...
Como podes ser tão duro?
E o mundo, sem parar seu trabalho, responde:
Ah, você...
Poderia andar na areia, mas escolhe o asfalto
Poderia usar um calçado, mas escolhe ir sem nada
Poderia resolver sua dor, mas escolhe abraçá-la
Poderia construir um abrigo, mas escolhe sentir o vento
Poderia tecer novas roupas, mas escolhe costurar os trapos.
Da série quase sessenta
Vou desvestindo tudo que pesa, aperta ou incomoda
pressa, ansiedade, falsas esperanças, jeans colados,
sapatos muito altos e meias( principalmente meias verdades)...
Com a teimosia continuo, ainda!
Quero teimar em acreditar que fico poderosa vestida com um batom vermelho.
Seria ele a culpa?
Seria ele minha amargura?
Não sei por exato...
Mas, ele é uma pedra no meu sapato.
É minha reclusão, minha repressão.
É o motivo da minha depressão.
É ele o alguém a findar minha liberdade...
Se o sapato me pressiona os pés, jogo logo é pro alto, pois, prefiro andar com os pés nus a calçar um calo de dor em silêncio.
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