Sair de Casa
Eram 3 da manhã e eu estava voltando para casa, caminhando por cerca de 20 minutos. Estava um pouco bêbado, completamente sozinho e com apenas 10 reais no bolso esquerdo. As ruas estavam desertas, sem uma alma sequer à vista, apenas o vento gelado que ecoava o silêncio ao meu redor. Era estranhamente bonito, apesar da melancolia que me acompanhava naquela caminhada solitária.
Leia os grandes poetas, leia muito, sem parar, leia todos os dias. Os livros são casa e comida.
Das Profundezas de um Tormento
Caminhando pelo estreito túnel tenebroso,
Que conduz à casa do forte Hércules!
Deparei-me com um ser cuja existência, se mostrava nitidamente atormentada.
Tal tormento, para mim, mui conhecida,
Era na verdade ou parecia ser, um reflexo do que se passava em minha Alma!
Senti certa dose de paz ao perceber o tormento dele.
Mas, ao contrário de mim, ao me ver, perturbou-se ainda mais e sumiu; desapareceu sem ao menos eu o conseguir avistar! Misteriosamente!!!
Compreendi então que seu tormento,
me deu certa paz. E o meu tormento, aumentou ainda mais o seu.
Às 10h42 in 22.04.2024”
A pressa
Era tarde como de costume, quando atravessei a rua que dava acesso a minha casa. E por um momento parei para observar algo que me chamou a atenção. A casinha verde da esquina estava escura, e por alguns instantes aquilo me incomodou. Mas segui para casa, estava muito cansada.
No dia seguinte pela manhã ao sair de casa, fiquei atenta ao passar pela casa verde. Estava tudo igual, linda e graciosa como sempre, as rosas estavam reluzentes de tão lindas. Respirei fundo e segui apressada. Ao final do dia voltando para casa, outra vez senti falta de algo naquela rua, as luzes da casa verde não estavam acesas novamente. O que teria acontecido? Dona Benta viajou? Estranho. Incômodo novamente.
Na manhã seguinte, tudo normal. As flores... ah, as flores, tão lindas! Dona Benta é tão caprichosa com suas plantas! Respirei fundo e sorri, apressando os passos. Ao voltar a noite, não pude deixar de notar que ali, já não tinha a mesma alegria. Tudo escuro, e sujo em frente a casa, folhas muchas na calçada. Algo realmente aconteceu ... foi o que pensei.
Então, ao sair para o trabalho pela manhã, meus olhos já buscavam respostas. Parada olhando para aquela casinha que outrora transmitia beleza e alegria, murmurei: _ Estranho! As plantas estão murchas, as rosas ... o que houve? Meu pensamento foi interrompido pela voz do seu Evaldo, vizinho do lado, que cabisbaixo respondeu: _ Sim! Dona Benta faleceu. Silêncio, nó na garganta, e uma dura resposta. Por isso a tristeza na casa verde... _ Ah, nossa! E eu nem soube, sinto tanto! Respondi ao seu Evaldo, e saí, tomada por uma emoção inexplicável.
Que droga de vida é essa? Essa correria que não nos deixa perceber ... Sempre tive vontade de parar e conversar com dona Benta. Sempre a vi como uma senhora distinta, e tão educada! Trocávamos bom dia, e boa noite tão calorosos! Mas a conversa ficou apenas em meus pensamentos. A correria nunca deixou, ou eu me deixei levar por ela.
Pela janela do meu carro - 4
Certo dia eu voltava para casa no intervalo do almoço e percebi que tinha um rapaz na bicicleta sendo agredido por dois meliantes, um estava de preto e branco e outro de marrom.
Eu fui me aproximando e buzinei na direção dos tratantes, que na mesma hora pararam a agressão.
O moço devia estar voltando para casa cansado e ainda teve que se estressar desse jeito.
Um esclarecimento: Um dos meliantes tinha o pelo preto e branco e outro era caramelo (indícios apontam como um dos terrores dos motoqueiros).
Melhor é um pedaço de pão seco com paz e tranquilidade do que uma casa onde há banquetes e muitas brigas.
Hoje no meio do caminho eu cheguei em casa.
Eu abri a porta meio aberta.
Limpei um dos meus pés no tapete.
Tomei meia xícara de café.
Fumei a metade de um cigarro.
Sentado no meu sofá eu li a metade de uma notícia.
Tive uma meia conversa com o meu parceiro antes que eu visse ele fechar a metade da porta e ir para o serviço.
A minha vida está cheia de meias coisas.
Ao longo dela eu perdi metade da minha pessoa
Por sujeitos que me deram meias certezas
Mas nunca me deram um de seus ombros para consolar as minhas tristezas.
A Igreja mais indicada para você frequentar não é a mais próxima da sua casa, mas, a mais próxima da Sã Doutrina.
O LAMENTO DA ENCHENTE
Sabe quem sofre na enchente?
Quem teve a casa levada pelas águas.
Quem tá com a roupa molhada, e apenas ela!
Aguardando o Sol sair.
Num país de dimensões Continentais
Enquanto o SUL tá sofrendo com rompimento de barragem.
O NORDESTE tá comemorando com sangramento de açudes.
A AMAZÔNIA tá em chamas!
O CERRADO no correntão!
O SUDESTE curtindo o show da Madame.
Aos poucos tudo volta ao normal,
A dor do outro vira mídia social.
Que autoridade um pai de família pode ter em sua própria casa se para alimentar seu lar depende ora do vizinho ora dos amigos?
Existe uma casa sendo preparada para mim, onde habita nela meus antepassados e a minha descendência.
O que é a perfeição?
Ela existe?
Perfeito?
Acho que sim
Mas em casa coisa
Pessoa
Ato
Um sorriso perfeito
Pois ele ilumina
Traz felicidade
Um gesto, na hora certa
Um carinho, um abraço
Um toque na mão
Uma pessoa perfeita?
Não
Mas uma pessoa que
Em toda sua imperfeição
Luta contra ela
Uma batalha perdida
O conceito de perfeição
Ultrapassa o eu, o você, o nós
Um imperfeito pode ter dias
Em que toda sua imperfeição
Aparece
Mas isso na piora a imperfeição
Aos que dele esperam a perfeição
Que a ninguém pertence
"Me deparei em um dia chuvoso, corri com pressa para chegar em casa. Olhei o meu reflexo em uma poça e o questionei: por que tanta pressa? A chuva logo passará, tropeçará entre esquinas e se perderá nos suspiros das ruas, mas a calma permanecerá, como uma sombra tranquila, esperando por você enquanto o tempo dança ao ritmo das gotas que escorrem pelas folhas. Então respire fundo, mergulhe na serenidade do momento e permita que a paz interior se instale, mesmo nos dias mais tempestuosos."
