Rua
Enganar quem vende na rua é uma covardia dupla: tira o tempo de uma venda real e fere a esperança de quem só quer trabalhar em paz.
Na mesma rua
Eu passo
e o chão lembra.
Não é você..
É o eco do que doeu.
As paredes sabem,
o ar pesa,
e meu peito responde
como se fosse agora.
Mas não é.
Você ficou
no que eu sobrevivi.
Eu sigo
no que eu me tornei.
E por mais que doa
te cruzar no mundo,
já não existe
lugar em mim
onde você mora.
Há lembranças que não vão embora.
Elas ficam na música,
na rua,
no silêncio entre uma mensagem e outra.
Algumas ausências ocupam mais espaço
do que muitas presenças.
Mas a vida continua.
O rio segue seu curso,
o vento atravessa as estações,
e o tempo não pede permissão.
Talvez a coragem não esteja em esquecer.
Talvez esteja em seguir em frente,
carregando as memórias
sem permitir que elas carreguem você.
Lucci Santz
Tem uma lua diferente
Que só nasce na minha rua
Ela pode parecer igual
Pra toda gente
Não pra mim, que a vejo de lá
E quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
E prossigo vendo as coisas do meu jeito
Pois desse jeito, eu sei, não sofro tanto
Não ponho leveza onde não há
Não aumento a tristeza onde há
Tem um azul claro vibrante
Tem um céu assim, pra mim
Quando eu o olho de lá
E quando eu me molho na chuva de lá
Não me sinto menos rico
Por não ter um guarda-chuva igual
Não desejo nunca mais ultrapassar as portas
De cujas maçanetas
Eu jamais devia ter me aproximado
Às vezes, fico até de madrugada
Olhando estrelas da calçada
A lua brilha na areia do chão
Como na areia da praia
Mas é preciso olhar pro chão
Como quem olha pro céu, para vê-las
E não desejar que caiam estrelas
Todas elas vão cair um dia
Nesse dia, eu vou morar na estrela
Para ver minha rua distante
Como distantes serão meus olhares
E vai tudo estar do mesmo jeito
Ou, talvez, até melhores
Não sei
O melhor lugar do mundo
Fica atrás dos meus olhares
Sob a chuva sem guarda-chuva
Na qual, fatalmente, eu apenas me molho
Eu apenas vivo assim
As emoções pequenas
Nas asas da ilusão, eu viajo pra bem longe
Mas, quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
Minha paz, meu coração
E o melhor lugar deste mundo
Será sempre onde eu estiver
Pois estou contente em minha companhia.
Eds
DO OUTRO LADO DA RUA.
Do Livro: Atravessando a Rua.
Autor: Richard Simonetti.
Durante a existência inteira residiu em frente ao Centro Espírita.
Ano após ano observou o movimento de gente que entrava e saía, dirigentes, colaboradores, simpatizantes, aprendizes, doentes, pobres...
Nas noites quentes de verão, sentado em confortável poltrona, na ampla varanda, ouvia ao longe a palavra de vibrantes oradores e impressionava-se com a lógica dos conceitos espíritas na definição dos problemas humanos... Chegara a proclamar-se adepto da Doutrina dos Espíritos!...
E aquela gente que ali cooperava! Que dedicação! Quanto desprendimento! Em qualquer tempo, com chuva ou frio, sucediam-se as equipes de trabalhadores, na distribuição de alimentos, na visitação aos enfermos, no socorro aos desabrigados!
Mas NUNCA SE DECIDIU A ATRAVESSAR A RUA, perdendo preciosas oportunidades de serviço e edificação...
Espírita, é preciso ATRAVESSAR A RUA!...
Não nos acomodemos na poltrona da indiferença, a ouvir de longe os apelos da Espiritualidade!...
No Centro Espírita está o nosso ensejo maior de participação como aprendizes e colaboradores. Fortalecê-lo com a nossa presença! Engrandecê-lo com o nosso trabalho! Sublimá-lo com a nossa dedicação,eis as metas intransferíveis, se aspiramos a um futuro de bênçãos!
Façamos do Centro Espírita a nossa escola, a nossa oficina, o nosso templo, para que não tenhamos de ver nele o hospital, atormentados por males e frustrações que afligem os que NÃO ATRAVESSARAM A RUA!
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QUANDO UM ANJO DORMIU EM MINHA CASA.
Era uma casa simples, situada numa rua tranquila onde o tempo parecia caminhar mais devagar. As paredes guardavam marcas de anos vividos, risos antigos e algumas lágrimas silenciosas. Ali morava um homem de espírito cansado, daqueles que carregam na alma mais perguntas do que respostas.
Certa noite, depois de um dia longo e pesado, ele apagou as luzes e deixou que a casa mergulhasse no silêncio. O vento tocava levemente as janelas, e a madrugada aproximava-se com aquela serenidade que somente as horas profundas sabem trazer.
Sentado na pequena sala, ele pensava na vida. Pensava nos caminhos que tomara, nos erros que ainda lhe doíam e nos sonhos que pareciam ter ficado para trás. Havia dentro dele uma mistura de cansaço e esperança, como se a alma buscasse algum sinal que lhe devolvesse confiança no amanhã.
Antes de dormir, fez algo que havia muito tempo não fazia. Curvou levemente a cabeça e falou em voz baixa, quase como quem conversa consigo mesmo.
“Se houver ainda alguma luz para mim, permita que ela encontre esta casa.”
Depois disso, recolheu-se ao quarto e adormeceu.
A noite passou silenciosa. Nenhum ruído estranho, nenhuma visão extraordinária, nenhum fenômeno que pudesse impressionar os sentidos. Apenas uma paz incomum que parecia repousar sobre o telhado, sobre as paredes, sobre cada objeto simples daquele lar.
Naquela madrugada, porém, algo sutil aconteceu.
Enquanto o corpo descansava, o espírito encontrou-se envolvido por uma serenidade profunda. Não houve palavras audíveis, nem formas visíveis. Houve apenas uma presença silenciosa, como se uma inteligência benevolente estivesse ali, velando pelo descanso daquele coração cansado.
Era como se uma luz suave tivesse atravessado a casa inteira sem acender lâmpada alguma. Uma presença que não perturbava, que não exigia atenção, que simplesmente permanecia.
E assim a noite seguiu tranquila.
Quando o amanhecer chegou, o homem despertou com uma sensação estranha. Não havia acontecido nada que pudesse explicar. A casa era a mesma. A mesa continuava no mesmo lugar, as janelas estavam fechadas como sempre.
Mas algo dentro dele havia mudado.
A inquietação que o acompanhava há tanto tempo parecia menor. O peso que carregava nos pensamentos estava mais leve. Ele levantou-se devagar e caminhou pela casa em silêncio, como quem percebe que aquele espaço simples estava diferente.
Não porque algo tivesse sido acrescentado.
Mas porque algo havia sido suavemente purificado.
Sem saber explicar por quê, ele sorriu pela primeira vez em muitos anos. Sentiu vontade de abrir as janelas, deixar a luz entrar e começar o dia de outra maneira.
Enquanto preparava o café da manhã, uma ideia atravessou-lhe o pensamento como um sopro delicado.
“Esta noite um anjo dormiu aqui.”
Talvez ninguém pudesse provar aquilo. Talvez nenhum olhar humano tivesse visto aquela presença silenciosa.
Mas certas verdades não precisam de testemunhas.
Elas revelam-se apenas através da paz que deixam no coração.
E naquela casa simples, naquela madrugada tranquila, alguém despertou para a vida com a certeza silenciosa de que, mesmo nas noites mais comuns, o bem ainda encontra caminhos para visitar aqueles que não desistiram completamente da esperança.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
“O poste da rua passa a vida inteira em pé, iluminando caminhos que não são os seus; as pessoas fazem o mesmo — sustentam a própria solidão enquanto acendem o rumo de quem nunca vai parar para olhar para cima.”
"O pastel e o caldo de cana são o batismo de quem não teme a rua; é a fusão entre o calor do esforço e a doçura da resistência, provando que a energia que move um gigante não vem do luxo, mas da pureza do que é autêntico."
A minha namorada,
É a mais bela da rua.
A mais bela da quadra.
A mais bela do bairro.
A mais bela da cidade.
A mais bela do estado.
A mais bela do país.
A mais bela do mundo,
O meu amor caiu nas suas mãos e então
é bem zelado.
Muito obrigado só por existir e ter me mudado.
Viveria eternamente te amando do outro lado desse mundo!
A paz é uma criança brincando na rua,
A violência é o adulto com fúria brutal.
Ambientes diferentes,
E o combate feito no lugar errado.
Eu me perco na rua de casa, quando você me olha com aquele olhar de quem não desejar nunca terminar de me esculpir.
O homem pode pregar na praça na quinta, na rua na sexta e na igreja no domingo, mas, se negligenciar a prática da oração, arma uma cilada para os próprios pés.
