Rua

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Toda rua faz divisa com outra rua, todo alguém precisa de alguém

Por trás das janelas
Chove.
E a cidade parece a mesma para todos que passam apressados na rua, protegidos por guarda-chuvas e pensamentos que não se dizem em voz alta.
Mas basta olhar para cima.
Em cada janela acesa, há um mundo inteiro acontecendo.
Alguém corta legumes com cuidado.
Alguém se senta na cama, cansado demais para fazer qualquer coisa além de existir.
Alguém assiste televisão para não ouvir o próprio silêncio.
Alguém espera. Mesmo sem saber o quê.
Ninguém vê.
Ninguém imagina.
Compartilhamos o mesmo prédio, a mesma calçada molhada, o mesmo som da chuva —
mas não compartilhamos as mesmas dores, nem as mesmas alegrias.
A vida não é barulhenta como parece.
Ela acontece em gestos pequenos, repetidos, quase invisíveis.
E ainda assim, profundamente humanos.
Talvez seja isso que a chuva faça:
ela desacelera o mundo o suficiente para que a gente lembre
que todo mundo carrega uma história atrás de uma janela iluminada.
E que, no fim, estamos todos tentando a mesma coisa:
um pouco de abrigo.
Rosana Figueira

Nenhum inimigo de rua consegue ser tão cruel quanto o parente hipócrita que te abraça sorrindo, sabendo exatamente onde dói a sua ferida.

A minha cor é pre...

A minha cor é do mendigo na rua
A minha cor é de presos na cadeia
A minha cor é periferia
A minha cor é da exclusão
A minha cor é de escravidão
Minha cor se tornou verde e amarelo

Meus ancestrais foram trazidos
pra cá contra sua vontade
Roubaram a nossa liberdade
e mais de 300 anos,
deste então nunca
fomos bem-vindos aqui
e somos obrigados
a fingir,
ignorar
que não somos
julgados,
vigiados,
condenados,
querem culpar até
nosso existir
e tirar nosso sorrir
nunca fomos bem-vindos aqui,

ainda sem oportunidade
há uma ameaça constante
de nossa liberdade,
a minha cor é suspeita
e muita gente não respeita
a minha cor começa com pre...
a minha cor é preconceito.

Eu sou o outro.

Sou esse morador de rua.
Sinto sua fome,
sinto o frio, o calor, a chuva.
Sinto sua vergonha,
sinto sua humilhação,
sinto o perigo, a indiferença,
sinto a sensação de não ter valor.

Sou essa mulher agredida —
em palavras e no corpo — pelo marido.
Sou essa mulher que trabalha na rua e em casa,
e ganha menos apenas por ser mulher.
Sou essa mulher que, por tanto tempo,
viu suas escolhas serem decididas sempre pelos homens.

Sou essa criança no mundo,
que sofre por ser frágil, por não ter força.
Sinto o sofrimento violento que os adultos causam.

Sou esse doente na cama,
sofrendo de dor, desenganado pelos médicos,
com apenas a morte esperada no futuro.

Senti a dor do Holocausto judeu,
senti a dor da escravidão do negro.

Eu sinto a dor do outro.
Eu sou o outro.

Malandro tem cheiro de noite,
de rua quente, de tentação.
Não toca, mas deixa nos dedos
a memória da intenção.

Quem olha sente o risco,
quem fica perde a razão.
É calma que acende incêndio
sem pedir permissão.

Ele dança parado,
provoca sem se mover.
O desejo se oferece
só de imaginar o que é.

Não promete eternidade,
mas entrega o agora inteiro.
Quem cruza seu passo lento
nunca sai do mesmo jeito.

Malandro não seduz —
ele deixa acontecer.
E quando você percebe,
já quis sem nem querer.

Sandro Paschoal Nogueira

“O poste da rua passa a vida inteira em pé, iluminando caminhos que não são os seus; as pessoas fazem o mesmo — sustentam a própria solidão enquanto acendem o rumo de quem nunca vai parar para olhar para cima.”

​"O pastel e o caldo de cana são o batismo de quem não teme a rua; é a fusão entre o calor do esforço e a doçura da resistência, provando que a energia que move um gigante não vem do luxo, mas da pureza do que é autêntico."

Você anda…passa por Sulacap, Vila Valqueire, Madureira…muda de rua, muda de direção.Mas a sua mente continua no mesmo lugar, presa no que você tenta deixar pra trás. No fim, não importa onde você pisa…se por dentro, você nunca saiu.


DeBrunoParaCarla

Deitado no divã de rosto para cima
Se apossava dele certa letargia
E chegava da rua um tal de alarido
Enorme e tristonho que vinha sorrindo

deitado no divã de rosto para cima
se apossava dele certa letargia
e chegava da rua um tal de alarido
enorme e tristonho que vinha sorrindo
e ouvia toda noite da sua janela
o batuque do samba lá na casa dela
e entre tantos chapéus via o seu vestido
dançando no salão como um anjo caído

Eli apaixonado por sambá ouvindo
e ele apaixonado por samba ouvindo
rodava no salão com seu vestido lindo

Eli apaixonado por sambá ouvindo
e ele apaixonado por samba ouvindo
dançava no salão com seu vedtido lindo

Elí apaixonado por sambá ouvindo
e ele apaixonado por samba ouvindo
girava no salão seu vestido lindo

- “Ex Governanta”...começou subitamente Lagosta.
Eu te amo tanto que caminho na rua
Sempre conversando no mundo da lua
Sempre passando tempo expressando ideias
Sempre jogando jogos de tabuleiro com estratégia
Para prolongar nossa linda vida bela


Sempre em comunhão para ter uma lógica
Mas quando não concordava
Sempre tinha uma revolta


Para expressar ideias
Para beneficiar
Sempre um e outro ajudar


Mas hoje em dia
Você me largou
Largou a todos nós
Você nos deixou
Você me recusou


Ex Governanta!
Só lhe vejo como um passado
Todo embaçado
Como pessoas unidas
Você nos deixou


Nos revoltou, mas sofremos calados
As ideias não são mais expressadas
Não há mais falácias boas em nossas caminhadas
Por que você se afastou
Porque nós nunca lutou a sua ida!


Não volta mais a vida
A revolta não é mais ocorrida
Entre seus problemas


Sempre a esquemas
A sociedade ignora
Por dentro ela chora
Mas por fora não se importa com você, porque?


Porque não tem vontade de discutir
Só de aceitar
Por isso que por sua causa
A população vai se calar


Todas as minhas lágrimas derramadas
Lembro das agonias que nos protestava
Lembro dos momentos que não nos resguardava
Sinto a nossa falta


EX GOVERNANTA
EX GOVERNANTA
EX GOVERNANTA


Só lhe vejo como um passado
Todo embaçado
Como pessoas unidas você nos deixou
Mas sofremos calados


As ideias não são mais expressadas
Não há mais falácias boas em nossas caminhadas
Porque você se afastou
Porque nós nunca se revoltou com a sua ida


Não volta mais a vida
A luta não é mais ocorrida
Entre seus problemas


Sempre a esquemas
A sociedade ignora
Por dentro ela chora
Mas por fora não se importa com você. Porque?


Porque não tem vontade de discutir
Só de aceitar
Por isso que por sua causa
A população volta a se calar.
EX GOVERNANTA.


Apitou o sinal, e Gabiroba ficou apavorado ao ver tantos pés passando apressados, pra lá, pra cá, por todo lugar. A quadra era coberta e o barulho ficou insuportável, ele se escondeu até o alvoroço acabar, olhou para cima e viu o gambá dormindo bem sossegado no galho da goiabeira.

Na rua todos tinham medo quando ele passava sorridente com aquele saco de estopa muito bem fechado, nem sabia para onde ele ia mas muitos olhos medrosos o seguia até sumir na esquina da trilha.
Ele sempre saia de tardezinha quando a noite brotava azulada e devagarinho tudo escurecia deixando as lâmpadas e os postes onde elas acendiam um pouquinho mais claro para quem ia e vinha.
Ao amanher o dia ele voltava com o saco de estopa quase vazio e algumas vezes nem o saco trazia mais debaixo do braço e todos se perguntavam o que estava acontecendo e o que ele tinha naquele saco que todos os dias enchia oculto pela privacidade da sua pequena casinha.
E como lá dentro daquela casa cabia tantas coisas para ele colocar naquele saco de estopa todos os dias? A curiosidade muitas vezes nos faz comportar como idiotas presunçosos mas foi essa mesma curiosidade que me fez seguir o homem do saco naquele dia e decobrir que ele não roubava criancinhas mal criadas como minha avó sempre dizia...na verdade ele era um Emprestador de Ombros! E o saco estava cheinho de ombros amigos que ele emprestava todas as noites para consolar que voltava para casa e encontrava a tristeza...e não tinha nenhum ombro amigo para chorar.

A casa e a rua em que você vai morar vão influenciar diretamente nos seus resultados e saúde mental.

Não há crescimento sem passar pela rua escura.

Lapidar
"" Moldar a pedra bruta
cheia de vida
tal qual o brilho
da rua
num instante
o pormenor
da lua
brilhante...

QUANDO UM ANJO DORMIU EM MINHA CASA.
Era uma casa simples, situada numa rua tranquila onde o tempo parecia caminhar mais devagar. As paredes guardavam marcas de anos vividos, risos antigos e algumas lágrimas silenciosas. Ali morava um homem de espírito cansado, daqueles que carregam na alma mais perguntas do que respostas.
Certa noite, depois de um dia longo e pesado, ele apagou as luzes e deixou que a casa mergulhasse no silêncio. O vento tocava levemente as janelas, e a madrugada aproximava-se com aquela serenidade que somente as horas profundas sabem trazer.
Sentado na pequena sala, ele pensava na vida. Pensava nos caminhos que tomara, nos erros que ainda lhe doíam e nos sonhos que pareciam ter ficado para trás. Havia dentro dele uma mistura de cansaço e esperança, como se a alma buscasse algum sinal que lhe devolvesse confiança no amanhã.
Antes de dormir, fez algo que havia muito tempo não fazia. Curvou levemente a cabeça e falou em voz baixa, quase como quem conversa consigo mesmo.
“Se houver ainda alguma luz para mim, permita que ela encontre esta casa.”
Depois disso, recolheu-se ao quarto e adormeceu.
A noite passou silenciosa. Nenhum ruído estranho, nenhuma visão extraordinária, nenhum fenômeno que pudesse impressionar os sentidos. Apenas uma paz incomum que parecia repousar sobre o telhado, sobre as paredes, sobre cada objeto simples daquele lar.
Naquela madrugada, porém, algo sutil aconteceu.
Enquanto o corpo descansava, o espírito encontrou-se envolvido por uma serenidade profunda. Não houve palavras audíveis, nem formas visíveis. Houve apenas uma presença silenciosa, como se uma inteligência benevolente estivesse ali, velando pelo descanso daquele coração cansado.
Era como se uma luz suave tivesse atravessado a casa inteira sem acender lâmpada alguma. Uma presença que não perturbava, que não exigia atenção, que simplesmente permanecia.
E assim a noite seguiu tranquila.
Quando o amanhecer chegou, o homem despertou com uma sensação estranha. Não havia acontecido nada que pudesse explicar. A casa era a mesma. A mesa continuava no mesmo lugar, as janelas estavam fechadas como sempre.
Mas algo dentro dele havia mudado.
A inquietação que o acompanhava há tanto tempo parecia menor. O peso que carregava nos pensamentos estava mais leve. Ele levantou-se devagar e caminhou pela casa em silêncio, como quem percebe que aquele espaço simples estava diferente.
Não porque algo tivesse sido acrescentado.
Mas porque algo havia sido suavemente purificado.
Sem saber explicar por quê, ele sorriu pela primeira vez em muitos anos. Sentiu vontade de abrir as janelas, deixar a luz entrar e começar o dia de outra maneira.
Enquanto preparava o café da manhã, uma ideia atravessou-lhe o pensamento como um sopro delicado.
“Esta noite um anjo dormiu aqui.”
Talvez ninguém pudesse provar aquilo. Talvez nenhum olhar humano tivesse visto aquela presença silenciosa.
Mas certas verdades não precisam de testemunhas.
Elas revelam-se apenas através da paz que deixam no coração.
E naquela casa simples, naquela madrugada tranquila, alguém despertou para a vida com a certeza silenciosa de que, mesmo nas noites mais comuns, o bem ainda encontra caminhos para visitar aqueles que não desistiram completamente da esperança.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

O homem pode pregar na praça na quinta, na rua na sexta e na igreja no domingo, mas, se negligenciar a prática da oração, arma uma cilada para os próprios pés.

O homem pode pregar na rua na quinta, na praça na sexta e na igreja no domingo, mas se ele negligencia a prática da oração, acaba criando uma armadilha para os próprios pés. É por isso que muitos pregadores vão para a cama com o coração pesado e acordam com o espírito amargo.

Os animais de rua não pedem direitos; eles expõem a falência moral de uma sociedade que já os reconheceu apenas como sobra.