Revolução
Madeira e lascas
Não quero falar das vespas,
pois são fáceis de reconhecer.
Nem as revoluções correntes
são perigosas.
A morte na sequência do ruído
foi desde sempre decidida.
Preocupe-se, sim, com as efemérides
E as mulheres, com os caçadores de domingo,
os cosmetólogos, os indecisos, os bem-intencionados,
com os jamais atingidos pelo desdém.
Das florestas carregamos gravetos e troncos,
e o sol demorou a brilhar para nós.
Em êxtase com o papel na linha de montagem
não reconheço os galhos,
nem o musgo, fervido em tintas mais escuras,
nem a palavra, talhada em córtices,
real e atrevida.
Usura de folhas, letreiros,
cartazes negros… De dia e de noite
estremece, sob estas e outras estrelas,
a máquina da fé. Mas na madeira,
enquanto ainda está verde, e com a bílis,
enquanto ainda está amarga, sigo
disposta a escrever o que era no início!
Tratem de ficar acordados!
A marca das lascas que esvoaçaram avança
com o enxame de vespas, e na fonte
arrepiam-se face à tentação,
que primeiro nos enfraquecia,
os cabelos.
Existem duas formas de nos relacionarmos com aquilo que chamamos de tempo: ou seguimos as revoluções do relógio, ou nos inserimos no eterno retorno da vida. Em outras palavras: ou para nós o tempo é o carrasco que vai ceifar nossas vidas, ou é um professor que nos habilita para a eternidade. Vejamos como isto funciona.
Penso que o que impede a maioria das revoluções antes mesmo de começarem é que as pessoas, embora suficientemente revoltadas para lutar, ainda se sentem confortáveis o bastante para hesitar.
Todas as calamidades – revoluções, guerras, perseguições – provêm de um equívoco inscrito sobre uma bandeira.
A ideia de que revoluções políticas seriam movidas por intenções generosas de melhorar o mundo é uma falha na análise do que a natureza humana revela na história.
Aqueles que condenam grandes revoluções são os mesmos capazes de apagar com um sopro as velas, que surgem como clarividência da individualidade.
"O ser e o estar se embasam através de (r)evoluções; uma crise, emersa daquilo que evolui, pode corresponder ao (re)nascimento de oportunidades."
Os grandes heróis das revoluções só tinham uma coisa em comum: jamais aceitaram o conformismo da ideologia que combatiam.
Mártir
Não conte comigo para suas revoluções,
Cansei de lutar falsas batalhas e de ferir-me em espinhos de rosas artificiais.
Estou cheio de discursos ilusórios, olhe ao seu redor,
São essas as pessoas que você quer salvar?
Lembre-se de quantos sacrifícios vãos foram feitos até aqui,
Os tempos mudaram porem as pessoas são as mesmas.
Antes de o exaltarem eles o apedrejam, torturam, cospem em seus ideais.
E finalmente quando destroem o seu espírito, o promovem a mártir.
As revoluções são nada mais que fases em que o ser humano pensa e age. Os revolucionarios em muitas vezes são apenas peões que acham que pensam, mas agem sem pensar.
