Relógio Parado

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A ingratidão é como doar um rim para um alguém e depois descobrir que seu outro rim está parado e que você precisa de hemodiálise, e depois da notícia este alguém olha pra tua cara e diz: bem feito pra você!

Se eu não tivesse amigos, eu já teria parado de beber.
Que bom que ainda não parei :}

*Não fique parado esperando que as coisas caiam do céu, mexa-se, lute pelos seus objetivos, não conseguiremos nada se não agirmos... e rápido!

Engraçado, agora parecemos dois estranhos. Aquele amor ficou parado ali mesmo, no meio da estrada, de bagagem pesada, só com a roupa do corpo, sem saber que rumo seguir, sem mim, sem você, sem carona, sem atalhos nem mapas. O nosso amor vaga: com sede, com fome, com lágrimas. E espera, espera um dia a nossa volta, espera que um dia, feito criança, o carreguemos no colo e brinque e sorria como era de costume fazer nos piqueniques de domingo.

O tempo passa, o vento passa, a paisagem passa, o amor não passa. Ele fica! Caminha a passos lentos e exaustos, as malas pesadas de recordações já puíram, arrebentaram e ficaram pra trás. Os olhos cansados já não enxergam a longas distâncias, já não me reconheceriam, nem reconheceriam você. Nosso amor é uma moldura sem retrato em busca dos rostos que antes ali sorriam! É um vão eterno entre mim e você.

O amor envelhece, a memória desgasta, as lembranças se vão, os sentidos enfraquecem, mas lá no fundo tem uma coisa que ainda queima, e arde, e dói! Aí acontece que o amor não espera mais por mim nem por você, espera por alguém, qualquer alguém que o leve e cuide e guie e queira bem.

O amor não passa, não acaba, adormece. Se vai aos poucos na esperança de um dia saber como voltar!

Vencer ou perder só depende de você, Deus espera por suas atitudes! Não fique ai parado, mova-se. Portanto o seu jardim não florescerá se você colocar as sementes na terra, se não for regadas diáriamente, elas não germinam, se a terra não for muito bem cuidada até as flores crescer o seu jardim corre o risco de morrer.

Encontro Marcado

Parado ao longe te vejo chegar reluzente, altiva e imponente
Então me vês e abre um sorriso que me conforta
O tempo é curto e a saudade é imensa
No banco de trás, nossos corpos clamam pelo encontro
Os olhares, ahh... esses conseguem enxergar a volúpia que salta aos lábios
Peço ao chofer que nos leve para Ninho...
Já a sós, proclamo a soberania do teu corpo, Invasivo, rasgo tuas roupas
Timidamente tenta me conter, sem esforço fazer, agora não há resistência
Pede, me prende e sobre mim se espalha, outra vez me completo
Mastiga-me com vigor, ouço chamar por meu nome
Pressinto teu ápice, aumento meu ritmo
Profanas o Santo nome – “Oh Meu Deus!”
Ondas de choque percorrem teu corpo, me olhas como quem agradece um precioso alimento
Antes do fim a boca sacia a sede
Deixo-te ir
Sabendo que mais do que nunca carregas uma parte de mim

Armando ficou parado olhando com atenção a enfermeira Patrícia colocar a estrela no alto da arvore de Natal.
Foi com muita alegria que recebeu o convite dela para ajudar na arrumação do símbolo. Era bom se sentir útil de novo. E assim colaborou. Bola por bola. Estrela por estrela, até que terminaram.
Patrícia, então, equilibrou o objeto, olhou para Armando com um sorriso e disse:
- Pronto "Seu" Armando, acabamos.
Armando não respondeu. Continuou alí parado olhando para a arvore. Patrícia que há anos trabalhava no asilo, conhecia a realidade de cada um interno e o quê a data representava. No caso de Armando, era a solidão. Foi internado há dois anos e desde então só recebera duas visitas do filho, um famoso médico da cidade. Não ousava tentar vislumbrar as muitas lembranças que passavam como um filme na mente do octogenário.
Até que...
- Seu Armando! - Chamou com um pouco mais de energia.
Ele, ainda, não atendeu.
Ela desceu da pequena escada e segurou o braço dele.
Foi quando Armando olhou e disse-lhe:
- Muito obrigado minha filha. Obrigado mesmo. Sabe? lembrei-me dos tempos em que tinha minha família e que fazia da arrumação da Arvore de Natal, um evento especial. Mas com o tempo, tudo passou e depois de todos estes anos, você me proporcionou viver de novo algo especial. Arrumar mais uma vez uma Arvore, foi uma experiência que me trouxe muitas recordações. Muito Obrigado e Feliz Natal!
Armando terminou a fala limpando os olhos das lágrimas que insistiam em molhar seu rosto, enquanto virava o velho corpo e se dirigia ao seu quarto. Patrícia não conseguiu responder. Sorriu um sorriso de choro em meio a emoção de também viver um... Feliz Natal.

Ando pensando... mas também penso parado.

AMOR E A PAIXÃO




“O céu está parado, não conta nenhum segredo; a estrada está parada, não leva a nenhum lugar. A areia do tempo escorre entre meus dedos. Ai que medo de amar,”
( Vinícius de Moraes)
O amor e a paixão são sentimentos sempre presentes na vida de qualquer ser humano. Ninguém vive sem amor. Ama-se uma mulher, um homem, um deus, a si mesmo, ama-se o filho, o pai, a profissão, a ausência, a flor, o desejo de amar. Ama-se na saudade, na dor, na alegria.
Por ser o amor um sentimento tão forte e envolvente sobrepondo-se à vontade, constituindo-se, inclusive, em algo assustador, sendo comparado por muitos, à própria morte. É vasta a produção literária sobre o tema, em todas as línguas. . Homens e mulheres imprimiram em palavras a expressão do seu amor e toda força arrasadora que ele possui. Capaz de levar o ser humano a cometer todos os gestos, ganhar, perder, sorrir, chorar, querer e não querer viver e morrer, vivenciar todas as contradições de que é capaz sua natureza. Como diz Oswald de Andrade, “O homem é um animal que vive entre dois grandes brinquedos: o amor onde tudo ganha e a morte onde tudo perde.” Visto assim o amor é sinônimo de vida, pois opõe-se à morte, à solidão. Amar é ganhar, crescer, evoluir. Não amar é morrer. É preciso vivenciar o amor se quisermos viver em estado de felicidade, de plenitude.
Por tudo isso o homem vive em busca do amor e tudo que mais deseja é ser desejado por outro ser humano. Todos conhecem a dor “da ferida que dói e não se sente”, já queimaram no “fogo que arde sem se ver” (Camões), “ouviram estrelas” com Olavo Bilac ou simplesmente cantaram com Zezé de Camargo e Luciano”que mexe com minha cabeça e me deixa assim”. Princípio unificador do cosmos, segundo filósofos gregos, êxtase celestial, doce tormento entre outras definições. Por ser assim tão poderoso, o sentimento do amor vem merecendo a atenção, até mesmo dos estudiosos do comportamento humano que, na tentativa de objetivá-lo, descobriram que há todo um processo hormonal ativadores dos impulsos amorosos quando alguém se encontra sob os efeitos da paixão: dopamina, norepinefrina e feniletilamina se derramam como cascatas poderosas ao longo dos nervos, espalhando-se pelo sangue, gerando reações comportamentais até mesmo perigosas. Visto assim, o amor se constitui em uma força independente e incontrolável, quase doença, loucura talvez. Que culpa têm, então, os que matam ou morrem por amor?É por ele ou pela falta dele que passa o fluxo da vida e da morte. Pobres de nós que já nascemos com a marca da trajetória impressa em nosso código genético, uma bomba capaz de nos implodir a qualquer momento. Entretanto vamos amando pela vida afora, invejando os namorados que vemos trocando afagos, abraços e beijos sem se importar com o custo de vida nem com a fome do mundo. Quem está em estado amoroso não vê, não pensa , não sente fome nem frio, o céu é sempre azul as noites todas estreladas.
Por isso é tão difícil carregar o estigma da exclusão amorosa, a humilhante condição de não-amados que os rejeitados conhecem Mas é sempre bom pensar que tudo pode se modificar em segundos, que o amor pode chegar com a rapidez e de forma surpreendente como explodiram as Torres Gêmeas. Afinal essa é uma das grandes armadilhas do amor “chegar quando menos se espera”.

Parado padeço em sentimentos, obscuros como as trevas do meu coração
O que um dia já foi meu acalento, me faz chorar por não ter mais razão
Desatino por sofrer e te entreguei meu coração
Pareço valente, mas no fundo não sou durão
Derramo em lagrimas, por não ouvir mais o seu tom

Quem está longe de Deus, fala muito das coisas ao redor, mas não das do seu interior. Vive um paradoxo de melancolia solitária. Convive em meio a muitas pessoas, mas está cada vez mais isolado e angustiado dentro de si mesmo.

Você não pode cruzar o mar meramente estando parado e olhando para a água.

O pior não foi ter parado a música e sim a dança.

⁠"O tempo não se encarrega de resolver tudo se você estiver parado"

Você vai agir ou ficar parado?⁠

Em um canto sem luz, ele parado a olhava e via o semblante de loucura que existia ali. Ela que outrora era controladora, o vendo parado sem conseguir ver seus olhos mais uma vez, sentia que a fera que existia dentro de si, hoje era dominada. A angústia dos sentimentos se perdia em um turbilhão de detalhes que estavam ali, naquele momento frente-a-frente. Um olhar escuro começava a dar lugar a luz clara que o irradiava por causa daqueles caprichos que ele tanto amava. Ao olhar sua musa ali, aos seus pés implorando seu perdão, ele sentia que nada mudaria tal situação e que aquela fraqueza, não cabia no ego que ele antes idolatrava. Ela por sua vez, não acreditava que seu amado, que a conquistara com tanto ardor, naquele momento começava a lhe igualar aos outros seres. Não para ela que tanto havia sido cortejada e desejada e que não entendia a volta daqueles sentimentos que a haviam atormentada por outros em outros momentos vividos. Ele se move das sombras na direção dela, lhe desfere um beijo e sai sem rumo definido. Ela chora agarrada ao tapete da sala se perguntando onde estavam suas súplicas de ajuda feitas em oração contra o fim daquele desalinho. Eis que a porta se abre e ela enfim consegue ver os olhos daquele que havia partido. Eram olhos de ternura e de cansaço que mostravam fardos de uma vida que se esvaia. Ele se ajoelha perante a dona de seus raios de luz e a toma nos braços. Ela fica calada e entende que ali estava seu porto, seu protetor. Aquele que poderia ter raiva do mundo mas que jamais poderia desgostar de sua dama ao ponto de partir deixando seu coração para trás. Os dois se congelam naquela cena de época e sobem aos céus como pequenos feixes de luz dentro de toda aquela escuridão que consumia todo aquele lugar, provando que não há no mundo escuridão, sombra ou pavor que possa acabar com a luz que existe dentro de cada um de nós.

⁠No silêncio da alma, onde tudo parece parado, é ali que a cura começa a sussurrar.

"⁠as chances do fracasso são muito maiores do que a do sucesso... Quando você fica parado"

⁠Apesar de todos os obstáculos que a vida nos dá é melhor escolher não ficar parado só olhando. Mantenha a esperança forte e viva todos os dias.

⁠...
Os paradoxos da minha timeline.

Sempre fui um aficionado pelas figuras de linguagem. Paradoxos e metáforas, por exemplo, sempre me ajudaram no processo de externar meus pensamentos. Traçando uma linha do tempo, voltamos ao ano de 1972 para compreendermos o real propósito deste livro.

Na ocasião, o então presidente Emílio Garrastazu Médici, terceiro da lista de ditadores que governaram o Brasil, promovia pela primeira vez a transmissão de um evento através da televisão em cores. Mesmo considerando o regime autocrático e a sua ilegitimidade, nascia a Telebrás, a primeira empresa de telecomunicações do Brasil. Em meio a censura, a violência e a cassação de direitos políticos, o primeiro computador da América Latina era construído na Cidade de São Paulo. Ao mesmo tempo que as fronteiras se fechavam para o livre-comércio, Médici inaugurava o primeiro trecho da Rodovia Transamazônica. E para completar, o juiz Sérgio Moro nascia ao passo que Luiz Inácio Lula da Silva entrava para o Sindicato dos Metalúrgicos com apenas vinte e sete anos de idade.

Saindo um pouco do contexto tupiniquim, o terrorismo palestino assombrava a delegação israelense em plenos Jogos Olímpicos. E para encerrar a lista de contradições, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, se reunia em Pequim, na China, com o lendário Mao Zedong - patrono da luta contra o imperialismo e o capitalismo em todo o mundo.

Neste mesmo ano eu chegava ao mundo e daí a ligação emblemática com os paradoxos da minha história. Com tantas contradições presentes no meu encontro com o mundo exterior, ressalto aqui o meu primeiro contato com a resiliência. Minha querida Mãe, genitora mor diante do seu primogênito, ao se preparar e ver se consolidar o segundo maior elo de sobrevivência depois do cordão umbilical, Mãe e Filho, eis que surge a fome e o anseio instintivo pelo aleitamento materno. Um choro a plenos pulmões antes fechados, uma insistência concebida pelo amor incondicional e um pequeno sussurro em meus ouvidos: - Filho, seja resiliente!