Regresso
No regresso encontrei aqueles
Que haviam estendido o sedento corpo
Sobre infindáveis areias
Tinham os gestos lentos das feras amansadas
E o mar iluminava-lhes as máscaras
Esculpidas pelo dedo errante da noite
(...) Estavam vivos quando lhes toquei depois
A solidão transformou-os de novo em dor
E nenhum quis pernoitar na respiração
Do lume
Quando parti
sem regresso
ida....foi permanente
sem destino...
sem vontade.
Não sei porque fui
se ao menos tivesse
coragem para te dizer
o que senti
quando parti...
REGRESSO
Irei! Que importe o engano? Desate deste nó
Sobre o dúbio está o ousado ensaio. Então!
Arda em chamas o medo, evole deste chão
Os teus segredos, uive as feras, sem ter dó
Vamos! Ignoto, um botão entreaberto, e só!
Regue este deserto com outra tua emoção
Leve tudo: felicidade, amor; infortúnio não!
Pois, o que for perdido, no tempo, vira pó...
Depois que o pecado ao mudo é revelado
Nada importa, todo regresso tem direção
Ah! E tu, má sorte, aí, fique do outro lado!
E se, a vida com seu crime não for ilusão
Redimido e sublime, não fique ultrajado
Errar, é falta, e não a perene contrição!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Viaje ao amor sem pensar em voltar, pois ele mesmo e o perfeito regresso para voltar a ser feliz como uma criança no colo dos seus avós...
Perazza.'.
Estou obcecado por esse regresso. Nem um dia sequer se passa sem que eu deixe de me lembrar do país. Um som furtivo, um odor difuso, uma luz na parte da tarde, um gesto, às vezes um silêncio, tudo isso basta para despertar lembranças da infância. “Você não encontrará nada lá além de fantasmas e de um monte de ruínas”, não cansa de repetir Ana, que nunca mais quer ouvir falar daquele “país maldito”. Eu a escuto. Acredito nela. Sempre foi mais lúcida que eu. Então, afugento essa ideia da cabeça. Decido, de uma vez por todas, jamais regressar. Minha vida é aqui.
A casa onde às vezes regresso
A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração
não há regresso, habito na encruzilhada, trago a esperança nua, o sonho estremecido e a alma por um fio...
Regresso I
Lá vou eu com a saudade na mão
Sendo levado ao sabor do fado
Respingando as lembranças pelo chão
Triste tormento este suspiro calado
Pobre dor esvaída
Roja no afeto como tudo
No pesar lhe dando vida
E no sonho uivo agudo
Agora jaz na direção
Do fado em seu acato
Parte comigo na emoção
O me dar ( ao pai) que me alimenta
De gratidão e esperança numa volta
Vou embora. Regressar me acalenta
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
05/08/2012, 05’59”
Cerrado goiano
Ainda esperando por você pelo regresso que não vem o tempo é veloz, mas a saudade é condutora da esperança que sinto!
Predição do meu regresso.
Quem sabe um dia o retorno aconteça.
Assim acontecendo ampliará a gaveta onde as lembranças ficarão.
Contudo e tudo em si retornarão, os abraços , os amigos e os beijos com declaração.
Nada perdido foi e nem será.
cada compartimento do meu coração selará os que aqui amo e ficarão.
Aos amigos que fiz em são paulo, Com amor e zelo.
O Regresso de IELONO
Liko Lisboa
Cavalo que não berra é boi
Cabrito que não voa cai
A serpente da pernadas
E as abelhas nas pedras de sal
Mas depois daquele dia
Pelo filho e pelo pai
Cavalo que não berra é boi
Cabrito que não voa cai
E na varanda os seres devorando os seres
Em perfeita harmonia
E o viajante Ielono
Vai regressando pro jardim
E as estrelas no quintal
Levando o filho ao encontro do pai
Eu fiquei sabendo da sua pressa
Sei que é certa que nos devora
Mas nos eleva no caminhar.
Não se vá jamais, senhor
Cala meu imperdoável dizer
Com nossa solidão
Guia-me no regresso ao corpo
Se ainda há coração,
Creio que não,
Faça-me sentir o novo
Sou covo
Sou cova
Sou corvo
Estou morta
Como estrovo
Ponho a prova
Teu sentir torvo
Que minh’alma comporta
Despeço-te, me coas
Despertando-me em caos
Descanso em paz
Descaso a mais
No regresso de uma aventura pelas trilhas de meus pensamentos, tenho um profundo e absoluto desejo de simbolizar um reencontro simultâneo entre duas vidas outrora vividas.
Amantes
Espero o teu regresso
Ao fim dos meus sonhos.
Procurava-a nas cantigas, confesso...
Suspirava na gélida noite,
Nos teus lábios molhados insinuativos.
Na ardência dos olhares teus cativos.
Quero acabar com tua sede
Embebendo o teu gosto,
Refugiando em teu corpo
Que a mim concedes.
Quantas noites a desejei.
Adormecemos lado a lado...
Como dois amantes despojados.
Percebi os teus medos.
Uni o teu espirito ao meu.
A beijei docemente...
E o teu rosto revelava
O suor de dois corpos
Que se tocavam mutuamente.
Não se vá!
Antes dos cantos do sabiá
Que anunciam a alvorada.
No âmago da noite
Nesta chama de eterna morada.
Ainda a vejo nos recantos desse presságio.
De lábios abertos,
Com seios lívidos,
De ombros finos, claros...
Olhar ardente,
Pupila acastanhadas,
Curvas cetinosas,
E de suspiros latentes.
Oh! Quero ficar contigo...
No adormecer desse mundo.
Embalsamar teus seios.
Tocar em teus cabelos,
Beijar teu intimo profundo.
És a mais linda amante.
Pureza cândida que enlouquece.
Olhar insano inebriante.
A tua voz que excita,
E me enleva a cupidez
De cantos de paragem erudita.
Ao cair da noite...
Os nossos olhares ingerem-se.
Na presença dos vales abandonados
A tua alma me espera...
Às sombras desse recanto derramado.
Para te dizer que és amante
Do meu pecado.
Perco-me no tempo e regresso ao ontem vestida de saudade... Saudade do que éramos quando nos habitávamos!
