Reflexão de Passado
abrir os olhos sem perder tempo
seguir o caminho
o passado sem volta
o endereço do amanhã
abrir os olhos
e um novo dia começa.
Eu esqueço o passado
Abraçando o presente.
Vou em frente
Não fico parado.
O dia é um mistério
Cheio de adversidades
Com mentiras e verdades
Escritas nas nossas histórias,
Sempre buscando protagonizar o bem
E derramar amor
Por onde passar...
A mente vazia
Sem poesia
Sem alegria
Sem nada
No silêncio da madrugada
Viaja no passado
Revivendo o que ficou marcado
E a saudade chega causando agitação
Dentro do coração.
O tempo passado é apenas uma cicatriz, quando tocada pode se tornar uma grande ferida no tempo presente
Por mais que o passado tenha sido bom, ele jamais deverá ser levado para casa embrulhado como presente
Para o saudosista, muitas vezes o passado representa um presente negligenciado, que agora tratou de ter importância
O passado é como um velho quadro pendurado na parede, passamos por ele sem nos darmos conta, e só conseguimos restaurá-lo agindo com benevolência daqui pra frente
Temos que realizar o realizável, antes que percamos nossa vida com as dificuldades de um passado que nos atormenta e com um presente que nos atordoa
Muitas coisas que foram julgadas desnecessárias em um passado podem receber o posto de fundamentais no presente
O passado é como tivesse
sido apenas um sonho.
Existem memórias que nos moldam, transformando naquilo que somos. É um storyboard de imagens e sentimentos, que mostra parte da nossa jornada até os dias de hoje. Mesmo com os detalhes borrandos e quase apagados por causa do tempo. Hoje sou o espelho que reflete as escolhas do meu passado.
REFLEXO
Eu quero esquecer o passado
Mas tenho medo
Eu quero esquecer o medo
Mas tem o passado
Eu quero esquecer o sorriso
Vermelho do palhaço
Mas tem o espelho
Eu quero esquecer o vampiro
Mas não tem reflexo no espelho
Eu quero esquecer que sou fraco
Mas tenho meus complexos
sou fraco, caio de joelhos
Eu quero esquecer a lua
mas tem a janela como uma moldura
Tem o lago prateado com a sua candura
tem o seu reflexo
Tem o lobisomem que resistiu ao folclore...
.Tem a estrofe de um soneto feito uma tocaia
Tem a lembrança de tua saia
Ao vento tem este querer imenso...
DOCES LEMBRANÇAS
O passado tem braços longos,
Tem mãos como tenazes,
Tem pernas compridas
Tem pés gigantescos
Que pisam na minha cabeça,
O passado é como uma tigresa
Dos dentes de sabre
Que tem minha cabeça
Entre suas presas...
Que tem meu coração
Pulsando na relva
E tem minhalma vagando sobre os lagos
Dançando as valsas
De madrigais inesquecíveis,
Doces lembranças que não se dissiparam...
NOVA FACE
Houve um tempo que este silêncio me incomodava,
O passado desfilava belo e elegante,
Diante de sintomas, que desfaleciam o meu presente,
Pensei que isso era ficar velho;
Pensei que este era o pensamento de quem envelhece.
Olho a lua tranqüila, entre nuvens que passam...
O silêncio hoje é meu aliado;
A noite tem segredos inconfessáveis
E o silencio conspira de uma forma misteriosa
Para esse momento lúdico e profícuo
Houve um tempo que, o silêncio gania como uma alcatéia
E eu me encolhia num momento qualquer da infância,
A procura do Batman e do Robin, para um tipo qualquer de defesa...
hoje o silêncio chega vertiginoso,
E eu me equilibro a mil metros de altura,
Numa espécie de slack line emocional,
Há um eclipse meu, comigo mesmo
Onde surge uma nova face,
calma e insensata, cúmplice de todos os silêncios...
NOTRE-DAME
Mentira do passado... aquela ansiedade, a taquicardia, a pressão, as mãos frias, as pessoas passando e rindo de mim, naquele minuto que você se atrasava... o trem me atropelava lá na estação com aquele barulho e o seu brilho de prata, como uma espada afiadíssima e os meus pedaços se espalhavam até que você aparecia e eu renascia como uma fênix... o que era aquilo? Aquela dependência... eu voava até as montanhas de Nova Iguaçu, até o pote de ouro que guardava o brilho de todas as estrelas, ali eu guardava as luzes daquele sentimento, até que nossas mãos se encontravam e o mundo voltava a ser meu; o sol só se punha quando você dizia as palavras mágicas...então o quasímodo subia na torre da igreja e badalava todos os sinos como uma homenagem à paixão como em Notre-Dame... mentira; a ilusão é fantasiosa e Nova Iguaçu tem seus limites... o Sena da minha imaginação afogou meus delírios e hoje diante do espelho eu me vejo um quasímodo sem nenhuma catedral.
COLÍRIO
madrugada é uma estrada tão distante pro passado,
sono é estágio pra morte,
eu tenho sorte,
eu tenho o olhar
num outro trópico, num outro signo ...
meu verso é um mendigo,
indigno de jornais ou revistas...
eu quero entender sargitario
e entender por que qualquer otário
pensa que é o “bicho”
cancer e capricórnio não são mais que carrapichos
não sei dizer te amo, todos sabem disso
queria entender Cristo, todos sabem...
queria durar tanto quanto Matusalém,
queria pertencer a tribo de Araquém ,
a madrugada ´´e uma estrada tão solitária
meus lábios suplicam ósculos
meus olhos suplicam óculos
tua figura é um colírio pros meus olhos
como deixar de ser poeta???
O ANO PASSADO
Depois do meu milésimo ano...não, eu não sou nenhum vampiro, muito menos Matusalem, só conjecturo sobre vidas passadas que provavelmente possa ter vivido. só queria uma lembrança mais marcante do ano passado; é exatamente isso, o ano passado; não ao pé da letra, não literalmente. Sabe aquela foto desfocada que amarelou e você tenta decifrar os detalhes, mas o perfume daquele tempo ainda invade as tuas narinas... ah, o ano passado! assim a Aldeota deixou aquela fragrância em mim; suas torres perfuravam meu coração, seus condomínios que encarceravam meus fantásmas, seus prédios que usurpavam minhas paisagens; baby sitters que me seduziam ou só abusavam do meu encanto. O ano passado, quando na foto você percebe que aquela roupa era ridícula que o penteado era brega, mas uma magia fascinava tudo romanticamente, pois ainda havia a esperança, a ilusão de que tudo teria melhores perspectivas, não é o caso desse nosso presente... então percebemos que o ano passado foi melhor e que o ano anterior ao ano passado foi melhor ainda. Acumulamos decepções, desilusões; os sorrisos parecem mais deboches, os gestos, uns escrachos e a realidade caminha capenga e escarpada como uma ameaça ao que tínhamos de esperança.
Ainda me levanto pela manhã crendo que um anjo refrigera a brisa que bate-me no rosto e seus raios de sol doura nos a pele como um consolo ao que de imbecil espora nos as costelas e presenças nocivas que me fazem querer de volta o ano passado
O passado o que é o passado, as manhã são as mesmas,
as quitandas adornadas por tangerinas,
alfaces nas feiras livres, uma ilusão green peace,
e as mulheres são felizes, por mais oprimidas,
as mulheres são felizes,
Deus lhes deu todos os poderes,
o amor a paixão, e a mão que lhes bate a cara, terá a maldição
sabes o que é ilusão... nunca lhes diga não,
elas são donas de tudo, elas povoam o mundo,
e pensam que são carentes, mas o que adentra suas entranhas,
germina como em solo fecundo, as mulheres são lindas,
são elas que fazem o amor, só somos matéria prima
Os fantasmas do meu passado me perseguem, ou eu que os proclamo?
Pois neles havia profundidade e menos dor.
E minha alma é profunda, é colorida, é um espiral de emoções, de visões e situações que se repetem — flashbacks, memórias de uma alma profunda.
Uma alma que tem sede de alguém que queira mergulhar nela, escorregar no espiral e desvendar os mistérios.
Alguém que queira, e ame.
Se dedique, me ame, me desvende.
Não sou só o que você vê.
Mas parece que o que te dá motivos para continuar é o que vê, não o que escuta, não o que desvendou — se é que houve tempo para desvendar algo.
Eu não sou só físico.
Eu sou alma.
Enxergue minha alma.
Me escute.
Me ouça.
Não é difícil enxergar minha alma.
Olhe nos meus olhos — eles são a porta.
Eles mostram as dores que nasceram no silêncio, as dúvidas que surgiram de olhares, a curiosidade pelo mundo, as diferentes vibes.
Eles são as portas de quem eu sou.
E é por quem eu sou que você tinha que ter se apaixonado.
Por tudo que compõe o que sou.
Por todas as partes.
Não somente por uma.
