Recreio
UM AMOR NATURAL DE SÃO PAULO
Ah, amor doído, me maltrata
Saber que fui apenas recreio
Que inda arde no peito, creio
Que a dor me teimará ingrata
Com o engano, verídica errata
Ardo na agrura e no devaneio
Mas com o tempo, tu, receio
Irá se calar na súplice serenata
Os teus olhos deixarão de ser:
A força e planos no meu olhar
Tudo gira, no eterno aprender
Nego-te o meu sofrer e pesar
Se lamento é para te esquecer
Nesses versos de amor e amar!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Agosto de 2020, 31 – Triângulo Mineiro
A criança em mim deseja muito brincar com a criança em ti. Vamos procurar um recreio para elas se encontrarem?
No Recreio
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Falaram-me de lanches
De uma fila cotidiana
Encontro de olhares
Arrisquei
Me expus mais
Cogitei maior
Tirei os olhares e coloquei vidas no lugar
Eu compreendi
Não apenas pelo fato em si de entender
Entendi por que pensava o mesmo
Sentia igual
Confesso meu ódio mortal
Esperar
Mas não me importei
Estava ali todos dias
Aguardando por um lanche frio
Esperando a tal troca
Não a do dinheiro pela ficha
Ou da ficha pelo salgado
Mas a do saber da existência
Mas não me faça sentir que sou uma lembrança boa para ti...
Ou que sou a hora do recreio da tua difícil vida...
Ou que sou a melhor, porém não a mais importante parte da sua vida... porque te dei o meu melhor.
Ah, não me deixes perceber."
Minha escola.
Meu tempo de colegial
o ensino era de valor
o recreio era especial
e a merenda tinha sabor
cuscuz, sopa e mingau
cantava o hino nacional
e respeitava o professor.
É janeiro em Angola...
Sentado em horário laboral em pausa de recreio, hora de deitar o espírito excitado do decorrer do dia, é hora de o acalmar...
Acalma-te tensão, deixa-te levar, reativa-te, deixa-te levantar...
Verifico ao longe desvanecendo uma corrente quilométrica sem fim separando o azulado profundo do azulado brilhante claro, o brilho reflexo do sol criando um manto de sonho... Sonhos claros, Sonhos de tamanha imensidão, um brilho penetrante que os próprios olhos oscilam e se ajoelham a sua grande amplitude...
São sonhos de um filho que a mãe natureza cria...
São sonhos e é janeiro em Angola... no dez + nove eu vejo o Azul profundo.
Os dois muito alegres, bem como crianças na hora do recreio, desceram a rua para tomar um taxi. Nunca a rua foi tão vibrante, nunca um condutor tão gentil, nunca uma garoa tão bem vinda, nunca um lugar tão perfeito para nos refugiar, nunca as músicas foram tão belas, nunca uma fila tão rápida, nunca uma pressa tão gigante de me jogar nos seus lábios. Nunca havia me enxergado , não tão bem como na noite azul e rosa quando amanheci nos seus braços.
Às vezes, na hora do recreio, eu olho para o céu e, se consigo ver o sol, penso no fato de que ambos podemos ver o sol. Então, mesmo que a gente não esteja no mesmo lugar, e não estejamos mesmo juntos, nós meio que, de certa forma, estamos, sabe?
Meu pensamento é ficar com minha amiga no recreio da escola,esperar ela comer e brincar de ''Polícia Ladrão'' todos os dias e ela se chama ''Maria Eduarda''
BOLA DE COCO
Quando estava no primário, tinha o gosto de jogar bola no intervalo do recreio com as demais crianças de minha época. Era fascinante, e os minutos que tínhamos para brincar nesse intervalo era insuficiente, então, toda vez atrasavamos para retornar.
Isso deixava a diretora da época inconformidade, de modo que aplicou a punição da proibição de levar bola de futebol para a escola.
Como forma de contornar isso, levávamos litro de guaraná de 2 litros para substituir a bola de futebol. Mas não tardou muito e também foi proibido.
Por fim, eu tive a brilhante ideia de levar coco e achei genial, pois o coco é duro e rígido sua casca, e também tinha um formato próximo do arredondado, o que facilitaria para substituir a bola de futebol.
Realmente foi uma ideia brilhante, eu só não previ que teria alguém mais inteligente que eu que iria tentar fazer um gol de cabeça.
Moral da história, não brinquecomacomida.
Ana: Mô, sabe aquele menininho que senta atrás de mim, que fica jogando bolinha de gude no recreio?
Mônique: Sim, o que ele te fez? Pegou sua boneca?
Ana: Não, ele me deu uma cartinha me parabenizando e dizendo que sente muita vergonha ao me ver. Será que sou muito feia e ele sente vergonha por mim?
Mônique: Minha mãe me disse que os meninos quando sentem vergonha, ou é porque fizeram algo muito feio ou porque estão apaixonados.
Ana: Ele não fez nada de errado né?
Mônique: Não… acho que ele está apaixonado por você.
Ana: E o que eu faço quando se apaixonam por mim?
Mônique: Vi minha mãe falando pra minha irmã mais velha, que temos que tomar cuidado quando isso acontece, porque os meninos roubam e destrói o nosso coração, como fazem com as nossas bonecas.
ESTOU NO RECREIO
Sofrerei quando a dor se apresentar de fato,
quando a força do ato me atingir sem dó,
por enquanto só vivo e me deixo esvair
no que vem por aí, de surpresa e de susto...
Vou em busca do após e não quero saber
se o terei logo à frente pra fechar meu ciclo,
sei tragar o momento e tê-lo com fervor,
como aquele favor no qual finquei o dente...
Vou atento prá hora das provas finais,
farejando as matérias que chegam no vento
e me fazem querer sempre mais do que vejo...
Morrerei quando a morte não tiver mais freio,
mas estou no recreio, quero jogar bola
e chutá-la nas redes de minhas vivências...
Uma vida de facilidades não dura muito, a terra é uma escola com apenas alguns momentos de recreio!!!
