Reconhecer

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Quando a dor baixar, você não vai “se encontrar”.
Você vai se reconhecer de novo.

“Talvez o livre-arbítrio não esteja em escolher sem limites, mas em reconhecer o que nos condiciona; o conhecimento amplia o horizonte das escolhas, a consciência dos próprios limites as torna mais lúcidas, e o propósito lhes oferece direção.” — Leonardo Azevedo.

É de tanto nos acostumarmos com a bondade alheia que, pouco a pouco, deixamos de reconhecer sua raridade e nos tornamos dependentes daquilo que um dia soubemos receber com gratidão.

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Existe uma espécie de loucura em reconhecer alguém mesmo depois de tanto tempo. Não porque a pessoa continuou presente, mas justamente porque conseguiu ir embora e, ainda assim, alguma coisa dela ficou funcionando em silêncio, escondida entre coisas que pareciam resolvidas.


Ele já tinha aprendido a viver sem procurar. Tinha colocado outras pessoas em lugares diferentes, conhecido outras versões de si mesmo, seguido dias que não tinham mais aquele nome no meio. E talvez tivesse acreditado que certas histórias acabam simplesmente porque o tempo passa. Até perceber que algumas não acabam. Só deixam de fazer barulho.


O estranho é que não era saudade o tempo inteiro. Era pior. Era aquela sensação ocasional de que, se aquela pessoa aparecesse de novo, talvez uma parte dele reconhecesse antes mesmo que a cabeça pudesse entender. Como se anos não fossem apenas anos, mas uma quantidade absurda de pequenas coisas que o tempo não sabe apagar: uma maneira específica de olhar, uma conversa que ficou sem conclusão, um lugar que ainda parece ocupado mesmo depois de tanto tempo.


E talvez ninguém esteja pedindo para voltar ao que era. Talvez o que assuste seja justamente imaginar que, depois de tudo, ainda poderia existir alguma forma de proximidade que não precisasse repetir o passado. Não o mesmo relacionamento, não as mesmas promessas, não aquela versão dos dois que um dia pareceu ter futuro garantido.


Só a pergunta.


Ainda existe amizade onde antes existia amor?


Ainda dá para conversar sem que tudo aquilo que ficou para trás sente à mesa junto?


Ainda dá para rir de alguma coisa antiga sem precisar fingir que não doeu quando terminou?


Porque algumas pessoas não precisam voltar para a nossa vida do mesmo jeito. Às vezes basta saber que, apesar da distância, das escolhas e de tudo que mudou, ainda existe um caminho possível entre dois pontos que um dia foram inseparáveis.


E talvez seja isso que ele nunca conseguiu descobrir.


Se ela tivesse voltado, ele teria escolhido ficar?


Se ela tivesse chamado, ele teria atendido?


Se os dois se encontrassem agora, seriam estranhos com uma história em comum ou duas pessoas que ainda reconhecem alguma coisa uma na outra?


Ele não sabe.


E quanto mais tenta encontrar uma resposta, mais percebe que talvez certas histórias não tenham sido feitas para terminar com uma conclusão bonita. Algumas simplesmente ficam ali, como uma porta que ninguém trancou completamente.


Talvez por isso ele ainda olhe para certas lembranças sem saber exatamente o que procura.


Não necessariamente uma segunda chance.


Talvez só a confirmação de que aquilo foi real.


Porque quando alguém já ocupou um lugar tão grande na sua vida, você não precisa querer aquela pessoa de volta para continuar imaginando como seria se ela estivesse por perto.


Às vezes basta uma pequena possibilidade.


E é aí que tudo fica perigoso.


Porque talvez exista um futuro onde os dois se encontrem novamente, talvez exista outro onde nunca mais aconteça nada. Talvez a distância tenha sido apenas distância. Talvez tenha sido o ponto final que nenhum dos dois teve coragem de escrever.


Quem sabe?


Talvez ela esteja vivendo uma vida completamente diferente agora, cercada de coisas que ele nunca vai conhecer. Talvez ele também tenha se tornado alguém que ela não reconheceria de primeira. E talvez seja justamente por isso que a ideia ainda tenha alguma beleza: se um dia os caminhos se cruzassem novamente, nenhum dos dois estaria encontrando exatamente quem deixou para trás.


Seriam duas versões novas carregando a memória de duas versões antigas.


E talvez isso fosse suficiente.


Porque algumas pessoas vão embora, atravessam oceanos, mudam a própria vida e deixam de fazer parte da rotina.


Mas existe uma diferença entre sair da sua vida e deixar de existir dentro dela.


E essa diferença pode durar muito mais do que qualquer distância.


No fim, ele não sabe se ainda existe alguma coisa esperando por eles.


Não sabe se existe amizade, amor, acaso ou simplesmente memória.


Não sabe se ela pensa nele quando alguma música toca, quando alguma lembrança aparece ou quando a noite fica silenciosa demais.


Não sabe nem se deveria querer saber.


Só sabe que, entre tudo aquilo que o tempo levou, ainda existe uma pergunta que nunca morreu completamente.


E talvez algumas perguntas sejam assim.


Não precisam de resposta para continuar sendo verdade.


Só precisam de duas pessoas, em algum lugar do mundo, olhando para a mesma história e pensando, cada uma do seu lado:


e se ainda houver alguma coisa aqui?

“Respeito é reconhecer o direito do outro de ser diferente; obrigação é querer transformar essa diferença em regra para todos. Em uma sociedade livre, podemos conviver com aquilo de que discordamos — porque respeito, sim; imposição, não.”

O HOMEM SE ACHAR NO DIREITO DE PUNIR OUTRO HOMEM JUSTAMENTE PELA SUA INCAPACIDADE DE NÃO RECONHECER A SUA PRÓPRIA ESTUPIDEZ.

Às vezes, ao tentar ajudar, acabamos nos complicando. Que eu tenha discernimento para reconhecer onde Deus está trabalhando e não entrar em provas desnecessárias.

“Chegar a si mesmo não é descobrir quem nunca fomos. É ter coragem de reconhecer quem sempre esteve esperando por nós.” (Os`Cálmi)

Chorar dói, é um nó na garganta. Era o que eu pensava, mas hoje, que me permito reconhecer que tenho sentimentos — e, especialmente, no tempo atual, mais intensos que o normal — percebo que chorar não dói. O que dói é o sentimento entalado, se recusando a sair por alguma razão, apesar de querer sair de qualquer forma.


Me intriga como sentimentos podem nos mutilar no âmago do nosso ser quando somos tão taciturnos. Dores explícitas são dores, mas as ocultas são torturas. Te fazem agonizar amargamente, de dentro para fora. Culpa, tristeza, insegurança… a cada parte do seu corpo, se espalhando feito uma praga, bem devagar, lá no fundo, se certificando de que não sobrará nada para recorrer à recuperação.


Você está sentindo isso, e sabe onde vai dar. Prematuramente, você ainda pode evitar, mas escolhe arriscar. Machuca. Você se machuca. Você morre de dentro para fora, sem propósito, sem felicidade, sendo o aconselhador dos tristonhos quando se está mais destruída do que alguém que já se destruiu.


Quer saber? Chorar dói sim. A garganta fecha, as lágrimas caem, dilacerando meu rosto, o coração dói. Não acredito nesse papo de chorar de felicidade. Quem se submete a tanta dor por estar feliz? Afinal, eu não sei. Talvez nunca tenha estado tão feliz a esse ponto, mas não irei pedir para que alguém me faça feliz, ou pedir a um ser divino para me ajudar. Afinal, eu falo tanto que um pedido de ajuda passaria despercebido, assim como tudo o que eu falo passa despercebido diversas vezes. Mas, como dizem, é só tomar um remédio pra calar a boca, e fica tudo bem para eles. Não me atrevo a dizer para ninguém: há segredos e dores que morrem conosco.

Desejar, sonhar e ter esperança é reconhecer que o amanhã ainda não terminou de acontecer.

Se o homem tem os dois lados da personalidade, o mal e o bem, é bom reconhecer onde e com quem a sua alma passará a eternidade.

Reconhecer o valor de cada cônjuge no casamento é descobrir o quanto cada um significa na vida até que a morte os separe.

Falhar é da natureza humana, reconhecer as próprias falhas é um dom de Deus, e delas extrair aprendizado para evoluir, é o emprego desse dom para a vida.

Que sabedoria não seja ignorante a ponto de não reconhecer existência de um Deus criador de todas as coisas.

A decisão mais difícil não é terminar um relacionamento, mas reconhecer quando já não somos felizes nele. O amor pode suportar imperfeições, porém dificilmente sobrevive quando apenas um continua lutando por dois.


-Jouberth Toffoli

A inteligência não está em saber mais do que os outros, mas em reconhecer aquilo que ainda precisamos aprender. A mente brilhante impressiona; a mente sábia transforma a si mesma.


-Jouberth Toffoli

É fácil apontar os erros dos outros, mas difícil é reconhecer e lidar com os nossos próprios erros.
A culpa pode nos fazer sentir presos no passado, mas o perdão (de si mesmo e dos outros) é um passo importante para seguir em frente.
Mesmo nas dificuldades, há força para recomeçar.


Parar de julgar e fazer a diferença.

Enquanto eles questionavam a minha vida, eu recorria ao Trono da Graça em oração. Reconhecer que a Tua soberania governa sobre todas as coisas fez toda a diferença.

Orar não é negociar com o Todo-Poderoso; é prostrar-se em agonia e reconhecer que você não tem nada. É desfazer-se de todos os seus fardos de hipocrisia e despir-se dos seus trapos de justiça própria, para ser coberto exclusivamente pela justiça perfeita de Cristo.

O inferno é a recusa voluntária em reconhecer Cristo como Senhor, um erro que a eternidade torna impossível de corrigir.