Real
As máscaras que usamos não nos ocultam dos olhares alheios , afinal, os outros raramente nos reconhecem, apenas julgam.
São máscaras que nos aprisionam, que nos condenam à repetição exausta de um roteiro previsível, à obrigação de subir ao palco e encenar para o mundo.
Nos bastidores, nem sequer sabemos qual rosto ofertar a nós mesmos.
Desvelar-se, arrancar a máscara, é exibir as cicatrizes, assumir os olhos borrados, o sorriso por vezes envergonhado; é confessar, sem ornamentos, aquilo que verdadeiramente se deseja ser.
Despir-se das máscaras não é apenas um ato de coragem, é um pacto com a própria verdade, ainda que ela não seja bem recebida, ainda que custe o pertencimento forçado, ou o aplauso fingido daqueles que nos assistem afiados para criticar.
A Área Cinzenta
Nunca fui daqueles que se apaixonam pelo brilho imaculado das virtudes. Tampouco daqueles que abandonam ao primeiro sinal de falha. O que me move, o que verdadeiramente me atrai, é outra coisa — algo menos visível, mais sutil, quase indizível.
Aprendi — talvez a duras penas — que ninguém ama só o que é belo. Que ninguém desiste só do que é torto. O amor real, aquele que sobrevive às estações, não floresce apenas no jardim das qualidades, nem morre no pântano dos defeitos. Ele nasce ali, entre um e outro, em um terreno silencioso e inquieto: a área cinzenta.
Essa terra estranha, onde não há garantias nem perfeições, onde convivem a luz que aquece e a sombra que assusta. Um lugar onde o olhar não se detém apenas no encantamento — mas ousa seguir adiante, até encontrar aquilo que dói, que desafia, que expõe.
Ali, os olhos não brilham apenas pelo que fascina, mas pela coragem de ver o que é humano demais.
É nessa zona imprecisa que o amor se revela como ele realmente é: imperfeito, sim, mas imensamente verdadeiro. Porque ali o outro não precisa performar, não precisa provar, nem esconder. Ele apenas é. E isso basta.
Não me interessam os amores de vitrine — polidos, artificiais, à prova de mágoas. Nem os romances descartáveis, que se desfazem diante do primeiro tropeço. O que eu procuro — mesmo sem saber exatamente como chamar — é esse tipo de vínculo que se assenta entre a admiração e o desconforto, entre o que me eleva e o que me testa.
Na área cinzenta, o amor é trabalho e escolha. É entrega que não exige perfeição, mas inteireza. É quando olho o outro, cheio de falhas, e ainda assim digo: "sim, eu fico." Não por cegueira, mas por compreensão. Não por carência, mas por coragem.E ali, nesse ponto onde o ideal cede lugar ao real, que mora o amor que me interessa: aquele que vê tudo — e ainda assim, permanece.
Eu já vivi o amor
E com o amor da minha vida...só queria ter tido mais tempo.
Provar que é real e fazer acontecer nessa vida.
As coisas que são apenas ouvidas, tocadas e sentidas; mas não vistas. Permitirá uma gama de possibilidades para o autor imaginar que tipo de imagem é. No final, as coisas nunca vão ser como parecem.
Bem que tentaram, mas aqui estamos nós, juntos novamente. Quando é real e verdadeiro, fofoca e inveja nenhuma conseguem separar.
Sou assim, se for gentil comigo, serei com você, se me respeitar também o respeitarei. Porém, jamais, mudarei para agradar os outros. Posso até parecer uma rocha por fora, mas quem me conhece de verdade sabe que em mim existe uma doce pessoa.
E por isso que vivemos presos em uma telinha , artificial, deixando de viver o mundo real, se soubessemos, que nossas almas falam mais que imagens não ficaríamos ,presos em uma telinha, viveríamos o real a cada minuto,amar hoje e uma dádiva, e a simples manifestação do coração, enquanto olhar nosso ser , jamais viveremos as emoções do coração. Bom dia 🌹
Sou estranha, entendi isso. Não sou de "pregar" uma vida sem problemas... mesmo que ame as soluções...
Atualmente entendi que sou:
Estranhamente feliz.
Porque aceitei que as dores fazem parte.
Estranhamente em paz!
Porque entendi que a paz não tem haver com não estar em guerra.
Estranhamente compreensiva.
Porque entendi que não posso gerar expectativa no outro.
Estranhamente forte.
Porque entendi que ainda serei frágil (até o último dia da minha vida)
Reconheci a beleza do sol/amanhecer. Porque entendi que passarei por noites.
Estranhamente humana. Parei de me cobrar mais do que posso (apenas por hoje)
Estranhamente... porque hoje em dia nos cobram ser felizes o tempo todo, e eu me permito reconhecer momentos de tristezas e de lutas.
E que tudo faz parte de estar viva.
Mas por hoje terminarei o dia estranhamente feliz, porque até os problemas do dia não me impediram de sorrir.
Texto de Deborah Surian
Nas cenas do tempo,
Parado,
As melhores imagens,
Correm,
No enquadramento real,
Nada foge,
Tudo é levemente,
Perceptível,
E lá no fim,
Sempre lá,
Está o abismo,
Tão real,
Como um esteta da vida trágica humana,
Que a suspeita Nietzschiana suspira,
Calmamente,
E eternamente retorna,
Dizendo,
Tudo é abismo,
Abismo destino,
