Racismo
Triste é ver autores (certamente brancos) colocarem brancos para interpretarem índios, brancos para interpretarem indianos e ainda brancos para representarem personalidades negras em filmes, peças de teatro e novelas!
Deixem-nos contar a nossa história através da representação!
É superficial o sistema pra nós de cor
super antiquado, paranoico sem pudor
arrebatam nossa ideologia e pensamento
nos julgam delinquentes desde o primeiro momento
Exibem em telejornais numerologias e estatísticas
dizem contra nós, falsas características
nos colocam em um lado totalmente vulgar
como “bichos em favelas que é o nosso lugar”
Bagunçando os lixos com tal voracidade
sendo olhado com nojo sem nenhuma piedade
crianças sonhadoras, largadas ao léo
jovens talentosos provando o amargo do féu
Brasil mostra a sua cara e não tenha medo
de olhos vermelhos roupas rasgadas e pólvora nos dedos
a vergonha que cobre o espírito da nação
o dinheiro que da mais para o outro liberdade e ascensão
Movimentos e passeatas de nada “adiantou”
de boa intenção Isabel até que tentou
mas a ignorância fala mais alto junto ao egoísmo
quem poderá nos libertar do Preconceito e do Racismo???
Brasil Em Prantos
Tantas vozes silenciadas
sob os cuidados da pátria amada.
É o choro da mãe que abraça
o corpo do filho sem vida,
vítima de balas direcionadas e não perdidas.
E não importa se seu escudo
é da esquerda ou da direita.
O sangue derramado é vermelho
mas a dor, a dor é preta.
É o amor que agoniza.
É o ódio que mata.
Onde está a liberdade nesta pátria democrática?
Ser, amar, existir não é proibido
mas por que ainda há vidas sendo interrompidas por isso?
É uma floresta que queima, um povo que chora
vendo a sua história indo embora.
É uma ancestralidade humilhada,
cansada de ser atacada
por uma ganância cega que não acaba.
E ai daqueles que recusarem toda essa opressão.
Nesta terra onde quem fala,
onde quem luta é engolido pelo chão.
De Chico Mendes à Marielle Franco.
Quantos se foram?
Quantos ainda irão?
Mas que ecoe a certeza
de que nenhuma luta foi ou será em vão.
Atualmente na humanidade existem dois degraus que precisam serem superados para proporcionar paz entre os diferentes povos.
O primeiro está na linguagem que será conquistado quando todos os povos tiverem uma segunda linguagem em comum.
O último degrau está no fim do racismo que ainda persiste estruturalmente em diferentes culturas.
O problema não é a cor da pele, mas a escuridão do coração de quem não tem o brilho nos olhos de ver que somos todos iguais.
Negro...
Moça, eu não sei falar
Frases bonitas pra te conquistar
Não tenho casa pra morar
Mas com você quero me casar
Não uso terno social
Sou negro ou excluído
Por preconceito racial
Desigualdade no mundo real
O Brasil 'fingiu' ter libertado os pretos escravos, porem os aprisionou na miséria e na marginalização social.
O brasileiro é 100% de raça mista e mesmo assim há, não só os ditos 'brancos' como até mesmo alguns pretos, que ainda trás a consciência de que para os preto só cabe a escravidão!
Se o resignificar consciência e atitudes, tanto social e governamental, sempre haverá o racismo escravista de desigualdade sócio econômico cultural, principalmente aos de pele preta.
E se ainda há dúvidas sobre o tema, para e observa o meio em que habita, quantos pretos há ao teu redor e qual a posição que os mesmos ocupam. Qual o sentimento que verdadeiramente tem.
De origem jornalística
À Manuel Bandeira e seu
personagem “João Gostoso”.
Zé Negão, ajudante de pedreiro,
Andava na madrugada de sábado,
Na saída do baile pela polícia foi abordado,
Revistado
Interrogado
Surrado
Seu corpo foi encontrado
Pelas crianças
Que brincavam no terreno ao lado
Cheio de mato
Próximo à avenida do Estado,
num terreno abandonado.
𝘚𝘦 𝘰 𝘢𝘳 𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘦 𝘮𝘰𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘢, 𝘯𝘢̃𝘰 𝘵𝘦𝘮 𝘷𝘦𝘯𝘵𝘰; 𝘴𝘦 𝘢 𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘦 𝘮𝘰𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘢, 𝘯𝘢̃𝘰 𝘵𝘦𝘮 𝘷𝘪𝘥𝘢. Do livro Torto Arado
.
Do baiano Itamar Vieira
O livro Torto Arado
Faz um mergulho profundo
De um povo sofrido, 𝒎𝒂𝒓𝒄𝒂𝒅𝒐
Vítima da escravidão (1)
De terras pra plantar feijão,
`Eh, oh, oh, vida de 𝒈𝒂𝒅𝒐 ´
O romance também enfoca
O racismo da `caneta´ (2)
A negritude do campo
Lutando contra fome e seca!´
.
(1) Escravidão moderna
(2) Leis politiqueiras
Fragmento III – Quimérica desigualdade
Há certa semelhança entre a igualdade oferecida pela lei, a proposta pelo racismo e a que é esperada pela sociedade. Talvez a percepção oferecida pela lógica substantiva, da ética valorativa, não contemple o propósito da reciprocidade em uma relação social.
Assim, a desigualdade é mais um reflexo quimérico e sistemático, refletido por qualquer modelo de coletividade, gerando toda forma atrofiada de ética, moral civilizatória e percepção sensorial do mundo externo, destoante de qualquer equilíbrio.
Nella città III - A cor da carne
Há dores que nascem antes do grito.
Não do corpo, oráculo por vezes calado,
nem da alma, que cedo se curva ao pranto.
Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio,
antes mesmo de saber-se ser.
Nasce, então, a dor sem nome,
antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua.
É o peso de um tom que destoa,
aviltado pela violência do olhar.
A cor da carne, que não é da alma,
não é identidade,
mas adorno passageiro —
incompreendido por olhos de cárcere,
que desferem o açoite mudo da ignorância,
a face vertida.
Vê:
a cor sublinha o corpo,
e não pede perdão pelo que é.
Aqueles que esperam que a cor se renda
não entendem o enigma da pele — nua,
que nenhuma voz pode enunciar.
PELOURINHO
.
Bate na palmeira o vento
E o negro por um momento
Julga ser a brisa do mar
Mas percebe muito tarde
Que são brancos covardes
Que vieram para lhe buscar.
.
Sem se despedir da família
Sob gritos que o humilham
Vê distanciarem-se os coqueiros
E num barco com outros tantos
Prisioneiros em pleno pranto
É levado ao navio negreiro.
.
São centenas de nativos
Transformados em cativos
Homens, mulheres e crianças
Que no porão do navio
Passam calor, fome e frio
E perdem a noção da distância.
.
Os que se mostram valentes
São presos com correntes
E obrigados a se calar
Pois com crueldade desmedida
Não relutam em lhes tirar a vida
Os lançando ao frio mar.
.
Ao serem tratados feito bichos
Não entendem a razão do sacrifício
Pelo qual estão passando
Será maldição dos orixás
Ou os demônios vieram nos buscar
E para o inferno estão nos levando?
.
Depois da árdua viagem
Os de maior força e coragem
Chegam ao porto estrangeiro
E aquela estranha gente
Falando numa língua diferente
Os troca por algum dinheiro.
.
Vão para lugares variados
Os de sorte se tornam criados
Mas os demais que a elite avassala
Têm como destino os açoites
E as delirantes noites
No duro chão das senzalas.
.
O cepo, o tronco e a peia
Lhes tiram o sangue das veias
E a sua resistente dignidade
Os grilhões e máscaras de flandres
Lhes derrubam o semblante
E eles sucumbem à saudade.
.
Muitos veem nos pelourinhos
A única alternativa e caminho
Para fora da vida trágica
Pois o escravo que é forte
Encontra na própria morte
A chance de voltar à África.
Carne rasgada
O povo brasileiro
Com fama de hospitaleiro,
guerreiro,
Não se importa com a morte de um negro
nascido e crescido
Na pátria amada brasil
Mas se importa com armamento
Acredita em fake news
Agride adversários
E acha que é lixo
Quem luta por igualdade
A carne rasgada e ferida,
atrocidade maldita,
Mostra racismo e violência
Na terra do deus acima de todos,
Desnudo de caridade e cheio de maldade
Na patria amada, sangrada
Onde a mentira e tirania
escancara o brasil
Que se desfaz para uns e previlegia os demais
O sentimento de inferioridade leva a pessoa a se ver no mundo como alguém que é vítima de preconceito.
Vestiram minha nudez,
Trilharam meu caminhar,
Limitam meu ser...
...e, resta apenas;
Fragmentos de um desejo.
(Nepom Ridna)
A escravidão continua aprisionando a TODOS.
Com algemas reais e outras ilusórias!
As que nos causam mais danos são as ilusórias.
(Nepom Ridna)
