Queda
Não desejo passar por mais uma queda, mas é verdade que em algum momento da minha vida eu já experimentei essa sensação de fracasso. Não quero me esgotar emocionalmente, mas já houve um tempo em que me deixei levar por essa vulnerabilidade e me entreguei a um estado de exaustão. Sinto que há pessoas ao meu redor que desejam me destruir, mas já enfrentei a devastação em uma fase anterior. De fato, houve um dia em que passei por todas as experiências, por todos os altos e baixos da vida, e me lembro de cada um deles. Hoje, o que eu mais anseio é não sentir dor, mas a verdade é que já vivi momentos de profunda tristeza em que as lágrimas foram inevitáveis.
”A primeira desobediência instituiu a queda da humanidade, impôs regras e normas de uma crença, um sistema de desobediência que copiou e determinou a leitura do saber e conhecer conforme a conveniência; patenteou uma nova forma de corromper o ensino da verdade”
Alguns quebram e nunca voltam. Eu quebrei... e me tornei inquebrável. No fim, entendi: a queda não é fracasso. E convite. Pra levantar mais forte do que antes.
Eu tô no alto, no abismo, apenas olhando a queda do precipício e mais nada pode me impedir...
Talvez com seu abraço mas vc já parece longe...
Tão longe quanto a queda que me espera
Perder o interesse é tão chato...
Depois da queda vem a lição
olhar em frente é preciso!
olhar para trás somente lições, boas ou mas.
Nenhuma queda é definitiva para quem ouve o chamado da luz e tem coragem de levantar com humildade e propósito.
SONETO 01 - QUEDA LIVRE
Além de Si
Quando dei por mim
Já não era mais eu...
Tudo onde via ser meu
Faziam partes do fim.
O amor que outrora fora tudo,
Agora não mais restava um pouco.
Momentos marcados como loucos
E eufóricos foram apenas absurdos.
Um todo por metades desiguais,
Ou fragmentos de uma parte.
Pois o meu desejo foi a arte
Que preencheu esse vazio demais.
Agora estou eu cá sem ver o que há aqui...
Por doar-se demais além de si.
/SONETO 02 - QUEDA LIVRE
Acima do Véu
Prometi a ti a vida que falei.
Rasguei os músculos dormentes,
Queimei a pele no sol quente
E até as lágrimas, enxuguei.
Mergulhei fundo na vida para ter o mundo.
Segundos duraram anos longe de você.
Profundos tormentos senti para vencer
E no fim vejo somente sorrisos imundos.
Quisera eu poder alcançar o céu
Sem precisar ver acima do véu.
Estaria você a me iludir com vagas esperanças.
Agora frágil e jogado ao léu,
Vivendo amargo feito fel,
Como poderia eu ainda ter confiança?
A alma é cheia de cicatrizes…
E não foram poucas.
Cada queda, cada decepção, cada noite em silêncio tentando entender o porquê.
Mas porra…
Olha a força que tu virou.
Olha quem tu se tornou mesmo após ter sido partido em mil pedaços.
Mesmo após ter amado errado, confiado demais, se doado sem medida.
Olha essa coragem disfarçada de calmaria, essa força que ninguém vê, mas que te move todo dia.
Você já chorou até dormir…
Mas hoje acorda com a cabeça erguida.
Já se sentiu sozinho no mundo…
Mas aprendeu a ser sua própria companhia.
As cicatrizes não te enfraqueceram.
Elas te fizeram memorável.
Porque só quem sentiu a dor de verdade, aprende a viver com intensidade.
Você é força.
Você é sobrevivência.
Você é alma marcada e, mesmo assim, é beleza que não se apaga.
" "A superação não é a negação da queda, mas o abraço firme que damos em nossas próprias ruínas antes de reconstruir o castelo. Quem não tropeça nunca, provavelmente anda em círculos."
— Gilson de Paula Pires
(E cá entre nós: quem nunca levou um tombo digno de Oscar que atire a primeira muleta...)
Pessoas incríveis
costumam
estar sempre
em queda livre.
Como pássaros vivem da
liberdade.
Não deveriam parar nunca
são feitos de ondas.
Adoráveis na vindas .
Inesquecíveis nas idas.
FATAL
Ao assistir-te, pétala, da rosa desprendida
Em devoluta queda, no ciclo em conclusão
Deixando-se ir arrematada, fatal condição
Me vi, semelhante, no ser, em despedida
Tempo idos, e a quimera do sonho parida
Remindo todos os arroubos meus, sanção
Vou em subida, com a versada imaginação
Seca, ocorrida, suspirante, no chão caída
Agora só, e a escrever a solidão a vagar
Numa saudade que do peito dá pra ouvir
Traçando conto, sem capricho no contar
Olhando a rosa, sempre formosa, a sorrir
Por que o despetalar? Sina, que faz chorar
A dor do verso, de quem, mais, quer ficar...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/10/2022, 14”45” – Araguari, MG
Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98)
Se copiar citar a autoria – © Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Eu sei, eu sei que eu não preciso ser bagunçada e a todo momento estar em queda livre pra me sentir viva, eu sei que a adrenalina é viciante e me deixa extremamente entorpecida por garotas com sorrisos largos, olhos semicerrados e com um cheiro de algum shampoo que eu não consigo identificar, eu sei que amar é um perigo constante e estar à beira do abismo faz eu me sentir um tanto quanto anestesiada e em êxtase.
Eu sei, eu sei que eu devia parar de me dopar e de usar tantas substâncias viciantes, mas acontece que, eu fico fora de mim e isso me faz flutuar e eu amo a sensação da liberdade, e as borboletas no meu estômago sentem fome e me pedem café e poesia. E eu sou essa mistura de cafeína, adrenalina e algumas doses de whisky e gelo. Há, e guaraná pra quebrar o álcool.
