Quase
Profundo amor
Foi assim meio sem querer
em uma noite fria sem luar
quase sem estrelas que o meu
olhar crusou com o teu.
Não sabia teu nome mas
teu rosto estava claro na minha
mente eu clamava por um
reencontro.
Foi assim meio sem querer
que descobri teu nome
foi assim meio sem querer
que me apaixonei por você.
Foi assim meio sem querer
que declarei todo meu amor
deixei mais claro que o diamante
foi assim querendo muito
que te digo eu te amo.
É quase noite.
É quase madrugada.
É quase dia.
No quase-quase,
O que se via, era quase nada.
Também podia.
Se a noite cansa,
E a madrugada enfada,
Certamente tudo, vira quase nada.
Se falta tempo, sobra uma vida inteira.
Se a vida é curta, ou passageira,
Melhor seria, que ao fim do dia,
Pode ser à noite,
A madrugada inteira,
Agradecer sem murmurar.
Em vez de praguejar, abençoar.
Fazer de conta,
Mentir pro sono.
Achar-se o dono.
Sorrir por dentro, sem se importar
Se a alguém por perto, pra questionar.
O que se faz em oculto,
Ou mesmo em público.
Não importa a razão.
Se faz consciente, mesmo sem gente.
Passa a ser importante, regozijante,
Vem do coração.
Preferir a noite e adiar o dia.
Não suportar o sono como companhia.
Estender razões pra encurtar pensamentos
E escutar a voz que vem lá de dentro.
Busca teu destino, como um bom menino.
Se achar que deve, e ao soar do sino,
Sobe em teus sapatos, calça teu caráter.
Vai na fé constante, passa adiante.
Esquece da hora e lembra dos motivos.
Seja só um pouco, mais compreensivo.
Era só uma noite,
Era só uma madrugada.
Mais o dia veio.
E se tudo é nada,
Nada ainda é tudo,
Porque nesse nosso mundo,
Nada se acaba.
“Acho quase cômico como as pessoas torcem para nos ver cair. Somos estrelas, despencando do céu, quase que em câmera lenta, com o coração acelerado, maxilar travado, os punhos cerrados e uma desesperada e tola tentativa de prender o ar, como se isso de alguma forma fosse amortecer a queda. Eu queria te dizer que eu desabei! Desci ladeira abaixo como uma avalanche, eclodi como um vulcão, vim destruindo tudo que existia em mim. As coisas boas se foram, deixando para trás um caminho devastado, só me sobraram ruínas aqui.
Quando me colidi com o mar, afundei me, em águas sujas e escuras onde sequer achei que ouve-se vida. Eu queria te dizer que está tão frio aqui, quase sem ar, estou morrendo, não percebes? Me encontro mais do outro lado do que aqui, é engraçado como fico feliz ao me imaginar partindo de formas diferentes. Não posso só sobreviver, não entende? Como te dizer que fui forte o suficiente para acabar com a dor?
Eu sei que você vê como um ato de covardia. Mas é preciso coragem! Ninguém espera chegar até aqui, não de verdade, esperamos ser interrompidos milagrosamente pelo caminho, mas e se a história for só isso?
Existem milhares de pessoas com varios propósitos, mas talvez eu não tenha nenhum. A verdade é que perdi a minha confiança em alguma curva da vida, eu sabia que existia algo além desse universo pequeno e juro que as vezes posso sentir o cheiro da liberdade que buscava, eu queria o mundo! Hoje não quero a mim mesma. Tenho medo de que um dia eu me perca e não me encontre mais. Preciso saber que existe algo lá fora, porque aqui dentro, só tem frio, medos e escuridão/solidão.”
Ela disse quase tudo e no final ironizou, nessa vida tudo passa e pra mim vc passou, não tem volta, e o telefone desligou...
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado.
Os livros - é o remédio que eu sempre receito e quase sempre dá um resultado razoável. Ponho em jogo o egoísmo humano, e lembro-me de que sempre há-de consolar a nossa dor o espectáculo da dor dos outros...
ARRUMANDO A MALA
Repensando em quase tudo
ou até mesmo em quase nada
resolvi mudar de vida...
ou sei lá, uma nova vida
Olhei ao redor perdida
sem saber... por onde?
avistei logo uma mala
com alças fortes
tinha que ser um plano certeiro
Busquei dentro do meu ser
toda dose de humildade
armazenei esperanças
embalei todos os sonhos
e na mala acomodei
Dosando e medindo
peguei do carinho, uma porção
mais uma pitada de emoção
tintas de todas as cores
para pintar nova tela
Esta mala tem que estar repleta
de amor em tom maior
doses de aceitação
frascos de doação
Rebusquei mais ainda,
cataloguei todos os amores,
para não me enganar
entre os vindouros
Faltaram ainda
alguns genéricos
que talvez deva trocar
por autênticos
nada de similares
quero garantir o êxito
de todo investimento
Selecionei peças e objetos
ousei de cores exóticas
livros de auto-ajuda
muitos papéis em branco
e canetas para rabiscar
Vou colher ainda no caminho
toda sorte do mundo
alegria de criança
crença de todos os fiéis
doses de paciência
Com certeza vou aportar
numa ilha da fantasia
num mundo encantado
Que me faça feliz
Quem és Tu Mulher?
Sou quase como vocês homens.
Sou guerreira, justiceira,
cumpridora de meus deveres, mas
desconhecida de meus direitos.
Sou a mulher que traz o odor de cebola nas mãos;
também sou a mulher que traz o aroma de uma flor na pele.
E sou a mulher que transpiro e derramo suores.
Quem és tu mulher?
Sou tua mulher;
sou tua mãe,
sou mãe de teus filhos,
sou tua namorada,
sou tua amiga,
sou mulher.
Trago no olhar as lágrimas de um sofrimento e de uma dor,
também transpareço neles o brilho de uma felicidade.
E demonstro no sorriso o sentimento de uma perda e
ao mesmo tempo o valor de uma conquista.
Mas quem és tu mulher?
Sou mãe,
sou advogada,
sou médica,
sou faxineira,
sou mulher-da-vida,
sou professora.
sou também a flor que encanta seu jardim,
a estrela que ilumina o seu céu, mesmo em noites de escuridão.
Eu sou mais do que mulher...
Sou a flor de seu jardim,
que espera ser regada pela água da sua fidelidade;
que espera ser condimentada pela sua confiança e
que espera ser colhida por suas mãos cheias de Amor.
Mas quem és tu homem?
Inclino-me a afirmar quase como regra que uma história para crianças de que só as crianças gostam é uma história ruim. As boas permanecem.
Quase todos acham que eu sou normal; mal sabem que posso ser um psicopata hibernado, à espreita de um disparo do gatilho da psicose reversa!
A filosofia do “não posso” destruiu mais carreiras do que quase qualquer outra coisa. A confiança é a chave mágica que destranca a porta do abastecimento.
A velhice pode ser o nosso tempo de ventura. O animal está morto, ou quase morto. Restam o homem e a alma.
Nem sempre, por vezes quase nunca, você conseguirá as tralhas materiais que cobiça, o patamar social, ou as pessoas que te fazem bem por perto. Elas podem morrer, afogar-se na inconsciência de um Alzheimer, chafurdar em alguma droga, jogar-se de uma janela alta, ou simplesmente decidir que não querem mais ficar perto de você.
Tudo um dia acaba. Assim como o tênis velho que, de tempos em tempos, abre espaço para um com cheiro de novo. Que continuará ensinando – andar não significa perseguir.
(Tudo um dia acaba)
