Quase
“O velho Carvalho” não era só uma árvore, era quase um abrigo emocional improvisado, um tipo de terapia gratuita feita de histórias, risos e aquela sensação rara de pertencimento. Porque quando o lar vira campo de batalha, qualquer pedaço de sombra vira lar.
A tua pele chama a minha,
num desejo sem recuo.
Cada gesto teu provoca
um incêndio quase nu.
O ar prende‑se entre nós,
como se o mundo parasse ali.
E no ritmo que inventamos,
é o meu corpo a guiar o teu,
sem pressa de fugir.
A tua respiração prende-se na minha,
num jogo que nenhum de nós quer terminar. E quando a madrugada vibra entre os nossos corpos,
é aí que o desejo fala mais alto,
a pedir que a noite não saiba acabar.
Sinto-te na alma inteira,
numa verdade tórrida
que percorre o meu sangue
e rasga o meu silêncio.
Quando alguém tenta retificar o homem, quase sempre colide com tudo aquilo que vive da deformação dele.
Porque beijo sem presença é quase um cumprimento educado… e você não é alguém pra ser cumprimentada, você é alguém pra ser sentida.
Não me apego no quase,
Talvez é dúvida, incerteza.
Que não leva a lugar algum,
É ausência de verdade e vontade.
O amor é quase indestrutível, poucas coisas podem acabar com um amor verdadeiro... Mas existe um veneno fatal que o corrói de dentro para fora... a decepção!
O contraste daquele sorriso angelical com o desejo quase pagão que tua presença desperta é um tipo de tortura bela, uma poesia coesa, versos atravessados entre presente e devaneio.
Sussurras quase inaudível, enquanto arrastas minha mão para teu recôndito paraíso — um jardim de névoas úmidas.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.
O patrimônio mais respeitável quase nunca é o mais barulhento, mas o mais capaz de atravessar o tempo.
A turba já começou,os plenipotentes idiotas a plebe subjugou,quiseram nos esfacelar quase nos escalvam como a vegetação.
Linha do tempo
Quando nos vemos quase no começo do fim
na metade da linha do tempo
do limite da existência de um ser
começamos a avaliar nossas realizações
pensa no que não devia ter feito
pensa no que deveria ter feito
Tempo perdido?
De modo algum,
olhe para a outra metade da linha do tempo
construa seus desejos e sonhos
use sua experiência,
o que só você pode fazer
por que essa é sua vida
viva!
como amei?
se nem a mim mesma amava, quase impóssivel de ser verdadeiro esse amor, por isso magoado foi.
aquilo que nem deseja a ti mesmo como desejas ao teu próximo?
Quase sete anos e não me esqueci; quase sete anos e você é quem eu mais amo; quase sete anos e não amo mais ninguém; quase sete anos e você é a razão da minha saudade; quase sete anos e queria está com você, mas não estou; quase sete anos e viro poeta; quase sete anos e palavras já são banais; quase sete anos e o que eu faço sem você?; quase sete anos e flores ainda levam seu cheiro; quase sete anos e por você, minha vida é sua; quase sete anos e alguma coisa me faz sentir teu beijo; quase sete anos e acho que endoidei; quase sete anos e sonho com você de branco; quase sete anos e ainda sonho com a nossa família; quase sete anos e o tempo não volta; quase sete anos e nada me importa mais que você está bem; quase sete anos e não vou deixar de escrever; quase sete anos e sei que ainda há tempo para você me ler.
Quase sete anos e talvez eu precise esquecer, mas não vou esquecer; quase sete anos e o amor por você, sempre vai renascer; quase sete anos e vou fazer a dor bela por amor; quase sete anos e na dor, fiz palavras de gratidão e promessas de amor; quase sete anos e quero lembrar teu olhar meigo; quase sete anos e quero lembrar teu sorriso tão sublime; quase sete anos e quero lembrar tua pele suave como flor; quase sete anos e quero lembrar teu toque tão belo como beija-flor na flor; quase sete anos e ainda acho maneiras de viver você, sem você; quase sete anos e não ocupei teu lugar na cama; quase sete anos e abraço teu travesseiro; quase sete anos e me faz feliz você está feliz; quase sete anos e quero dizer obrigado por existir; quase sete anos e por toda vida amo você; quase sete anos e sempre vou querer fazer você sorrir; quase sete anos e faz parte de mim querer cuidar de você.
No fim das contas, a gente passa tanto tempo tentando parecer forte que esquece o básico, quase infantil, quase óbvio, mas ainda assim tão difícil: abrir a boca e dizer. Dizer o que incomoda, o que pesa, o que lateja baixinho no peito como quem pede socorro sem fazer barulho. Porque tem dores que não gritam, elas sussurram. E são justamente essas que mais machucam quando a gente decide ignorar.
Eu fico pensando que amar, de verdade, não tem nada a ver com esse teatro bonito onde ninguém erra, ninguém sente, ninguém reclama. Amar é meio bagunçado mesmo, meio torto, meio cheio de pausas estranhas no meio de uma conversa que deveria fluir melhor. Amar é ter coragem de olhar pra quem está do nosso lado e dizer com uma sinceridade quase constrangedora: olha, isso aqui me doeu. Não foi grande coisa pra você, eu sei. Mas aqui dentro fez barulho.
Porque quando a gente não fala, a gente cria. E a mente, ah, ela é uma roteirista dramática. Ela inventa histórias, aumenta detalhes, distorce intenções. O que era só um incômodo pequeno vira uma novela inteira dentro da cabeça. E aí a gente começa a se corroer por dentro, como se estivesse sendo consumida por algo que poderia ter sido resolvido em uma conversa simples, dessas de fim de tarde, com um café morno e um pouco de coragem.
Tem gente que acha que amar é aguentar calada. Que é nobre engolir o choro, fingir que não viu, que não sentiu, que não doeu. Mas isso não é amor, isso é acúmulo. E tudo que acumula uma hora transborda. Não como uma poesia bonita, mas como uma ferida aberta, daquelas que já poderiam ter sido tratadas lá no começo, quando ainda era só um arranhão.
Amar, no fim, é quase um exercício diário de manutenção emocional. É perceber o pequeno antes que ele vire gigante. É ajustar o que está fora do lugar antes que a casa inteira desmorone. É escolher conversar mesmo quando dá vontade de se fechar. Porque se fechar parece proteção, mas muitas vezes é só isolamento disfarçado.
E eu digo isso como quem já ficou em silêncio quando deveria ter falado. Como quem já criou mil histórias na cabeça por falta de uma frase dita no tempo certo. A verdade é que não existe amor que sobreviva bem ao silêncio constante. O silêncio até acolhe, às vezes, mas quando vira regra, ele distancia.
Então, talvez o que realmente importe seja isso mesmo: sentar, respirar e dizer. Sem ataque, sem defesa, sem roteiro pronto. Só dizer. Porque amar não é fingir que nada dói. É ter coragem de mostrar onde dói, enquanto ainda é possível cuidar.
E se tem uma coisa que a vida ensina, meio sem pedir licença, é que sentimentos ignorados não desaparecem. Eles só mudam de forma. E nem sempre a nova forma é gentil.
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Muitas vezes, quase sempre.
As vertentes de tudo que broto,
tão eminente; não são frutos.
São somente sementes.
(Nepom Ridna)
