Quase

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Quase todos os dias penso no trapezista, caminhando por sua vida, que nada mais é do que um fio fino e delicado. Um movimento em falso, uma promessa na qual possa acreditar, até mesmo um olhar pode lançá-lo ao abismo, onde a existência colide com a realidade.

Nem todos enxergam o fio.
Para muitos, o trapezista parece apenas seguir em frente, firme, quase seguro. Há quem admire sua coragem, sem perceber que não há escolha apenas a impossibilidade de parar.
E, ainda assim, ele segue.
Não porque acredita que chegará ao outro lado, mas porque aprendeu, cedo demais, que olhar para baixo é o verdadeiro começo da queda.

Já,abram seus ouvidos
Ele está quase chegando
Organizem suas bagagens
Vem o "PAI" nos chamando
Amanhã seremos passado.

Reflexão de vida: Superação.


Você já parou pra pensar a respeito do quase? Que o quase não é sobre o que está acontecendo, mas sobre o que não aconteceu?
Porque, veja: o quase cair não é uma queda, o quase perder não é uma perda, o quase desistir não é uma desistência.
Quando entendemos isso, percebemos que os “quases” já foram superados, que o quase fracasso nunca foi uma derrota e que o quase não deu certo não é deixar de conseguir.
Então, diante das incertezas do quase, a única certeza que fica é essa: você não pode desistir.


@Suednaa_Santos

Renovar é silencioso.
A vida se refaz no detalhe,
no que quase passa despercebido.
Olhar para o simples é enxergar
o que é real.

Há coisas que faço com grandeza quase ofensiva — levantar ruínas, atravessar vendavais, carregar mundos nas costas. E, no mesmo corpo, existe o sujeito que trava diante do pequeno: lavar a louça, lavar o corpo, lavar a alma — e nada ficar realmente lavado. A pia continua cheia, a pele continua cansada, e a alma… essa sempre deixa um canto por esfregar.

De vez em quando, meus monstros me chamam para a caverna. Eles têm boa dicção, argumentos sedutores, promessa de silêncio. Os pseudo-anjos, esses, são piores: falam em luz, mas deixam tudo enevoado; abrem a boca e não esclarecem nada — só criam sombras com asas brilhantes. Vivo assim: entre o que me salva e o que me consome, entre o que me ilumina e o que me incendeia. Um clarão que, às vezes, vira labareda.

Dentro de mim, a vida e a morte conversam. A morte que pede fôlego, a vida que implora descanso. As dores anunciam sua chegada sem som — e quando finalmente tento dizer, ninguém entende a língua em que sangro. Falo em metáforas, gaguejo verdades, engulo gritos. E sigo juntando frases soltas: as tuas, as minhas, as que se quebram antes de virar sentido. Somos dois que viram quatro, e cada um deles puxa um fio do mesmo corpo.

Muita gente em mim. Tão pouca gente pra mim. Por mim?

Minha voz anda rouca de tanto gritar por dentro. E, no entanto, aqui estou: 30 gotas de Rivotril, uma trégua temporária, mais uma noite sem enlouquecer. Amanhã acordo de novo, inteiro o suficiente para existir, firme o suficiente para não pedir licença, atento o bastante para não pisar nos ovos dos pintinhos que nunca rompem a casca.

Porque, apesar de tudo, ainda escolho viver. Mesmo quando viver parece demais para um dia só.

A vida às vezes é boa, às vezes é cruel…
E quase nunca é justa.

Além das rimas

Certa vez, perguntaram-me por que eu quase não usava rimas em minha escrita. Então, pensei em uma resposta plausível:

A vida é linda, amiga. Mas, se você não tem a essência de enxergá-la, mesmo quando ela não se apresenta de forma explícita no agora, então me desculpe, querida… você ainda não chegou lá.

A humanidade desfila na beira do precipício,
Não que seja novidade, para nós é quase um vício.
A mesma ciência que ajuda salvar vidas
É a que estuda formas mais eficientes de atirar para a tirar.
É fato que o conhecimento não tem lado,
Mas o que fazemos é acelerar com o freio de mão puxado.




É fato que amamos odiar, a guerra nos motiva a avançar.
O caos é uma festa em que adoramos dançar;
Somos atraídos por ele, à meia-noite uma bomba nuclear.
O tempo passa e buscamos motivos para nos isolar.
Povo diferente? Mais um souvenir.
Pouco importa discernir,
Troca de presentes — às vezes nem é isso,
Só consumismo barato, disfarçando xenofobia e racismo. No fim turismo,
Aproveitando a feira do outro lado da fronteira.




Um mesmo ser, detalhes nos impedem de conviver.
Assim que as bombas estourarem, não haverá mais divisão,
Finalmente a igualdade: o fim de toda a civilização.
Não é o ideal, mas é a sentença do tribunal
Onde somos réus, carrascos e vítimas.
O lobo correndo atrás do próprio rabo,
Pois, bem como disse Hobbes: “O homem é o lobo do homem”.
No fim todos morrem.

A alegria do dinheiro é passageira. Mas a felicidade de ajudar um amigo é quase eterna, dura uma vida inteira.

[Sorvete de Cicuta]


todos têm um preço,
mas a maioria se vende
por quase nada.


não me julgue
com severidade,
sou só mais um
ser humano falho,
falhando.


movido pelo esforço
incessante na
busca por descanso.


tomar veneno ou
servi-lo, eis a questão;
que bebamos juntos.


incendiamos o Éden
e traímos a confiança
divina, para isso.


pelo nobre direito
de pecar, e ser
açoitado, receber
o mais furioso
castigo.


minto, distorço,
mato e destruo
qualquer coisa,


para colher
o tão adocicado
fruto;


para obter
meu tão merecido
conforto.


Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
12/12/23

Nem toda dor grita. Algumas dores são silenciosas, discretas e quase invisíveis. Elas não chamam atenção, não provocam lágrimas constantes e muitas vezes passam despercebidas até mesmo pelas pessoas mais próximas.


Essa é a natureza da anedonia.

Tem dias em que eu olho para trás e penso numa coisa meio curiosa, quase irônica, dessas que a gente conta rindo no café da tarde enquanto mexe o açúcar devagarinho. Desde pequena a vida parecia uma arena gigante, como se cada fase viesse com um teste novo, um daqueles que não dá para devolver para o professor dizendo que caiu conteúdo que ninguém explicou. E mesmo assim eu fui atravessando tudo com uma cara tranquila, quase elegante, como quem diz para o mundo que está tudo sob controle, quando na verdade por dentro existia um turbilhão inteiro discutindo filosofia com a própria sobrevivência.

Nunca contei quase nada. Não porque não existisse história, muito pelo contrário. Era tanto capítulo que dava para montar uma biblioteca inteira, daquelas silenciosas, onde só eu conheço o catálogo. E reclamar nunca foi muito meu estilo, não por heroísmo, mas porque as pessoas criaram uma versão de mim que parece feita de aço temperado. A tal mulher forte. Aquela que resolve. Aquela que aguenta. Aquela que sempre volta. E quando o mundo decide que você é forte, pronto, está oficialmente proibida de fraquejar em público, como se fosse uma regra invisível assinada numa reunião secreta da humanidade.

O curioso é que eu mesma comecei a acreditar nessa história. Não que eu nunca tenha cansado, claro que cansei. Só que eu aprendi a conversar comigo mesma como quem acende uma luz interna no meio de um apagão. Houve uma vez, só uma, que pensei em dividir o peso, abrir a caixa preta da minha história, mostrar as evidências, os fragmentos, os acontecimentos. E a resposta foi aquele silêncio estranho, ou pior, aquela frase que parece pequena mas faz eco dentro da gente por muito tempo. Não acreditam em evidências. E eu pensei, então está bem, talvez a minha prova não seja para convencer ninguém, talvez seja apenas para me manter de pé.

Engraçado como a gente descobre forças que não estavam no manual de instruções da vida. Eu fui percebendo que existe uma musculatura invisível dentro da alma. Uma espécie de academia espiritual onde cada queda vira um exercício novo. E ali, sem plateia, eu fui ficando mais resistente, não porque o mundo exigiu, mas porque alguma coisa maior sempre esteve comigo. Aquela presença silenciosa que não precisa de explicação, que aparece nos momentos mais absurdos da existência e sussurra, calma, continua.

Então eu continuo. Não enlouquecida, como alguns poderiam imaginar quando veem a quantidade de batalhas acumuladas desde a infância, mas curiosamente lúcida. Como quem atravessou tempestades suficientes para reconhecer o som da própria paz quando ela aparece. E tem uma coisa engraçada nisso tudo, quase uma ironia elegante da vida. As pessoas pensam que eu nunca precisei de ajuda. Mas na verdade eu sempre tive ajuda, só que veio de um lugar que não depende de aplauso, de aprovação ou de testemunha.

No fim das contas, eu sigo com essa mistura de força interior e fé silenciosa que me acompanhou o tempo inteiro. Como se eu estivesse caminhando por um mundo barulhento com uma bússola dentro do peito. E olha, posso te dizer uma coisa com aquela tranquilidade de quem já atravessou muita coisa. Quando a gente aprende a confiar nessa força que mora dentro da gente, o caos até tenta fazer barulho, mas já não manda mais na história. Porque a história, no fim, continua sendo minha. E eu ainda estou escrevendo.

O amor, no começo, chega leve, quase como um sopro bonito cheio de promessas. A gente pensa que ele vive só nos grandes sentimentos, na intensidade que tira o fôlego, mas com o tempo entende que o amor verdadeiro mora mesmo é nos dias simples, na rotina, no que quase ninguém vê. E, de repente, eu casei. Não foi só um acontecimento, foi uma escolha consciente. Encontrei uma mulher, mas mais que isso, encontrei alguém para caminhar ao meu lado, alguém que eu decido amar todos os dias. Porque amar não é só sentir, é escolher permanecer. Existem dias leves e outros difíceis, dias em que tudo flui e outros em que é preciso paciência, silêncio e compreensão. O amor deixa de ser apenas emoção e passa a ser atitude, cuidado, respeito e presença. Não é sobre perfeição, é sobre constância, sobre escolher a mesma pessoa mesmo quando seria mais fácil desistir. O para sempre não nasce pronto, ele se constrói aos poucos, em cada gesto simples, em cada recomeço. E talvez seja isso que faz o amor ser tão bonito, ele não é algo que se encontra pronto, é algo que se constrói, todos os dias, juntos.

sozinha

já não é ausência
amadurece em silêncio
quase doce
quase liberdade
penso no que nasce
quando ninguém atravessa
minha produção sem ruído
sem moldura alheia
sem o peso do olhar que mede
o que surge de mim
talvez seja mais cru
mais meu
descubro
sou eu
Lilian Morais

Gosto de escrever no quase. Provoco com palavras que vestem e desvestem ao mesmo tempo. Escrevo sobre um toque, um olhar, e aí mora a graça. Os comentários são maravilhosos, porque revelam o que a imaginação do outro fez com o que eu plantei. Sim, sou um provocador. Admiro a essência da natureza da mulher: o jeito, o gesto, o mistério que não se explica, só se sente. E disso eu não abro mão.

Patrimônio raramente é destruído de uma vez; quase sempre é corroído por decisões toleradas.

O Sócrates quase nada sabia, por isso era desperto.

"Não espere que amor
te encontre, ele não vai
te procurar, mas quase
sempre aparece na hora
eonde você não imagina"

"As circunstâncias podem ser grande em sua vida, mas o que faz elas serem quase indestrutíveis ,são suas palavras ,pois suas palavras negativas criam um ambiente o qual se levantar contra você ⁠"