Quase
Quando o cartão de crédito é usado de forma incorreta, os problemas no futuro quase sempre são inevitáveis.
Capítulo — A Casa de Varanda
Os dias se desenrolavam com uma tranquilidade quase ensaiada. Eu acordava cedo, organizava a casa, arrumava minha filha e seguia para o trabalho com a sensação de que cada centavo do meu salário tinha destino certo. Minha vida se resumia a duas missões: sobreviver e garantir que nada faltasse a ela.
Eu almoçava no trabalho — o famoso prato de peão — porque sabia que aquela seria minha única refeição do dia. Em casa, a despensa era pensada para ela: suas bolachas preferidas, o iogurte que gostava, a mistura que a fazia sorrir à mesa. Eu fingia não ter fome. Dizia que já havia comido, que estava satisfeita. Não era verdade. Eu escolhia não comer para que sempre houvesse mais para minha filha.
Emagreci. Muito.
Mas não era uma magreza abatida. Havia em mim uma chama que não se apagava. Eu estava mais magra, sim, porém havia um brilho que resistia — uma beleza interna que nenhuma dificuldade conseguia roubar. Eu estava até bonita. Bonita de força.
Seis meses depois, ele apareceu.
Veio para fazer um reparo nos computadores da empresa. Sempre que voltava, puxava assunto. Eu percebia o flerte, claro. Já conhecia aquele jogo. E, como de costume, não dava importância. Meu coração já tinha aprendido a desconfiar.
Até que, numa sexta-feira qualquer, no fim do expediente, fomos todos para o bar da esquina. Ele também foi. Entre risadas, copos tilintando e conversas soltas, meu ponto fraco foi atingido — aquele jeito atento, o cuidado nas palavras, o olhar que parecia enxergar além da superfície.
Começamos a namorar.
Apresentei-o à minha família no aniversário da minha mãe. Ele conquistou todos: brincalhão, piadista, sem vergonha de nada. Bebemos, rimos, celebramos. Ele morava numa kitnet e pagava um aluguel absurdo. Eu, tola ou esperançosa demais, sugeri que morássemos juntos. Eu pagaria meu aluguel; ele assumiria as contas e as compras.
Ele disse que queria morar comigo, mas em outro lugar.
Encontramos um apartamento não muito longe da casa da minha mãe — essa era minha condição. Depois da separação, minha mãe e eu éramos o suporte emocional da minha filha. Eu não podia me afastar dela.
O apartamento era uma graça. Recém-reformado, dois quartos, uma varanda charmosa pela qual me apaixonei no primeiro instante. Ali, imaginei recomeços.
Um ano depois, engravidei.
Foi festa. Ele anunciou aos quatro ventos, celebrou como se fosse o maior sonho da vida. Atencioso, presente, cuidadoso. Eu pensei: desta vez será para sempre.
Ainda grávida, ele me surpreendeu com um pedido de casamento. Aceitei. Casamos no civil, numa cerimônia simples. Estranhei a ausência da família dele — nenhum amigo, nenhum parente. Conheci apenas o irmão e a irmã. Do pai, ele não falava. Achei curioso. Talvez até um pouco estranho. Mas eu estava feliz demais para aprofundar perguntas.
Era um menino. Minha filha teria um irmãozinho.
A gravidez foi difícil. Perdi líquido amniótico e precisei de uma cesárea de emergência. Meu filho nasceu com 30 semanas. Pequeno demais para o mundo, forte demais para desistir. Ficou na UTI neonatal, dependente de oxigênio. Recebi alta, mas ele permaneceu internado por 23 dias.
Dessa vez, eu não estava sozinha. Ele estava ao meu lado.
Quando finalmente fomos para casa, nenhum parente dele apareceu para conhecer o bebê. Meses depois, quando meu filho completou cinco meses, recebemos a visita do irmão, de uma tia e de um tio. A tia me fez uma pergunta estranha:
— Ele está bem? Está calmo?
Respondi naturalmente que sim, sem entender o peso por trás daquelas palavras.
Com dois anos do meu filho, vieram as dificuldades financeiras. Fomos morar na casa que eu havia comprado nos fundos da casa da minha mãe. Pelo menos não havia mais aluguel. A situação melhorou um pouco.
Os finais de semana voltaram a ser alegres: minha mãe, minha irmã, primas, amigas. Reuniões, resenhas, churrasquinhos. Casa cheia. Risos.
Foi então que algo começou a surgir.
Sem motivo aparente, ele se tornava agressivo. Primeiro com uma amiga. Depois com minha comadre. Numa festa, jogou bebida no rosto da minha mãe.
Naquele instante, a pergunta da tia começou a fazer sentido.
Engravidei novamente. Gêmeos.
Mas ele já não era o mesmo. Explodia por qualquer coisa. Discussões inesperadas, palavras duras, olhares sombrios. Foi quando veio à tona a história mal resolvida com o pai: ameaças, processo, ódio antigo. Comecei a me perguntar se não era hora de partir antes que fosse tarde demais.
Então, como se não bastasse, a empresa onde eu trabalhava faliu. Fui demitida com quatro meses de gestação.
O chão cedeu.
A preocupação foi tanta que os planos se desfizeram. O nervosismo tomou conta de mim de um jeito avassalador. Vieram os sangramentos. No hospital, recebi a notícia que nenhuma mãe está preparada para ouvir: meus bebês já não tinham mais vida. Saíram sozinhos do meu ventre.
Passei por curetagem. Fiquei internada por 36 horas.
Depois da perda, ele parecia transformado novamente. Gentil. Solícito. Cozinhava, falava baixo, ajudava em casa. Era como se o homem que conheci tivesse voltado.
No dia de Nossa Senhora Aparecida, chegou bêbado, mas foi direto dormir. Não houve briga.
Dois dias depois, recebi a notícia que ninguém está preparado para receber.
Minha mãe havia falecido de infarto.
O mundo parou.
Mas eu não podia desmoronar. Minha filha precisava saber. Ela tinha 13 anos — já era uma mocinha — e meu filho, seis. Fui forte para contar que a avó tinha partido.
Fomos fortes.
Minha filha e eu.
21 de Fevereiro
o carnaval já passou
já fazem quase dois anos de que você partiu
estou sofrendo como um animal em boca de onça
olhando apenas para o que me cerca porque é a ultima coisa que eu veria
não consigo lidar com sua partida
desde então não sei lidar com as pessoas
eu as-odeio demais para conviver
porque era difícil conviver com você
e mesmo assim eu sinto sua falta
e você me odiava
fico me perguntando se você sentiu medo antes de morrer ou se pensou em mim
porque às 3AM você chamou pelo nome do único filho que não te deixou somente para deixa-lo
mas tudo bem, quem não merece um final?
dizer que era sua hora é a pior maneira de lidar
mas estou vivendo
porém querendo te ver
se eu te ver
perdoe-me
mas quem não merece um final?
O problema da humanidade é sempre o mesmo:
gente que sabe pouco, fala demais, faz quase nada e quando faz, faz muita merda.
Ruínas da verdade
Chegam os tempos das incertezas.
Quando quase nada encanta,
ao saber da verdade dos truques;
A magia de tudo se esvai.
Os belos discursos, o teor das palavras frenéticas,
perdem a veemência
com o caráter de papel do preletor.
A democracia é relativa aos interesses;
E a vergonha se mede pelo tamanho e pelo lucro da barganha.
As casas e os homens da justiça
parecem recicláveis, misturas de tudo.
O poder nas mãos de roedores,
que nada plantam, nada produzem,
só consomem e deixam restos.
Tempos de incertezas, rumos ao caos.
Caminha-se para a ruína
no tempo de tantas informações.
A ganância consome
primeiro a capacidade de projetar um futuro melhor.
A traição é um dos mistérios morais mais inquietantes da alma humana. Quem trai quase sempre teve diante de si a possibilidade simples e digna de partir.
Ainda assim, escolhe permanecer enquanto corrói silenciosamente a confiança do outro. Talvez porque a verdade exija coragem, e a mentira ofereça abrigo momentâneo.
Talvez porque alguns temam mais a solidão do que o peso de ferir alguém. No entanto, a traição revela algo mais profundo que a quebra de um compromisso: ela expõe o conflito entre aquilo que somos e aquilo que fingimos ser.
No instante em que alguém trai, não rompe apenas um vínculo com o outro, rompe, sobretudo, com a própria honestidade de existir.
A simplicidade é o luxo mais raro.
Em um mundo que valoriza excessos, ser simples é quase um tesouro escondido.
O luxo verdadeiro não está em ter muito, mas em precisar de pouco.
Se você é famoso ou bem sucedido, quase tudo que você fala é aplaudido de pé. Se for anônimo, vários de seus pensamentos brilhantes serão ignorados.
"Quase todo mundo está a procura da pessoa perfeita, mas quase ninguém tenta ser a pessoa perfeita para alguém."
Aquele que é inteligente neste século... se emburreça de vez em quando... se não quase sempre... a sabedoria também é assim...
Já caminhei por dentro das minhas próprias sombras e quase me perdi nelas. Mas escolhi renascer. Hoje sou uma mulher de coragem silenciosa, de sorriso leve e alma indomável.
Feita para proteger, amar e enfrentar o que vier.
Meu Monstro Interior vive adormecido
Mudo, calado, quase sempre entorpecido
Observando e absorvendo as lutas diárias
Não querendo alimentar-se de raiva, ódio e carne em muitas navalhas.
Lutar é sempre preciso... e eu sei não há abrigo... no peito do meu inimigo.
Saído do conto de um livro de terror não posso libertar meu Monstro Interior...
Eu vejo.
Vejo com meus olhos que desvendam a alma,
com aquele olhar que eu quase posso tocar.
Vejo um olhar,
vejo admiração,
vejo tristeza,
vejo satisfação.
Vejo o sol.
As ruguinhas no nariz quando sorri,
o sorriso,
os olhos que se puxam.
Cada pintinha que eu decorei
como constelações.
E eu desenhei —
fiz você em minha memória.
E é só aqui
que você pode ficar.
Ana.
Coisas que quase ninguém sabe, os Imigrantes Italianos, Japoneses, Espanhóis, Alemães, Poloneses, e outras etnias, vieram para o Brasil para cobrir a falta da mão de obra Escrava após o fim da Escravidão.
Então que fique bem claro: Quem escravisou os NEGROS foram os Portugueses, nós, filhos, netos, bisnetos, tataranetos de Imigrantes não temos nada de divida com os Negros!!!!
Nem todo recomeço é bonito. Às vezes ele nasce da dor, do cansaço, do quase. Aprender a soltar o controle. Fazer a sua parte e deixar o universo agir. Tem horas que não é sobre fazer mais… é sobre soltar.
sofrendo ...
Em determinados momentos, senti-me interiormente apagado, quase como se minha vitalidade estivesse diminuída. Nas sextas-feiras, quando o mundo lá fora parecia vibrante e cheio de vida, eu me recolhia para tentar ocupar a mente e evitar pensar na possibilidade de outra pessoa ocupar o lugar que eu desejava ser meu.
Em silêncio, imaginava que, ao passar em frente ao seu endereço, ainda restasse em você a lembrança do olhar que eu dedicava a você. Quando me perguntava “o que houve?”, eu respondia que nada, embora internamente houvesse um receio: o medo de ter perdido você num momento de fragilidade, o medo de que o amor tivesse se dissipado sem que eu percebesse.
Mesmo ciente de que outra pessoa ocupava seus dias, continuei a nutrir um amor intenso por você, acreditando que sua ausência seria temporária. Essa esperança se baseava nos seus gestos e olhares. A vida, de fato, nos trouxe novamente juntos, embora por tempo insuficiente para que eu pudesse demonstrar as mudanças pelas quais passei. Quando percebi, tudo havia terminado novamente.
Agora, resta-me aprender a conviver com a solidão e aceitar que o sonho que alimentei transformou-se em silêncio e tristeza, um “para sempre” incerto.
Se eu soubesse que aquela última ocasião juntos seria um adeus disfarçado, teria valorizado cada instante, abraçando você com calma e atenção, absorvendo a paz que você transmite e que hoje me falta.
Tenho fé de que o que você sente não decorre de desinteresse, mas de um conflito interno que poderá ser superado com oração, força e determinação. Reconheço a mulher forte que luta para se reerguer, e estou ao seu lado nessa jornada, acreditando que, mesmo diante das adversidades, encontraremos serenidade.
Jamais deixarei de estar presente, sempre disponível para apoiar você, pois este sentimento que nos une é profundo e verdadeiro.
Se um dia eu partir, sei que minha alma permanecerá, com dívidas a serem reparadas e a missão de restaurar o que foi destruído. O amor é a razão pela qual permaneço firme e resiliente.
Embora a dor e a angústia sejam presentes, estou empenhado em superar esses desafios, com fé e determinação.
O que mais dói é saber que nunca seremos exatamente como antes, mas meu amor permanece intacto. Nunca tive a intenção de causar sofrimento e desejo que, com o tempo, haja perdão e renovação.
Finalizo pedindo que tudo o que nos faz mal seja superado e que nossas almas se fortaleçam para buscar a felicidade que almejamos.
Com todo o meu respeito e consideração
Quase todos os dias penso no trapezista, caminhando por sua vida, que nada mais é do que um fio fino e delicado. Um movimento em falso, uma promessa na qual possa acreditar, até mesmo um olhar pode lançá-lo ao abismo, onde a existência colide com a realidade.
