Quando menos Esperava Voce Aparece
"Quando o homem faz da religião o fim para tentar ser uma pessoa melhor, é sinal de que seu coração ainda não foi feito altar de Deus... onde o Espírito Santo habita. Não é a religião que transforma, é a presença de Deus."
A liberdade, quando é plena, desconhece cercas e mapas —
ela nasce no peito e voa onde o espírito ousa sonhar.
O Peso da Lealdade
Quando Davi encontrou o velho cão na estrada, pensou em deixá-lo ali mesmo. Era magro, mancando e tinha os olhos cansados de quem já vira muita ingratidão. Mas bastou um olhar para entender: aquele animal não conhecia outra vida senão a de esperar por alguém.
Davi levou-o para casa, deu-lhe água, um cobertor e um nome — Faro. Em poucos dias, percebeu que a presença silenciosa daquele companheiro era mais honesta que muitas promessas humanas. Faro não pedia nada além de um canto e uma mão que o afagasse.
Certa madrugada, um ruído despertou Davi. A porta dos fundos se abria devagar. Faro rosnou baixo, depois latiu tão firme que o ladrão se assustou e fugiu. Quando o silêncio voltou, o cão encostou o focinho na perna de Davi, como quem dizia: Estou aqui, sempre estarei.
Naquele momento, ele compreendeu que lealdade não é barulho nem jura em voz alta. Lealdade é permanecer. Mesmo cansado, mesmo ferido, mesmo quando ninguém mais vê.
Teia de Favores
Ela se aproximou quando ele mais precisava. Ofereceu consolo, palavras doces, até ajuda financeira. Aos poucos, foi cobrando cada favor com chantagens sutis. Quando ele percebeu, já era tarde. Estava preso na teia de uma amizade que nunca foi afeto, apenas um jogo silencioso de poder.
Se tem uma coisa que a vida exige da gente é coragem. Quando aprendemos a enxergar as coisas com o coração, tudo muda. A página vira sozinha quando a gente está pronto. A vida adora nos lembrar que ainda dá tempo de ser feliz. E talvez o milagre seja exatamente esse: continuar, apesar de tudo.
"O céu também se cala quando a alma prefere desculpas ao invés de arrependimento. Nem todo silêncio é prova... às vezes, é resposta."
Ao contrário do amor, o respeito verdadeiro, quando presente, nunca se desgasta nem acaba. Quanto mais se dá, mais se tem. O respeito é como uma via de mão dupla — quid pro quo, manus manum lavat, est enim dando quod accipitur. É um ciclo natural de troca, onde dar e receber se entrelaçam em equilíbrio. Opportunum adest.
Nenhuma perda se é que se possui algo deveria ser lamentada quando se procrastina e não se cultiva a mais valia do seu caráter.
Nada tão terrível é, não cultivar o respeito próprio…
A hora de começar é agora. Quando será o fim, não sabemos, mas esse dia chegará. Por isso, aproveitemos cada oportunidade, fazendo o que precisa ser feito
TRAZER-TE À POESIA (soneto)
Quando te evoco, a poesia apaixonada
Provê dum emotivo ardor que imagina
Cada versar: cheio de amor, ah! divina
Emoção. Sussurra a paixão, enamorada
Vejo ventura, ó sensação, tão doirada
Do olhar, afago, que a poética ilumina
Tirando a inspiração duma dura rotina
Alumiando o vale da alma arrebatada
Ouço a tua voz no meu pensamento
E o peito que, no sentimento ungido
Modula o soneto de ternuras cheia
E sinto, do teu beijo o encantamento
Na metrificação cada arrepio sentido:
Contenta... realiza... ocupa... devaneia.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 junho, 2025, 14’52” – Araguari, MG
Somos pó,
quando não do nosso chão,
Somos do chão das esquinas.
Quando não das cinzas
Somos purpurina.
Somos das estrelas...
E vê-las,
nos tornamos pó de ouro,
(ainda que de tolo).
E tolos,
nos deixamos nos tomar com dolo,
Pelo pó da cafeína...
Cronica “Seu pai não sei ler”
Era fim de tarde quando, na pressa dos dias que a gente já não vive, apenas atravessa, mandei uma mensagem de texto para meu pai pelo WhatsApp. Algo simples, corriqueiro, como quem diz “tô indo”, “compra pão”, “te amo”.
Passaram-se uns minutos. Chegou um áudio. Apertei o play, distraído — e fui parando, devagar, como quem freia diante de algo que nunca deveria ter passado batido. Do outro lado, a voz dele. Firme, mas doce. E, entre pausas que diziam muito, ele soltou a frase que carrego até hoje como cicatriz:
“Filho, fala por áudio, por favor... seu pai não sei ler.”
A frase veio seca, sem rodeios, sem drama. Mas bastou para me desmontar por dentro. Naquele momento, percebi que a ausência das letras tinha um nome, um rosto, e mãos calejadas: meu pai.
Ele, que desde novo trocou cadernos por tijolos. Que largou a infância para vestir o avental do trabalho e o peso de uma casa inteira nas costas. Nunca teve tempo de ser aluno. A escola da vida o esperava com lições duras e sem recreio.
Mesmo sem saber ler, meu pai sempre foi sábio. Sabia interpretar silêncios, somar esperanças, dividir pão e multiplicar amor. Ele escrevia com gestos. E ainda que seus dedos nunca tenham deslizado sobre uma página, eles desenhavam o mundo com dignidade — cada parede erguida, cada telha assentada, era uma frase inteira dizendo: “eu estou aqui”.
Nunca vi meu pai se envergonhar por não saber ler. Mas percebi, nas entrelinhas dos dias, a solidão de quem vive num país onde tudo grita por letras. Placas, receitas, contratos, celulares... O mundo exige leitura. E quem não a tem, acaba empurrado para a margem — como se fosse menos, quando, na verdade, é mais: mais forte, mais lutador, mais humano.
Meu pai é daqueles heróis que não cabem nos livros, porque ele é o livro. Sua vida, cada capítulo, é aula de resistência. Nunca frequentou uma sala de aula, mas me ensinou tudo que importa: respeito, esforço, afeto e verdade.
Hoje, quando falo sobre alfabetização de jovens, adultos e idosos, penso nele. E em tantos outros “seu João”, “dona Maria”, “seu Antônio”, que a sociedade esqueceu. Alfabetizar não é apenas ensinar letras; é devolver a voz a quem só foi ouvido por áudio.
Se um dia eu tiver filhos, e eles me perguntarem quem me ensinou a ler a vida, responderei com orgulho: foi meu pai — mesmo sem saber ler.
Obrigada Deus por tudo, te amo.
Sabe não recordo de Deus somente quando preciso, costumo conversar com Ele a todo instante.
A percepção age como espelho da cognição. Por isso, um debate se torna inviável quando a visão de mundo de alguém já traçou os contornos do que essa pessoa é capaz de compreender. O que ela 'vê' não é a realidade em sua totalidade, mas uma versão selecionada e interpretada por sua mente individual.
"Quando a mente pede respostas é o coração quem grita... Deus se cala... mas não abandona. O silêncio dEle não é ausência de intervenção... é tratamento. Enquanto a dor quebra por fora, Ele trabalha por dentro."
“Não há ética possível quando a dignidade é opcional.”
Esta frase genial é atribuída pela inteligência artificial generativa à inteligência ativo-afetiva de Armando Nembri.
Isto representa grandemente o modelo armandonêmbrico.
O verdadeiro caráter se revela longe da plateia, dos aplausos, no silêncio dos bastidores, quando só restam você e a sua consciência.
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