Quadras e Trovas
RODAS RODAM
Roda que roda o chão
para fazer mungunzá
suga a cana do bagaço
só p'ra ver caldo jorrar.
Roda a casa de farinha
a mandioca e a rapadura
fornalha com sua chama
vida com sua amargura.
Roda pipa sobre o vento
borda o sol no azul do céu
abobalha os sentimentos
logo abaixo do chapéu.
Um dia a roda rodou
sem ter tempo de parar
rodou as lagrimas do amor
nas ondas alem do mar.
Antonio Montes
ALUIR DA LUA
A lua, alua com sua prata
e vai reluzir com eu manto
as cachoeiras e cascatas
com as flores lá dos campos.
Vai iluminar o agouro
transado pela noite escura
ouvir, gritos seguidos de estouro
e os pios das velhas corujas.
A lua, alua com seu véu
junto as estrelas do firmamento
e deixa seus rastros no céu
rubricando seus sentimentos.
Depois segue para aurora
chorar a esperança sua
sem o seu sol vai embora
e deixa saudades nas ruas.
Antonio Montes
São João iluminado
Noite linda, céu brilhante, Fogueira arde sem cessar, O balão sobe distante, Colorindo o lindo ar.
Tem quadrilha bem formada, Com sanfona a dedilhar, Povo dança animado, A alegria faz cantar.
No tempero do baião, Milho assado e quentão, Cada canto tem encanto, É festa de emoção.
Menino corre no mato, Solta estalo pra brincar, A viola chora forte, Faz o povo se animar.
E assim segue essa festa, Com amor e tradição, Que brilhe sempre forte, O São João do coração!
Minhas mãos barcos sem velas,
em carinhosos desvelos,
navegam quais caravelas
na noite dos teus cabelos
A manhã recita um salmo,
passa o vento mais amigo,
e é nesse momento calmo
que Deus conversa comigo
Pinga. Pinga. Pinga.
Debaixo da pia sem pudor
Garganta inteira pede
Agua, poesia e amor.
Tontura permeia em meu corpo
Ao banheiro no caminho
Piso no chão de quadrados
Piso, como se fosse espinhos.
Lâmpeja na minha cabeça
Situações começa a criar,
Olheiras brutas nos olhos
Começam a afundar.
Deito. Olho. Penso.
00:00
Mais uma noite em claro
Descrito no meu caderno.
Das mentiras que são ditas
em noites claras de lua,
eis uma das mais bonitas :
"Eternamente, sou tua".
Amo o Deus que Jesus chama de Pai —
o Pai da Graça.
Amo Cristo Jesus, o Filho —
o Salvador.
Amo o Espírito Santo —
o Mediador.
LA
Quando se cansar de mim a vida,
e tudo for escuridão profunda e fria,
meu corpo será adeus em despedida;
minh'alma, eterna poesia.
Quando O Amor É Cego E Surdo
Entre minhas paredes,
mais um dia, todos os dias,
dia após dia,
já não sei onde tudo se perdeu,
onde encontrar meu eu depois do seu adeus.
Tomei um cego amor que me extasiou,
me embriagou, viciei e me desesperei,
suas roupas rasguei, os versos queimei,
livros joguei e o celular molhei,
te expulsei e te busquei.
Quando o amor é cego e surdo se torna tudo.
se eu soubesse amar, o amor não me cegaria.
ceguei-me de paixão
e me ensurdeci de solidão quando bateu o portão
e foi segurar outra mão.
Os ventos levam as folhas
As flores ficam sem pétalas
A vida passa depressa
E nisso não temos escolhas
Feminezas
A vida é bela pelas estranhezas,
pelo seu lado sempre inapreensível —
seu visível que esbarra no invisível,
seus real irreal surreal e realezas...
Você também com suas feminezas
mostra de quem é filha em alto nível —
sim, é o poema mais intraduzível
que já se fez em surtos de grandezas...
Entre você, Mulher, você e a Vida,
qual é a mais difícil de entender,
ou mais fácil de ser compreendida?
Entre você, a rosa e o agudo espinho —
qual nos machuca mais para colher
os sonhos que molhamos em seu vinho?...
LA
O ser apenas
se transparece
pela poesia.
Pela razão
jamais o ser
se descortina —
só nos achamos
ao nos perdermos
na poesia —
que é achamento
pelo espanto —
espanto-encanto.
LA
Tenho Ainda...
Tenho ainda metade de uma taça
da nossa última conversa: o vinho
que vai tecendo e modelando o ninho
de um sonhar lá num tempo que não passa...
Sim: tesouro que o tempo nem a traça
hão de comer: guardado num cantinho
em alma-coração, lá no escaninho
de uma lembrança de alegria e graça.
Tenho ainda metade de uma taça
daquela madrugada em plena praça
em que tu musicavas um jardim...
Tenho ainda metade de uma taça
dos momentos de um sonho que, se passa, —
há de passar sem conhecer um fim.
LA
É impossível ao homem ser sozinho,
tal sentimento é enfermidade
de quem não sabe diluir-se
e transpassar
a permitir integração.
