Quadras e Trovas
Trova
Quem parte leva saudade,
quem fica saudade tem,
essa pode ser a realidade
entre nós dois, oh, meu bem!
A chuvinha inspira trova
assim bem pequenina
e a paisagem se renova
logo terá frio e neblina
Tudo se aquieta um instante
a ouvir o leve tamborilar
das gotinhas insistentes
no telhado a musicar
Nada é mais relaxante
do que esta fina melodia
a natureza compõe sonante
no palco de mais um dia
Nem sempre uso a vírgula
ela numa trova falta não faz
o que vale é ter conteúdo
um pouco de alegria e ser da paz
Quando chega uma trova
já não a posso sufocar
sei que ela é uma prova
para quase perfeita ficar
Mas se não uso a tal métrica
deixo assim de ser correta
não gosto de matemática
sou apenas uma poeta !
Quero mesmo é cantar
dando ritmo ao coração
e brincando de trovar
seguirei em frente, meu irmão !
Eis uma vaga trova,
bem leve, e como vaga,
a minh'alma renova,
meu coração ela afaga!
Penso num vago amor,
vagando sempre sozinho,
do qual se pode supor,
vago amor, vago carinho...
Procurei,
em trova, soneto e prosa,
nos versos líricos do poeta;
o significado de Te Amar?
Perdi-me, e não sei quando,
talvez em rimas poetando;
este teu sorrir a Florejar.
O amor se fez em trova enganando a dor acompanhou a melodia em uma cantiga bonita.
Serei seu trovador e cantarei os versos mais bonitos em que você mereça a trova entoa com um singelo canto.
E com beleza lhe faz luzir com clareza e admira-la com a intensidade de uma melodia extraordinária.
Haverás de me rever refeita,
Ainda mais tua - e perfeita,
Porque a trova que plantamos
A acácia mais bela [semeia].
Acabaram de vez os [freios,
Só a espaço para desejos e flores,
Conhecemos a vida e os [sabores,
É por isso que nos escolhemos.
Nós sabemos o quê queremos,
Amor de verdade é o quê temos,
Um sentimento de pertença,
Com doses de [indecência].
Carinhos que irão sempre [adiante,
Gostamos de tudo que seja insinuante,
As nossas índoles são [picantes,
No melhor do arfar - extasiantes.
Os nossos beijos são o [alimento],
Os nossos corpos formarão um casulo,
Decidimos estamos pelo nosso futuro,
Nós nos escolhemos por porto seguro.
As minhas cordas
vocais feitas
dos anéis de Saturno,
ecoam o augúrio
da trova do infinito.
Pós a conjunção
entre a Lua e Vênus
o teu coração
virou a concha
acústica da minha voz.
Tens o meu peito
preso no teu garfo
de Tritão certeiro,
aguardando por ti
e um sinal do tempo.
Pedi ao asteróide
que beijará o céu
desta noite fria
que leve o meu
ambicioso beijo.
Porque em companhia
das estrela-do-mar,
sou a que está ao teu
encontro a buscar
a partida todo o dia.
Trovadorismo para Rodeio
Quem dera eu transformar
o meu peito numa viola
para cantar o Trovadorismo
para a cidade de Rodeio
que capturou com beleza
o meu coração em cheio.
O vento que vem de lá
Entra sem eira nem beira
Descabela o mundo de cá
Abre a janela, venta e incendeia.
O que não dura encanta,
já o que dura
quase sempre aborrece.
Bem por isso é que as rosas são eternas.
LA
Nunca permitiria que quem não vestisse uniforme e jogasse todo santo dia determinasse o que se fazia na quadra de basquete.
MORTE E MAR
A morte morre na praia,
a pérola morre no mar...
Enquanto a baleia nada,
sereia esconde o chorar.
Antonio Montes
GOMAS DA PAIXÃO
Aroma de corpo
corpo sob toalha
toalhas em gotas d'água
água em fina camada.
Camadas de desejos
desejos trepidos de volúpias
volúpias movidas a beijos
beijos em marcha a galopar.
Galopar na paixão
paixão de brasas e labaredas
labaredas atiçando fogo
fogo que a ti segreda.
Segreda em seu casulo
casulo que lhe dão gomas
gomas de vontades pesponta
pesponta e aponta o aroma.
Antonio Montes
QUINTAL DO MUNDO
Descidas, escadas empurram
empurram pés, pelos degraus
degraus da vida arfa o fôlego
fôlego, cheira, no quintal.
Quintal... Inicio do mundo
mundo fundo, sempre enterra
enterra o corpo sob terra
terra que devora a treva.
Treva, leva o peito seu
seu leito de água e mar
mar de bruma que empurra
empurra eu seu velejar.
Velejar pela verde vida
vida ventos, panos finos
finos trato de um futuro
futuro passos de menino.
Antonio Montes
