Procuro em Amor que ainda Nao Encontrei
"[...] Era a alegria de um pianista virtuoso ao reecontrar seu instrumento musical depois de anos no exílio. Era o prazer de um cirurgião experiente ao recuperar o uso das mãos depois de um acidente. Era como voltar à vida, quando não se tinha percebido que estava morto."
A Penumbra do Âmago Melancólico.
Novamente volto à penumbra, um local onde meu âmago melancólico, que um dia virá a ser eu novamente, como uma força brutal da natureza, me obriga repetidamente a ser aquilo que mais me causa náuseas. Essa força me compele a contemplar gritos tenebrosos presentes em signos e códigos indecifráveis que ecoam aflitamente na imensidão oca que habita em mim.
Em vão, tento buscar uma alternativa, mas como Drummond disse, "os muros são surdos". Sinto-me forçado e aprisionado em um quarto decaedro que me puxa em direções opostas o tempo inteiro. No centro desse quarto, onde os gritos dão espaço ao vácuo, aquele ser tão deplorável dá lugar a apenas uma imagem: o "POR QUÊ?".
vivemos em uma sociedade dividida por pessoas que compram console no lançamento e pessoas que esperam lançar o próximo console do que desejam para baratear o preço do console que desejam.
A GENTE
Eu e tu: soneto e eu, poética repartida
Em duas estimas, duas estimas numa
Aí sentida. Tu e eu: ó versejada vida
De duas sortes que em uma só resuma
Prosa de partilha, cada uma presumida
Da alma contida, conferida... em suma
Essência na essência, sem que alguma
Deixe de ser una, sendo à outra medida
Duplo fado sentimental, a cuja a sina
Que na própria paixão cada uma sente
A sensação dum aquinhoar da emoção
Ó quimera duma poesia integralmente
Que infinitamente brote da inspiração
E, suspire na inspiração infinitamente...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26, agosto, 2021, 11’03’ - Araguari, MG
Para nossa sorte, de tempos em tempos, surgem algumas mentes visionárias que, apesar de constantemente serem tachadasde loucas em seu ambiente de convívio, defendem seuspontos de vista insistentemente. Fazem isso na mesma intensidade de vontade com que aqueles que ficaram cegos pelo
sistema insistem em tentar desmotivá-los. Ainda bem que não parampor aí pois, além de defenderem as suas visões, mantêm-se firmes nelas por tempo suficiente para que o próprio tempo venhaa nos fazer ver tais visões triunfarem sobre a ignorância
de muitos.
Devemos encontrar um ponto de perfeita harmonia onde se possa duvidar dos acontecimentos que nos fogem à razão, buscando elucidar, sem, no entanto, perder o vislumbre dapossibilidade, do sonhar, da poesia, que é um dos fatores primordiais que nos move e que age como um start, nos alimenta egera grandes oportunidades de nos levar a um próximo nível
na solução desse mesmo problema.
Num momento de pausapara reflexão, podemos ser levados à percepção de que o serhumano seja um suicida em potencial pois, se a maioria da populaçãonão se interessa em saber se existem outros locais possíveisde abrigar nossa espécie e destrói totalmente o único localque lhe confere a existência, cria-se uma atitude perigosamente incoerente.
Todos nós tínhamos um pequeno sonho. E quando se tratava de sonhos, a gente tinha que continuar ralando.
Tivemos que afirmar nossa dignidade com pequenos detalhes. Pequenos detalhes que dizem ao mundo que não somos invisíveis.
