Pouco
O Jardim de Academus muito pouco tem a ver com o que se tornou a Academia... Platão não era muito fã de Narciso... Oxalá, o diálogo conseguir regenerar o próprio diálogo.
Daqui a pouco saio do aconchego do Iracema para viver novas experiências; quem tem compromisso comunitário vive o processo natural segundo suas convicções filosóficas.
Uma vida, tão pouco é
que com o pouco tempo
vivemos sem tempo
para que um dia podermos
desfrutar de um bom tempo
que na verdade é um momento
depois de muito tempo chegou
e se foi em pouco tempo
vendemos nosso tempo
compramos tempo
e no final do nosso tempo
levamos conosco
breves momentos
Deixo você livre
Mas tudo que sou
Tem um pouco do que fomos.
Não posso pedir que me ame,
Nem impedir que você vá
Mas seu eu te pedisse pra ficar,
Você ficaria?
Não há nada que resuma meus sentimentos.
Olho ao meu redor e tudo que vejo tem um pouco de você.
Olho pra dentro de mim e tento encontrar respostas
Mas tudo que vejo tem um pouco de você.
Não posso impedir que você vá
Mas seu eu te pedisse pra ficar,
Você ficaria?
Não posso pedir que me ame,
Mas eu te amo
Mesmo sem receber um:
Eu também
Mesmo sem ser correspondido
Mas seu eu te pedisse pra ficar,
Você ficaria?
Quando mais jovem era pouco apegado as coisas, pessoas, memórias. O torpor da juventude às vezes nos permite certas ignorâncias. Nada era digno de ser lembrado, nem todo mundo era tão especial assim. As coisas mudavam rápido demais e não havia tempo para me conectar a elas, e acho que nem mesmo queria me conectar a algo. Pelo menos não me lembro de questões como essas brincarem com meus pensamentos. Quando se é jovem o tempo parece quase infinito. Não lhe faltarão coisas ou pessoas. Quem tinha tempo para o apego na época em que nada era estático. A voz outrora fina, mal equalizada.
E cresci completamente alheio, mas se engana quem acha que assim fiquei. O sentimento que tenho ao notar que cresci é o medo, o medo do fim, por que o fracasso é o destino final de todas as coisas.
Percebi esse novo apego em casa, sozinho. Na bagunça do meu quarto encontrei tantas coisas, eu em todas elas. No simples ato de dobrar minhas roupas desenterrava memórias. Como no dia em que encontrei minha melhor amiga na praça, usava essa mesma camisa listrada. Por um breve momento senti seu cheiro, escutei o barulho da sua risada e por mais que houvesse tantas outras roupas como aquela, a minha seria única no mundo.
Com o tempo, sobretudo nos últimos meses, venho descobrindo que não há problema algum no apego, muito pelo contrário, encontrei grandes preciosidades depois que me aceitei apegado. Quando se envelhece e o tempo já não soa infinito, percebe-se que a história das coisas é o que as torna especial. Então, se não há a que se apegar, é porque não houve o quê viver!
"Persista um pouco mais. Muitas vezes, a gente alcança nossos objetivos e ultrapassa a meta nos últimos dias do mês."
Pouco sabemos sobre a vida.
Por maior que seja o nosso conhecimento, ele não é nada perto da vivência que os conflitos e acontecimentos nos proporcionam.
Como lapidar, o interior da alma.
O mais importante dos saberes, não vão estar nos livros e nem nos lábios de irmãos espirituais.
Tudo isso, é uma doação verbal de força e energia, e de nada vale sem a jornada e o bom combate.
Já trabalhei muito para ver o meu resultado através dos outros, hoje trabalho pouco, e me sinto mais feliz em ver o resultado dos outros através de mim.
DE TUDO UM POUCO
Sou um pouco de tudo
Um pouco do nada
O que aparece
Estou à disposição.
Do barulho me isolo
No sussurro me esmoreço
No silencio me encontro
Na música um seresteiro.
Das joias um garimpeiro
Da família um entusiasta
Na dança um folião
No mar um marinheiro.
Na casa sou acolhido
Pelos filhos eu padeço
Com a esposa eu renasço
No amor sempre um começo.
UM POUCO DO QUE SENTI
Muitos anos eu já vivi
E pouco da vida aprendi
De criança tudo já esqueci
Da adolescência apenas o que perdi.
Hoje com 6.5 anos me conscientizei
E nada, nada ignorei
Pensamento nas palavras soltas ao vento
E no peito a dor com sentimento.
Tenho cicatrizes do passado
E ferida ainda não curadas
Passo o tempo me iludindo
Achando que tudo fosse ajustar.
Em ter amigos atencioso comigo
E também com outro qualquer
Seria como ver o sol nascer
E se pôr ao entardecer.
Quando somente um lado,
aceita o passado do outro,
é pouco provável que essa relação
vá para frente.
Cheguei a entender como os animais agem, andei com eles e aprendi pouco a pouco como deveria me comportar.
Tirei a máscara e voltei para o Laboratório do Inferno.
Até pouco tempo atrás poderia falar sem medo de errar que não tinha nem um vício na vida. Após, provar teu beijo e contemplar teu sorriso já não posso mais dizer o mesmo...
O mundo, nós, eu, ligações comigo atrações no postigo, que alto ficou e abre tão pouco, no topo de um banco, empoleirado, o menino tentava ver o futuro. Não via, mas sentia um ardente formigueiro que o dirigia aos esses, cortando dicas, regras quem sabe a atenção de quem não ouvia, e por aí passou, caiu, surgiu melancolia, sem abelhas ovelhas bactérias e nada lia.
O mundo está cheio de pessoas falando muito do pouco que entendem sobre quase nada para outras que quase nada entendem do pouco que ouvem sobre o muito que existe para aprender. E acaba ficando tudo aparentemente bem!
