Por Voce eu Pegaria mil vezes
Percorrer a história familiar, social, cultural
do eu que sou, do nós que somos,
herdamos e carregamos.
E do valor que, no outro, tanto esperamos reconhecer
e que almejamos receber.
Já me disseram "Ele(a) era a pessoa certa, mas no momento errado" eu disse: "Se fosse a pessoa certa, não haveria momento errado"
Quando eu rezo, ninguém responde. Eu só finjo que Ele responde. E faço o que acho que Deus provavelmente sugeriria.
"Se eu amasse um amigo apenas pelos benefícios que ele me proporciona ou pelo que posso obter dele, meu amor não seria pelo amigo, mas por mim mesmo.
O verdadeiro amor por um amigo nasce da admiração por sua essência, suas virtudes e tudo o que ele é em si.
Somente quando amo meu amigo por quem ele é, sem interesses ou segundas intenções, posso dizer que o amo de verdade."
Meu melhor remédio é a palavra. Através dela eu me liberto de pensamentos rígidos e encontro soluções que saem de meus dedos. A palavra é para mim uma flor delicada, cujo aroma energiza o ambiente e torna tudo possível. Aquela dor pesada que comprimia o meu peito é agora parte do passado. Sinto-me bem como um pássaro fluindo no ar. Observo a natureza e sua grandeza e me sinto grande, porque sou também natureza. E tudo transborda em mim, prosperidade, paz, energia. Tudo segue seu ciclo. Silenciosamente agradeço esse estado de espírito, que me transporta para o que há de melhor em mim. Percebi que não sinto mais tristeza. Sinto o coração aconchegado. E uma gratidão suave envolve meu universo. Evoco símbolos como árvores. E me vejo frondosa, proporcionando grande sombra que alivia o sol ardente. Sinto-me ave, porque voo em meu inconsciente e a serenidade é uma realidade palpável. Assim, posso escrever sem ferir as palavras, sem evocar sentimentos ardilosos. Tudo é paz em mim e a paz é uma força poderosa, que com delicadeza anuncia que tudo está bem. Estou viva e isso me basta. Não anseio e nem me desespero. Apenas sinto que a vida está completa e a vida em si basta. Sinto amor, porque é um sentimento. Mas não necessito do amor, se ele brota de mim mesma. Vou andando pela estrada é conhecido, mas novamente penso e reflito. Quão grande é o universo que piso. E se falo de paz, é porque a paz está em mim.
Se fosse para eu escolher entre não te amar e te esquecer, minha escolha seria te esquecer, pois eu não consigo viver sem amar você.
CONTRADIÇÃO (soneto)
Se eu peço a este soneto que compaixão
Não seja opoente ao coração enamorado
Tão pouco o fado rebelde e despreciado
Se versar com afeto traz branda sensação
De onde vem tão truculenta inspiração
Duns versos que se mostram obrigado
A causar no contrário, tão desesperado
Na ilusão, e feito a modo de divagação
Minha poesia inquieta e falante chora
Num prosar que está a cantar e, assim,
Tão encharcado de suspiro, vêm fora
Aparenta então que na rima sofrente
Minha poesia vive a chorar por mim
Só para ver a insatisfação contente.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
03 julho 2025, 18’58” – Araguari, MG
Eu não sei o que me espera. Só sei que Deus já está lá, onde eu ainda nem cheguei. Talvez o que venha não seja o que pedi em silêncio, mas será o necessário. Entreguei tudo a Deus. As vontades, as pressas, as urgências que construí como escudos, e todas as certezas que forcei até virarem fardos. Deus não se atrasa, Ele só espera a gente cansar de fingir que dá conta sozinho. Tem algo incrível acontecendo mesmo quando não compreendemos. Não sei se é resposta, milagre ou recomeço, talvez tudo junto. Mas sigo com uma esperança bonita, uma fé quieta de quem sabe que o tempo de Deus faz tudo acontecer no momento certo. Nenhum milagre chega antes da hora. Há portas que já começaram a ranger nas dobradiças e, quando Deus decide girar a maçaneta, não há nada que impeça o novo de chegar. Há bênçãos atravessando distâncias que nem saberia explicar, e há algo dentro de mim que reconhece: Deus está prestes a fazer algo lindo, e mesmo sem compreender os contornos do que virá, permaneço aqui: de alma aberta e vontade de agradecer por antecipação. Porque fé, às vezes, é isso: uma espera de mãos dadas com o que ainda nem chegou, mas já tem gosto de recomeço.
não quero mais sair,
Na verdade, vou me assistir,
Olhar eu e a cama me fundir,
Eu não vou dormir.
Eu quero escurecer,
Me esquecer, entender e aceitar.
Não vou dormir, mas quero despertar.
Essa cama me aperta.
O travesseito sufoca,
As lagrimas afoga,
A coberta me impede de ohar o lado de fora,
Eu não quero ir embora.
Eu não sinto culpa,
Sinto uma busca,
Buscando incessantemente
Saber o que fazer.
Eu aprendei a me esquecer,
Como vou me procurar se aquilo
Que mais amei se foi junto com meu prazer,
Eu nao tenho mais nada a perder.
Eu nao me esqueci só de você,
Esqueci de mim,
Esqueci de viver,
Eu não quero mais sair...
Vocês puderam viver a vida e fingir que nada foi como foi. Só eu fui deixada com a verdade.
O dia todo, aonde quer que eu fosse, eu só conseguia pensa no que era pra gente ter sido. E no que é pra gente ser.
Há um instante em que a consciência se afasta do eu cotidiano como um satélite silencioso.
Pode-se ver a si mesmo do lado de fora.
E o que se vê não é um corpo —é uma trama de memórias, desejos, perdas e vírgulas mal colocadas.
Não é estar em órbita, mas em colapso lúcido. É olhar para o que foi, para o que escreve, para o que sentiu e tudo parece belo, frágil e profundamente irrelevante — mas ainda assim, digno de ser registrado.
É feito um efeito. Talvez, overview. E é interno.
Cansada do eu, dispo-me do ego e me entrego nas palavras subconscientes. Posso ser uma pedra preciosa, bela e inquebrável. Mas essa imagem bonita diz pouco quando escurece e a noite traz sons do universo. O dia foi longo como um trem rasgando a estrada. E se escrevo é porque transbordo do eu farto de mim. E me entrego a imagens. A flor é bela e delicada, mas além de seu aroma não sinto mais nada. Depositei em você sonhos de unificação, mas o amor resultou inútil. E me sinto uma pedra, que não simboliza nada. A pedra pode ser o instrumento de uma força descomunal que busco em mim. Uma rocha imutável, sujeita aos ventos, ao sol, E a chuva. O que fazer para aliviar esse desaninimo que me exaure? Talvez pintar um quadro, mas a pintura resultou inútil, se a olho e nada sinto. Esse é uma prosa poética que fala sobre energia, aliás, a falta dela dela. Então como palavras repetidas, imagens gastas e você que é ilusão. Se pelo menos o amor batesse a porta com suas mil promessas. Eu acreditaria, pois tenho fome de ideais. Mas na poltrona de minha sala só encontro vazios e um cansaço de existir. Se ao menos o tarot falasse a verdade, mas sou de touro, e isso não diz nada. Quero promessas, materializações. Eu farta de inventar motivos, significados. Eu não me basto. É como dizer para o universo 'por que tantas estrelas se não posso tocá-las e nem compreendê-las. Noite escura, vento que sopra. E nada me diz.
Eu te quero mais que só uma noite
Pois se eu te pego nunca mais que vou te soltar
Pois se eu te pego te darei mais mil motivos
Pra querer ficar comigo
Amor
Eu ando por aí à procurar
Alguém que me tire o ár
Que não me faça lembrar
Que não importa mais o que eu faça
Não dá pra fugir
Sempre penso em ti
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