Ponto

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O Lugar Secreto é o nosso refúgio, o ponto de encontro onde o caos do mundo se silencia e a nossa alma encontra a plenitude da presença de Deus. É ali, na quietude e na intimidade, sem formalidades, que Ele nos ouve chorar e nos revela a nossa verdadeira identidade e o propósito pelo qual fomos chamados à existência. Quando sentimos que a nossa força se esvai e o cansaço do caminho ameaça nos derrubar, somos lembrados que Ele é a luz no fim do túnel, o único que escolheu ficar ao nosso lado, nos sustentando com Seu amor que é infinito e paciente.

Sigo. Não por coragem heróica, mas por uma teimosia visceral que me impede de aceitar o ponto final antes da hora.

Para alcançar este ponto da existência, transitei por abismos silenciosos, confrontei a imprevisibilidade do destino com a própria carne exposta ao caos, sorvi venenos disfarçados de caminhos e respirei tão intimamente a atmosfera da morte que compreendi: sobreviver não constitui mera permanência biológica, mas a brutal capacidade de converter devastação em lucidez, cicatrizes em consciência e sofrimento em permanência.


- Tiago Scheimann

Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.

Há um ponto da consciência em que a solidão deixa de ser uma emoção e se revela como a única realidade que jamais nos mentiu. Todo o resto, amor, pertencimento, esperança, identidade, talvez não passe de uma arquitetura frágil erguida pelo medo para impedir que enxerguemos o vazio em sua forma mais pura.


A multidão não nos salva. Apenas multiplica a evidência de que cada ser humano está condenado à prisão de uma consciência inacessível. Ninguém atravessa a fronteira do outro. Compartilhamos palavras, gestos, corpos e lembranças, mas nunca o peso exato daquilo que somos. Existimos lado a lado, separados por um abismo que nenhuma linguagem consegue preencher.


Olhar para dentro é cometer um crime contra todas as ilusões que tornavam a vida suportável. Quanto mais profundamente descemos, menos encontramos uma essência. Há apenas camadas de medo, de memória e de desejo, até que, por fim, resta um silêncio antigo, indiferente, onde até mesmo o "eu" começa a se dissolver. Talvez nunca tenha existido alguém ali. Apenas uma sucessão de pensamentos tentando convencer o vazio de que possuía um nome.


O sofrimento não nos purifica. Não nos torna melhores. Apenas retira, um a um, os véus que protegiam nossos olhos. E quando o último deles cai, compreendemos que o universo jamais precisou de nós para continuar existindo. A nossa ausência teria o mesmo peso da nossa presença: nenhum.


É nesse instante que a solidão alcança sua forma definitiva. Já não esperamos ser compreendidos, porque percebemos que compreender completamente outra consciência é impossível. Já não esperamos sentido, porque todo sentido nasce da necessidade humana de suportar o insuportável. Já não esperamos consolo, porque até o consolo é apenas uma pausa antes do mesmo silêncio.


Talvez a lucidez seja isso: a lenta destruição de todas as mentiras que chamávamos de vida, até restar apenas uma consciência desperta diante da imensidão indiferente do universo. E então compreendemos a verdade mais cruel: não é o vazio que habita dentro de nós. Somos nós que, por um breve e inexplicável instante, habitamos o vazio.


- Tiago Scheimann

O Ponto Fixo do Trânsito


O Agora é a minha única morada, o ponto exato,
a quietude que o caos me permite reivindicar.
Se o defino, ele já é Presente-Passado,
a matéria de memória, a substância de tudo que o riso dos deuses levou.
Não é um vazio findo, mas o volume da minha história,
a textura viva da cicatriz que me torna necessário.
Mas o Agora é também, e sem trégua, Presente-Futuro,
a tensão que me impede o ócio inabitável.
É o vetor da força que move o Ser para o devaneio lúcido—
a criação de um paraíso possível,
mesmo quando a lucidez me diz que ele é breve.
Pois sei que as coisas transitam ao meu redor
e a minha perspectiva é o único centro real.
Se o mundo gira e a folha cai,
minha presença é o ângulo irrepetível
que dá forma e cor à velocidade do trânsito.
Os Deuses, lá no alto, podem rir da minha seriedade,
rindo da minha busca por um sentido,
zombando da pequena chama da minha vontade.
A gargalhada deles é a confirmação:
A vida é regida pela ironia lúdica, não pelo mérito.
Mas a síntese é a minha resposta:
Eu não preciso de um plano perfeito.
Eu sustento a minha existência apesar do riso,
criando o meu próprio éxtase no intervalo.
Eu sou necessário para completar a canção,
e mesmo sabendo que o futuro é incerto,
eu carrego a coragem indiferente de quem sabe:
O ato de estar aqui, no Ponto Exato do Agora,
já é o maior e mais belo de todos os propósitos.


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Cada esquina que reclino, buscas de idas e vindas, ciclo que contornam círculos, onde o ponto de partida, também é o ponto da chegada!
João Batista Barbosa"

Às vezes, meu cérebro parece implorar por silêncio: meus olhos se perdem em algum ponto, o mundo fica distante e, por alguns instantes, tudo parece querer desaparecer ao redor. Mas eu me agarro ao pouco que ainda me mantém presente, como se precisasse lutar contra a vontade de me desligar, porque, mesmo exausta, ainda não quero me perder de mim.

Quando passamos do ponto, perdemos a linha e ficamos por um fio!

Quando um problema, estiver a ponto de lhe dominar, aborte, mantenha a distância segura.

Cada pequeno ponto brilhante no céu, uma obra gigante criada por Deus.

Até que ponto aquilo que chamamos de “verdade religiosa” é uma escolha livre e até que ponto é consequência do lugar, da família e da cultura em que nascemos?

Ruflando às letras o poema
exibe suas palavras
a ideia pesca na água
da rima o ponto
que narra / agarra
mexe a mente à isca
na água...
mente clara / mergulha
o poema ao ponto
narra / agarra




(Leonardo Mesquita)

Uma vírgula é pausa para respirar,
o ponto e vírgula é uma pausa mais forte que a vírgula apenas; os dois-pontos é uma pausa maior que o ponto e vírgula: já o travessão é o silêncio entre o leitor e o texto — respira — respira: raciocina, o silêncio que não é silêncio; nem pro leitor nem pro texto: é o peixe que para de si debater — porque é devolvido à água. A pontuação é cilindro de mergulho para o leitor ir a fundo no texto — o silêncio entre o mergulhador e a água: vende o peixe.


Leonardo Mesquita

"O segredo não é sofrer menos, é amar mais a ponto de a dor alheia nos importar mais que a nossa."

"Não cabe no coração o ponto maior da psicose"


Rosimara Saraiva Caparroz
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Já dizia uma frase atribuída a Dostoiévski: “A tolerância chegará a tal ponto que as pessoas inteligentes serão impedidas de fazer qualquer reflexão para não ofender os imbecis.”


E só vim para deixar registrado que esse tempo chegou.

Minhas mãos anseiam por percorrer cada milímetro seu, mapeando o caminho exato até o ponto onde nossa febre se encontra. A temperatura sobe a cada olhar trocado, a cada aproximação. Não há mais como conter essa energia; resta apenas deixar que essa chama nos envolva, derreta nossos limites e nos embriague intensamente até o amanhecer.

Até que ponto a gente é realmente livre pra ser quem é?
Não é uma pergunta simples, é algo complexo de se pensar, mas no meu ponto de vista, nós nunca somos nós mesmo, somos apenas um reflexo de como lidamos, com o ambiente, com as pessoas, com as situações felizes e tristes, e principalmente com a nossa família. Tudo o que nós somos, é aquilo que nós aprendemos a ser.
Agora falando sobre o “Até que ponto a gente é realmente livre para ser quem é?”, bem nunca somos, por que não somos um só, todas as pessoas são “duas caras”, por que quando estou sozinha eu sou uma pessoa, com a Gabriela eu sou outra, com a Julia outra, com a minha família outra, e é por isso que eu considero muito difícil reunir todos os meus amigos (de diferentes grupos) e a minha família em um só lugar.
Também abordaremos os principais assuntos sobre ser livre para ser quem é, até por que vivemos em uma sociedade recheada de críticas, onde tudo é criticado, se eu sou bom uns vão dizer que sou gentil, outros dirão que sou trouxa, e outros ainda que eu sou falsa, mas isso não diz muito sobre mim, diz mais sobre quem eles são, não acha? E nessa minha idade, não só, mas principalmente, tudo é julgado, muitas vezes pelo fato de que a tecnologia está expondo muitas coisas. Então tudo o que fazemos é seguir, não o que consideramos certo, mas aquilo que consideramos que todas as pessoas, ou boa parte delas, acharam certo, por que temos medo das críticas.
Respondendo finalmente à pergunta, “Até que ponto a gente é realmente livre pra ser quem é?” simples, nunca somos livres para ser quem somos, por que nunca somos apenas uma pessoa, somos tudo e ao mesmo tempo nada, com cada um somos diferentes, e sempre somos criticados, sempre, mas isso diz mais sobre o outro do que sobre nós.

"Amor não conhece intervalo. Se precisa de pausa, é porque já encontrou o ponto final."