Poeta
medos
tens medo de quê?
do fim?
o fim se põe com o sol
Nasce reiterado no arrebol
do manhã
morre, nasce, morre
os desejos, pela alma escorre
no amor, alegria, no tempo corre
os sonhos expirando
renovando
tristura chorando
dúvidas falando
és o outro, és o mesmo
até não teres temor de morrer
assim, serás duradouro...
... eterno...
© Luciano Spagnol (poeta do cerrado)
Anápolis, 13/01/2013, 08'53"
*paráfrase Cecilia Meireles
NA SAUDADE SE ARRASTA
Os versos que no versejar te beijo
É dura solidão que ali se esconde
Um aperto que a dor corresponde
Do carecer meu, de arfante desejo
Como importa saber como e onde
Caminha o teu coração, relampejo
Minh’alma, e o nosso suspirar vejo
A ilusão, a tortura, o sonho, donde
Vem a sensação do vinho já vertido
Que corre na agonia, tão traiçoeira
Embebedando o sentimento sofrido
Vem da nostalgia, de uma sede casta
Da afeição, e de uma emoção inteira
Ardente, que na saudade se arrasta.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
18 junho 2024, 17’31” – Araguari, MG
SONETO DIVIDIDO
Meu sonho busca o verso eternizado
De ver o soneto no pódio da inspiração
Traçando prosa de tão doce sensação
De agrado, alegria, de afeto cobiçado
Minha ilusão chama pela mesma razão
De tal glória, assim, sendo, torneado
Onde o amor sempre seja glorificado
E, o ledor aplauda com brava afeição
Mas, nada é tão simples, tão comum
Na busca de ter o sonhado, mais um
Inolvidável, no diverso das emoções
E, então, o propósito amordaçado
Num soneto dividido, despedaçado
O vi disperso na trama das cisões...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Junho 23, 2022, 05’45” – Araguari, MG
Quem se esconde, com medo da luta, não sabe o que é viver! A luta é grande, mas Deus nos proporciona uma vida infinita.
GRAFISMO DO CERRADO
Esse teu chão mais parece pintura
No variegado dos tons da natureza
Os teus tortos galhos, árida gravura
Na tua imensidão a graça e riqueza
De toscos traços, de uma cor canela
Um cheiro, aquele cheiro de pureza
Um planalto alegórico, ali se revela:
Ó místico cerrado, atraente rudeza
Araras, seriemas e o bicudo tucano
Sagrados moradores do cotidiano
Cadenciando os cantos em sinfonia
A cada atenção, prenhe de poesia
Uma epopeia de variação e valentia
Cerrado livre, desmedido, soberano!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Junho 25, 2022, 05’01” – Araguari, MG
SENTIMENTAL VIA
Se tu me amas leia-me bem amável
Sem se perder por entre a hesitação
A cada verso a prosa do meu coração
A te dizer o quanto me és inevitável
Se tu me amas com toda está razão
Que, assim, seja, nunca incansável
Suave, cheio de sensação adorável
Ah! amor... e que seja com paixão!
E, se me amas com certa emoção
Tão bom, então, que venha estar!
Transbordando de agrado e poesia
Deixe que te cobice com essa canção
E desejo, pois, há sedução no poetar
Estando, tu, como sentimental via!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Junho 26, 2022, 05’27” – Araguari, MG
A frieza da alma é a pior tempestade que existe. E quando entendemos o amor e passamos a viver o amor, nos dedicamos a viver uma vida com Deus para construirmos a base para o nosso relacionamento com o nosso próximo.
SONETO DOMADO
Sou um soneto túrbido no sentimento
Suspiro a todo o momento, duro verso
Perdido em sensações, tão controverso
Hora no agrado, hora emoção ao vento
Ter a poética em um acordo, como tento
Porém, o meu cântico no acaso é imerso
Dói-me tanto por este valer tão disperso
E mesmo em lágrimas, o prazer invento
Um soneto alanceado, mas imutável
Sigo em frente, sou insistente, afável
Sempre a buscar e estar apaixonado
Persisto, sonho com um estímulo certo
Hei de deparar com o oásis no deserto
E, então, ser aquele soneto domado...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28 junho, 2022, 11´11” – Araguari, MG
AI SAUDADE
Trovo está saudade que habita o peito
Aninhando suspiros e um vazio intenso
Que se agiganta quando na falta penso
Pensando em ti, ó sentimento estreito
Que deixa os meus versos sem proveito
E o meu versejar sem aquele consenso
Denso... em um soneto penoso e tenso
Que sufoca o pensamento quando deito
Saudade com insônia e sem inspiração
Que esmaga e estraçalha a imaginação
Ah, és cruel e de sussurro tão tristonho
Ai saudade! Ai! sem dispensa me invade
Me arde no amor “a ferra”, sem piedade
Num ritual de aflição no poético sonho...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28 junho, 2022, 19´50” – Araguari, MG
QUESITO
Por que será que a saudade não tem pena
Do coração, dos suspiros? Devorando tudo
Com o seu apetite insensível e tão sanhudo
Pondo a alma da gente aviltada e pequena
Tudo frio, de um sentimento tão vão, rudo
Onde a sensação para aquele aperto acena
Uma infinidade de emoção, selvagem cena
Ó saudade, donde vem teu tosco conteúdo?
Dói, está tão dura sorte que no peito chora
Por que será? Pois, a tudo e a todos devora
Sem pena, deixando no ser aquela saudade
Ah! Saudade! Saudade! Bárbara e faminta
Do teu sentir a vida se torna crua e absinta
Por que apego se bastaria pouca intimidade?
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 junho, 2022, 06´44” – Araguari, MG
CANTO
Canto o sentir que habita a imaginação
Fértil, tão cheio de fatos e de ventura
Que coa d’alma a sentimental figura
Inundando a fantasia de magia, ilusão
Coloca o suspirar com aquela mistura
Que acalora o prazer e a terna paixão
Ó acaso! Deixai vir toda essa sensação
Que torna o versar uma emoção pura
Verso que me faz repleto e por inteiro
Como se fosse aquele sonhado roteiro
Do fado, do amor, assim, tanto, tanto...
Trovador! Trovador! restrito, tão tudo
Que do nada arranca poético conteúdo
E, faz irromper sonhos, ritmo e canto...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01 de julho, 2022, 19’05” – Araguari, MG
MANANCIAIS DOS VERSOS
No infinito da inspiração há quimeras
Há olhares, lágrimas, poética, emoção
Em versos que buscam certa direção
Aquele sentido, fervilhante, deveras!
E, vem em sensações da imaginação
Ornando a poesia tais as primaveras
Multicor, também, apertos e esperas
A caçar, a montante, tinos e paixão
No infinito dum ’alma, murmurante
Os desejos, os ensejos, tudo adiante
Sempre em junção... não dispersos!
Que juntados, aos poetas, a valeria
Ádito dum sentimento em travessia
Ilusão... nos mananciais dos versos!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Julho de 2022, 14’38” - Cerrado goiano
POESIA " A VIDA É SÓ PARA BRINCAR "
Para qual lugar estais levando sua vida?
O seu tempo é disputado pelo labor
antes da partida!
Aproveitaste seu lazer na terra
existindo ou foi sumindo pensando
que se assumindo eras eternos para
se deixar por um amanhã?
POETA Nilo Deyson Monteiro Pessanha
A POESIA É UMA PROSA
Mas como não entreter se a poesia é prosa
Um momento singular, feito duma quimera
Da flutuação e uma imaginação em espera
Ora triste, ora contente... mas harmoniosa!
Assim, cada verso, naquela direção airosa
Cheio de cheiro, do colorido da primavera
Que o encanto de um bardo nos assevera
E, sempre duma existência, a rima jeitosa
Ah poeta! Da poesia um criado e senhor
Num só sonho de inspiração a compor:
Desencavando a sensação inteiramente
Palavras da entranha que alegram o triste
Ou que entristecem a alegria, mas insiste:
Naquela emoção que prosa à toda a gente.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 julho, 2022, 16’14” – Araguari, MG
SENDO
Nos remotos idos da minha biografia
Entre desejos e aqueles muitos apelos
Os mais intensivos sentimentos, belos
Eu experimentei a essência da estesia
Nesta poética sentimental, a poesia
De sensações em versos tão singelos
Os amores, onde, também, os flagelos
Conheci. Assim, a minha alma polia...
Agora entre lágrimas e risos, enlevo
Cada sentido, ação e comigo eu levo
Porque tudo no viver é muito breve
Se leve ou pesado, há o que renova
Em uma batalha de continua prova
Pois, sem o necessário à sorte deve!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 julho, 2022, 14’44” – Araguari, MG
Essa noite eu sou o homem mais feliz que o amor já fez, parece sonho, vejo em seu olhar tanta paixão que não quero acordar; quiçá deixar de ser sua vida assim como você é a minha eterna pequena, minha alegria meu amor.
POETA NILO DEYSON MONTEIRO PESSANHA
Quando se pensa demais se maltrata a paz
E deixa de viver a verdade
No intuito de em vão
Querer controlar a vida.
O caminho da vida é natural,
Viver é um convite para ser livre.
POESIA
" TEORIA MISTA DO SURGIR DO AMOR "
O amor dado foge regulamentos vários,
é dado de graça e onde fica não passa, para!
Vence, quebra o silêncio deixando bom perfume.
Eterniza, resume!
Faz sem pressa,
Mas agoniza a espera;
Teme a partida em não
Viver nesta vida e une,
Universos, assume!
Assim portanto, entre idas e vindas,
Fragmentos submersos do amor de uma vida,
Ão de explorar o complexo
Segredo desta força amar.
Toda informação científica
Não atinge suficiente onde ou como nasce
O amor em tanta gente;
Que só os poetas deuses sensíveis
Sabem decifrar enigmas pertencentes.
Enfim,
Teorias daqui, ditos escritos dali,
Resumindo teorias mil sobre o amor,
Não se explica em palavras,
Expressa-se pela dor,
Ou pelo viver recíproco presente,
Em cores, sorrisos luzes evidentes.
Nilo Deyson Monteiro Pessanha
Eu creio na transformação.
Mas, sinceramente,
Para determinados seres humanos
só mesmo a castração.
