Poeta
TRIGÉSIMO NONO HEXÁSTICO
esquece da morte profana
transcende-te a ti tão somente
verás que do eterno retorno
tua ossatura será outro verbo
após livre da mundidade
toda vida é sabedoria
À BEIRA DO CAIS
De João Batista do Lago
O velhinho sentado à beira do cais
é silêncio puro
num final de tarde febril
no ocaso de um dia de abril
onde o sol não sorriu para os cabelos brancos
feito asas de gaivotas soltos na imobilidade do vento
Sento-me ao seu lado
vazio...
e calado...
e mudo na prenhez do tempo e do espaço…
Os meus cabelos ainda estão viçosos
alinhados e sem quaisquer querelas com o vento
estão nervosos
e bem mais sofridos que aqueles cabelos brancos sustentados de experiências
capazes de tudo falarem sem uma palavra sussurrar
E eu tão jovem querendo auscultar
o lamento que somente as ondas do mar ouvem
caladas e correm como loucas para...
para guardar na profundidade do seu mar profundo e eterno
as minhas queixas...
as minhas querelas...
e todas as minhas
mágoas guardadas na plenitude daqueles cabelos brancos feito asas de gaivotas famintas do peixe
De repente
o velhinho sentado à beira do cais
levanta-se
e sem me dizer uma palavra
sem um adeus
sumiu na plenitude do tempo e do espaço
Fiquei só sentado à beira do cais...
QUADRAGÉSIMO HEXÁSTICO
revela teu caráter ético
transmigrando do único “si”
e revela o “si” coletivo
verbo da ossatura do ser
que te fará sujeito númeno
nos campos trigais da existência
Quem é sensível a palavra, vive conforme as palavras; mas quem é sensível a dor, vive conforme suas dores.
Antes do desgosto de agosto e da
quadrilha julina e junina... E a mentira
de abril... Ainda haverá um desMaio...
Me desculpe
Por não saber o que dizer
Por não saber
O que você precisa ouvir
Me desculpe
Por só saber oferecer
Minha companhia silenciosa
E esperar que isso
Te conforte de
Alguma forma
E esperar que com isso
Você saiba que
Não está sozinha
E nunca vai estar
Eu já te escrevi
O quão importante
Você é para mim
Desculpe por não saber
Como dizer isso
Usando a voz
E escrevo aqui, de novo
Que preciso de você
Ao meu lado
Como sempre esteve
Então vou ser egoísta
Como sempre fui
E pedir que você
Aguente firme
Por você e por mim
Se eu tivesse escrito
A história da sua vida
Não teríamos perdido ninguém
E você não teria que aprender
A viver com dor alguma
Ela me faz dançar na chuva. Ela me faz sorrir de coisas sem noção. Ela me faz escrever versos e querer sempre ser poeta. Ela me faz ser apaixonado pelo seu jeito de mulher.
Esta mania de ser joãoandrade
só me traz problema.
Quando todos esperam muito,
faço um poema.
Quando tento ser outro,
repito o mesmo esquema.
Se o poeta estiver certo,
minha alma é pequena.
Me disseram você não tem chance...
Não ouvi e sigo em frente, mesmo distante...
Quem acredita sempre alcança, já disse o poeta...
Eu vou na fé, eu vou a pé, até de bicicleta...
pão de queijo, pão de queijo
ela se chamava assim quando criança,
pão de queijo, pão de queijo
se foi em janeiro
e ficou me devendo um beijo...
era como uma rainha
e eu um mero plebeu
toda sala a queria
nunca olhará para alguém como eu...
nossa amiga fofoqueira, a boca só abria
mas por meio dela
soube que por mim, o mesmo sentimento sentia
ela sempre foi linda, do cadarço até os dentes
mas foi embora
e fiquei sozinho
novamente...
A poesia me ocorre quando estou calçando os sapatos
ou então fritando um ovo
ela nunca vem quando eu chamo
porque é papel dela chamar
e meu de ir.
"E mais uma vez você vive e você morre para viver de novo. É o sono, é o sonho de dormir e acordar para de novo sonhar."
Fábio Lucciano
