Poeta
“Pois EU SOU uma dança, um amor que balança, uma esperança que se alcança, e por todos os lados há música!..."
As vezes você lança uma semente em um solo que por cima tem boa aparência, que foi adubado; depois, infelizmente, descobre-se que era infértil.
Traços De Mim!
Os traços...
Vão dando a forma.
O jeito.
O sombreado.
A imagem surge...
E aos poucos
fez-se poesia.
Num rosto de mulher,
que esboçava um
tímido sorriso.
O poeta-desenhista,
traçou um rosto familiar.
Um rosto que
sem dúvida,
sou eu!
SE A VIDA TE AFLIGE
Se a vida te aflige...
Faz dela um poema...
Faz dela um soneto,
Sem um pingo de desencanto.
E que de encantos,
Encante-se o verbo ao mundo.
Se a vida te aflige...
Torna-te um poeta...
Faz dela um belo poema...
E do mundo - a tua inspiração.
Logo pela manhã eu insisto em criar analogias, e destruí-las. Todas elas enquanto bebo meu café, forte e amargo - como minha alma.
A CAIXA
Dor...
Fique bem aqui, guardada
Dentro desta caixa
A caixa é escura e grande:
Grande o bastante para estar tão vazia;
Negra o bastante para o medo do escuro;
Silenciosa o bastante quando fechada.
Quando aberta é fatal!
Os gritos começam,
Provocando tamanha lástima.
Sempre a mesma música ao abri-la.
Aquela melodia chorada
Cada vez aberta, lágrimas
Rasgando a ferida.
Dor...
Não vá embora
Fique bem aqui, guardada
Dentro desta caixa
Ou quando abrirem-na
Não haverá mais nada.
E se de repente eu parasse de escrever sobre o amor. E se ao invés do amor eu passasse a escrever sobre os meus amores, todas elas?! Seria fascinante, uma viajem ao tempo, um mergulho nas lembranças; o dedo na ferida, o sangue coagulado, a cicatriz se abrindo. Eu saberia que ainda fazendo isso e juntando página por página, nenhuma teria valido o que valeu a minha Capitu. Não a de Machado de Assis e seu Dom Casmurro, mas a minha!
Máquina da desinvenção
[J.W.Papa]
Desinventei a amizade, desinventei o namoro, desinventei a cidade
desinventei tudo que fora inventado, e antes que fosse tarde
me revoltei com o sistema, chutei o balde
desinventei a velha máxima de que adolescente é tudo rebelde
e assim segui pela vida... desinventando as invenções existentes.
Desinventei minha infância, abandonei os livros, os amigos, a escola...
Senti-me como se fosse um adulto temporão
no pleito dessa minha nova desinvenção fui trabalhar nas férias:
- vendendo picolé, carpindo lotes, acompanhando e cuidando de idosos -
Logo alguém viu a merda que fiz e cismou de desinventá-la por mim.
Então, tive de me adaptar! Uma vez que, barriga vazia não para de roncar.
Sem querer inventei o fórceps!
Assim que nasci, desinventei o parto normal
e foi essa, a minha primeira desinvenção que deu o que falar.
Tornei-me logo cedo um grande desinventor
- marginalizado por minhas ideias revolucionárias de desinvenção.
Desinventei a guerra, desinventei a fome, desinventei a miséria
desinventei tudo que havia de ser desinventado
segui em frente desinventando tudo que pude sem olhar para trás
até que um dia cismei de inventar uma máquina que desinventasse as desinvenções
e assim tudo cessou de ser desinventado por mim.
A poesia parece ter morrido sufocada pelas transições nebulosas da fabrica que cria mentiras.
Parece não haver espaço para os apreciadores que saldosos tornam-se poucos
Durante a sua criação ela nasce e cresce consigo leva os turbilhões de idéias e emoções que em chamas arde o peito de quem há de escrevê-las.
É quase como vomitar aquilo que não se consome e pó assim dizer que para o poeta ela morre quando a caneta para em um ultimo nome.
"Quando você não se enxergar no meu olhar e a minha boca o seu nome não pronunciar é porque estou te beijando."
Guetto Moreno
Pele alva, olhos tristes, alma forte...
Sedenta de rios, cujo o nome: carinho.
Abomino a frieza, aquela, que não tem beleza e nem põe mesa.
A indiferença dos orgulhosos no penhasco,
Já não queima-me a carne,
Ofereço então meu regaço, misturado com meu canto, para seu pobre pranto.
Um pouco de Frida Kahlo
Chacoalhando a vida
Plantando flores na avenida
Colhendo pó, dor e despedidas.
Um pouco de Pagú Arteira,
amante do interno
Moderno da revolução,
Revoltada interrogação?
Um pouco de Maria...
Várias Marias,
Parida com manias
Intérprete de mim mesma.
Hoje vejo a chuva em nostalgia
leve, devagar, lavando a terra
e trazendo nas gotas a poesia
que sempre ela nos oferece
Hoje, mas somente hoje,
parece que algo nela não é
e que sua melodia ate carece
daquela força e de fé...
O que acontece, não sei,
algo com ela se deu
parodiando o poeta, pensei,
ela mudou ou mudei eu?
