Poesias sobre Preconceito
Se o meu jeito de ser agradar, serei considerada uma pessoa complacente, companheira e amiga. Mas, se o meu jeito mudar e passar a não mais agradar, serei julgada como preconceituosa. Logo, cai por terra o conceito de preconceito. Se águem possui conhecimento e experiência previa sobre mim, como pode mudar o meu conceito para o preconceito?
Quando suas crenças e opiniões vão contra as regras e as Leis, você vai estar dando murro em ponta de faca, e vai sofrer as conseqüências disso.
Só conseguiremos agir verdadeiramente juntos, quando nossas mãos estiverem entrelaçadas e nossos corações puderem emitir a luz da paz, cegando o preconceito e calando a voz da injustiça
Quando eu julgo, estou falando de mim, das minhas fraquezas, dos meus preconceitos vergonhosos, das minhas ignorâncias em camadas e dos meus medos, mas nunca de quem penso estar desqualificando, rotulando.
Se as pessoas pudessem falar tudo o que sabem, pensam e sentem, sem serem hostilizadas e sem correrem risco algum, talvez, ajudaria a ciência a conhecer a mente humana mais rapidamente.
Você pode dizer qualquer coisa, sobre qualquer coisa, sem correr o risco de ser processado por qualquer coisa que seja. É só você passar raspando pelas coisas, tirando aquele fininho, sem jogar ninguém no chão.
Fico observando como algumas pessoas dão extrema importância às aparências exteriores. Eu nunca dei a mínima pros estereótipos e padrões estéticos. Eu vivo a minha vida, segundo meu próprio estilo, independentemente daquilo que os outros estão ditando por aí. O importante é me sentir livre e bem comigo mesma, e pronto.
Minha história é isso, uma colcha de retalhos emocionais onde fé, dor, memória, solidão e lucidez coexistem como os fios que sustentam uma alma ferida, mas viva.
A inspiração vem da dor, sempre da dor... Cada gesto de escrita nasce de uma ferida fresca ou de um hematoma emocional, sem essa dor, minha voz se calaria. Reconhecer que só a angústia me impulsiona a criar é aceitar que a beleza de cada frase vem acompanhada do sabor amargo de lembranças que preferiria esquecer.
Existem pessoas dignas de pena, e isso é uma coisa muito triste. Quando alguém me olha com pena, sinto que perdem o respeito pela minha história e enxergam apenas a figura fragilizada. Essa “solidariedade” envenena mais do que auxilia, pois revela preconceito velado, acham que minha existência se resume ao sofrimento, e não ao ser humano que ainda resiste.
Existencialmente exausto. Cada nova manhã exige de mim uma façanha maior do que no dia anterior, levantar da cama parece um esforço incompatível com minha realidade física e emocional. Essa exaustão não se resume ao corpo cansado, mas se multiplica na mente, onde a luta contra pensamentos deprimentes consome qualquer resquício de energia que eu ainda guardasse.
Somos uma máquina perfeita, funcionamos quando todos os componentes estão saudáveis. O cérebro começa a falhar, e todo o corpo sofre, todo o corpo falha. Quando doente, percebi quão frágil é essa “máquina perfeita”. Cada célula agonizante reverberou em dor física e mental, lembrando-me que a dependência mútua entre corpo e mente torna qualquer lesão em um colapso sistêmico.
A solidão pode ser a cura de vários males. No isolamento forçado pelos leitos de hospital, encontrei uma retidão brutal, sem distrações, minha mente enfrentou cada trauma sem disfarces. Foi nesse vazio que reconheci o valor de estar só, lá, sem máscaras, pude confrontar o que me assombrava e, por um breve momento, aprender a me reconstruir sem a influência corrosiva dos olhares alheios.
Nascemos sem ter um futuro certo, sem saber o que haverá se porventura, tivermos um amanhã. Nossa vida é uma incógnita, agradeça todo instante a Deus, ou a qualquer força maior em que acredita. A vida é, por si só, um sopro. Aprendi, da forma mais cruel, que qualquer garantia de futuro se desfaz num segundo, meu “amanhã” virou promessa vazia. Agora, cada respiração é preciosa, pois reconhecer que existo é um milagre insistente, sustentado apenas por uma fé que teima em não me abandonar.
Não existe idade para recomeçar, o importante é que a mudança começou. Mesmo com cicatrizes profundas, descobri que cada etapa da recuperação, seja da fala, dos passos ou da esperança, é um recomeço. Não importa se os ossos não se curaram como antes, a coragem de tentar um passo novo, no instante exato, revela que a jornada renasce a cada esforço, sem data para terminar.
Às vezes a vida vai te apresentar acontecimentos que parecem ser o fim, e realmente é, porém é um fim necessário, esse fim chega para dar espaço para um novo e bonito começo. Comece diferente, que esse seu novo começo não se torne aquele fim que já foi embora. Escrever, por exemplo, tornou-se catarse que me mantém vivo, mas sei que esse novo rumo exige vigilância para não se perder no medo do passado.
Das palavras que escrevo, tiro menos de um milésimo do que realmente quero dizer. Algo prende a essência do lamentar, não posso tirar nada frutífero do que escondo. Talvez seja esse o verdadeiro e complexo eu, que vive sorrindo e escondendo tudo, para não machucar ninguém. Cada linha que transborda no papel representa apenas a ponta de um iceberg emocional, há tanto temor de ferir quem lê que as verdades mais profundas ficam guardadas num cofre trancado pela própria insegurança. Reconhecer essa lacuna entre o que sinto e o que mostro é o primeiro passo para, talvez um dia, soltar as amarras que me impedem de expor meu eu por inteiro.
Tem uma coisa que eu sou muito bom, sou bom em não ser bom em nada... Ao admitir minhas incoerências e falhas, percebo que me curvo a uma verdade dolorosa, minha identidade se fragmentou quando meu corpo e minha mente falharam. Reconhecer essa “incapacidade” sem me ressentir é um ato de amor próprio que ainda carrego como ambiguidade, saber que posso “não ser bom” em qualquer coisa, mas ainda assim mereço existir.
No princípio do princípio era tudo trevas, ausência de Deus, que é a luz. Não desanime, um degrau por vez. Fui lembrado que, mesmo quando não sinto Deus, Ele permanece oculto, movendo-me passo a passo. Esse princípio me ensina que cada conquista pequena, um som pronunciado, um passo sustentado, é um reflexo de uma luz que insiste em habitar onde só vejo escuridão.
