Poesias e poemas sobre Silêncio
Onde o Silêncio Reza
Havia um templo feito de pedra,
mas era o silêncio que sustentava suas paredes.
As velas queimavam lentamente,
como se soubessem que nem toda escuridão nasce da noite.
Os bancos antigos carregavam cicatrizes,
marcas de joelhos cansados e mãos unidas em oração.
Pediam apenas cuidado,
enquanto outros olhos enxergavam apenas cifras.
O ouro nunca brilhou mais que a fé.
Ainda assim, há quem troque a luz do altar
pelo reflexo frio das moedas,
esquecendo que toda riqueza roubada da esperança
cobra um preço que o tempo jamais perdoa.
Os sinos continuam a tocar,
mas seu som já não desperta apenas os fiéis.
Também desperta as consciências,
porque nenhuma sombra permanece escondida para sempre.
E quando a última vela se apagar,
não será a madeira, nem a pedra, que serão julgadas.
Serão os corações que confundiram o sagrado com interesse,
e fizeram do silêncio um cúmplice.
No fim, resta apenas a verdade:
ela caminha devagar, veste luto,
e sempre encontra o caminho de volta ao altar.
Doei-me por inteiro a algo que, de repente, já não significava mais nada. Aceitei o silêncio; ele não me feriu tanto quanto imaginei.
Mas ser esquecido por aqueles que um dia caminharam ao meu lado... essa foi a cicatriz mais profunda.
Ainda assim, não endureci. Tornei-me mais forte sem abandonar a gentileza, mais firme sem perder a humildade. Aprendi que cada coração trava batalhas invisíveis e que, muitas vezes, o abandono nasce da fraqueza de quem parte, não da insuficiência de quem permanece.
Por isso sigo adiante: com as marcas do esquecimento, mas sem permitir que elas roubem de mim a compaixão.
Pense anates falar.
Pense antes de Fazer.
E retribua as ofensas com carinhoe receba,
o silencio de quem nada pode te oferecer.
Inconcebíveis
Inconcebíveis palavras são ditas
No silêncio do pensamento
Exulta, ó sensível coração!
Tua essência é como uma árvore frutífera e sedenta
Que alimenta e sacia os pobres famintos;
Vem a mim, ó doce e apetecível vinho,
Deixa o teu líquido verter pelos córregos
O teu veneno imortal;
Deem-me numa taça as borbulhas
Deste intenso vermelho sanguíneo
Manchando minha consciência
No cume da minha eterna felicidade.
Esconde no recôndito de teu coração
O jardim que tanto cuidaste
Para a farta produção dos nobres parreirais.
As Margens do Silêncio
Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.
É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.
Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.
Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.
Sinais do Silêncio
Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.
Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.
Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.
Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.
Rita Padoin
Escritora
Falésias do Meu Silêncio
Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.
Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.
Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...
Rita Padoin
Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin
Do livro "Entrelinhas"
“Entre o silêncio e o caos, existe quem busca sentido:
Fé, moral, existência e os mistérios que inquietam a alma e provocam a mente.”
A gente nunca sabe o tamanho da luta que alguém está enfrentando em silêncio.
Por isso, que a nossa passagem pela vida dos outros seja leve. Que a gente saiba oferecer gentileza sem perguntar se será devolvida, cuidado sem fazer alarde e afeto sem medir merecimento.
Há encontros que não resolvem a vida, mas devolvem coragem para continuar.
E isso já é uma forma bonita de amor.
Edna de Andrade
Sou grato por você existir:
Você fica quando todo mundo vai embora.
Dividimos o silêncio sem nenhum peso.
Com você, eu posso ser quem sou.
O silencio também é isolamento defensivo..
Copyright, direitos autorais
Todos os direitos reservados a
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado
Na solidão no silêncio no quarto escuro abri as janelas da minh'alma e vi as estrelas a dançar no céu como se fosse fadas, a cantarolar pra mim.
Comecei a chorar, como eu chorei, de saudade daqueles dias de sol brilhando na estrada, e nas madrugadas, até chegar lá só pra te ver, te abracar e comemorar, as nossas vidas. O churrasco na fazenda, todos quanta alegria, nós cantavamos juntos até o anoitecer..até dormir e então sonhei e vi os anjos a me chamar..dizendo..vamos voar..
Copyright, direitos autorais
Todos os direitos reservados a
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado
Solene profundo.
O silêncio se faz poesia,
Como uma prosa bem contada,
Mas que sempre tem um fim.
É um desafeiçoamento sereno,
Onde as camadas se abrem
E a poesia se torna ruim.
Entre textos escondidos e segredos profundos,
O caos é meu aliado,
O silêncio, meu sagrado.
Tornando minha mente devastada,
Mas em meus punhos há uma saída
E no peito, uma despedida.
Penso silenciosamente
Penso em silêncio e toco levemente o invisível...
Seguro entre meus dedos a água fugidia da existência...
Sinto-a escorrendo pelos caminhos dos dias,
sua natureza é a de não parar,
segue como tudo aquilo que insiste em passar.
O tempo sussurra suavemente sua passagem.
Move-se com passos silenciosos...
Uma rotina a disfarçar um hábito cotidiano eternamente repetido,
um suave vento que mal se deixa ser ouvido.
"Bilhões de pessoas vivem no silêncio "
Bilhões de pessoas vivem no silêncio.
Caminhar pelo mundo hoje é testemunhar um paradoxo ensurdecedor. Olhamos ao redor e as praças, os cafés e os transportes públicos perderam o seu som mais bonito: o burburinho das conversas espontâneas, as risadas sem roteiro, o simples barulho de gente sendo gente. No lugar disso, impera o silêncio. Um silêncio iluminado pelo reflexo azul de telas de celulares, tablets e notebooks.
Estamos todos juntos, mas terrivelmente sós.
Criou-se uma cultura de egoísmo de não pertencimento. Por medo de nos machucarmos, ninguém mais quer se entregar por completo. Preferimos a segurança controlada de uma curtida à vulnerabilidade de um olhar. A internet prometeu nos aproximar do mundo, mas acabou nos afastando de quem está sentado na nossa frente.
A verdade é que fomos feitos para o encontro, para o abraço, para a partilha. Não fomos programados para a solidão digital. No futuro, a grande missão de psicólogos e psiquiatras não será apenas tratar doenças, mas nos ensinar novamente a viver em comunidade e a resgatar a humanidade que deixamos anestesiada entre as notificações.
Bilhões de pessoas vivem no silêncio. E o papel aceita o meu desabafo, na esperança de que alguém, do outro lado de uma tela, decida que é hora de voltar a conversar.
(Marilene Lira)
Setembro/2026
O viciado grita por socorro em um silêncio que o mundo insiste em não ouvir.
— Douglas Santos - Os Viciados Estão Sozinhos! Pare de se fazer de vítima.
Nem todo silêncio é maturidade. Às vezes, o silêncio é apenas um esconderijo mais elegante.
— O Segredo Entre Mim, Deus e o Diabo
Agora quero é movimento, ventania,
o rumor das folhas quebrando o silêncio,
a estrada abrindo seus braços de poeira,
o coração desaprendendo o medo.
