Poesias e poemas sobre Silêncio
O silêncio
é um verdadeiro patuá.
Guarda mistérios,
protege verdades
que a palavra
às vezes profana.
O silêncio
é um verdadeiro patuá,
pendurado no peito da alma
para proteger
aquilo que o mundo
ainda não merece ouvir.
O silêncio
é um verdadeiro patuá.
Nele são costuradas
as palavras que poderiam ferir
e as verdades
que o mundo não sabe ouvir,
interpretar e aceitar....
✍©️@MiriamDaCosta
Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
eu me inclino,
e ali,
sem ruído algum,
tua palavra me atravessa
como raio de luz.
E me descubro,
não como quem observa,
mas como quem pertence
à mesma língua muda
que o vento sussurra
e as folhas compreendem.
Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
reflito-me na tua palavra.
E, nesse instante suspenso,
sou menos voz
e mais escuta,
menos forma
e mais essência.
Como se, em ti,
eu me lembrasse
daquilo que sempre fui
antes de me dizer.
✍©️@MiriamDaCosta
22/03 — dia da Água
Dentro do símbolo H₂O
existe a vida
e em seu silêncio transparente
habita o princípio de tudo.
Água que corre
que molda
que insiste
que, mesmo sem forma,
desenha o mundo.
Na fórmula H₂O
existe a vida
latejando invisível
em cada célula
correndo nas veias da terra
e nas nossas,
sem pedir licença.
Água,
o milagre que não grita
mas sustenta tudo.
✍©️ @MiriamDaCosta
Quem sou eu?
Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.
Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.
Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.
Quem sou eu?
Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.
O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.
Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.
Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.
Quem sou eu?
Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.
Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.
Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.
Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.
No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...
✍@MiriamDaCosta
Se eu tivesse sido concebida
pela brisa do silêncio,
eu não teria brotado
um furacão de palavras ...
e não teria espargido pétalas de poesia
nas estrofes do vento da minha existência,
que sussurra versos gritantes de vida
entre as linhas do tsunami da minh'alma ...
Um'alma poética
ama o silêncio
mas não pode
ser silenciosa ...
ela não é silente
e nem faz ruído
ela escreve...
✍©️@MiriamDaCosta
Toda lagartinha
traz em silêncio
um segredo guardado...
o vôo
que ainda não nasceu
as asas
que dormem dobradas
a beleza
que o tempo amadurece...
Ela rasteja devagar
mas dentro dela
há um céu
esperando para se abrir...
✍©️@MiriamDaCosta
Os sonhos não dormem e nem morrem,
apenas aguardam, em silêncio,
o instante em que a tua alma desperte
e teus passos os chamem para dançar...
Eles se escondem nas frestas do tempo,
respiram dentro do teu peito,
sussurram na tua sombra,
esperando que a tua coragem
lhes devolva o corpo da vida...
Porque sonhos são sementes eternas,
que mesmo soterrados e esquecidos,
guardam em si a fúria da primavera....
✍©️@MiriamDaCosta
Talvez, o amar...
Nas inquietas noites, onde o silêncio pesa,
caminho por dentro de mim, sem direção,
como quem busca, entre ruínas e promessas,
um vestígio da tua antiga voz no coração.
Cada lembrança tua é uma chama acesa,
ardendo mansa nessa escuridão chamada saudade cheia de nostalgia;
ilumina o que perdi, revela a fraqueza,
mas também aquece a minha solidão tardia.
Há ainda o teu nome nas paredes do pensamento,
sussurrado pelo vento, pela chuva, pelo chão;
e mesmo quando tento calá-lo no tempo,
ele floresce, teimoso, dentro do meu coração.
Talvez amar seja carregar ausências,
guardar no peito aquilo que partiu,
reconhecer, entre tantas presenças,
o vazio que o adeus nunca cobriu.
Mas hoje, devagar, recolho os pedaços,
deixo a noite passar sobre a minha pele;
e descubro, entre lágrimas e abraços,
que também renasce quem um dia se perdeu.
Pois toda chama, mesmo quando fere,
pode ensinar o caminho de volta;
e o coração, cansado, ainda prefere
abrir-se ao amanhã, mesmo diante de uma fechada porta.
Domingo de sol,
assim é com você:
mesmo quando a manhã desperta
vestida de silêncio,
há uma luz secreta
nascendo em seu olhar.
O silêncio me diz tantas coisas, que as vezes ele grita audivelmente em meio ao barulho do que não foi dito.
José Luís Gonçalves de Sousa
Psicólogo
Estou de partida,
cansei desta vida,
procuro, em silêncio,
na penumbra dos dias a porta escondida.
Levo nos olhos
o sal das marés,
um céu despedaçado
e muitos antigos porquês.
Fui ave ferida,
sem ninho, sem canto,
voando entre abismos,
bebendo o fel do pranto.
Mas há, sob as cinzas,
uma brasa acesa;
um sopro pequeno
de pura e doce surpresa.
Talvez a saída
não seja partir,
mas abrir as asas
e aprender a voar por caminhos opacos
me equilibrar entre os que realmente estão a existir.
Talvez o caminho a se fazer... se refazer...
comece no chão,
quando a própria queda
se torna impulso e mão.
Se a noite me cerca com seu véu profundo,
ainda há estrelas espiando o mundo.
E, mesmo cansada,
minha alma se atreve:
há vida escondida neste instante tão breve.
Não parto do mundo,
parto do que me dói;
deixo para trás um medo que me estrangula e me corrói.
Recolho meus cacos,
reaprendo a voar:
sou ave ferida,
mas posso pousar...
e, assim que curada, recomeçar.
Amanhã, talvez,
com o peito aberto,
descubra na estrada
um recomeço perto...
faça eu um voo certo.
Talvez eu não tivesse
Talvez o céu possa explicar
o silêncio que nasceu em mim,
quando as estrelas se apagaram
sem dizer se voltariam.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas, frias e mortas;
elas já foram rios abertos,
tocando o mundo com esperança,
acendendo manhãs em portas esquecidas.
Eu não tinha esse olhar perdido,
vagando entre sombras e distâncias,
procurando no rosto da noite
a luz que um dia me chamou.
Talvez o céu saiba onde escondi
as palavras que não consegui dizer,
os abraços interrompidos,
a coragem deixada à beira do medo.
Se houver uma estrela para mim,
que ela desça devagar,
como uma lágrima luminosa,
e repouse sobre meu peito.
Talvez então minhas mãos se lembrem
do calor de outras mãos,
e meus olhos, cansados de perder,
aprendam novamente a esperar.
Porque mesmo no fundo do silêncio,
há um coração, quase invisível,
batendo baixinho –
como quem ainda pede para viver.
A saudade me visita quando você me deixa para depois...
E eu me perco em meio ao silêncio da espera,
como quem caminha sem norte,
buscando no vento um sinal de você.
É nesse vazio suspenso que descubro
o quanto sua presença me é respiro,
e o quanto me falta quando não está.
Lamento por Orelha
Na areia da praia ficou o silêncio,
onde antes corria teu riso canino.
Orelha, amigo de olhar sincero,
te tiraram a vida num ato tão vil, tão mesquinho.
Não foi a natureza, nem o tempo,
foi a mão cruel que não soube amar.
Covardia não vence lealdade,
nem apaga o bem que soubeste deixar.
Teu latido ainda ecoa no vento,
teu afeto mora em quem soube te ver.
Descansa em paz, pequeno guerreiro,
há uma justiça maior a te acolher.
Quem ama jamais esquece,
quem sente, jamais se cala.
Orelha vive na memória
e no clamor de toda alma que não se conforma.
Se você soubesse o que eu sei,
e penso ao seu respeito,
Entenderia meu silêncio diante da sua latumia.
De que serve a minha poesia
se a sua boca não me diz,
se o silêncio faz sangria
no que eu quiz fazer feliz
de que serve o verso escrito
com o peso da intenção
se o meu grito mais bonito
não alcança o seu perdão .
pois a rima se esvazia
e o papel vira desterro
de que serve minha poesia
se seu beijo é o meu erro.
Eu construí meu castelo com as pedras que atiraram em mim,
fiz do silêncio meu elo,
para um novo e forte motim.
Não serei mais o mesmo que antes
eu juro que não serei,
sou agora as minhas variantes
Em tudo que me tornei.
Me reinventei, sim, me refiz
Com a luz que em mim encontrei,
Enfim, me achei, fui feliz,
E para sempre serei.
A noite.
A noite é o momento em que o som do nada se torna ensurdecedor.
Aquele silêncio que ora pressupôs paz, calor, de repente se desdobra em uma sinfonia desalinhada, suja, barulhenta, repleta de impudicícias e desarmonia.
É onde de repente, em um suspiro, a
sintonia se transforma naqueles pensamentos, velozes como a luz, ou como a ausência dela.
E então me pego pensando no Whisky barato, no vazio e no cansaço, no futuro, passado e no tempo que não passa quando as luzes se apagam.
E na noite.
A noite que dói, que trás vazio, falta, desespero, apego e mágoa. Que faz esperar um fio de luz em meio aquilo que não se pode enxergar.
Barulhenta e fria noite. Barulhenta e fria sátira.
