Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Teus olhos são como gritos insuportavelmente agudos. Ensurdece minha mente caótica, quase me levando a inconsciência. Diante deles sou irreconhecível, sensível, e às vezes até me julgo estúpido. Abro mão dos meus orgulhos, das minhas certezas, me atirando no abismo pelo qual me encanto desregradamente. Basta um único olhar e sou invadido brutalmente pelas suas verdades, suas intimidades inseguras, que chamam por mim como uma criança suplica pelo colo de sua mãe. Já se tornou inevitável não ampará-las. Hoje não sei mais quem sou, agir conforme quero não é mais certo de acontecer. Minha única certeza e que sem você não sou vida, vago pelas ruas sem razão de existir. Não posso nem cogitar a possibilidade de um dia não tela ao meu lado e uma aflição insuportável se propaga em meu estomago. Imerjo-me fatalmente no escuro e doce brilho que entre piscadas e sorrisos ingênuos esplende do seu olhar.
Não procure me entender, eu mesmo já tive dificuldades o bastante fazendo isso. Sou tudo aquilo que quero ser, associado com o que realmente sou e o que fazem ser de mim. Ao mesmo tempo que existo, sou inexistente aos olhos de tudo aquilo que me define. Assim como um fantasma que vive intensamente sem ao menos dar importancia em ser invisivel.
E quando o seu amor chega e você ri todos os dias pelos cantos, você até se emociona em momentos onde a felicidade toma conta do seu coração, por todo amor que está sentindo por aquela mulher que você quer ver sorrindo para sempre ao seu lado.
[…] Sem pensar duas vezes, dia 12 de Junho daquele mesmo ano, tomei coragem e a pedi em namoro. Ganhei ali, o que seria meu “grande presente de aniversário”, que na verdade, foi um presente para minha vida inteira. A Princesa e o Plebeu, que ali, me transformara em um Príncipe.
A vida que eu tenho levado logo me forçará a escolher um caminho, dentre eles, a ‘morte’ e a ‘frieza’. A morte, não física, não da carne, mas a morte do meu eu interior. A morte dos sentimentos, vindo da morte ‘espiritual’. A frieza de deixar de lado qualquer sentimento ligado à ela. A frieza de não se importar, e perder o encanto da vida. […]
Se não podeis deixar as coisas do mundo, fazei uso delas de tal modo que não vos prendam a ele, possuindo os bens terrenos sem deixar que vos possuam.
Usemos as coisas temporais, mas desejemos as eternas. As coisas temporais sejam simples ajuda para a caminhada, mas as eternas, o termo do nosso peregrinar.
Tudo o que se passa neste mundo seja considerado como acessório. Que o olhar do nosso espírito se volte para frente, fixando-nos firmemente nos bens futuros que esperamos alcançar
Nas construções, uma pedra está agarrada a outra, se não fosse assim, a construção cairia. Assim deve ser entre nós: devemos viver unidos uns aos outros, em família e na sociedade.
O caminho é estreito e difícil para aquele que caminha por ele triste e com pena de si; porém é largo e fácil para aquele que caminha com amor.
... a sabedoria deste mundo está em esconder as maquinações do coração, velar o sentido das palavras, mostrar como verdadeiro o que é falso, demonstrar ser errado aquilo que é verdadeiro".
Todo aquele que estuda para chegar à iluminação, à contemplação do sagrado, devia começar perguntando a si mesmo quanto ama. Pois o amor é a força motriz da mente, que o tira do mundo e o inspira para o alto.
O que melhor define a lei de Cristo é a caridade, e esta caridade a praticamos de verdade quando toleramos por amor o peso dos irmãos.
Muitos ensinam o que adquiriram com o estudo, não com a conduta, e assim o que pregam com a palavra destroem com o seu modo de vida”.
Nada na natureza das coisas materiais é mais duradouro do que o céu e a terra e nada aqui na terra passa mais depressa que uma palavra pronunciada.
Aproximação que vira amizade trazendo confiança até que haja confidencialidade; Logo após, tais segredos se tornam pensamentos latentes ao ouvinte, convertendo-se em flash de fantasias, evoluindo para episódios de sonhos, que trás insônia e pensamentos fixados. Virou desejo, que trás dependência, que mexe com a líbido e nós leva a decisões... então começa a culpa, e entre culpados, não há inocentes.
Se esperam muito de você, não importa o quanto faças, será sempre pouco; porém, se és do tipo de quem nada se espera, tua mínima entrega será maravilhosa.
Ser forte ante as máculas proferidas por ignóbeis, sem responder ou se nivelar a eles, é tarefa difícil. Somente alcançável com a lapidação da pedra bruta intrínseca.
Uma vez um cietista sábio disse que dois corpos, no qual um é apolar e outro polar, ambos estão destinados a nunca se juntar. Entretanto um velho filósofo contestou o cientista sábio, alegando: "Quando quer se amar, mistura polar com apolar. Se não der eu irei inventar outra química. É assim que a gente faz. Já dizia o poeta que o amor a gente inventa. E pra inventar a gente tenta".
Muitas vezes aceitamos muito menos do que merecemos, e isso está intrinsecamente ligado ao julgamento que fazemos de nós mesmos.
