Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Abandonar uma argumentação sem sentido não é sinal de fraqueza, é sinal de sensatez. A inteligência tem seus limites, mas a estupidez não.
Muitas pessoas parecem cultivarem essa ideia de que pesquisadores são inocentes por quererem proteger vidas, mesmo de animais. Seria nossa inocência ou seria ignorância de quem acusa? Vamos lembrar que apesar de que pesquisadores criaram a bomba atômica, quem puxou o gatilho foram políticos.
Para mim, uma das coisas mais libertadoras na vida é quando nos treinamos para não precisarmos de aprovação das pessoas.
O maior problema do Brasil não são os políticos, é a população. A população possui certas formas de pensar, e os políticos exploram isso. Essas formas de pensar atrasam o país, impede o progresso, nos torna prisioneiros do passado, do fracasso.
Quando o povo da luz pratica na frente das câmeras um dos maiores genocídios da humanidade, não consigo parar de me perguntar: para que serve a religião? Para que serve Deus? Não consigo parar de concluir: para nada, além de para justificar genocídio, racismo, machismo, tudo aquilo que já deveríamos ter superado, mas a religião insiste em manter. Ninguém mata em nome do diabo. O diabo serve para as pessoas não assumirem responsabilidade por suas atrocidades.
Entre o conforto da mente religiosa que não muda nem com fatos, e a mente do pesquisador, que responde a fatos, nossa política vai de trancos a barrancos.
Uma das maiores lições que aprendi no meu doutorado é que não há nenhum problema ir em um caminho, quando a maioria vai em outro.
No ensino médio havia um exercício que fazíamos muito: você tinha de ler o título de um texto e adivinhar o conteúdo, e depois ler. Atualmente, a pessoas se comunicam por prints. O prints tem um título, e o artigo na página. Raramente as pessoas estão lendo o conteúdo dos textos.
Não para de me surpreender quão conseguimos convencer as pessoas de eventos extraordinários, somente convencendo eles de ser algo divino, de Deus. Uma vez que consegue convencer as pessoas da existência de Deus, o cérebro deixa de ser importante, eventos tão bizarros quanto os da Bíblia passam a ser válidos. A explicação mais fácil é estórias tribais, mas a mais aceita seria inspirada por Deus. Pessoas passam a levar para o lado pessoal somente ao apresentar alternativas, inclusive, mais prováveis.
"Multiplicarei grandemente o teu sofrimento na gravidez; em meio à agonia darás à luz filhos; seguirás desejando influenciar o teu marido, mas ele te dominará." (Gênesis 3:16)
Ao estudar a Bíblia e suas narrativas para meu livro mais recente, surpreende-me a quantidade de estórias que recebem uma interpretação totalmente oposto à aquela que uma pessoa sem fé chegaria. A estória são péssimas, e a moral não tem qualquer conexão com o texto. Seria como chegar à conclusão de que o Lobo mal é o herói da estória, não o vilão. Um grande exemplo é a estória de Jó. A ideia de que Deus é uma figura a admirar quando tortura seu seguidor mais fiel é sem sentido. Não faz qualquer sentido em admirar um Deus que tortura uma pessoa que representa o ápice de lealdade, tudo para preencher a insegurança de uma figura onisciente. Pensar que uma figura te tortura, e você ainda o admira, isso foge ao meu ver qualquer sentido lógico, que somente existe dentro da religião, e não existem em nenhuma parte.
Suponha que eu afirme que existe uma partícula X, e essa partícula é necessária para existência do universo. Acredito que todos concordariam que essa afirmação é científica, e precisa ser testada, e provado a existência dessas partículas. Isso poderia ser a teoria das cordas. Por que com Deus é diferente? Um ser que criou o universo e continua influenciando a realidade, de tempos em tempos ele cancela as leis da natureza e ajuda pessoas que rezam para ele. A existência de Deus é uma afirmação científica do universo, não é uma afirmação meramente pessoal e de fé, a existência de Deus é uma afirmação do funcionamento do universo, desde o início ao fim.
Ainda temos religião impregnada nas nossas vidas, seja homem, seja mulher. A inhaca da religião impregna sua, envenena tudo.
A mentira é mais atraente do que a verdade, mesmo quando a verdade tenta desesperadamente arrombar a porta.
Os únicos que ganham com o desinteresse pela política são os políticos incompetentes. Seremos sempre governados por idiotas, enquanto as pessoas não acordarem que vivem em uma democracia.
Em algum lugar do mundo, tem pelo uma religião que vai me mandar para o inferno, mesmo que eu escolha uma religião. Tenho duas escolhas: ignorar, e seguir em frente com minha vida; ou, me submeter ao Deus mais próximo, por conveniência. A maioria prefere o Deus mais próximo, eu prefiro ignorar e seguir em frente com minha vida.
Eu acho que muitas pessoas acreditam em Deus por preguiça mesmo, por conveniência, por medo. Não acreditar em Deus leva coragem e tempo para estudar e refletir, e chegar à conclusão de que não existe nada além da Bíblia que fala da existência de Deus, e menos ainda que suporte essa criatura invisível, e maquiavélica. Exigi coragem de aceitar que estamos muito provavelmente sozinhos no universo, e que não somos o centro de nada. Menos ainda especiais.
Da mesma forma que houve a descolonização das nações, precisamos nos descolonizar de Deus. No caso de Deus é simples: precisamos somente parar de ensinar sobre Deus para as crianças. Deus vai desaparecer rápido, porque eu nunca existiu, exceto na mente das pessoas, no imaginário coletivo, no medo que nos une.
Um fato curioso é que Albert Einstein rejeitou o ateísmo, isso causa desconforto entre ateístas online; e prazer aos religiosos que confundem o Deus de Spinoza com o Deus dos crentes: uma visão deísta com uma visão teísta.
Muitos crentes insistem que precisamos sermos temente a Deus para sermos humildes, Einstein dizia: ego= 1/conhecimento. A humildade pode nascer do conhecimento, que foi o caso de Einstien e o Deus de Spinoza.
