Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Não para de me surpreender quão conseguimos convencer as pessoas de eventos extraordinários, somente convencendo eles de ser algo divino, de Deus. Uma vez que consegue convencer as pessoas da existência de Deus, o cérebro deixa de ser importante, eventos tão bizarros quanto os da Bíblia passam a ser válidos. A explicação mais fácil é estórias tribais, mas a mais aceita seria inspirada por Deus. Pessoas passam a levar para o lado pessoal somente ao apresentar alternativas, inclusive, mais prováveis.
"Multiplicarei grandemente o teu sofrimento na gravidez; em meio à agonia darás à luz filhos; seguirás desejando influenciar o teu marido, mas ele te dominará." (Gênesis 3:16)
Ao estudar a Bíblia e suas narrativas para meu livro mais recente, surpreende-me a quantidade de estórias que recebem uma interpretação totalmente oposto à aquela que uma pessoa sem fé chegaria. A estória são péssimas, e a moral não tem qualquer conexão com o texto. Seria como chegar à conclusão de que o Lobo mal é o herói da estória, não o vilão. Um grande exemplo é a estória de Jó. A ideia de que Deus é uma figura a admirar quando tortura seu seguidor mais fiel é sem sentido. Não faz qualquer sentido em admirar um Deus que tortura uma pessoa que representa o ápice de lealdade, tudo para preencher a insegurança de uma figura onisciente. Pensar que uma figura te tortura, e você ainda o admira, isso foge ao meu ver qualquer sentido lógico, que somente existe dentro da religião, e não existem em nenhuma parte.
Suponha que eu afirme que existe uma partícula X, e essa partícula é necessária para existência do universo. Acredito que todos concordariam que essa afirmação é científica, e precisa ser testada, e provado a existência dessas partículas. Isso poderia ser a teoria das cordas. Por que com Deus é diferente? Um ser que criou o universo e continua influenciando a realidade, de tempos em tempos ele cancela as leis da natureza e ajuda pessoas que rezam para ele. A existência de Deus é uma afirmação científica do universo, não é uma afirmação meramente pessoal e de fé, a existência de Deus é uma afirmação do funcionamento do universo, desde o início ao fim.
Ainda temos religião impregnada nas nossas vidas, seja homem, seja mulher. A inhaca da religião impregna sua, envenena tudo.
A mentira é mais atraente do que a verdade, mesmo quando a verdade tenta desesperadamente arrombar a porta.
Os únicos que ganham com o desinteresse pela política são os políticos incompetentes. Seremos sempre governados por idiotas, enquanto as pessoas não acordarem que vivem em uma democracia.
Em algum lugar do mundo, tem pelo uma religião que vai me mandar para o inferno, mesmo que eu escolha uma religião. Tenho duas escolhas: ignorar, e seguir em frente com minha vida; ou, me submeter ao Deus mais próximo, por conveniência. A maioria prefere o Deus mais próximo, eu prefiro ignorar e seguir em frente com minha vida.
Eu acho que muitas pessoas acreditam em Deus por preguiça mesmo, por conveniência, por medo. Não acreditar em Deus leva coragem e tempo para estudar e refletir, e chegar à conclusão de que não existe nada além da Bíblia que fala da existência de Deus, e menos ainda que suporte essa criatura invisível, e maquiavélica. Exigi coragem de aceitar que estamos muito provavelmente sozinhos no universo, e que não somos o centro de nada. Menos ainda especiais.
Da mesma forma que houve a descolonização das nações, precisamos nos descolonizar de Deus. No caso de Deus é simples: precisamos somente parar de ensinar sobre Deus para as crianças. Deus vai desaparecer rápido, porque eu nunca existiu, exceto na mente das pessoas, no imaginário coletivo, no medo que nos une.
Um fato curioso é que Albert Einstein rejeitou o ateísmo, isso causa desconforto entre ateístas online; e prazer aos religiosos que confundem o Deus de Spinoza com o Deus dos crentes: uma visão deísta com uma visão teísta.
Muitos crentes insistem que precisamos sermos temente a Deus para sermos humildes, Einstein dizia: ego= 1/conhecimento. A humildade pode nascer do conhecimento, que foi o caso de Einstien e o Deus de Spinoza.
O "Deus de Spinoza" é uma metáfora para a maravilha do universo, um reconhecimento das leis naturais como algo digno de reverência, mas sem consciência ou intenção. Contrastando isso com o Deus pessoal dos teístas – que responde a preces, dita moralidades e tem um plano para a humanidade – o salto, como Hitchens aponta, é enorme.
Os estados americanos que ainda permitem a palmatória são religiosos. Sam Harris, em sua crítica à religião e aos métodos tradicionais de educação e moralidade, frequentemente aborda como o condicionamento por medo ou punição é arcaico e contraproducente. Um exemplo que ele destaca é a prática de punições corporais em algumas partes dos Estados Unidos, especialmente nos estados mais religiosos.
O ateísmo vai surgir como estado natural das coisas, como melhor educação e melhorias de vida da população. O ateísmo, diferente da religião, surge como estado natural da humanidade. O ateísmo não é um produto, e nem precisa ser imposto.
É comum ver argumentações religiosas que tentam usurpar o progresso da humanidade e dar para religiões, especialmente o cristianismo: as evidências mostram que a religião pode ter atrasado a humanidade em séculos, e gerado sofrimento e dor desnecessários.
A medicina está passando por uma revolução científica silenciosa que, no futuro, poderá redefinir a maneira como entendemos a vida e a humanidade. Isso significa que o que significa ser humano não será diferente de ser um hard drive. Se sermos comparados com macacos tira os religiosos do sério, não posso imaginar a reação quando descobrirem que somos hard drivers.
O ateísmo vem sofrendo mudanças rápidas nas últimas décadas. O termo ateu é antigo: os cristãos já foram chamados de ateus no passado, na Grécia quando o cristianismo ainda era uma religião marginalizada. Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor (Paulo Freire), resume bem o que ocorreu com o cristianismo. Depois de sofrerem nas mãos dos gregos e egípcios, eles se tornam por mais de 2.000 anos os opressores, usando o termo ateísmo contra outros, o que lhe foi feitos antes.
O cristianismo, que nasceu como uma religião marginalizada e perseguida, transformou-se ao longo dos séculos em uma força hegemônica, utilizando o mesmo tipo de exclusão e opressão que outrora enfrentara. O termo "ateísmo", que no passado simbolizava uma recusa a certos panteões religiosos, foi ressignificado pelo cristianismo para estigmatizar aqueles que rejeitavam ou questionavam sua visão teológica.
O cristianismo se baseia em obediência cega, e zero criticismo e evidências. São cegos guiados por cegos e guiando outros cego, rumo ao precipício que ele chamam de arrebatamento, onde o desastre tem um nome: anticristo, onde todos serão levados para o lado de Jesus eternamente.
