Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Sozinha não posso mudar o mundo, mas posso lançar uma pedra sobre as águas e fazer muitas ondulações.
Há na cultura mundial de hoje toda uma mitologia, toda uma idealização das revoluções, como se não fossem acontecimentos separados, mas sim etapas de uma caminhada em direção à liberdade crescente. Pode-se discernir, de fato, um sentido geral e unitário na sucessão de revoluções — mas ele não aponta na direção da liberdade crescente e sim no do crescimento do poder, no do aumento da distância entre o poderoso e o homem comum.
O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida.
Gregório acredita ainda que o homem é um microcosmo do universo, nele encontramos correspondência entre o corpo humano e o universo. Mas o homem não é a imagem do universo, mas a representação de Deus e como tal está situado acima de todas as outras criaturas do mundo.
Uma brisa suave de um beijo...
Vieste como uma leve brisa...
Beijou o meu rosto e afagou a minha alma!
Deixou o meu coração em êxtase total...
Encheu a minha alma de felicidade!
Fiquei por alguns segundos flutuando...
Senti a mais deliciosa sensação de bem-estar!
Viajei nas asas da imaginação,
Senti levemente o seu toque em mim...
Senti a leveza dos seus lábios no meu rosto,
me fazendo sonhar...
O seu toque macio do seu beijo em mim...
O doce roçar dos seus lábios úmidos, me deixou fora de mim...
O seu hálito perfumado e quente, fazendo a minha pele arrepiar...
O seu perfume de flores me deixou estático de amor...
Tempestade sempre rola, mas minha fé desvia. Mau-olhado aqui é mato e eu sou mais eu. Já, já queima sempre a energia negativa, sempre que a vibe destrutiva se aproxima. Quando a porta abria e apareci, eu sabia o que Deus tinha guardado, e meu choro sorria.
Juventude do Brasil!
Tentei fazer uma poesia delicada
Sem criticar, sem agredir, sem dá pancada
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir minha cabeça pra esse tema
Que fique claro, a juventude não tem culpa
É o eletrônico confundindo sua cuca
Todos os dias falam de jovens no jornal
E o culpado disso tudo é o capital
Que aliena incentivando ao consumismo
Com propagandas direcionadas ao modismo
Ja acabaram com a cultura e a diversão
E o próximo passo é acabar com a educação
A juventude é cada vez mais agredida
São retirados seus direitos, seus sonhos e seus projetos de vida
Tentam exclui - lo do convívio social
O sujeito jovem urbano e tambem o rural
Quando querem gritar, é calada a sua voz
Mas não conseguiram parar essa juventude aguerrida e feroz
Que tem objetivos e planos e muita determinação
Para se conscientizar e lutar contra a força da alienação
Avante juventude, o Brasil precisa de ti, vem lutar
Defenda a democracia e organize a rebeldia para o projeto popular!!!
Queria te falar tudo que sinto
O quanto já sonhei com você
As vezes que dormi sentindo seu cheiro
E as que fiquei acordado vendo a noite passar
O quanto te senti num travesseiro...
Mas me contento muito em saber
Que o sorriso que você deu
Foi eu que coloquei lá"...
Me pego pensando porque às vezes, só bem às vezes, eu pareço tão idiota!
Me desculpa, eu preciso do seu amor e do seu calor para me sentir bem.
Eu vejo aquela criança cabisbaixa com as mãos cruzadas,a morada dela é a rua.
Onde está a moralidade do Brasil?
"O homem é o lobo do homem."
(Thomas Hobbes)
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Naturalmente os homens, devido ao seu egoísmo, viveriam em guerra de todos contra todos, cada um tendendo a defender os seus próprios interesses. Conforme palavras de Hobbes, em estado natural o "homem é o lobo do homem". Nesse estado o homem ficaria prejudicado em seus interesse egoístas pois a qualquer momento poderia perder o seu primeiro bem que é a vida.
(*) A citação é encontrada erroneamente atribuída a Plauto
Nas curvas da noite
Na geografia de teu corpo, aprofundo-me!
Feito cientista, estudo tua anatomia.
Sinto-me um calouro com um mapa às mãos.
Descubro curvas
- por onde ando -
segredos impressos,
versos poéticos
poemas inteiros.
Quanto mais arrisco-me
tanto mais confundo-me!
Desbravo a ti,
feito um bandeirante
desbrava a terra nova.
Monto campana em teus olhos
- que de tão brilhantes -
reflete todo o meu pecado.
Embriago-me em teus lábios
padeço em teu riso,
sorriso doce feito a lua de dezembro.
E tu, andas por ai...
A esquivar-se de mim,
a negar-se um estudo mais aprofundado.
Trabalho científico, coisa séria,
com os riscos e tudo o mais.
Nas planícies de teu território,
tens domínio pleno sobre mim.
Permitas uma observação in loco,
és um meu estudo de caso.
Conforma-se em meu corpo!
Embarco na tua viagem
navego por tua ternura
e aporto em tua ilha.
Já não podes fugir,
estou em todos os teus sonhos.
Delírio: Deliro por ti, deliras tu também, por mim.
Adeus às armas!
Mastro firme fincado à terra
bandeira içada aos quatro ventos
corpo cansado da intensa batalha
suor banhando a testa.
A guerra chega ao fim, a noite padece
Nasce o sol, surge o dia.
As guerras dizem que ocorrem por nobres razões: a segurança internacional, a dignidade nacional, a democracia, a liberdade, a ordem, o mandato da civilização ou a vontade de Deus.
Nenhuma tem a honestidade de confessar: "Eu mato para roubar".
A pior das instituições gregárias se intitula exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir
qualquer prazer em desfilar aos sons de música, eu desprezo este homem... Não merece um cérebro humano, já que a medula espinhal o satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência gratuita e o nacionalismo débil. A guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferiria deixar-me assassinar a participar desta ignomínia.
Somos soldados de nós mesmos.
A vida dá as batalhas mais difíceis aos soldados mais fortes.
Somos o exército de um homem só.
A vida é feita de lutas é por isso que somos todos soldados até o fim de nossos dias.
Vivemos, Sonhamos e Morremos.
Vem curtir a onda comigo, sou a salvação e o perigo,
Vem sentir a briza comigo, sou a dádiva e o castigo.
Uma simples palavra que tira vida, que sufoca pessoas que não podem gritar que não tem força simplesmente por motivos banais, por serem a minoria são oprimidos; mas sempre aonde existe o mal, existe o bem, ao menos se você tiver boa mente, bons olhos para enxergá-lo, e mesmo aonde a prepotência reina, o amor vence, derrota, acaba.
Mesmo que tenhamos que fazer sacrifícios.
No fim tudo fica bem, mesmo que você não concorde com as decisões, o inverno se aproxima.
Consequências da neutralidade:
… se dois vizinhos poderosos teus (do príncipe) se puserem a brigar, ou são de qualidade que, vencendo um deles tenhas que temer o vencedor, ou não. Em qualquer caso ser-te-á sempre mais útil descobrir-te e fazer guerra de fato, porque no primeiro caso, se não te descobrires, serás sempre presa de quem vencer, com grande prazer daquele que foi vencido, e não tens razão nem coisa alguma em tua defesa, nem quem te acolha.
(O Príncipe - cap.XXI)
Agitação, descanso
Quando me ponho às vezes a considerar as diversas agitações dos homens, e os perigos e trabalhos a que eles se expõem, na corte, na guerra, donde nascem tantas querelas, paixões, cometimentos ousados e muitas vezes nocivos, etc., descubro que toda a miséria dos homens vem duma só coisa, que é não saberem permanecer em repouso, num quarto. Um homem que tenha o bastante para viver, se fosse capaz de ficar em sua casa com prazer não sairia para ir viajar por mar ou pôr cerco a uma praça-forte. Ninguém compraria tão caro um posto no exército se não achasse insuportável deixar-se estar quieto na cidade; e quem procura a convivência e a diversão dos jogos é porque é incapaz de ficar, em casa, com prazer.
Mas quando pensei melhor, e que, depois de ter encontrado a causa de todos os nossos males, quis descobrir a razão desta, achei que há uma bem efetiva, que consiste na natural infelicidade da nossa condição frágil e mortal, e tão miserável que nada nos pode consolar quando nela pensamos a fundo.
Gostoso
Gostoso é um beijar
De abstinência,
Quando tudo está
Perdido.
É um traçar de guerra
Em toda amplidão,
Enquanto o beija-flor
Pede a paz vizinha.
É um colar de pérolas
No teu pescoço
Para realçar o batom.
