Poesias de Dor
A dor de amor
Pobre coração alvorecido
O teu sono é vinilo
E o teu despertar ominoso,
Choro, choro, de dor autousa
Lágrimas,
Que descem neste meu rosto greda,
Choro! Choro!
Pobre alma perdida
Na conjuntura do vazio escuro
Deste meu corpo morto por te herdado,
Hoo! Que Sentimento nociceptivo tu és amor.
TRISTE QUIETUDE
As árvores cansadas da dor
Deixavam cair seus braços tão tristes
E o sol castigava as pedras do chão
Como ferro quente a marcar o gado,
Na tarde já morta de sede.
Só uns cabelos de oiro
Esvoaçavam loucos na brisa infernal...
Eram os teus procurando os meus,
Na triste quietude da tarde defunta.
Fugiram os pássaros e tudo o que é vida
Da vida que tem sangue nas veias.
Dolorosamente, em prantos de cinzas
As árvores tornaram-se pó
E os ramos partiram-se numa chuva
De mil pedaços queimados.
O sol escondeu-se amedrontado;
A tarde e a brisa quente
Feneceram de saudade.
Só ficaram os teus cabelos de oiro
Sempre à procura dos meus,
Revoltos na triste quietude...
Mas tudo tão inútil.
(Carlos de Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 27-08-2022)
I N V E N Ç Ã O
Fui eu que inventei o amor,
Mesmo sem saber se era dor
Aquele ardor que se sente
Logo que se pronuncia
A palavra amor.
Senti-lo, é bem pior
Do que praticá-lo?
Eu sei lá!
Só sei que o amor
É uma coisa
Que quase deixaram
De pronunciar
Com medo do bicho amor.
Afinal, não fui eu
Que inventei o amor
E jamais
O inventarei.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 01-09-2022)
Dizem que a dor é tratável, mas o sofrimento não…
Se a dor é já sofrimento, trate-se os dois ao mesmo tempo, digo eu.
DORA DA MINHA DOR
Clamei por ti noites inteiras.
Eras a Dora
Da minha hora,
Que foi amar-te nas clareiras
Das selvas em que vivi.
E eu sempre a chamar por ti.
E a Dora que agora
Me desadora,
Esta perfumada e rica senhora
De berloques de jóias gamadas,
De mamas por gigas sustentadas,
Faz de conta que não existo
Na sua memória cruel!
Não adiantou eu dizer: Sou o Manel,
O que te aliviou o "vírgulo"!
Pelo visto e sem mais vírgula
É triste lembrar assim
Quem não se lembra de mim...
Ah, Dora, mulher fatal,
Que matas qualquer mortal
Como me mataste por fim!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-05-2023)
Quem és tu jurando amor?
E quais são tuas promessas?
Quem és tu espalhando dor?
Quem és tu vivendo às pressas?
Escreva tudo em teu livro;
Imite os sons da natureza;
Procure alguém que esteja vivo;
Mesmo cheio de incertezas.
A saudade dos mortos pode ser uma perda de tempo, visto que a dor, ou sentimentos de culpa, juntos ou separadamente, não trazem ninguém de volta;
Mas a saudade dos vivos, se for verdadeira, faz sair de casa, a pé, de ônibus, carroça, de qualquer forma, importando apenas com o encontro, para rir do tempo que fez desencontrar.
Fibromialgia, a dor que nunca passa.
Meu corpo a muito padece de tantas dores generalizada, não há um ou outro ponto em especifico.
São diversas tarefas, até as mais corriqueiras como pentear o cabelo ou caminhar até o portão, me inunda de dores.
No decorrer do dia e da noite, tenho pelo corpo grande variações de dores, tanto faz se dormindo ou acordada é pesadelo.
O que mais dói são os comentarios de quem não tem empatia comigo devido minhas dores!
A dor que mais me dói é a incompreensão daqueles que não a sente.
As demais dores o tempo trata de nos fazer conviver com ela.
A dor de se sentir invisível por alguém que tem poder emocional sobre você é um dos sentimentos mais cruéis que existe. Não importa se é amor romântico, amizade, hierarquia ou tudo junto. Quando essa pessoa te nega reconhecimento e respeito básicos e distribui sorrisos seletivos ao lado, isso atinge diretamente seu valor percebido. Especialmente quando o comportamento do outro oscila. Um dia é frieza, no outro é sorriso e “toquinho de mão". Isso te prende num ciclo de “recompensa emocional”, igual vício. A necessidade quase insana de validação se transforma em migalhas, junto com a anulação própria pra ser “visto”.
A questão é: ou você acorda e muda. Ou vc aceita essa condição e adoece.
Retornar ao lugar que outrora nos causou dor é como andar no caminho escuro e deserto, imerso em temor e agitação. É uma jornada repleta de incertezas e obstáculos, que nos faz reviver traumas e angústias já enterrados.
Ser solitário durante toda a jornada da vida não é senão um fardo a ser carregado, dia após dia. Não haver uma mão amiga que possa oferecer amparo e conforto quando a fadiga nos consome é uma provação que nos faz sentir como soldados em constante estado de alerta, numa guerra sem fim.
Essa solidão agonizante pode nos consumir e deixar cicatrizes profundas.
Tudo na vida é passageiro, assim como a tempestade passa, as lágrimas levam embora a dor no peito.
Nada dura para sempre.
O colo de uma amiga
Senhor, hoje eu não aguentei
De tanta dor desabei
Fui buscar um ombro amigo
Pai, meu coração disparou
Como a minh'alma gritou
Eu estava tão aflito
Deus, tive que verbalizar
Precisei desabafar
Pois estava quase explodindo
Ah, se não fosse o Senhor
Que uma amiga enviou
Para emprestar-me os ouvidos
Recebi colo, carinho e afeto
Tudo o que esperava receber da minha mãe
Depois de tanto chorar eu confesso Senhor
O alívio foi tão completo
Achei que não suportaria o peso, meu Deus
Das lutas que apareceram
Mas pela tua bondade e graça meu Pai
De fé minh'alma se encheu
Dedicado a minha amiga Sabrina, que foi o colo que eu precisava em um dia tão amargo da minha vida. Deus te abençoe!
Inveja
A idade adulta me trouxe a dor de cotovelo.
As crianças são o meu alvo. Morro de inveja delas.
....E a(h)orta do seu coração se fez jardim...
Quando arranquei toda a dor... E plantei sementinhas de Amor perfeito e laços do amor...
AMIGAS LÁGRIMAS
Quando eu sozinho chorava por tristeza e dor, as lágrimas eram minhas companheiras,
desprezei não por querer, apenas por não perceber que além
dos sentimentos de dor e tristeza, tinha como companhia no rosto o gosto salobro das lágrimas.
Às
vezes
não é amigo.
É só alguém que
vê a dor em seus olhos,
enquanto todo mundo ainda
acredita no sorriso em seu rosto.
