Poesia Toada do Amor de Carlos Drumond

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⁠POÉTICO SONETO

Pode passar o tempo, seguidamente
Pode haver estória sem ter fomento
Mas quando o poeta fica sem alento
A prosa se torna morna inteiramente
Anos a fio, tendi ir em frente, tente!
Ou viver somente carente e sedento
O fado, por certo, deixará fragmento
E o versejar não terá parte da gente

O poema chora, fica contente, é amor
Desta vertente a sensação é um teor
Tem prazer, dor, mas nunca obsoleto
Tudo, o acaso, ao trovador é paralelo
Traçando um sentido delineado e belo
Contado, então, num poético soneto!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
27 agosto, 2022, 19’36” – Araguari, MG

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⁠PASSADO

Passado. Pra que desenterrá-lo
Se já passou e, assim, encerrado
O agrado se foi, então, é andado
É uma lembrança, antigo regalo
Então sinta sem o acaso vassalo
Pois, na recordação está fixado
E no tempo remoto, ali, deixado
O novo, porque não vivenciá-lo

Na verdade, tudo tem um final
E o que importa é estar amado
E na métrica do viver é ser real
E, mesmo que estejas indignado
Cuide bem, e que seja essencial
Deixando no outrora o passado!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02/09/2022, 05’55” – Araguari, MG

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⁠PROPÓSITO DE ANO NOVO

Da esperança vai o meu desejo:
- que o afeto de fato prevaleça
- virtude e credulidade floresça
Que seja todavia, mais, ensejo
Assim, o que me tem lampejo:
- a boa sorte a quem a mereça
- e que a paz e o bem alvoreça
Nos propósitos de só malfazejo

Que os dias sejam de prosperidade
Em cada fazer a boa total verdade
Deixando qualquer mal de partida
Que a crença à Deus seja composto
E remova a mentira de cada suposto
E o amor o melhor sentido na vida!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 de dezembro, 2021 – Araguari, MG

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⁠CHUVARADA

O cheiro único, acre, tão saboroso
De terra molhada, na chuva dada
No cerrado. É uma oração rezada
Num inconfundível feito saudoso
No terreiro, ventania e chuvarada
O quintal com o seu aroma aquoso
É de um espírito tão maravilhoso
Faz a alma da gente... enxarcada

A infância pisa junto na enxurrada
De chão batido, escorre no meio fio
Aguaça, diversão e risada ensopada
Camarada, chove chuva de motão
Mais desejada, doce e leve no feitio
Aroma tão, da chuvarada no sertão!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 janeiro, 2022, 07’30” – Araguari, MG

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⁠CERRADO EM PRIMAVERA

Como é divino ver a viçada primavera
do cerrado. O virente recama o prado!
A vida enflorada, a fascinação impera
O chão, o ar, o ser, olhar transfigurado
Cada canto ornado de cheirosa quimera
Na imensidão do céu, um céu estrelado
Como se poético cerne em tudo houvera
O encanto e benzer de Deus despertado

E vejo o cerrado de um florear ramado
Versos de sedução feitos de varias cores
Do sertão que a atração vai desenhando
Então, floresce meus versos em louvores
Em prosas, teores, e o belo multiplicando
Enformando o cerrado de copiosas flores

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Setembro, 2021, 10’06” – Araguari, MG

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⁠O CAIS DA SAUDADE

Mas sem a lembrança e o vazio, sofreguidão
Como sentir o pranto, dor se pouco se sentia
Dos contrastes do fado nosso: tristura, alegria
No começo onde se quer harmonia e sensação
Pois, no meu querer, o meu apego é vigilante
Constante, infiltrado na emoção que conforta
Que consola, sente, mora e a sedução aporta
Me colocando próximo, embora tão distante

Tenho tantos caminhos e diversos cansaços
Muitos os lamentos nos abraços dos braços
Na busca daquele porto seguro, minha vida!
E cá, tal navegante a beira do cais, sussurrante
No pôr do sol do cerrado, um solitário errante
Vivo a suspirar a saudade na solidão sentida...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16 dezembro, 2021, 11’22” – Araguari, MG

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⁠[…]no jardim...
entre tantas flores, ramagem, folhagem e jasmim...
aquela rosa chamou a atenção, de tão amarela que era...
bela, então, me aproximei dela... retratei!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2022, cerrado mineiro

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⁠UMA SOLIDÃO

Solidão! Escrava eterna da agonia
Abafante como o calor escaldante
É impaciência de agrura constante
Um lamento em uma vazia utopia
Tens o jeito de irritar em demasia
E se fazer dum pranto sussurrante
Uma falta, a sensação dilacerante
Silêncio sem qualquer harmonia

Tudo vão, dá-nos a dor dolorosa
Dum gozo de uma tortura furiosa
Que das entranhas do ermo mana
E, tão cheia de repleta memória
Do acaso uma árdua palmatória
No modo de se achar soberana...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 janeiro, 2022, 16’37” – Araguari, MG

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⁠NOITE

Quando o dia se finda na Ave Maria
No cerrado. O manto da noite arrasta
O céu se fecha numa soturna poesia
E a melancolia traz sensação crasta

Quando a hora final da luz se afasta
No horizonte o sol escorre e esfolia
A escuridão e o esplendor, nefasta
Monotonia há numa saudade arredia

Quando a sombra sobe e vai comendo
O fulgor do sertão, e obscuro, quando
Arrepiam os sentimentos adormecidos

Ouve-se o silêncio inteiro gemendo,
Que na vastidão o vazio sussurrando
Presente-se os sentimentos partidos...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29, dezembro 2021, 18’28” – Araguari, MG

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⁠FAZ-SE NOITE

Embrulha-se o cerrado no véu negro
Num descorado manto de melancolia
O anoitecer parece sussurrante canto
Ressoando as ladainhas da Ave-Maria
E neste espetáculo de um mimo tanto
O completar do clarão de mais um dia
Esvai-se o feito num contínuo encanto
Pra encenar a lua tão cândida e luzidia

No terreiro, vaga-lumes, tão distantes
No seu bailado cintilantes e delirantes
Decoram as tardes pra na magia tê-las
Faz-se noite, que nos seja bem vinda
Linda, leve e de tranquilidade infinda
Balsamado com o cheiro das estrelas

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
25 janeiro, 2022, 20’44” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠DISPARADA

Abarrotados sonhos pressurosos
Vão no viver, indo em disparada
São esmeros e gestos vaporosos
Do fado, numa condição agitada
Desejo, ensejo, todos cobiçosos
Amores, e a tal alma apaixonada
Corre o tempo em atos curiosos
Veloz, numa viagem pela estrada

No galope do ser aquele intento
Na casual o diverso sentimento
Tudo no acontecimento da sorte
Tudo passa, apressado, ó dureza
Num piscar fugaz e de incerteza
De um começo, meio e a morte!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27 janeiro, 2022, 10’45” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A VOZ DA SAUDADE

Se a madrugada, acordada, plena
Branca de luar e a sensação vazia
A emoção apertada de um dilema
Faz o peito ranger de dura agonia
O silêncio na imensidão extrema
O pensamento a situação irradia
Tal um sofrente e sentido poema
De ciciosa insônia, aguada e fria

E o coração se cala no que sentia
A escuridão fala pra dor da gente
Como um canto de acre soledade
Num tom dolente a falta arrepia
Porque mais que o ruido ardente
Vozeia a voz acética da saudade...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28 janeiro, 2022, 15’34” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SINOS

Rompendo o silêncio do campanário
Sinos da Capela tangem fortemente
Musicando com fervor o fiel rosário
Qual faz palpitar a devoção da gente
Suplicas! as badaladas do rogo diário
Aliança. O sino bate fervorosamente
Seu planger o tom de estuo cenário
Onde a fé vibra numa toada presente

Dentro d’alma bimbalha a esperança
Num hino do coração em confiança
Para o espírito cheio de fraternidade
Ribomba o sino da Capela, é batida
De crença, onde a paixão é acolhida
Nos aflorando o amor e benignidade...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 janeiro, 2022, 17’04” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠[...] curso

uma rosa desabrochada
no tempo passada
retalhada
ou nada
ainda bela, encantada
com inspiração...
Uma rosa caída
ao chão
ainda uma rosa
divina criação...
Formosa!
Brota outro botão!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30 janeiro, 2022, 08’56” – Araguari, MG

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⁠⁠LUAR NO CERRADO

Nos confins do sertão eis que acontece
O níveo clarão de uma diáfana doçura
Que na imensidão do céu resplandece
Descorando a negrura da noite escura
Num entreabrir desvanece e aparece
As estrelas, ornando a ti, ó formosura
Em um balé de harmonia e de prece
Enchendo de poesia, graça e candura

O luar no cerrado, probo e tão divinal
Guia da noite, confidente e boa prosa
Sempre revelado no angelical castiço
O luar no cerrado, de fase temporal:
Nova, crescente, minguante, gibosa
E ao matuto: ilusão, sonho e feitiço!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30 janeiro, 2022, 20’06” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Fevereiro, que rompa
Suave, alegre e racional
Traga na folia a compreensão
Cuidados, afinal
Pra haver repetição
A vida tem de ser integral
E neste bonde não seja um passageiro
Bem-vindo fevereiro!
Que assim seja especial!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 janeiro, 2022 – Araguari, MG

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⁠QUISERA SER DIFERENTE

Cá a imaginar um soneto diferente
Leve como a inspiração no abstrato
Pode ser engalanado ou com recato
Porém, com sentimento incipiente
Que suas rimas transborde o prato
Da inspiração e, no amor suficiente
Com quimera radiante e presente
Onde do autêntico seja fiel retrato

E nesta de dar vida paralelamente
Ao belo e o agrado, que o translato
Seja reluzente, tal o sol no poente
Pois, o quero na imaginação exato
No coração contagiante e ingente
Que não caiba num "post" barato

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Dezembro, 2016 - Cerrado goiano

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⁠INQUIETAS SAUDADES

Elas chegam como à flor pendida
Mirrando o peito, agasta sensação
Ou como a dor a cutucar sentida
No desejo, no espírito, no coração
Elas chegam tal senhora da vida
Doída. E o agrado clama em vão
Numa fereza e ousadia incontida
Arrancando o sossego da razão

Inquietas saudades, até quando?
Está lágrima a me rolar chorando
Gastando, tão de aflição demais
Desvanecido resta o sentimento
Sussurrando a todo o momento...
Ufanas, elas tragam mais e mais

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
01/02/2021, 19’00” – Araguari, MG

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⁠DONDE

Cá, um poema incógnito e moroso
Fatigante, melancólico e sem vida
Que corta o verso no sentir caloso
Tal e qual uma sensação repartida
Penetra silente num sonho umbroso
Da imaginação, tal uma negra ferida
Fazendo do prosar pravo e doloroso
Numa poética carente e tão sofrida

Assim, nas margens do seu fadário
O trovador se vê inquieto e solitário
Em que a tal sofrência nele esconde
Ah, infortunado versar dorido e duro
De um desalento, latente, tão escuro
Que a gente sente, sem saber donde!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04 fevereiro, 2021, 10’53” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠MEU ARAGUARI

Serra do cerrado! Onde a perdiz pia
Chão cascalhado de iguaria caseira
Onde a cada canto é canto e poesia
Gente certa duma alma hospitaleira
Terra diversa! De roçado e de vacaria
Duma prosa ao pé da cansada aroeira
Das maritacas e a boa água que sacia
Onde tal saudade, assim, faz fronteira

Serras azuis, do ipê e da quaresmeira
Encanto que encanta a beleza inteira
Dignifica a quem tem o suspiro daqui
Cá, onde o cair do sol é bela sensação
Em um delírio de agrado e de emoção
Ó singelo portento és o meu Araguari!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
06 fevereiro, 2022, 13’37” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol